Mesa-redonda 5. Vertentes dos estudos da tradução

Inês Oseki-Dépré (Université d’Aix)
Christiane Stallaert (K.U. Leuven/Universiteit Antwerpen)
Luise Von Flotow (Université d’Ottawa)

Coordenação: Andréia Guerini (UFSC)

5ª feira 26/09, 17:30

LOCAL: Auditório Garapuvu (CENTRO DE EVENTOS)

Haverá intérpretes de LIBRAS - fundo preto

Contribuição da “Tarefa do tradutor” de Walter Benjamin à tradutologia literária: convergências e divergências

Inês Oseki-Dépré, pr. Emérita Universidade Aix-Marseille

Até os anos 70, a tradução era considerada, como diz Jean-René Ladmiral, como “um meio de acesso a um texto cuja língua desconhecemos”. Desde então, mais precisamente durante a década de 70-80, ela conheceu um grande desenvolvimento teórico oscilando entre os estudos sócio-linguisticos (The translation studies) e os estudos literários.

Os progressos tradutológicos não se contam mais e a interdisciplinaridade permitiu resultados espetaculares (sociologia, interculturalidade, pos-colonialimo, gender studies, antropologia…) no campo da tradução..

Nossa preocupação desde o inicio concerne a relação intrínseca e fundamental entre tradutologia e literatura comparada. Dentro desse quadro, a maior contribuição aos estudos tradutológicos parece provir da filosofia através de Walter Benjamin (mais tarde Steiner, Antoine Berman, Paul de Man, Paul Ricoeur e talvez Umberto Eco) que tenta definir não só o campo da disciplina (ou da inter-disciplina) mas as noções básicas (tradução, interpretação, criação) que envolvem a passagem de um texto literário de uma língua para outra.

Nesse âmbito, a tradução literária aparece como uma máquina de recriação poética da qual a proposta de Walter Benjamin fornece os elementos de uma crítica.

Nossa proposta consiste em demonstrar que as posições mais radicais dentre os trans-criadores contemporâneos podem ser consideradas como um prolongamento das premissas da “Tarefa” (Haroldo de Campos, Ezra Pound, Jacques Roubaud entre outros).

A virada antropológica nos Estudos de Tradução

Christiane Stallaert

Após a virada pragmática (“pragmatic turn”) dos anos 1970, a virada cultural (“cultural turn”) da década de 1980 abriu o caminho para a crescente interdisciplinaridade nos Estudos de Tradução a partir dos anos 90. O fim da Guerra Fria e do mundo bipolar deu um impulso aos processos de globalização, caracterizados pela intensificação dos fluxos e intercâmbios de pessoas, culturas, produtos, ideias e conceitos. Nas Ciências Sociais novos conceitos foram cunhados para descrever as mudanças na ordem social, desde as “comunidades imaginadas” de Benedict Anderson até os “ethno-scapes” de Appadurai. O estudo de realidades localmente enraizadas e supostamente estáveis foi cedendo lugar às análises de conexões, fluxos, fronteiras, hibridizações e creolizações. A pesquisa se reorientou do local/estático como objeto de análise em direção a um maior interesse pelo movimento ou fluxo, produtor de transformação. De modo crescente percebe-se que a tarefa do antropólogo não é diferente da do tradutor e que ambos, ao longo do desenvolvimento disciplinar, se enfrentam com o mesmo dilema colocado pelo diálogo intercultural, que é a construção de comparações. Comparar – assim como traduzir – significa criar convergências e homologias entre elementos anteriormente díspares (Michel Callon, 2006, p.32), sem que tal implique a nivelação de suas diferenças. Na nossa aportação pretendemos destacar certas tendências significantes da ‘cross’-fertilização entre ambas disciplinas – a Antropologia e os Estudos de Tradução- nos inícios do século XXI.

Translating Women: from beyond the Anglo-American Eurozone

Luise Von Flotow

Building on the 2011 book, Translating Women (University of Ottawa Press, ed. L. von Flotow), my roundtable presentation will address the difficulties of moving beyond the Anglo-American Eurozone in Translation Studies to focus on “women and translation” in other parts of the world. I will discuss the project Translating Women 2: from beyond the Anglo-American Eurozone, forthcoming 2014/2015.

While I consider it of great interest and value to move away from “Eurocentric” studies in our field, this step is also fraught with problems: for one that of exoticizing the “other” woman and engaging in a kind of academic tourism, where the details and intimate social and cultural connections bypass or remain concealed for the outside observer. For another: that of imposing a certain perspective, a certain judgment through choices made, texts edited in certain ways, other texts refused that in and of itself has a Eurocentric or Anglo-American flavour to it. Finally, for a third, that of raising ethical and political issues and repercussions when editors’ positions and decisions (including translation decisions) misunderstand or ignore the political impact of certain opinions (i.e. research and writing about women is currently not encouraged in Iran.)

(Programação sujeita a alterações)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s