Simpósio: TRADUÇÕES DA AMAZÔNIA BRASILEIRA: INTERCULTURALIDADES E INTERDISCIPLINARIDADES

Coordenadores:
José Guilherme Fernandes (PPGLS/UFPA)
Sylvia Maria Trusen (UFPA)

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Este Simpósio reunirá estudos no âmbito da história cultural e estudos comparados, em torno das teorias da tradução, entendida esta última como atividade que precede todo ato de leitura (tradução intra/interlingual).

Abrigará propostas voltadas à compreensão dos processos de tradução cultural, focados no repertório da Amazônia como alvo/fonte de produções discursivas em diferentes esferas da linguagem humana (línguas, arte, literatura, política, práticas educativas, mídias), priorizando-se o estudo da narrativa/memória como um mosaico intercultural e interdisciplinar de versões sobre a região,  que, por seu turno, constroem campos de saber e de poder, referendados em construções discursivas, orais ou escritas, conforme as respectivas instituições legitimadoras.

Local: Sala 225, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 DA VOZ DA AMÉRICA ÀS VOZES DE ALENQUER: LEITURAS DE UM AUTOR-TRANSCRITOR
Sylvia Maria Trusen (PPGLS/UFPA)
“FALLING INTO THE RIVER NEGRO”: TRADUÇÃO CULTURAL INTRA/INTERLINGUAL
Davi Silva Gonçalves (PGLI/UFSC)
Ideias e Práticas na construção do ASA – Acervo de Saberes Amazônicos
José Guilherme dos Santos Fernandes (PPGLS/UFPA)
Wanna Célli da Silva Sousa (PPGLS/UFPA)
Max de Souza Pinheiro (PPGLS/UFPA)
15:30-17:00 UMA INCURSÃO INTERCULTURAL PELAS PARTÍCULAS KO E PE DO KA’APÓR NAS NARRATIVAS: A TRADUÇÃO NAS EXPRESSÕES DE TEMPO E LUGAR
Raimunda Benedita Cristina Caldas (PPGLS/UFPA)
A RELAÇÃO TRADUTÓRIA DE RILKE NA AMAZÔNIA COMO FORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO LITERÁRIA
João Jairo Moraes Vansiler (PPGL/UFPA)
SEMIOSE, REPRESENTAÇÃO E SIGNIFICAÇÃO DA AMAZÔNIA NA TRADUÇÃO CULTURAL E INTERLINGUÍSTICA DA LENDA INDÍGENA TAMBATAJÁ
Silvia Helena Benchimol Barros (UFPA)
A TRADUÇÃO DA AMAZÔNIA EM THE SEA AND THE JUNGLE (1912)
Helio Rocha (UNIR)

RESUMOS

1) Da voz da América às vozes de Alenquer: leituras de um autor-transcritor

Proponente: Dra Sylvia Maria Trusen
Profa Universidade Federal do Pará-UFPA/PPGLS

Resumo: Partindo da metáfora da tradução, como operação peculiar à leitura – conforme postula dentre outros Larrosa (1996), Jakobson (1995) e Arrojo (1993) – pretende-se examinar as diferentes narrativas transcritas, lidas e/ou ouvidas pelo narrador de Verde Vagomundo, de Benedicto Monteiro, espécie de autor-transcritor. De fato, se coube ao protagonista do romance de Benedicto Monteiro verter, acredita, fielmente para a escrita uma multiplicidade de discursos (das notícias da Voz da América, provindas do rádio, às narrativas oriundas da voz do caboclo Miguel dos Santos Prazeres), resultou de sua pena, uma narrativa, simultaneamente, fragmentada e polifônica.

2) “Falling into the River Negro”: Tradução Cultural Intra/Interlingual

Proponente: Davi Silva Gonçalves
Instituição: UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Comunicação e Expressão – Programa de Pós-graduação em Língua Inglesa. Florianópolis

Como argumenta Trivedi (2005), a tradução literária resulta, principalmente, de uma negociação (p. 3). Tendo isto em mente essa comunicação investiga o romance The Brothers, escrito pelo amazonense Milton Hatoum em 2000 – sendo o nome do texto fonte “Dois Irmãos” – e traduzido para o inglês por John Gledson em 2002. Com o intuito de promover a institucionalização da região amazônica esta foi reinventada frente aos interesses expansionistas da cultura ocidental, e, invertendo uma relação de poder previamente estabelecida através desses discursos tendenciosos e questionáveis – como evidenciado no livro de viagens A Journey in Brazil (1868), aqui comparado com o romance de Hatoum – The Brothers permite que a Amazônia fale por si, através do olhar e memória fragmentada de um narrador de identidade híbrida – dividido por sua confusa história de vida entre dicotomias tais como colonizado/colonizador, ameríndio/estrangeiro, selvagem/civilizado e, principalmente, passado/futuro – que passeia pelas lacunas de uma região sentenciada pelo neocolonialismo a existir em um não-lugar durante um não-tempo (Halberstam, 2005).

3) Ideias e Práticas na construção do ASA – Acervo de Saberes Amazônicos

Nome do Proponentes:
Dr. José Guilherme dos Santos Fernandes;
Wanna Célli da Silva Sousa
Max de Souza Pinheiro
Instituição: Universidade Federal do Pará – UFPA/PPGLS

Resumo: O artigo Ideias e Práticas na construção do ASA – Acervo de Saberes Amazônicos tem por objetivo apresentar uma síntese do percurso cumprido até o presente momento na construção de um acervo de saberes (práticas e discursos narrativos referentes a uma dada comunidade) amazônicos no interior do Programa de Pós- Graduação em Linguagens e Saberes da Amazônia (PPGLS), discutindo os problemas, as conclusões e as escolhas feitas pelo grupo em relação ao registro, o estudo e análise de textos narrativos da região amazônica, considerando a possibilidade de construção de uma codificação que indicie circunstancias da coleta, suporte de registro e classificação das narrativas. Para tanto, utilizaremos os conceitos de estrutura e sistema (BARTHES, 1964; PROPP, 1984; TODORV, 2006), tradução (BENJAMIN, 2008) e interculturalidade (MATO, 2008). O procedimento metodológico está pautado na busca por uma sistematização que envolve: a escolha das categorias de classificação das narrativas coletadas (história de vida, mito, conto, lenda, epopeia, fábula e depoimento); elaboração de modelo de transcrição (grafemático); preocupação com a qualidade e preservação das mídias (áudio, vídeo, foto, texto); codificação do acervo e registro minucioso dos pesquisadores e narradores envolvidos. Preliminarmente, foi constituído um grupo envolvendo um professor, dois alunos do programa e duas alunas bolsistas da graduação, que tem buscado metodologias apropriadas para realizar a tradução cultural dos saberes interculturais com os quais se deparam os pesquisadores do programa. A importância da implementação deste modelo de registro e análise, para os estudos de tradução, advêm da consideração de que a tradução não é apenas interlingual, mas também intralingual, intercultural e intersemiótica.

4) A relação tradutória de Rilke na Amazônia como formação e atualização literária

Nome do Proponente e Titulação: João Jairo Moraes Vansiler, Mestrando PPGL
Instituição: Universidade Federal do Pará – UFPA

Resumo: Belém do Pará, considerada a metrópole da Amazônia brasileira, vivia nas primeiras décadas do século XX, um período de profundas crises: econômica, social, política e estética. Tratava-se da decadência, após vários anos, no século XIX sendo a Paris na América, fruto do período áureo do ciclo da borracha, da Belle époque, como ficou conhecida. A influência francesa estava em tudo, alterando desde a arquitetura até o modo de vida do povo da cidade, que adquirira o hábito de tomar café nos terraces e livrarias e ir ao cinema, além de assistir concertos e óperas vindas exclusivamente para o recém-construído Teatro da Paz. Em literatura o parnasianismo ditava as normas. Os folhetins movimentavam os Cafés com as novidades traduzidas do francês, atravessadas por Portugal, nos jornais A Província do Pará e a Folha do Norte. Isso tudo se esgota com a perda do monopólio mundial da borracha para as plantations da Malásia, começando um período de tensões que demonstrou a fragilidade e o isolamento desta região brasileira. Quando o Brasil comemorava em 1922 os seus 100 anos de Independência, especialmente em São Paulo, ouve-se falar num projeto modernista com a Semana de Arte Moderna, ironicamente em Belém é em 1923, ano comemorativo do centenário da Adesão do Pará a Independência, veio a prelo a revista Belém Nova. Houve nesta revista uma posição por parte de seus colaboradores uma relação ambígua, pois embora combatessem o francesismo também resistiam às presunções de influências paulistas, alimentando um prolixo debate sobre a identidade nacional tendo como pano de fundo as tensões políticas e econômicas do Brasil da época, que relegou a literatura paraense, e até a brasileira, em um ensimesmamento regional, caindo no influxo de relações com as novidades estéticas universais. Esse influxo será rompido com a chamada “era dos suplementos” por iniciativa dos jornais brasileiros a partir da década de 1940. É nesse particular que percebemos no Suplemento Arte-literatura do Jornal “A Folha do Norte” como um elemento universalizante que visou atualizar a literatura paraense, colocando-a em sintonia com as novidades mais afortunadas do Brasil e do Mundo, tendo na “troca” um hábito relacional, onde a tradução recebeu um papel de destaque. Esta proposta discuti estas traduções veiculadas entre 1946 à 1952 no referido Suplemento, onde a incidência de traduções de R. M. Rilke é majoritária. vindas de todas as regiões do Brasil e de Portugal, com Paulo Quintela e ensaios sobre tradução literária por João Gaspar Simões. Ao considerarmos a teoria da tradução preconizada por Schleiermacher em seu Sobre os diferentes métodos de tradução e a sua releitura contemporânea por teóricos como Lawrence Venutti e Antoine Berman, percebemos a emergência da valorização do “outro” na formação de “próprio”, em que conceitos fundamentais de Schleiermacher como “domesticação” e “extrangeirização” são articulados como uma visada ética da tradução. Visão que, quando pensada a luz do conceito romântico de Bildung (enquanto formação), atua como um operador central para demonstrar o processo de formação da literatura amazônica pelo contato relacional, a partir da tradução de Rilke. A atualização tanto da poética rilkeana quanto da literatura amazônica deixou marcas, ou cicatrizes, colocando-a em sintonia não apenas com o resto do Brasil, mas também com o mundo, dentro do que Goethe pensou como Weltliteratur (literatura universal).

5) A tradução da Amazônia em The Sea and the Jungle (1912)
Nome do Proponente Helio Rocha
Instituição: Universidade Federal de Rondonia – UNIR

Resumo: Meu propósito nesta comunicação e demonstrar como a Amazônia brasileira fora representada em The Sea and the Jungle (1912). Esse relato e resultado da viagem do jornalista, ensaísta, combatente na Primeira Guerra Mundial e logo pacifista radical, romancista e contista britânico H. M. Tomlinson (1873-1958), que embarcou no navio S. S. England, no cais de Swansea, Pais de Gales e, depois de cruzar o oceano Atlântico aportou em Santa Maria de Belém do Grão Para, Brasil; dali seguiu pelo rio Para, atingiu o rio Amazonas através do Furo do Boiussu e seguiu pelo rio Madeira ate Porto Velho, a cidade-empresa de Percival Farquhar (1864-1953). Para analisar as diversas representações da Amazônia Paraense, Amazonense e Madeirense, utilizo noções advindas do Pos-Colonialismo, Estética do Sublime e Critica Literária.

6) SEMIOSE, REPRESENTAÇÃO E SIGNIFICAÇÃO DA AMAZÔNIA NA TRADUÇÃO CULTURAL E INTERLINGUÍSTICA DA LENDA INDÍGENA TAMBATAJÁ

Nome do Proponente: SILVIA HELENA BENCHIMOL BARROS
Instituição: Universidade Federal do Pará

Este trabalho tem como fundamento as percepções de que língua e cultura são indissociáveis assim como linguagem e pensamento também o são e a compreensão de Linguagem, não como mera ferramenta de expressão do pensamento, mas como formadora e transformadora dele. Nesta perspectiva, tratamos de tradução como correspondência sígnia propondo o enfoque da tradução cultural na tentativa de transposição intersemiótica e interlinguística de uma lenda da literatura amazônica: Tambatajá – o amor mortal que não morre, uma versão dos índios Taulipangue, para a Língua Inglesa. Lenda e tradução estão presentes na obra A Conversão Semiótica na Arte e na Cultura de autoria do poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro. O trabalho concentra-se na análise e compreensão das soluções encontradas para a conversão do “intraduzível” inerente à lenda e suas peculiaridades locais a partir de ambientes interdisciplinares de investigação.

7) Uma incursão intercultural pelas partículas ko e pe do Ka’apór nas narrativas: a tradução nas expressões de tempo e lugar

Nome do Proponente: Dra Raimunda Benedita Cristina Caldas
Instituição: Universidade Federal do Pará – UFPA/PPGLS

O presente trabalho discute tradução e interculturalidade nas formas ko e pe do Ka’apór, língua do ramo VIII da Família Tupí-Guaraní (RODRIGUES, 1986), enquanto expressões reiterativas do discurso. Considera na tradução do ka’apór para o português de que modo as noções de tempo e lugar são expressas nas narrativas. Em Ka’apór as formas ko e pe indicam na tradução para o português, respectivamente, ‘aqui e agora’ e ‘lá’. No entanto, quando as noções apontadas distribuem-se no discurso, nem sempre se apresentam tão perceptíveis aos interlocutores do português, principalmente se a narrativa é mítica, a qual também é contada em ka’apór pela reiteração da partícula ko. No contexto narrativo, a prática da oralidade pressupõe o manejo dos intercâmbios de informações, o qual pode contribuir para o obscurecimento de determinados aspectos a usuários do português, habituados aos processamentos de tradução da escrita. Assim, enfatiza-se que a conjunção de informações das narrativas ka’apór parece conduzir a atenção aos aspectos da interculturalidade que necessitam de uma análise que se situe ao alcance da tradução interlíngua frente aos artefatos culturais envolvidos pela atuação e atualização do falante bilíngue ka’apór. Nessa acepção, segue-se a orientação teórica de Mato (1990, 1997, 2002 e 2008), segundo o qual a colaboração intercultural na produção do conhecimento é fundamental para que se possa ampliar o conceito de saberes envolvidos na relação entre línguas. O intercâmbio estabelecido pelas partículas ko e pe dimensiona as referências de espaço e tempo, as quais apresentam-se tão bem explicitadas e requeridas pelas informações, do mesmo modo que contemplam nas sequências narrativas da memória de fatos antigos ou recentes aspectos de reiteração, evidencialidade, inter-relação dos sujeitos, assim como as noções locativas (CALDAS, 2009).

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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