Simpósio: TRADUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA E LINGUÍSTICA DE CORPUS: PESQUISA, TERMINOLOGIA E ENSINO

Coordenadores: Maria José Bocorny Finatto (UFRGS) e Stella Tagnin (USP)

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A informatização promoveu uma comunicação global e imediata, apesar de distâncias e diferenças linguísticas. Nesse processo, destacam-se o tratamento computacional da informação e das línguas, a tradução e o reconhecimento multilíngue de terminologias. A Linguística de Corpus, abordagem dos Estudos da Linguagem que analisa grande quantidade de textos – os corpora– por meio de apoio informatizado, dialoga com os Estudos da Tradução e de Terminologia, abrindo um novo universo de pesquisas. Partindo de acervos de textos originais e respectivas traduções (corpora paralelos) ou de mesma temática escritos originalmente em línguas diferentes (corpora comparáveis), por exemplo, pode-se investigar os processos da tradução e criar recursos para seu ensino, tais como glossários técnicos. Nesse contexto, este simpósio visa reunir trabalhos relacionados com a formação para a tradução técnico-científica e com o reconhecimento de terminologias utilizando a Linguística de Corpus.

 

Local: Sala 202 , CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Tradução consecutiva automática e direta no par de línguas italiano-português : uma análise em corpus da comunicação entre equipes de Desenvolvimento Global de Software
Maria José Bocorny Finatto (UFRGS),
Susana Termignoni (UFRGS),
Lucas Hilgert (PUCRS),
Renata Vieira (PUCRS)
Terminologia, Sociedade e Cultura: o exemplo do futebol
Sabrina Matuda
(USP)
Tradução de Textos Especializados: Fraseologia e Técnicas Tradutórias
Marina Leivas Waquil
(UFRGS)
As cores na terminologia bilíngue português-inglês – um estudo baseado em corpus
Stella E. O. Tagnin
(USP)
13:30-15:00 A construção de um glossário português-inglês de termos da culinária brasileira
Rozane R. Rebechi
(USP)
A utilização de corpus técnico comparável de receitas em pesquisa tradutória na combinação português-espanhol
Bruna Macedo de Oliveira
(USP)
Constituição de um corpus para levantamento terminológico da Geografia Cultural: primeira etapa
Raquel Moraes de Brum
(UFRGS)
Criação de glossáriode Turismo de Aventura (português-inglês): análise de corpora comparáveis por meio do programa WordSmith Tools
Ivanir Azevedo Delvizio
(UNESP-Rosana)
15:30-17:00 DiTraLL: Didática de Tradução para Licenciandos em Língua Inglesa
Heloísa Orsi Koch Delgado
(PUCRS)
Uso de corpora de aprendizes em aulas de prática de tradução
Joacyr Oliveira
(USP)
Ensino da Linguística de Corpus para o tradutor em formação
Simone Vieira Resende
(UERJ/UGF)

RESUMOS

1) Constituição de um corpus para levantamento terminológico da Geografia Cultural: primeira etapa

Raquel Moraes de Brum (UFRGS)

Este trabalho apresenta a primeira fase da pesquisa de Mestrado que fará um levantamento terminológico da Geografia Cultural, em francês e português. Surgida na França nos anos 1990, esta área da Geografia, que analisa as realidades sociais através da cultura, é objeto de pesquisas no Brasil e na França e movimenta grande produção científica nos dois países. Apoiando-nos na Teoria Comunicativa da Terminologia, que considera o termo um componente linguístico do todo textual especializado em que está inserido, iniciamos este estudo pela leitura de textos em ambas as línguas e elaboramos uma árvore de domínio para melhor caracterizar a Geografia Cultural. Em seguida, constituímos o corpus: em francês, ele se constitui de artigos extraídos dos 83 números da revista francesa Géographie et Cultures, referência na área; em português, o corpus provém das revistas Geograficidade e Espaço e Cultura, que somam 33 números e cerca de 200 artigos. A extração dos candidatos a termos será realizada com o auxílio do software AntConc (2008). Após a coleta e a análise dos termos, pretendemos elaborar um glossário bilíngue da área, útil aos professores, pesquisadores e tradutores.

2) Construção de um glossário português-inglês de termos da culinária brasileira
Rozane R. Rebechi (USP/FAPESP)
O objetivo deste estudo é apresentar a metodologia utilizada na construção de um glossário na direção português-inglês de termos representativos da culinária típica brasileira. A fim de identificar os termos característicos da culinária típica brasileira, assim como possíveis equivalentes e/ou definições, fraseologismos, e outras informações relevantes em língua inglesa, foram construídos um corpus comparável (textos originais em português e em inglês) e um corpus paralelo (originais em português e suas respectivas traduções em inglês) a partir de livros de receitas representativas da culinária brasileira. Utilizando o software WordSmith Tools 6.0 (Scott, 2012), foi feito o levantamento das palavras-chave dos subcorpora em português, ao comparar sua lista de palavras com a de um corpus de culinária em geral. Em seguida, partimos para a construção do enunciado terminográfico, utilizando os subcorpora em inglês. Entre os elementos de cada verbete, há que se destacar o paradigma definicional, uma vez que nem todos os termos possuem equivalentes adequados em língua inglesa, e as fraseologias (clusters), uma vez que não basta aos profissionais conhecerem os equivalentes para redigirem um texto fluente na língua de chegada. Para a apresentação, serão mostradas entradas completas do glossário, construídos por meio do software TshwaneLex.

3) Criação de glossário de Turismo de Aventura (português-inglês-espanhol): análise de corpora comparáveis por meio do programa WordSmith Tools

Ivanir Azevedo Delvizio (UNESP-Rosana)

O Turismo de Aventura compreende “os movimentos turísticos decorrentes da prática de atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo” (BRASIL, 2006). Inserida nos campos da Terminologia e Linguística de Corpus, esta pesquisa, desenvolvida no âmbito do curso de Turismo da UNESP, tem por objetivo a elaboração de um glossário trilíngue (português-inglês-espanhol) de Turismo de Aventura que contribua para o trabalho de tradutores e profissionais da área. O levantamento dos termos, contextos e definições em português foi feito com base em um corpus composto por relatórios, orientações e regulamentações do Ministério do Turismo e da Associação Brasileira de Turismo de Aventura, textos acadêmicos e várias normas editadas pela ABNT. Os dados foram registrados em fichas terminológicas. A busca dos equivalentes se dará em corpora comparáveis em inglês e espanhol. O programa de análise lexical usado foi o WordSmith Tools. Em relação aos pressupostos teóricos, alinhamo-nos às concepções da Socioterminologia e da Teoria Comunicativa da Terminologia (CABRÉ, 1999) e seguimos a proposta metodológica de Barros (2004) e Krieger e Finatto (2004).

4) DiTraLL: Didática de Tradução para Licenciandos em Língua Inglesa

Heloísa Orsi Koch Delgado (PUCRS)

Este trabalho defende a inserção da tradução de textos científicos na formação para o ensino de língua inglesa e mostra que uma integração destas duas áreas é possível. A ideia justifica-se pela carência de cursos de graduação em Tradução no país e de disciplinas autônomas de familiarização em tradução nos cursos de Licenciatura em Letras. Propõe-se uma alternativa pedagógica em Tradução para futuros docentes chamada DiTraLL, que partiu do pressuposto da validade de mapas conceituais como uma estratégia eficiente de ensino. Os resultados da aplicação desta metodologia mostraram que o mapa conceitual ajudou estes alunos em suas tarefas, melhorando suas escolhas tradutórias nos níveis sintático, lexical e pragmático.

5) Ensino da Linguística de Corpus para o tradutor em formação

Simone Vieira Resende (UERJ/UGF)

É condição sine qua non a relação intrínseca entre a Tradução, a Terminologia e a Linguística de Corpus. A tecnologia e os novos recursos trazidos pela Linguística de Corpus para o campo da tradução e da Terminologia mudaram o panorama de ensino e aprendizagem da tradução no mundo. Tanto o ensino de Terminologia – vista aqui como uma disciplina independente, teórica e aplicada – quanto o contato com algumas das ferramentas da Linguística de Corpus nos Cursos de Tradução são reconhecidamente fundamentais para o tradutor em formação, como nos mostra Alves e Tagnin, 2001; Barros, 2004; Krieger e Finatto, 2004 e 2006; Almeida, 2003; Aubert, 2001; Ribeiro, 2004 e Fromm, 2009. Diferente da Linguística de Corpus, a Terminologia já faz parte, como uma disciplina acadêmica, de muitos cursos de formação de tradutores. Contudo, tanto a Terminologia quanto a Linguística de Corpus são ferramentas que auxiliam o tradutor na extração, no tratamento e na gestão dos termos. Poucos são os estudos que abordam o ensino da Linguística de Corpus para tradutores em formação, principalmente nos cursos de graduação e pós-graduação em Tradução, muito menos aqueles que prezam por uma formação autônoma do tradutor. Esse artigo vem colaborar para o preenchimento dessa lacuna, a partir do levantamento de reflexões a cerca das abordagens de ensino que podem levar o tradutor em formação a fazer uso de corpora e ferramentas da Linguística de Corpus como parte do seu desenvolvimento profissional e estratégia tradutória, não só na busca por equivalentes, mas também na organização do resultado dessa busca, através do gerenciamento terminológico do que foi pesquisado.

6) Terminologia, Sociedade e Cultura: o exemplo do futebol

Sabrina Matuda (USP)

Esta apresentação mostra como os diferentes jeitos de jogar, a história do futebol em cada cultura, a apropriação cultural das regras na Inglaterra e no Brasil contribuíram para a criação do léxico do futebol em português e inglês.
Considerando que o conjunto de regras que define o futebol como esporte não delimita as maneiras de jogar. Na verdade, é a apropriação e a interpretação cultural que cada região faz das regras que determinam as ‘formas de jogo’. A Terminologia Textual, que reconhece o papel do cenário comunicativo e, consequentemente, do texto especializado para a descrição de uma terminologia, e a Linguística de Corpus, que se ocupa da coleta e análise de corpora, embasam pesquisa.
A metodologia de extração terminológica baseia-se na Linguística de Corpus. Os resultados já deram indícios de que o “jogar à brasileira” e o “futebol inglês” permeiam a produção jornalística sobre futebol no Brasil e na Inglaterra e, consequentemente, influenciam a terminologia nas duas línguas.

7) Tradução de Textos Especializados: Fraseologia e Técnicas Tradutórias

Marina Leivas Waquil (UFRGS)

Este trabalho se insere na interface entre a Tradução e a Terminologia, buscando resultados que auxiliem a realização da comunicação especializada em contextos tradutórios. Para tal, temos como objeto de estudo as Unidades Fraseológicas Especializadas (UFEs), estruturas inerentes à comunicação especializada e, portanto, de importância fundamental para o tradutor de textos especializados. Com base na Teoria Comunicativa da Terminologia, selecionamos, a partir de um corpus da área da Educação formado por originais em espanhol e suas traduções para o português, 878 UFEs para análise da relação de equivalência estabelecida. Para isso, buscamos identificar as técnicas tradutórias empregadas para tal, a partir de quatro propostas de categorização: Vinay e Darbelnet (1958), Barbosa (1990), Aubert (1998) e Hurtado Albir (2001). A partir desta análise, propusemos uma nova categorização de técnicas que desse conta das especificidades da tradução de textos especializados e de UFEs.

8) Tradução consecutiva automática e direta no par de línguas italiano-português : uma análise em corpus da comunicação entre equipes de Desenvolvimento Global de Software

Maria José Bocorny Finatto (UFRGS), Susana Termignoni (UFRGS), Lucas Hilgert (PUCRS), Renata Vieira (PUCRS).

Mesmo problemática, a tradução automática direta (TAD) é uma alternativa para a falta de profissionais proficientes em inglês em várias áreas da Computação, especialmente na área de Desenvolvimento Global de Software, em que equipes de diferentes locais do mundo interagem on-line para desenvolver um produto. Analisa-se aqui a comunicação síncrona textual entre equipes brasileiras e italianas. Cada uma escrevia na sua língua nativa (LN) e recebia a resposta via TAD também na sua LN, sem intermediação do inglês. Parte-se do corpus de logs de conversas do projeto “O Efeito do Processamento de Linguagem Natural no desenvolvimento da capacidade do Brasil na indústria mundial de desenvolvimento de software”. Nesse corpus, identificam-se problemas recorrentes da TAD, salientando-se que a escolha de palavras da ferramenta parte de corpora alinhados de traduções italiano-português, sem inglês envolvido. Como resultados, sugere-se a implementação de melhorias para a ferramenta.

9) Tradução e Terminologia: versão de um texto sobre biodiversidade brasileira e elaboração de um glossário

Clarissa Prado Marini (UnB)

Este trabalho consiste num Projeto de Final de Curso do bacharelado em Letras-Tradução-Francês da Universidade de Brasília (defendido e aprovado em fevereiro de 2013) e tem como objetivo apresentar a versão do português para o francês do capítulo “Conhecimento da Biodiversidade Brasileira” do livro “Biodiversidade Brasileira: Síntese do estado atual do Conhecimento” de T. Lewinsohn e P. Prado. A tradução de um texto científico levou a considerações terminológicas, como o tratamento terminológico fazendo uso de corpora paralelos entre outros recursos, além da elaboração de um glossário bilíngue (português e francês) a partir do texto original, contendo termos chave da área de conhecimento do texto, a Ecologia. Suas definições foram elaboradas a partir do texto e do seu universo de discurso, com auxílio de outros textos da área e especialistas. Proponho também uma discussão teórica acerca da tradução científica, da terminologia e da relação complementar que se estabelece entre as áreas.

10) Uso de corpora de aprendizes em aulas de prática de tradução
Joacyr Oliveira (USP)

Corpora paralelos de aprendizes podem trazer revelações sobre a aprendizagem da tradução, e auxiliar na elaboração do conteúdo programático dos cursos. Com o uso das ferramentas da Linguística de Corpus, como por exemplo, o estudo das linhas de concordância geradas a partir das traduções dos alunos, as aulas deixam de ter o instrutor como a única fonte de informação e os estudantes passam a contribuir sistematicamente com as soluções resultantes de suas pesquisas para elaborar o texto na língua de chegada. Nesta apresentação exemplificaremos essa abordagem de ensino de tradução com base em corpus por meio de duas questões adjetivais. Uma envolve a tradução do adjetivo na frase “beautiful day” em que a escolha do equivalente em português pode determinar a sua posição em relação ao substantivo. A outra contempla as estruturas adjetivais originadas a partir de oração reduzida como em “approaching landmarks”, cuja tradução literal “aproximando” não é a solução esperada.

11)Utilização de corpus técnico comparável de receitas em pesquisa tradutória na combinação português-espanhol

Bruna Macedo de Oliveira (USP)

Ao examinar um corpus de traduções do gênero receita feitas por aprendizes brasileiros de ELE constatamos uma certa tendência a manter, na tradução para o português, estruturas sintáticas análogas às do texto fonte espanhol, em especial no que se refere às orações adverbiais temporais com “quando/cuando” e “até/hasta” e finais com “para/para”. Isso fazia com que o produto tradutório não resultasse, pelo menos intuitivamente, natural, tendo em vista o conceito de “naturalidade” na tradução (TAGNIN; TEIXEIRA 2004). Nesse sentido, a Linguística de Corpus se configura como uma importante aliada. A partir de um corpus comparável desse tipo de texto técnico, podemos verificar como ocorrem tais estruturas em cada uma das línguas e, então, caracterizar a produção dos sujeitos como uma espécie de desvio do padrão normal de funcionamento na distribuição/escolha de subjuntivos e infinitivos em português nesse gênero. Tal estudo permite não só encontrar regularidades na forma como a receita se constitui em cada uma das línguas, mas também acrescentar ao tradutor conhecimentos que ultrapassam o âmbito linguístico, extremamente necessários à tradução técnica e natural.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

2 thoughts on “Simpósio: TRADUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA E LINGUÍSTICA DE CORPUS: PESQUISA, TERMINOLOGIA E ENSINO

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