Simpósio: TRADUÇÃO E CRÍTICA GENÉTICA

Coordenadoras:
Marie-Hélène Paret Passos (PUCRS)
Noêmia Guimarães Soares (UFSC)

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Nesse simpósio a proposta é refletir acerca da tradução como processo. Portanto, trata-se de se debruçar sobre o fazer, o como de um processo tradutório. Nesse caso, o objeto de estudo não é apenas o produto, o feito, isto é, o texto traduzido. O objeto de estudo engloba a parte processual do trabalho tradutório que se dá quando o tradutor está na sua oficina, no seu laboratório. Esse processo deixa rastros, atestados em notas de leitura, anotações, rascunhos, versões,  balizando as etapas necessárias à textualização do discurso novo que está sendo produzido, recriado, transcriado. Pela análise desses rastros processuais, com a abordagem da crítica genética, torna-se possível mostrar que houve processo criativo e escritural, que houve textualização, leituras e releituras do já escrito.  Cabe ainda acrescentar que esse simpósio adota uma concepção de tradução bem ampliada, já que o intento é acolher trabalhos que se dediquem a analisar o processo de tradução tanto linguística quanto intersemiótica.

 

Local: Sala 225, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 Translation time ‘in’ and ‘of’ work – how much is too much?
Ananyr Porto Fajardo
(Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre)
Do texto ao palco. A gênese tradutória na montagem teatral de Mi Muñequita, do diretor Renato Turnes
Esteban Francisco Campanela Miñoz
(UFSC)
Processo de tradução, processo de criação: abordagem genética dos cadernos de trabalho de um tradutor
Marie-Hélène Paret Passos
(PUCRS)
15:30-17:00 Análise do manuscrito tradutório de Pedro de Alcântara da poesia “Sonnet à Coquelin”
Noêmia Guimarães Soares
(UFSC)
Edição genética da tradução inédita das Mil e uma noites de D. Pedro II
Rosane de Souza
(UFSC/PGET)
Dom Pedro II e Bartolomé Mitre: a tradução da Divina Comédia por governantes sul-americanos no século XIX
Romeu Porto Daros
(UFSC)

RESUMOS

1) Translation time ‘in’ and ‘of’ work – how much is too much?
Ananyr Porto Fajardo (Grupo Hospitalar Conceição- Porto Alegre)
The complex process of translation demand different dimensions of time and the use of time ‘in’ and ‘of’ work is clearly done by translators. Time ‘in’ work (interval-based, quantified, and recorded in hours, minutes, pages, and characters) and time ‘of’ work (non-measurable, with the insertion of tasks into other spheres of life, simultaneous actions, and pro-activity) are evidenced when contrasting what is contracted for the working hours and what is actually done. The contemporaneous way of working keeps translators under a constant pressure between the prescribed work and the activity actually accomplished, leading to an overload that occupies their so-called free time, compounding the time ‘of’ work. The demand to be available the whole time, to deal with non-equivalence, and to decide between being faithful to the source text or produce a context-based translation, claim for the creation of other possibilities of working and living in this field of intellectual work.

2) DOM PEDRO II E BARTOLOMÉ MITRE: A TRADUÇÃO DA DIVINA COMÉDIA POR GOVERNANTES SUL-AMERICANOS NO SÉCULO XIX
Romeu Porto Daros (UFSC)
Com o objetivo de demonstrar que é possível remontar ao processo de criação de um tradutor e reconstruir os elementos que influenciaram nas escolhas e que conformaram um texto considerado final, investigar-se-á as estratégias utilizadas por Dom Pedro II e por Bartolomé Mitre ao traduzirem a Divina Comédia na segunda metade do século XIX. Verificar-se-á quais métodos e técnicas usaram, analisando suas escolhas e a existência ou não de padrões no processo tradutório. Por fim, a pesquisa pretende – do ponto de vista da Crítica Genética e considerando a relação entre tradução e cultura – analisar o processo criativo no ato tradutório desses dois governantes autores, verificar quais foram as suas motivações para traduzir Dante e se essas obras cumpriram alguma função na cultura brasileira e argentina e, ainda, verificar a relação existente entre esses dois polissistemas literários sul americanos à época.

3) Processo de tradução, processo de criação: abordagem genética dos cadernos de trabalho de um tradutor
Marie-Hélène Paret Passos (PUCRS)
Antoine Berman definiu, em Pour une critique des traductions: John Donne, os conceitos fundamentais que devem embasar toda tradução. Trata-se da posição tradutiva, da posição linguageira e do projeto de tradução que, no seu conjunto, delineiam o horizonte do tradutor. Esses conceitos não visam formatar uma teoria da tradução posto que Berman, em seu discurso sobre e dentro da tradução, sempre se distanciou da oposição teoria/prática em favor do par experiência/reflexão. Tentarei mostrar que os rastros desses conceitos bermanianos podem ser encontrados nos documentos genéticos de um processo tradutório. Meu objeto de estudo será constituído pelos cadernos de trabalho de Donaldo Schüler, tradutor do romance Finnegans Wake de Joyce.
Palavras-chave: crítica genética; processo tradutório, Donaldo Schüler, Finnegans Wake

4) Análise do manuscrito tradutório de Pedro de Alcântara da poesia “Sonnet à Coquelin”
Noêmia Guimarães Soares (UFSC)
Esse trabalho consiste na análise do manuscrito da tradução, feita por D. Pedro II, imperador do Brasil, do “Sonnet à Coquelin”, de Jean Richepin, texto que faz parte da publicação intitulada Poesias completas de D. Pedro II. Através da união de duas abordagens – a Crítica Genética e os Estudos Descritivos da Tradução –, investiga-se o processo criativo que envolve esse manuscrito, comparando-o com a versão editada e estabelecendo-se um paralelo com outras traduções do manarca.
Palavras chave: D. Pedro II, tradução, processo criativo

5) EDIÇÃO GENÉTICA DA TRADUÇÃO INÉDITA DAS MIL E UMA NOITES
DE D. PEDRO II.
Rosane de Souza (UFSC/PGET)
Embasados na Crítica Genética e nos Estudos Descritivos da Tradução, buscaremos dar continuidade ao trabalho iniciado no Mestrado, intitulado “A Gênese de um processo Tradutório: as Mil e uma Noites de D. Pedro II”. O objetivo central nesta pesquisa é realizar uma edição genética dos manuscritos, visto se tratar de um material inédito. Biasi (2010) pondera que a edição genética visa proporcionar a visibilidade do processo realizado pelo autor. Tem como finalidade elucidar o trabalho do escritor, o processo de escritura e a gênese da obra, e conterá todos os movimentos de escrita do tradutor, rasuras, hesitações, possibilitando pesquisas futuras. Será ainda ampliada a análise sobre o processo criativo do tradutor, visto que será analisado na integra o rascunho de tradução, possibilitando assim confirmar o perfil de tradutor estabelecido na pesquisa inicial.
Palavras-chave: Edição Genética, D. Pedro II, Mil e uma noites.

6) DO TEXTO AO PALCO
A gênese tradutória na montagem teatral de Mi Muñequita, do diretor Renato Turnes.
Esteban Francisco Campanela Miñoz (M) (UFSC)
Esta comunicação pretende expor as múltiplas possibilidades do texto teatral como objeto de estudo genético transdisciplinar, assim como as reais possiblidades de tradução intersemiótica. A obra teatral Mi Muñequita, do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón, da qual assino a tradução, é o texto escolhido no qual se procura inserir o processo de tradução no processo de montagem, estabelecendo assim relações criativas entre a tradução e a encenação. A partir do contato com o texto “Mi Muñequita”, iniciou-se uma pesquisa da obra do autor que acabou sendo o agente disparador para que o tradutor se interessasse por textos teatrais.
Investigar, por intermédio da tradução intersemiótica e da crítica genética, os diversos signos atuantes na passagem da cena textual para a cena teatral no processo criativo do diretor Renato Turnes é um dos objetivos deste trabalho. Busco identificar as referências externas utilizadas no processo criativo da direção do espetáculo, baseando-me nos documentos do processo das várias fases, manuscritos, rascunhos, rasuras e anotações feitas no roteiro e em outros documentos.
PALAVRAS-CHAVE: Crítica Genética, Documentos do processo, Teatro, Gabriel Calderón, Mi Muñequita, Tradução Intersemiótica

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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