Simpósio: TRADUÇÃO AUDIOVISUAL E ACESSIBILIDADE

Coordenadores: Eliana Paes Cardoso Franco (UFBA) e Vera Lúcia Santiago Araújo (UECE)

Haverá intérpretes de LIBRAS - fundo preto

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A partir do ano 2000, a Tradução Audiovisual ganhou ainda maior projeção através das novas normas de acessibilidade nos meios de comunicação que passaram a ser discutidas em nível global. Este simpósio tem como objetivo atrair pesquisadores e profissionais interessados pela discussão sobre as modalidades de tradução audiovisual voltadas para a acessibilidade de pessoas com deficiência sensorial (cegas e surdas) e intelectual (ex. Síndrome de Down) aos meios audiovisuais, tais como: a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), a dublagem, o voice-over e a audiodescrição (AD). Nesse sentido, o simpósio proposto pretende constituir-se em um fórum de apresentação/discussão para profissionais da área (legendistas, audiodescritores, tradutores, diretores de dublagem, distribuidores, etc), bem como para pesquisadores de outras áreas que possuam interface com este objeto de análise, tais como Estudos Fílmicos, Linguística de Corpus,  Multimodalidade, Estudos Processuais da Tradução, Interpretação de Sinais e  Tecnologias Assistivas.

Local: Sala MACHADO DE ASSIS, 4º andar, CCE, bloco B

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Acessibilidade na TV: qual a melhor alternativa para emitir a mensagem para o publico surdo?
Rosane Lucas de Oliveira
(UFSC)
Em busca de parâmetros de legendagem para surdos do Brasil
Vera Lúcia Santiago Araújo
(UECE)
Maria Helena Clarindo Maciel
(UECE)
Audiodescrição para crianças: análise do filme de animação da “Turma da Mônica”.
Charles Rocha Teixeira
(UnB)
A AD para o público com deficiência intelectual: estudos de caso nas artes visuais e audiovisuais
Bárbara Cristina dos Santos Carneiro
(UFBA-TRAMAD)
Deise Mônica Medina Silveira
(IFBA_TRAMAD)
Avany Conceição da Silva Lima
(TRAMAD)
Adriana Urpia
(TRAMAD)
Ednaldo Gonçalves de Almeida Júnior
(UFBA-TRAMAD)
Iracema Vilaronga
(UNEB-TRAMAD)
Eliana P. C. Franco
(UFBA-TRAMAD)
A análise da recepção de deficientes visuais a dois tipos de roteiros audiodescritos: Um estudo descritivo -exploratório
Jéssica Barroso Nóbrega
(UECE)
13:30-15:00 Audiodescrição de documentários
Soraya Ferreira Alves (UnB)
Tradução audiovisual e acessibilidade cultural na web para pessoas com deficiência visual
Marisa Ferreira Aderaldo e Élida Gama Chaves
(UECE)
Reflexões sobre interpretação na audiodescrição: uma pesquisa de recepção
Larissa Costa
(PUC-Rio)
Uma comissão de frente para os cegos: construindo um roteiro de audiodescrição de um desfile de escola de samba a partir do rastreamento ocular.
João Francisco de Lima Dantas
(UECE)
A (in)existência de neutralidade ou o estilo avaliativo do tradutor em audiodescrições francesas fílmicas: um estudo via Teoria da Avaliatividade
Cristiene Ferreira da Silva
(UECE)
Pedro Henrique Lima Praxedes Filho
(UECE)
15:30-17:00 Profissão: Audiodescritor – competências necessárias ao não-vidente
Manoela Cristina Correia Carvalho da Silva
(UFBa-TRAMAD)
A audiodescrição e a poética da linguagem cinematográfica: um estudo sobre as Ads do filme Atrás das Nuvens
Sandra Regina Rosa Farias
(UFBA-TRAMAD/UEFS)
Em busca de parâmetros para a audiodescrição de pinturas usando como suporte a tradução de poemas ecfrásticos
Maria da Salete Nunes
(UECE)
A audiodescrição de comerciais de TV a partir das técnicas do cinema
Gabriela Del Rio de Rezende
(UnB)
Terminologia na tradução audiovisual: uma análise de uso na subárea legendagem/legendação
Arlene Koglin
(UFMG)
Sila Marisa de Oliveira
(UFSC)

RESUMOS

1) ACESSIBILIDADE NA TV: QUAL A MELHOR ALTERNATIVA PARA EMITIR A MENSAGEM PARA O PUBLICO SURDO?

Rosane Lucas de Oliveira (UFSC)

A ABNT divulgou em 2005 a Norma Técnica para Acessibilidade na Televisão – NBR 15290. Esse documento traz as diretrizes para a disponibilização das legendas ocultas, janela de Libras e formatos para a audiodescrição. Sabendo que há algumas normas para disposição da acessibilidade na televisão, como pensar em conteúdo televisivo destinado para o publico surdo? Em 2013 a Rede Globo de Televisão concluiu a implementação de 100% do closed caption (sistema de legenda oculta) em programas de circulação nacional. Será essa a melhor alternativa de acesso dos surdos aos conteúdos disponíveis na televisão brasileira? Uma pesquisa com aproximadamente 20 surdos na cidade de Belo Horizonte teve como objetivo verificar qual a melhor forma de levar conteúdo da televisão aberta aos surdos usuários da língua de sinais. Seria as traduções para a Libras em janelas de 1/8 da tela? Ou as legendas? Pretendemos apresentar os resultados na Abrapt/2013, para pensarmos e repensarmos nas alternativas disponíveis para que esse público não fique sem acesso à informação disponibilizada pela televisão.

2) EM BUSCA DE PARÂMETROS DE LEGENDAGEM PARA SURDOS DO BRASIL

Vera Lúcia Santiago Araújo (UECE)
Maria Helena Clarindo Gabriel (UECE)

Este trabalho tem como objetivo principal mostrar os resultados de uma pesquisa exploratória sobre a recepção a filmes legendados realizada pelo grupo LEAD (Legendagem e Audiodescrição) da UECE (Universidade Estadual do Ceará) com surdos da região sudeste do Brasil. Essa pesquisa é um recorte do projeto MOLES (Modelo de Legendagem para Surdos) realizado no período de 2009 a 2012 com 34 surdos de 4 regiões brasileiras, utilizando como corpus curtas-metragens de cineastas cearenses. Participaram da pesquisa Os resultados sugerem que a segmentação, tendo como critérios a segmentação visual (pelo corte), a retórica (pelo fluxo da fala) e a linguística (pela sintaxe), seria mais relevante para uma recepção eficiente do que a velocidade de leitura das legendas. Assim, pretendemos abrir espaço para novas discussões e vislumbrar novas perspectivas em pesquisas em LSE.

3) AUDIODESCRIÇÃO PARA CRIANÇAS: ANÁLISE DO FILME DE ANIMAÇÃO DA “TURMA DA MÔNICA”.

Charles Rocha Teixeira (UnB)

Pesquisas sobre audiodescrição (AD) a fim de propor parâmetros técnicos e estéticos voltados ao público brasileiro com deficiência visual, vêm sendo desenvolvidas em algumas universidades brasileiras tal como pelo grupo “Acesso Livre” da UnB, do qual os autores fazem parte. No entanto, poucas são as pesquisas em AD voltadas, mais especificamente, para crianças com deficiência visual, objeto de pesquisa de PIBIC. Países como a Inglaterra, porém, já possuem diretrizes especificas em AD para crianças baseadas em questões cognitivas e de aprendizado, como as que constam no guia RNIB Sunshine House School. Este trabalho tem por objetivo apresentar considerações iniciais sobre a AD realizada em “Patins… pra mim!” do DVD com AD“Turma da Mônica em Cine Gibi 5 – Luz, Câmera, Ação!”, lançado comercialmente em território nacional. Propomos tecer algumas análises baseadas no guia RNBI em relação à linguagem utilizada na AD para crianças com deficiência visual, como uso de onomatopeias, ritmo, aliteração, efeitos e trilha sonora que podem contribuir para manter a atenção de crianças com deficiência visual.

4) A AD PARA O PÚBLICO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL:
ESTUDOS DE CASO NAS ARTES VISUAIS E AUDIOVISUAIS

Bárbara Cristina dos Santos Carneiro (UFBA-TRAMAD)
Deise Mônica Medina Silveira (IFBA_TRAMAD)
Avany Conceição da Silva Lima (TRAMAD)
Adriana Urpia (TRAMAD)
Ednaldo Gonçalves de Almeida Júnior (UFBA-TRAMAD)
Iracema Vilaronga (UNEB-TRAMAD)
Eliana P. C. Franco (UFBA-TRAMAD)

Embora seja reconhecido por alguns estudiosos que a audiodescrição também almeja o acesso de pessoas com deficiência intelectual, além daquelas com deficiência visual, nenhum outro estudo até agora, tanto no Brasil quanto no exterior, se preocupou em saber até que ponto a audiodescrição contribuiria para uma melhor compreensão de produtos visuais e audiovisuais por esse público específico. Esta comunicação visa relatar estudos que tem sido desenvolvidos pelo grupo TRAMAD (UFBa) no sentido de entender as necessidades e expectativas deste público em relação à AD e os aspectos divergentes que devem ser levados em consideração na elaboração do roteiro de audiodescrição para o público com deficiência visual e para aquele com deficiência intelectual, nosso maior interesse aqui. Os estudos tem como objeto obras de arte, ilustrações de livro e filmes de curta-metragem. Os dois primeiros tem como base as ideias de Sarraf (2012) e Neves (2011-2010) e o último o estudo de Franco et al (no prelo).

5) AUDIODESCRIÇÃO DE DOCUMENTÁRIOS

Soraya Ferreira Alves (UnB)

O documentário pode ser definido como o espaço híbrido entre ficção e realidade. Apesar de, como afirma Curran Bernard (2008, p.2), “conduzir seus espectadores a novos mundos e experiências por meio de apresentação factual sobre pessoas, lugares e acontecimentos reais, geralmente retratados por meio do uso de imagens reais”, geralmente apresentam “uma visão subjetiva ou até criam um ambiente ficcional mesmo usando material real”, como explica Matamala (2009, p. 109). De qualquer modo, o material real que leva a uma ideia a ser apresentada é o que move o documentário, muito mais quando influenciada pelas opiniões e depoimentos de pessoas entrevistadas. A partir dessas considerações, este trabalho tem por objetivo apresentar propostas de audiodescrição (AD) de 2 documentários institucionais a fim de discutir se os parâmetros recomendados para a AD de filmes, como estabelecidos por Hurtado (2007), seriam os mesmos para a AD de documentários e em que medida podem se distanciar.

6) TRADUÇÃO AUDIOVISUAL E ACESSIBILIDADE CULTURAL NA WEB PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Marisa Ferreira Aderaldo (UECE)
Élida Gama Chaves (UECE)

Neste trabalho focalizamos a necessidade de se otimizar a capilaridade da web e propor a aplicação do desenho universal, para permitir que pessoas com deficiência visual possam usufruir, sem barreiras, dos textos com imagens, desenhos ou gráficos em circulação na rede. Tomamos como exemplo uma notícia recente sobre o leilão de uma pintura de Pablo Picasso, divulgada pela mídia eletrônica em todas as partes do mundo. Um cego pode conseguir acesso ao texto escrito nas telas dos computadores por meio de leitores de tela; entretanto, os leitores de tela não substituem a experiência visual porque não dispõem de recursos capazes de descrever as imagens. Uma forma de tornar a imagem acessível é a audiodescrição (AD). No caso da imagem no texto virtual, um audiodescritor faz a AD para que um programador possa incluir essa informação que estará disponível à pessoa com deficiência visual. Para ilustrar apresentamos a audiodescrição do quadro Femme assise près d´une fenêtre (1932), de Pablo Picasso, a partir de parâmetros multimodais desenvolvidos conforme o modelo trifuncional de O´Toole (1995, 2011).

7) REFLEXÕES SOBRE INTERPRETAÇÃO NA AUDIODESCRIÇÃO:
UMA PESQUISA DE RECEPÇÃO

Larissa Costa (PUC-Rio)

No campo da audiodescrição (AD), a interpretação é um ponto que divide tanto os profissionais como o público-alvo. No começo das normatizações da AD, a objetividade era favorecida a fim de evitar qualquer manipulação ou atitude paternalista do audiodescritor. Contudo, a práxis audiodescritiva vem se mostrando diferente no que concerne as concepções de “descrever” e “interpretar.” O intuito deste trabalho é apresentar uma pesquisa de recepção, parte de uma tese de doutoramento, que foca nas descrições de gestos e estados emocionais dos personagens de dois filmes brasileiros, procurando-se verificar se procede a hipótese que enuncia que descrições mais subjetivas podem ser mais eficientes para o desenvolvimento da trama. O objetivo principal desta investigação é estudar a relação entre “descrição” e “interpretação”, testando as conclusões teóricas em um contexto empírico de informações estritamente visuais.

8) UMA COMISSÃO DE FRENTE PARA OS CEGOS:
CONSTRUINDO UM ROTEIRO DE AUDIODESCRIÇÃO DE UM DESFILE DE ESCOLA DE SAMBA A PARTIR DO RASTREAMENTO OCULAR.

João Francisco de Lima Dantas (UECE)

Este trabalho se insere no campo dos estudos da Tradução Audiovisual, mais especificamente na área de Audiodescrição (AD) e tem como objeto o uso do modelo metodológico utilizado em rastreamento ocular para a descoberta de prioridades informativas nas imagens de um desfile de escola de samba. A priorização de informação é um aspecto necessário na construção dos roteiros de audiodescrição, em função do curto espaço de tempo que o audiodescritor tem para inserir seu texto no espaço deixado pelo objeto audiovisual. Isso o impede de narrar tudo o que se passa em tela, criando portanto a necessidade de escolher determinadas informações que ele considera importantes para serem passadas ao público. Para isso, realizamos um experimento com o rastreamento ocular que nos possibilitou descobrir o que o vidente comum prioriza ao assistir a apresentação de uma comissão de frente, em um desfile de escola de samba. Chegamos à conclusão de que a metodologia é válida para esse tipo de estudo, desde que leve em consideração, a diferença no foco da pesquisa. Com os dados obtidos, construímos um roteiro de audiodescrição que será testado com consultores deficientes visuais.

9) PROFISSÃO: AUDIODESCRITOR:
COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS AO NÃO-VIDENTE

Manoela Cristina Correia Carvalho da Silva (UFBA-TRAMAD)

Com a inclusão da atividade de audiodescritor na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), vivemos um momento bastante propício para discutirmos o perfil desse novo profissional. Tomando como base o modelo alemão, no qual um grupo de trabalho inclui necessariamente um não-vidente, defendemos a participação ativa de pessoas com deficiência visual no processo de roteirização; e elencamos as competências que acreditamos ser necessárias a esse integrante de uma equipe de audiodescritores. O estudo espelha-se em pesquisa intitulada Competencias profesionales del subtitulador y el audiodescriptor (Díaz Cintas, 2006), realizada na Espanha, para elencar as competências de audiodescritores videntes, e tem como base a análise de normas e guias nacionais e internacionais que regulam a atividade da AD; a análise da programação de cursos de formação oferecidos no país em diferentes níveis; além de entrevistas com formadores, audiodescritores e consultores atualmente no exercício da profissão. Esperamos que o estudo contribua para dar maior visibilidade à necessidade de capacitação do audiodescritor, bem como à relevância da participação de DVs no processo.

10) A AUDIODESCRIÇÃO E A POÉTICA DA LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA: UM ESTUDO SOBRE AS ADS DO FILME
ATRÁS DAS NUVENS

Sandra Regina Rosa Farias (UFBA-TRAMAD/UEFS)

A audiodescrição (AD) é um recurso que visa tornar acessíveis conteúdos imagéticos produzidos nos níveis educacional e cultural. No Brasil, as ADs são realizadas ainda de forma empírica, a partir das experiências de pessoas no convívio com deficientes visuais ou, mais recentemente, a partir de um formato fundamentado nas normas britânica (ITC, 2000), espanhola (UNE, 2005) e americana (ADC, 2008). Ao seguir estas normas, as mesmas apontam para um padrão de realização de uma AD que seja objetiva, clara e fiel à obra. Este estudo tem como objetivo analisar o alcance de duas versões de AD realizadas para o filme Atrás das Nuvens (2007) focando na poética produzida pela linguagem cinematográfica (L.C.). Trata-se de um estudo de caso com base na pesquisa qualitativa em que a análise foi realizada nos primeiros sete minutos e trinta do filme e teve como suporte uma entrevista semi-estruturada com deficientes visuais. A partir desta análise, foi possível demonstrar que, enquanto tradutora de imagens, a AD se beneficiará de um modelo que compreenda melhor a força embutida na poética da L.C. para então transmití-las de forma expressiva, criativa e poética.

11) EM BUSCA DE PARÂMETROS PARA A AUDIODESCRIÇÃO DE PINTURAS USANDO COMO SUPORTE A TRADUÇÃO DE POEMAS ECFRÁSTICOS

Maria da Salete Nunes (UECE)

Este trabalho surge a partir da consideração de que a audiodescrição (AD) de obras de arte é ainda um campo que apenas começa a ser explorado e pesquisado, permitindo que sejam agregadas tentativas de expansão de seus domínios. Assim, o objetivo é buscar formas de audiodescrever que possam efetivamente proporcionar uma via de acesso aos deficientes visuais através da AD de pinturas, neste caso obras do pintor holandês Pieter Brueghel (c.1525-1569). Um aspecto singular da AD nesta proposta é que será acompanhada da tradução de poemas sobre as mesmas obras, escritos por William Carlos Williams (1883-1963), poeta modernista americano, permitindo, assim, uma alternativa para uma ressignificação mais precisa de sentidos do visual para o verbal. Além disso, há também a questão do acesso à literatura, neste caso a poesia de William Carlos Williams, que tem sido escassamente traduzida no Brasil. O trabalho se situa na perspectiva dos estudos da tradução, da multimodalidade e da semiótica social, explorando tanto a tradução audiovisual quanto a literária, com o propósito de dar um passo no sentido da acessibilidade.

12) A AUDIODESCRIÇÃO DE COMERCIAIS DE TV
A PARTIR DAS TÉCNICAS DO CINEMA

Gabriela Del Rio de Rezende (UnB)
Veryanne Couto Teles (UnB)

Este trabalho visa explicitar como as técnicas do cinema podem ser úteis na elaboração e análise de audiodescrições de filmes publicitários. Com essa finalidade, percorremos ideias de autores dos Estudos Fílmicos destacando as contribuições de Jaques Aumont, André Gaudreault e François Jost. A fim de proporcionar um melhor entendimento do público com deficiência visual de alguns comerciais de TV, vamos explorar abordagens destes autores aliadas à semiótica pierciana e às técnicas da audiodescrição, além de podermos refletir sobre a importância deste público como um segmento consumidor, por inúmeras vezes esquecidos pela mídia e pelas estratégias de marketing de produtos veiculados nos comerciais de TV.

13) A ANÁLISE DA RECEPÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS A DOIS TIPOS DE ROTEIROS AUDIODESCRITOS:
UM ESTUDO DESCRITIVO –EXPLORATÓRIO

Jéssica Barroso Nóbrega (UECE)

Este trabalho tem como objetivo apresentar o desenvolvimento da pesquisa “Análise da recepção de roteiros de audiodescrição por deficientes visuais”, referente Edital PROCAD de cooperação entre a UECE (Universidade Estadual do Ceará) e UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A metodologia consiste numa pesquisa descritivo-exploratória. A dimensão descritiva englobou a criação dos dois tipos de roteiros, a gravação da locução adicional e por fim, a inserção dessa locução entre os diálogos no corpus. E a dimensão exploratória, abrangeu a recepção de dois grupos de DVs a esses tipos de roteiros. O que se objetiva é testar a receptividade na qual cada um dos grupos assistirá a uma versão diferente de curtas de cineastas cearenses: uma com AD mais detalhada e outra contendo apenas a narração das ações. A pesquisa de recepção com os DVs está em andamento. Os resultados preliminares obtidos através da triangulação dos dados coletados nos questionários (pré e pós-coleta), nos relatos retrospectivos demonstram que os DVs conseguiram compreender os curtas-metragens nos dois roteiros, mas que sentiram dificuldade em identificar elementos relacionados ao tempo, lugar e a caracterização dos personagens no roteiro baseado nas ações.

14) A (IN)EXISTÊNCIA DE NEUTRALIDADE OU O ESTILO AVALIATIVO DO TRADUTOR EM AUDIODESCRIÇÕES FRANCESAS FÍLMICAS: UM ESTUDO VIA TEORIA DA AVALIATIVIDADE

Cristiene Ferreira da Silva
(UECE)
Pedro Henrique Lima Praxedes Filho
(UECE)

Este trabalho pretende apresentar e discutir um projeto de pesquisa em andamento que objetiva: 1) demonstrar a (in)existência de neutralidade por parte do audiodescritor dos pontos de vista de suas atitudes avaliativas (afeto, julgamento e apreciação), de seu engajamento com sua própria voz e com outras vozes avaliativas (monoglossia e heteroglossia) e de como ele gradua suas atitudes e seus posicionamentos de engajamento (força e foco); e/ou 2) descrever os padrões lexicogramaticais que realizam as avaliações do audiodescritor, se presentes. A partir dos padrões avaliativos que emergirem da análise, a pesquisa pretende descrever o estilo avaliativo do audiodescritor ou sua assinatura avaliativa. Ambas as etapas analíticas serão realizadas à luz da Teoria da Avaliatividade (TA) (MARTIN; WHITE, 2005), ancorada na Linguística Sistêmico-Funcional (LSF). Para esse propósito, é previsto, como corpus, as transcrições das ADs em francês de dois filmes, em suporte DVD, do gênero comédia: Intouchables (de Eric Toledano e Olivier Nakache) e Minuit à Paris (de Woody Allen).

15) TERMINOLOGIA NA TRADUÇÃO AUDIOVISUAL: UMA ANÁLISE DE USO NA SUBÁREA LEGENDAGEM/LEGENDAÇÃO

Arlene Koglin (UFMG)
Sila Marisa de Oliveira (UFSC)

Este trabalho objetiva apresentar um mapeamento e discussão dos termos técnicos legendagem, legendação e tradução de/para legendas em títulos de teses, dissertações e artigos científicos publicados eletronicamente. Parte-se do pressuposto de que existem variações denominativas para o mesmo conceito nessa subárea da tradução audiovisual. Os dados corroboram esta hipótese, pois mostram que não há univocidade no uso dos termos, que são usados inclusive como sinônimos. Os resultados acerca da distribuição terminológica apontam preferência de uso para o termo legendagem. Embora se argumente que a dicotomia legendação/legendagem não se sustenta atualmente (Franco & Araújo; 2011), faz-se necessária a homogeneização terminológica, pois a ciência pede à linguagem clareza nas definições e univocidade nas denominações. Com base nos resultados do mapeamento e de estudos lexicais, discute-se uma proposta de cunhagem terminológica para evitar ambiguidades conceituais neste ramo da tradução audiovisual.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

5 thoughts on “Simpósio: TRADUÇÃO AUDIOVISUAL E ACESSIBILIDADE

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