Simpósio: ROMANTISMO: CÓDIGOS, TRADUÇÕES, MIGRAÇÕES

Coordenadores: Anna Palma (UFMG) e Silvia La Regina (UFBA)

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Este simpósio é um convite a todos os pesquisadores em tradução que trabalham também com autores do período romântico, para apresentarem comunicações sobre traduções e tradutores do Romantismo que enfoquem as escolhas tradutórias (autores, obras, poéticas, códigos culturais) dessa época em base aos ideais que permeiam esse amplo movimento de migração cultural, identificado ao mesmo tempo como o período fundador da modernidade.


Local: Sala 210, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Reflexões sobre tradução no Epistolario e no Zibaldone de Giacomo Leopardi (1819-1823)
Anatália C. Corrêa da Silva
(UFMG)
Leopardi, Montesquieu e o gosto: códigos culturais em tradução no Zibaldone di pensieri
Andréia Guerini
(UFSC)
Tânia Mara Moysés
(UFSC)
Reflexões sobre a tradução do Discorso di un italiano intorno alla poesia romantica para o português do Brasil
Lucia Maria Pinho De Valhery Jolkesky
(UFSC)
13:30-15:00 Traduzindo escrita e imagens de Princesa Brambilla (E. T. A. Hoffmann, Jacques Callot)
Maria Aparecida Barbosa
(UFSC)
Goethe e o projeto de construção da germanidade por meio da tradução
Vanete Santana-Dezmann
(FAPESP, USP e Goethe-Museum-Duesseldorf)
Tradutores italianos entre os séculos XVIII e XIX: a questão da língua e o lugar da tradução
Karine Simoni
(UFSC)
Italo Calvino e o “romance como espetáculo” de Charles Dickens
Tânia Mara Moysés
(UFSC)
15:30-17:00 Dante Gabriel Rossetti e a tradução poética
Ana Maria Chiarini
(Faculdade de Letras/UFMG)
A família Rossetti no contexto do romantismo europeu
Anne Macedo
(UFBA)
William Michael Rossetti e a tradução do Inferno de Dante
Silvia La Regina
(UFBA)
La Beatrice di Dante de Gabriele Rossetti: uma análise tradutória
Anna Palma
(UFMG)

RESUMOS

1) A FAMÍLIA ROSSETTI NO CONTEXTO DO ROMANTISMO EUROPEU
Anne Macedo (UFBA)
A confluência das linguagens e dos idiomas, a multidisciplinaridade dos artistas e pensadores envolvidos, a pluralidade de códigos e a mistura de tradição e inovação fazem da família Rossetti um unicum que, apesar de muito estudado, ainda tem numerosos aspectos a serem revelados e destrinchados. A história dos Rossetti se entrelaça com o próprio romantismo inglês, começando com a chegada ao país de Gabriele em 1824. Gabriele e seus filhos, Dante Gabriel, Christina, William Michael e Maria Francesca, se afirmaram na cena cultural inglesa do século XIX, intelectuais atuantes e de múltiplos talentos num entrelugar cultural que se reflete na mistura multidisciplinar de linguagens artísticas e se vincula a ícones do romantismo daquele país. Romantismo, aliás, de cuja construção a família participou ativamente, dando-lhe contorno bastante peculiar, como acontece com a pintura dos pré-rafaelitas, movimento do qual os Rossetti participaram da fundação. A transculturalidade dos Rossetti, desta forma, contribui com um dos aspectos mais instigantes e inspiradores do romantismo, a contaminação de gêneros e códigos.

2) DANTE GABRIEL ROSSETTI E A TRADUÇÃO POÉTICA
Ana Maria Chiarini (Faculdade de Letras/UFMG)

Dante Gabriel Rossetti, no Prefácio de sua coletânea de poemas traduzidos “The Early Italian Poets from Ciullo D’Alcamo to Dante Alighieri”, refere-se à tradução de poesia como “talvez a forma mais direta de comentário” e ao trabalho do tradutor como “tarefa de um certo desprendimento”, com a finalidade última de contribuir para que outra nação, em outra língua, possa adquirir um pouco mais de beleza. Este trabalho se propõe a analisar essas ideias do poeta, pintor e tradutor britânico à luz de sua intensa participação na Irmandade Pré-Rafaelita, grupo que fundou em Londres, em 1848, e de seu papel na difusão da ideia de nação italiana na Inglaterra do século XIX.

3) GOETHE E O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DA GERMANIDADE POR MEIO DA TRADUÇÃO
Vanete Santana-Dezmann (FAPESP, USP e Goethe-Museum-Duesseldorf)

Conforme têm demonstrado pesquisas no âmbito dos Estudos de Tradução, a disputa entre diferentes linhas teóricas não se circunscreve ao âmbito da estética literária, desenrolando-se em um contexto de disputa política e econômica. É neste contexto que Else Vieira recupera a noção de tradução como canibalismo. Segundo ela, um conceito de tradução que aceita o estrangeiro como fonte de enriquecimento só poderia surgir em contexto social, econômico e cultural característico de países periféricos, porém Goethe propunha que se “devorasse” o estrangeiro, por meio da tradução, como processo de construção da “germanidade”. A comunicação ora proposta visa a apresentar o papel da tradução no projeto de construção da germanidade, sobretudo a partir da prática tradutória de Goethe e é parte da pesquisa de pós-doutorado que desenvolvo no momento.

4) ITALO CALVINO E O “ROMANCE COMO ESPETÁCULO” DE CHARLES DICKENS
Tânia Mara Moysés (UFSC)

O objetivo da comunicação é apresentar alguns motivos pelos quais Italo Calvino (1923-1985) procura reafirmar a “necessidade do romanesco” e isso inclui a “compreensão” do modo de construção do romance por Charles Dickens. Depois de ter visto, em uma exposição em Londres em homenagem ao centenário de Dickens (1812-1870), os elementos visuais das publicações de seus romances em capítulos, Calvino reflete sobre a poética do escritor inglês, tanto que em Lezioni americane (1988), na lição sobre a visibilidade, ele é um dos modelos das “épocas especialmente felizes para a imaginação visual”, como a do Romantismo. Além disso, Dickens é citado no ensaio “Perché leggere i classici” (1981) como autor de livros do tipo que enseja a constante “releitura” e descoberta de aspectos “novos e insuspeitados”, a ponto de se tornar o “clássico que se configura como equivalente ao universo ao modo dos antigos talismãs”.

5) LA BEATRICE DI DANTE DE GABRIELE ROSSETTI: UMA ANÁLISE TRADUTÓRIA
Anna Palma (UFMG)

Gabriele Rossetti (Vasto/Italia 1783 – Londres 1854) poeta, crítico literário e patriota do Ressurgimento Italiano da corrente neo-gibelina, escreveu La Beatrice di Dante em 1842, quando era professor de língua e literatura italiana do King’s College de Londres. Síntese de estudos já publicados, este volume se propõe, segundo o próprio autor, desvelar a sabedoria de Dante, chave de leitura da Divina Comédia, uma obra que, debaixo de suas vestes poéticas, esconde uma alma filosófica: “o verdadeiro”. A interpretação, em chave maçônica e anticlerical, do poeta florentino e de sua obra buscava na história da cultura italiana a origem dos conceitos republicanos e antipapais à raiz dos movimentos liberais que a Itália conheceu nas primeiras décadas de 1800, e que confluíram no ideário dos românticos.
Esta comunicação tem como objetivo apresentar a análise dessa obra de G. Rossetti como parte do processo de tradução ao português brasileiro.

6) LEOPARDI, MONTESQUIEU E O GOSTO: CÓDIGOS CULTURAIS EM TRADUÇÃO NO ZIBALDONE DI PENSIERI
Andréia Guerini (UFSC) e Tânia Mara Moysés (UFSC)

Nosso objetivo é apresentar alguns aspectos da “tarefa dos tradutores” na tradução brasileira (PGET-UFSC e FALE-UFMG) do Zibaldone di pensieri (1817-1832) de Leopardi (1798-1837) referentes ao diálogo com o Essai sur le goût (1753) de Montesquieu, sob o ponto de vista dos “códigos culturais” presentes no sistema de Belas-Artes contido no Zibaldone. Embora vivendo em pleno período romântico, Leopardi encontra no iluminismo códigos para a sua “teoria do prazer”, sobretudo os de Montesquieu, cujos ensaios começou a ler em junho de 1820. O diálogo ensaístico de Leopardi com a obra de Montesquieu atesta a importância de nos reportarmos também à obra do iluminista francês para efetivar as nossas escolhas de tradução nas passagens do Zibaldone em que ele é “estudado”, além de observar a maneira como tais ideias se refletem sobre o modo de interpretação leopardiano do Romantismo.

7) REFLEXÕES SOBRE A TRADUÇÃO DO DISCORSO DI UN ITALIANO INTORNO ALLA POESIA ROMANTICA PARA O PORTUGUÊS DO BRASIL
Lucia Maria Pinho De Valhery Jolkesky (UFSC)

Esta comunicação tem por objetivo apresentar pontos da tradução do Discorso di un italiano intorno alla poesia romantica (1818) de Giacomo Leopardi (1798- 1937), em que a prática da “hospitalidade linguística” não se mostrou imediata. O Discorso foi escrito durante a polêmica entre clássicos e românticos que se instalou na Itália em 1816. A tradução foi baseada na “hospitalidade linguística”, expressão cunhada por Ricoeur (2012), que se coaduna com as opiniões de Berman (2002, 2007), Prete (2011) sobre a tradução, todas elas fundadas na ética. Para Berman, (2007, p. 69) a dimensão ética é “abrir o Estrangeiro ao seu próprio espaço de língua”. Prete, por sua vez, considera a tradução um gênero de escrita resultado de um diálogo entre duas línguas, e Ricoeur afirma que o encontro de uma língua com um texto estrangeiro é uma prova para essa língua que requisita a “descoberta […] de seus recursos inaproveitados” (RICOEUR, 2012, p. 46).

8) REFLEXÕES SOBRE TRADUÇÃO NO EPISTOLARIO E NO ZIBALDONE DE GIACOMO LEOPARDI (1819-1823)
Anatália C. Corrêa da Silva (UFSC)

Giacomo Leopardi (1798-1837), um dos mais importantes autores do século XIX italiano, participou intensamente da vida literária de sua época e manifestou considerações acerca do Romantismo por meio de suas obras. Leopardi foi tradutor atuante, e deixou registrado no Epistolario e no Zibaldone di pensieri algumas observações e preceitos acerca de sua prática e de suas ideias a respeito da tradução. Portanto, a partir dessas questões, serão discussas as principais reflexões do autor italiano acerca da tradução presentes nessas duas obras, no período de 1819 a 1823, espaço de tempo em que aparece o maior número de reflexões sobre o assunto, a fim de verificar suas consonâncias.

9) TRADUTORES ITALIANOS ENTRE OS SÉCULOS XVIII E XIX: A QUESTÃO DA LÍNGUA E O LUGAR DA TRADUÇÃO
Karine Simoni (UFSC)

Dentre os principais assuntos discutidos nos salões literários, nas Academias, nos jornais e nas revistas presentes na Itália entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX estava o futuro da língua e dos dialetos italianos. Influenciados pelos Românticos alemães que concebiam a evolução histórica da linguagem em relação ao desenvolvimento civil dos povos e nações, linguistas, poetas e escritores da Itália empenharam-se no estudo da situação linguística/cultural da península em sua relação com a Europa, movidos, dentre outras razões, pela preocupação em fortalecer a língua na qual escreviam diante das demais línguas européias. Partindo dos ensaios, comentários e prefácios/notas de traduções realizadas por autores que circularam na Itália no período, dentre os quais Cesarotti, Monti, Di Breme, Foscolo e Leopardi, esta comunicação tem como objetivo discutir a importância dada à tradução literária para a renovação/atribuição de uma identidade à língua italiana.

10) TRADUZINDO ESCRITA E IMAGENS DE PRINCESA BRAMBILLA (E. T. A. HOFFMANN, JACQUES CALLOT)
Maria Aparecida Barbosa (UFSC)

Ler o texto literário ilustrado é pensar simultaneamente imagens e palavras. Essa articulação entre o texto escrito e as ilustrações gera potencialidades, se amplia e se torna complexa. Coincide com discussões pertinentes sobre “o contemporâneo” de Giorgio Agamben, que ao somar àquilo que adere ao seu tempo o deslocamento e o distanciamento necessários para a compreensão desse, abala noções lineares da cronologia histórica. De certo modo a coincidência está relacionada com o atual interesse pelo conceito de “Nachleben” (sobrevivência), que pressupõe o resgate de imagens do passado, postulado pelo historiador de arte Aby Warburg em pesquisas sobre características de movimento da arte antiga nas imagens renascentistas de Botticelli.
Para a tradução da novella Princesa Brambilla – um capriccio segundo Jakob Callot, de E. T. A. Hoffmann com 8 gravuras cunhadas a partir de moldes originais de Callot (1820) ao português tais discussões foram fundamentais, como tentarei apresentar neste artigo.

11) WILLIAM MICHAEL ROSSETTI E A TRADUÇÃO DO INFERNO DE DANTE
Silvia La Regina (UFBA)

No âmbito dos múltiplos talentos da família Rossetti, William Michael, ao lado da irmã Francesca, talvez seja o menos conhecido. Definido por Mario Praz “l’uomo normale” dei Rossetti, William Michael levou uma “unadventurous life” extremamente longa (1829-1919), na qual se colocou como o guardião das memórias da família. Mesmo mantendo um low profile, sua obra foi grande e inclui poemas, memórias, biografias, ensaios críticos, edições de poetas ingleses e traduções, entre as quais a mais notável possivelmente seja a do Inferno dantesco, publicada em 1865. Especialmente interessante é o prefácio da tradução, no qual William Michael discute o ato da tradução em si e justifica suas escolhas relativamente à transposição do texto dantesco. Esta comunicação, portanto, tem o objetivo de analisar a contribuição deste letrado anglo-italiano (que participou criativamente da fundação do movimento pré-rafaelita e da extraordinária contradição da era vitoriana, do melting pot do romantismo, sua mistura de gêneros, vozes e linguagens) à teoria da tradução e às relações entre a cultura inglesa e a cultura italiana.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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