Simpósio: Quadrinhos em Tradução

Coordenadores: Rodrigo Borges de Faveri (Unipampa) / Paulo Eduardo Ramos (Unifesp)

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O objetivo deste simpósio é explorar a variedade de fenômenos associados à prática e à teoria da tradução das narrativas gráficas, popularmente conhecidas por histórias em quadrinhos. Evento cultural de inegável impacto no mercado editorial e nas práticas de letramento contemporâneas, os quadrinhos ocupam lugar peculiar na investigação dos fenômenos envolvidos e nas práticas de tradução (Zanettin 2008). Isto se deve à característica multimodal do texto que compõe os quadrinhos, ao combinar recursos gráficos e recursos linguísticos na sua construção narrativa. Dada esta sua natureza e por se constituir como um gênero reconhecidamente pervasivo culturalmente, os quadrinhos propõem problemas únicos à teoria e à prática da tradução pelo fato de conjugarem dois registros semióticos em sua constituição. Este simpósio está aberto para receber propostas de comunicação tanto de tradutores quanto de pesquisadores que se ocupam das questões teóricas e práticas envolvidas na tradução de quadrinhos.

 

Local: Sala 206, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 O tratamento do estereótipo na tradução da história em quadrinhos: Seu potencial de disseminação e reformulação para o leitor
Gisele Marion Rosa
Universidade de São Paulo (USP)
Cultura pop e cultura erudita na tradução de Corto Maltese de Hugo Pratt
Reginaldo Francisco
Tradutor
Traduções osmosemióticas: Dando nome às rosas
Paula Mastroberti
Escritora, Artista Visual
‘Grito Noturno’: Tecedura e feitura de uma tradução ilustrada
Gleiton Lentz
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
13:30-15:00 As influências da linguagem dos quadrinhos nas traduções
Augusto Paim
Tradutor
Quando o texto não é só texto: Tradução de quadrinhos e adaptação gráfica
Érico Gonçalves de Assis
Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)
Dos Classics Illustrated à Edição Maravilhosa: Uma década de tradução de quadrinhos no Brasil
Bárbara Guimarães Lucatelli
Dennys da Silva Reis
Universidade de Brasília (UnB)
Como traduzir histórias em quadrinhos?
Bárbara Zocal da Silva
Universidade de São Paulo (USP)
15:30-17:00 A tradução das inscrições em Watchmen
Kátia Hanna
Universidade Paulista (UNIP)
A voz secreta dos super-heróis: O papel do tradutor em revistas brasileiras de heróis norte-americanos
Paulo Ramos
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Dom Quixote em HQ como ‘traduções’
Luiziane da Silva Rosa
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Sobre a tradução não profissional de quadrinhos no Brasil: O caso da comunidade de tradução Vertigem HQ
Rodrigo B. de Faveri
Universidade Federal do Pampa (Unipampa)

RESUMOS

1) Como traduzir histórias em quadrinhos?
Bárbara Zocal da Silva (Universidade de São Paulo – USP)
As traduções de histórias em quadrinhos apresentam especificidades que as caracterizam como um tipo de tradução subordinada (TITFORD, 1982), além de envolver o código linguístico, a tradução se vê condicionada a outros tipos de códigos (verbal e o não-verbal). A análise comparada das três traduções da Mafalda para o português do Brasil e o cotejo das entrevistas concedidas pelos tradutores destas tiras nos fizeram refletir sobre aspectos potencialmente problemáticos desta modalidade de tradução específica. Sendo assim, apresentaremos – com base nos conceitos de problemas de tradução (NORD, 1991; HURTADO, 2001) e equivalência (KENNY, 1998; HURTADO, 2001) – uma proposta de componentes que guiem o tradutor de quadrinhos em sua prática tradutória.

2) Cultura pop e cultura erudita na tradução de Corto Maltese de Hugo Pratt
Reginaldo Francisco (Tradutor, Mestre em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC)
Embora intimamente ligadas à cultura pop, as histórias em quadrinhos (HQs) muitas vezes apresentam intertextualidades não só com outros elementos da própria cultura pop como com obras da cultura dita “erudita”, além de envolver contextos históricos, culturais, etc. Tudo isso exige do tradutor desse tipo de texto uma ampla cultura geral e principalmente muita habilidade de pesquisa. Neste trabalho esse aspecto da tradução de quadrinhos será discutido e ilustrado com exemplos da tradução do italiano para o português de duas HQs do personagem Corto Maltese (As Helvéticas e Mu, a cidade perdida), do autor de quadrinhos Hugo Pratt, que envolveram pesquisas sobre as mais diversificadas áreas, como música erudita, diálogos platônicos, cinema, lendas indígenas, entre outras. Serão apontadas também algumas estratégias de pesquisa utilizadas para levantar todas essas informações suscitadas pela atividade tradutória.

3) Dom Quixote em HQ como ‘traduções’
Luiziane da Silva Rosa (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC)
Esta apresentação se insere na noção de que o gênero HQ, por seu formato plurissemiótico e na função de reapresentar uma obra da literatura traduzida, permite traduções (GUERINI; BARBOSA, 2012). Traduções, assim no plural, no sentido de existir não somente uma tradução canônica (interlingual), mas também traduções do mesmo signo (intralingual) e entre signos diferentes (intersemiótica ou transmutação) tornando outra obra livre e criativa. O objetivo deste trabalho foi o de verificar as possibilidades de traduções na adaptação de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, para o gênero HQ (L&PM Ed.) sob o ponto de vista da tradução intersemiótica (JACKOBSON, 2005; PLAZA, 2010). Para a análise, compararam-se alguns fragmentos da HQ em paralelo com o livro Dom Quixote da Real Academia Española (RAE). Os fragmentos são as principais passagens da obra cervantina como, por exemplo, quando Dom Quixote luta com os moinhos de vento. Como resultados, observou-se a presença e como apareceriam a tradução interlingual nos textos verbais e não-verbais, principalmente na descrição dos cenários e nos diálogos, a tradução intralingual na narrativa assim como as adaptações, retextualizações e alternativas criativas que tradutor e quadrinista usaram ao reapresentar

4) Dos Classics Illustrated à Edição Maravilhosa: Uma década de tradução de quadrinhos no Brasil
Bárbara Guimarães Lucatelli e Dennys da Silva Reis (Universidade de Brasília – UnB)
Sabe-se que o grande impulso da formação do mercado editorial dos quadrinhos brasileiros se deu com as publicações da Editora EBAL que, majoritariamente, eram importadas, traduzidas e postas à venda. Dentre esses quadrinhos, estavam os primeiros romances gráficos conhecidos e vendidos no Brasil e que também compunham a Edição Maravilhosa. O presente trabalho tentará mostrar como se compôs a Edição Maravilhosa e, em especial, como era o processo de tradução de quadrinhos na época. Para tanto, analisaremos 4 HQs da primeira série da Edição Maravilhosa no Brasil e seus respectivos HQs fonte da primeira série de Classics Illustrated nos Estados Unidos (versões dos romances célebres de Victor Hugo): O Corcunda de Notre Dame (1949) – The Hunchback of Notre Dame (1946), Os miseráveis (1951) – Les Miserables (1943), Os Trabalhadores do Mar (1952) – The Toilers of the Sea (1949), e O Homem que Ri (1952) – The Man Who Laughs (1950). Estas análises nos farão identificar as práticas e os processos tradutórios adotados pela editora EBAL no período de 1949 a 1959 ou levantar hipóteses sobre eles.

5) ‘Grito Noturno’: Tecedura e feitura de uma tradução ilustrada
Gleiton Lentz (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC)
Se a tradução de quadrinhos representa ao tradutor um desafio, devido às características próprias desse estilo gráfico, como a colocação das orações e os jogos de palavras, o esquema de imagens e o formato próprio do HQ, imaginemos o papel do desenhista ao receber um escrito literário previamente traduzido a ser ilustrado em formato HQ? Sob o viés do ilustrador, quais são os desafios tradutórios, isto é, intersemióticos, que se originam nesse processo? Adentrando o campo da tradução intersemiótica, definida como a tradução de um determinado sistema de signos para outro sistema, entre as quais se encontra a tradução das artes visuais, e por consequência, dos HQS, esse é o tema a ser abordado nessa exposição, em que se pretende, primeiro, “ilustrar” o processo de tecedura do poema “Grito Noturno”, do poeta ítalo-argentino Severino Di Giovanni, escrito em 1925, e depois, o processo gráfico de feitura do homônimo poema, pela artista plástica gaúcha Aline Daka, ilustrado em 2012.

6) As influências da linguagem dos quadrinhos nas traduções
Augusto Paim (Tradutor, Jornalista pela UFSM, Mestre em Escrita Criativa pela PUCRS)
A proposta desta apresentação é elencar e problematizar alguns dos elementos específicos da linguagem dos quadrinhos que interferem no processo de tradução, a citar: a coloquialidade dos diálogos, as limitações dos balões, as onomatopeias e a relação do texto com as imagens. O objetivo é mostrar variações dessas dificuldades a partir de casos concretos, algumas vezes questionando a regra geral em função das inúmeras exceções possíveis. Boa parte da apresentação será baseada em exemplos de traduções efetuadas pelo próprio apresentador, portanto o foco será no cenário de graphic novels alemãs.

7) Quando o texto não é só texto: Tradução de quadrinhos e adaptação gráfica
Érico Gonçalves de Assis (Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó)
Por mais que as histórias em quadrinhos caracterizem-se pela narrativa conjunta imagem + palavras, o olhar apressado sugere que a tradução das mesmas resumir-se-ia a adaptar o registro contido em balões, recordatórios e ocorrências similares de palavras. Na verdade, deve-se considerar o “texto” fonte do quadrinho a junção imagem + palavras. O trabalho tem por pretensão analisar exemplos-limite onde determinações tipográficas, manipulação pictórica e outras reconfigurações gráficas são necessárias para uma efetiva tradução, considerando em especial o trabalho do letreirista como parte do empreendimento tradutório.

8) Sobre a tradução não profissional de quadrinhos no Brasil: O caso da comunidade de tradução Vertigem HQ
Rodrigo B. de Faveri (Universidade Federal do Pampa – Unipampa)
A tradução não profissional independente e sem fins lucrativos de material que não se encontra em domínio público e o seu compartilhamento digital impõe um desafio à reflexão sobre a ética do tradutor (PYM 2012). O objetivo desta proposta é a problematização das práticas tradutórias de um caso exemplar de comunidade de tradução não profissional de quadrinhos no Brasil, a comunidade Vertigem HQ, destacando alguns dos problemas éticos surgidos a partir desta prática e o modo como estes podem ser tratados de maneira a evitar polarizações que conduzam a impasses de interpretação e compreensão daqueles problemas. Para tanto, recorre-se à interpretação e à análise de postagens do blog da comunidade especificada focalizando o modo como determinados problemas éticos, decorrentes das suas práticas tradutórias, são por ela tratados, como, por exemplo, o caso com o autor Ben Templesmith. Espera-se com esta problematização contribuir para a compreensão da questão do compartilhamento digital da produção de comunidades de tradução sem precisar reduzir a questão a uma ética da tradução em geral, a qual privilegia a dicotomização entre legal vs. ilegal, chamando desta maneira a atenção para uma ética do tradutor enquanto prática emancipatória (CHESTERMAN 1997).

9) A tradução das inscrições em Watchmen
Kátia Hanna (Universidade Paulista – UNIP)
Estudos recentes sobre tradução de histórias em quadrinhos ocupam-se não somente dos signos verbais, mas também dos imagéticos, ou da relação entre ambos. No último caso, estão as pesquisas que observam a tradução das inscrições, ou seja, de objetos em que encontramos a mensagem verbal, como cartazes, jornais, outdoors, letreiros, e que informam sobre o contexto social, cultural e geográfico da narrativa. Esse “locus of translation” desempenha dupla função na construção do sentido, visual e verbal. Dessa maneira, várias estratégias podem ocorrer durante sua tradução. De acordo com Celotti (2008), há pelo menos seis diferentes estratégias tradutórias para as inscrições: a) tradução; b) tradução com nota de rodapé; c) adaptação cultural; d) não tradução; e) apagamento; f) combinação das estratégias acima. O objetivo deste estudo é observar as estratégias empregadas na tradução das inscrições presentes em Watchmen, desde sua primeira versão no Brasil, em 1988, até a Edição Definitiva, de 2011. Por meio do levantamento de como se deu a tradução das inscrições nas várias traduções brasileiras da minissérie de Alan Moore e David Gibbons, busco compreender se houve uma significativa mudança de estratégia(s) quando da passagem do suporte gibi (edições de 1988 e 1999, da editora Abril) para o formato livro (edições da Via Lettera, 2005-2006, e a de 2011, pela Panini).

10) Traduções osmosemióticas: Dando nome às rosas
Paula Mastroberti (Escritora, Artista Visual, Doutora em Letras pela PUCRS)
Oh, be some other name! What’s in a name?/ That which we call a rose / By any other name would smell as sweet” (SHAKESPEARE, William. “Romeo and Juliet”, Ato II, Cena II). Partindo dos versos do poeta inglês, pretendo ensaiar algumas reflexões sobre minha experiência como autora brasileira convidada pelo Instituto Goethe para produzir uma história em quadrinhos que de alguma forma refletisse a experiência de ter residido durante 30 dias em Berlim. A narrativa resultante, cujo título fiz questão de manter em alemão, Zwei rosen bei Berlin, procura justamente expressar não apenas o entrecruzamento linguístico vivido (português, inglês e alemão, idiomas dos quais me servi), mas também imaginário, em que o conhecido conto dos irmãos Grimm, Schneeweißchen und Rosenrot, conhecido por nós, brasileiros, como Rosa Branca e Rosa Vermelha, ao ser versado para a linguagem dos quadrinhos, adquire outras tonalidades ao assumir por cenário a capital alemã.

11) O tratamento do estereótipo na tradução da história em quadrinhos: Seu potencial de disseminação e reformulação para o leitor
Gisele Marion Rosa (Universidade de São Paulo – USP)
O gênero quadrinhos dialoga com as mais variadas mídias como a literatura e despertou a atenção de acadêmicos para seus elementos de criação e recepção cultural. Nos Estudos da Tradução não poderia ser diferente, pois há uma gama de potencialidades de construção de sentido que promove a investigação das diferentes vozes no discurso desse gênero, passíveis de manipulação na sua transposição para outras culturas. O aumento de leitores e demanda editorial que pela tradução absorvem quadrinhos de diferentes culturas aponta para a construção/desconstrução de estereótipos e reflexão sobre eles. O estereótipo do judeu provou ser ideal para refletir o poder intrínseco ao ofício do tradutor em veicular significados em momentos ainda tão extremos e sensíveis na geopolítica mundial nos confrontos entre israelenses e o povo árabe. Descreveremos a tradução da graphic novel Fagin, o Judeu, de Will Eisner, seus paratextos e sua relação texto/imagem articulando os fundamentos da Estética da Recepção.

12) A voz secreta dos super-heróis: O papel do tradutor em revistas brasileiras de heróis norte-americanos
Paulo Ramos (Universidade Federal de São Paulo – Unifesp)
Esta comunicação objetiva reconstruir a trajetória histórica do papel do tradutor nas revistas brasileiras de super-heróis e demonstrar como essa atuação interferiu diretamente nos aspectos linguísticos das histórias. Editadas no país por mais de meio século, tais publicações em quadrinhos passaram, ao longo dos anos, a explicitar um maior destaque aos profissionais que vertiam o conteúdo das histórias do inglês para o português. Defende-se a ideia de que, paralelamente à maior importância dada ao tradutor e ao trabalho exercido por ele, obteve-se uma maior qualidade na composição dos textos, evidenciada, em particular, na caracterização verbal dos personagens. Para corroborar tal ponto de vista, serão utilizados na análise exemplos de revistas em quadrinhos do gênero super-heróis publicadas no Brasil em diferentes épocas.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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