Simpósio: Poética da Tradução

Coordenadores: Alain Mouzat (USP) e Raquel Lima Botelho Casillo Vieira (UPM)

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Ao retomar o título do livro de Mario Laranjeira, além da homenagem ao professor e tradutor, visamos indicar a perspectiva deste simpósio: de uma prática da tradução do texto literário que diz de seus princípios eficientes, e de uma teoria que mostra suas consequências no ato de traduzir. Nem sempre a explicitação teórica se torna tratado – pode ser mais fácil encontrá-la nas correspondências, nos prefácios das obras – mas sempre ela será perpassada pelo esforço de articulá-la à pratica.  Da mesma forma, toda prática implica uma visão de como a linguagem poética pode agir: uma teoria a ser formulada. Trata-se de, a partir das práticas de tradução,   apontar  os princípios teóricos que sustentam esse ato, e explicitar a via do poder da palavra poética. Assim acolhemos: Os estudos da teoria da tradução poética nos seus desdobramentos na tradução de textos. Os comentários de práticas de tradução visando à construção de uma poética.

 

Local: Sala 208, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 As Flores de Laranjeira
Ricardo Meirelles
(Centro Universitário Anhanguera)
Contos e Fábulas de Perrault por Mário Laranjeira
Raquel Lima Botelho Casillo Vieira
(Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Dois Corvos
Marina Della Valle
(USP)
Metafísica e poética na escrita de João Guimarães Rosa
Márcia Valéria Martinez de Aguiar
(Universidade de São Paulo)
15:30-17:00 Mário Laranjeira e a tradução poética no Brasil
Álvaro Faleiros
(USP)
Mário Laranjeira: traduzindo prosa, proseando sobre tradução
Maria Cláudia Rodrigues Alves
(IBILCE – UNESP)
Mario logocêntrico
Dr. Alain Mouzat
(USP)

RESUMOS

1) As Flores de Laranjeira
Dr. Ricardo Meirelles (Centro Universitário Anhanguera)

A última publicação de As flores do mal de Charles Baudelaire, traduzida por Mário Laranjeira, apresenta uma nova leitura que vai além da mera atualização tradutória periódica que todo clássico merece e pode atingir um novo horizonte de leitores de modo mais significativo. Em minha tese, Les Fleurs du mal no Brasil: traduções (2010), constatei que a estratégia comumente adotada pelos diversos tradutores – privilegiadora da forma fixa do soneto com versos alexandrinos, em detrimento do conteúdo – freqüentemente acabou desviando ou prejudicando sua leitura. Afirmo, então, que essa tradução oferece algo novo, justamente por romper com um paradigma tradutório aplicado largamente ao longo da História da Literatura Brasileira. Laranjeira parece mais sensível ao conteúdo, preservando, de maneira mais equilibrada, as imagens semânticas e sintáticas que existem, sem abrir mão de um ritmo característico, optando pelo verso dodecassílabo e evitando o exercício da cesura em hemistíquios, possibilitando, assim, outras relevantes marcas da poesia baudelaireana. Essa estratégia permite uma honestidade poética e literária antes impraticável, porque sempre submetida ao dogma formal. Isso somado a edição popular do livro, proporciona, tanto ao acadêmico e conhecedor da língua francesa, quanto ao leitor comum que busca conhecer meramente um clássico da literatura, uma nova aproximação.

2) Contos e Fábulas de Perrault por Mário Laranjeira
Dra. Raquel Lima Botelho Casillo Vieira – (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

O livro Contos e Fábulas de Charles Perrault, traduzido por Mário Laranjeira é mais um testemunho de seu esmero e proficiência no ofício da tradução. Lançado em 2007 pela editora Iluminuras, a obra é um marco no cenário da literatura traduzida. É evidente que cada tradutor tem a liberdade de escolher suas estratégias de tradução conforme sua formação e até gosto pessoal. O que esta comunicação visa a mostrar, por meio de excertos selecionados do livro acima mencionado é que Laranjeira prima por preservar, em uma tradução, quatro aspectos da linguagem: semântico, linguístico-estrutural e retórico-formal, integrando todos esses níveis ao nível semiótico-textual a fim de alcançar a significância do texto literário.

3) Dois Corvos
Ms. Marina Della Valle (USP)

A apresentação consiste na proposta de traduções de dois poemas do britânico Ted Hughes (1930-1998) guiadas pela análise das características poéticas da obra do autor, dos poemas em si e do ciclo criativo específico em que estão inseridos, adotando bases teóricas como linhas gerais delimitando a busca pela recriação poética, em especial as ideias de Ezra Pound, Haroldo e Augusto de Campos, José Paulo Paes e Mário Laranjeira. Os poemas escolhidos fazem parte de “Crow: the life and songs of the crow” (Faber, 1970), ainda inédito no Brasil. Esse trabalho surgiu da ideia de que a tradução de um poema deve ir muito além da transposição semântica, esquemas métricos e jogos de rima. É preciso, para citar o termo emprestado de Julia Kristeva por Mário Laranjeira, traduzir a “significância” do poema, de todas as informações abarcadas em seu nível semiótico e textual quanto for possível. A base da consideração dessas questões virá da prática e da análise das soluções encontradas.

4) Mário Laranjeira e a tradução poética no Brasil
Dr. Álvaro Faleiros (USP)

Mário Laranjeira publica, em 1993, sua tese de doutorado defendida em 1989, com o título Poética da tradução: do sentido à significância. De acordo com Laranjeira, no caso da tradução de textos poéticos, é importante dar destaque à dimensão do significante (lado material do signo) e à “obliqüidade semântica” que constitui a passagem de acesso ao nível semiótico, “tornando possível a leitura múltipla pela ruptura do referente externo”. Nosso intuito é discutir como a teoria de Mário se situa no campo da tradução poética no Brasil.

5) Mário Laranjeira: traduzindo prosa, proseando sobre tradução
Profa. Dra. Maria Cláudia Rodrigues Alves – (IBILCE – UNESP)

Em 2009, após aproximadamente vinte anos de silêncio editorial, leitores e imprensa brasileiros aplaudiram a iniciativa da Editora Estação Liberdade que publicou quatro obras de André Gide, sendo três delas na tradução de Mário Laranjeira: Os moedeiros falsos, Os porões do Vaticano e Diário dos Moedeiros falsos. Este último, traduzido e publicado pela primeira vez no Brasil. Com o objetivo de melhor compreendermos esse acontecimento editorial, optamos pela observação do material que constituiu a fortuna crítica desses lançamentos em 2009. Em seguida, consideramos que o meio mais conveniente de abordarmos a empreitada da tradução de Gide, seria dar voz ao tradutor, Mário Laranjeira, numa entrevista que rapidamente se transformou em conversa das mais informais, na qual Laranjeira compara as dificuldades do processo tradutório dos textos de André Gide e de Pierre Michon.

6) Mario logocêntrico
Dr. Alain Mouzat (USP)

Evocando um debate que animou os meios acadêmicos nos anos 80-90, vou pinçar nos diversos textos de Mário Laranjeira e dos teóricos que ele convoca, a expressão dos conceitos aos quais ele recorre para dar conta de sua prática. Não se traduz com teoria, mas a teoria é indispensável para construir uma representação das práticas e particularmente, para abrir novas vias, para responder a novas práticas poéticas.
Dos “ grands rhétoriqueurs” a Guillaume Apollinaire, e os poetas franceses dos anos 90, de Pascal a Pierre Michon, a atividade do tradutor Mário Laranjeira nos fornecerá os exemplos de um fazer poético que não teme em se confrontar com o impossível.

7) Metafísica e poética na escrita de João Guimarães Rosa
Dra. Márcia Valéria Martinez de Aguiar – (Universidade de São Paulo)

Ao ler a correspondência de Guimarães Rosa com seus tradutores e suas raras entrevistas, intrigou-nos a palavra com que o escritor definia, de forma recorrente, a dimensão que considerava a mais importante de seus escritos: “metafísica”.
Em 25 de novembro de 1963, ele descreve a Edoardo Bizzarri, às voltas com a tradução de Corpo de baile, a maneira como os elementos presentes em suas estórias deviam ser considerados: “a) cenário e realidade sertaneja: 1 ponto; b) enredo: 2 pontos; c) poesia: 3 pontos; d) valor metafísico-religioso: 4 pontos”.
Essa metafísica, contudo, não pode reduzir-se a conceitos – já que não estamos lidando com tratados filosóficos – e deve ser buscada na forma de escrita peculiar a esse autor.
É um pouco dessa poética que gostaríamos de expor nesta comunicação, através de exemplos extraídos das cartas do escritor a seus tradutores e escudando-nos na noção de significância explicitada por Mário Laranjeira em A poética da tradução.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

2 thoughts on “Simpósio: Poética da Tradução

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