Simpósio: Poesia, prosa, teatro: singularidades das traduções literárias

Coordenadores:
Ana Helena Barbosa B. de Souza (UFSC)
Fábio de Souza Andrade (USP)

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Em que medida alguns dos desafios que o tradutor de literatura enfrenta ligam-se especificamente ao gênero do texto traduzido? Este simpósio propõe um debate sobre experiências com traduções de poesia, prosa ou textos dramáticos, de modo a tentar mapear as singularidades da tradução de cada gênero. Procuramos, assim, compreender se há uma maneira específica de aproximar-se do texto-fonte, definida pelo próprio gênero literário ao qual ele se vincula, ou se as estratégias de tradução variam de tradutor para tradutor, texto para texto, aleatoriamente. É necessário acrescentar que, além das estratégias de tradução individuais, deve-se levar em conta a veiculação e recepção dessas traduções, no sentido de discutir as influências que as editoras e seus processos de edição, bem como o público leitor, exercem sobre os tradutores.

Local: Sala 206, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Traduzir os vivos: reflexões sobre tradução a partir da correspondência de Elizabeth Bishop
Myriam Ávila
(UFMG)
Traduzir prosa é falhar menos? Provocações e exemplos da obra de Samuel Beckett
Ana Helena Souza
(PGET/UFSC)
ROSALIA, ROSA E LIA. A TRADUÇÃO ENTRE POESIA E PROSA
Roberta BARNI
(USP)
Intensidade por extensão – Impasses lírico-épicos na tradução de Phantasus, de Arno Holz
Simone Homem de Mello
(Centro de Referência Haroldo de Campos -Casa das Rosas, São Paulo e Centro de Estudos de Tradução Literária-Casa Guilherme de Almeida, São Paulo)
Tradução de poesia: o texto possível, teoria e prática na tradução de Trilce de César Vallejo
Ana Cláudia R.Trierweiller Prieto
(UFSC)
13:30-15:00 Tradução de teatro: elementos clássicos que ecoam até hoje
Renata Cazarini Freitas
(USP)
Características da tradução de literatura dramática
Cláudia Soares Cruz
(UNIRIO)
Martin Crimp e a tradução teatral como reescrita dramatúrgica
Marcelo Bourscheid
(UFPR- PG)
O teatro de Nelson Rodrigues: traduções e encenações
Daniella Avelaneda Origuela
(USP)
O código de Perelá: as peculiaridades de um “romance futurista” teatral
Juliana Hass
(USP)
15:30-17:00 “Un Petit Beurre ni Lu ni Connu” ou Que gosto tem Murphy em português do Brasil?
Fábio de Souza Andrade
(USP)
A tradução dialetal em Don Segundo Sombra
Vinicius Martins
(USP)
A tradução de “ladrões de fogo”: os desafios tradutórios nos contos de Chinua Achebe, Amarílis Anchieta
(POSTRAD/UnB)
Traduzindo nonsense
Dirce Waltrick do Amarante
(UFSC)
Traduções de Alice no País das Maravilhas como literatura infantil
Cynthia Costa
(PGET/UFSC)

RESUMOS

1) A tradução de “ladrões de fogo”: os desafios tradutórios nos contos de Chinua Achebe Amarílis Anchieta (POSTRAD/ UnB)

Trata-se de estudar as questões da tradução de contos de Chinua Achebe a partir do conceito do escritor como homem traduzido. Alguns escritores de origem africana, como Achebe, são considerados autores “traduzidos” sem que tenham passado por um processo de tradução no sentido formal. A noção de “escritor traduzido” é aquela apresentada por Pascale Casanova (2002, p. 315), que define a posição desses escritores como sendo “ladrões de fogo”, ou seja, a língua “dada” a eles é considerada um “presente envenenado” ou “roubo instituído”. Com efeito, o escritor africano da geração de Achebe é “forçado” a escolher a língua de escrita na qual ele vai veicular seu pensamento e sua visão de mundo local, no entanto, essa representação ocorre a partir de uma forma literária universal e cosmopolita, operando assim uma mistura cultural. Este trabalho analisa a tradução para o português dos contos de Chinua Achebe, presentes na antologia “Girls at War and Other Stories”, e os desafios específicos da tradução de conto enquanto gênero literário.

2) A tradução dialetal em Don Segundo Sombra
Vinicius Martins (Universidade de São Paulo)

As variantes dialetais de cada idioma possuem características geográficas, sociais, situacionais e culturais muito próprias e que podem vir a ser diferentes das encontradas em qualquer outra língua. Portanto, a tradução dessas variantes estaria diante de problemas para os quais seria necessário empregar uma variedade de técnicas tradutórias que, a nosso ver, merecem uma investigação mais detalhada. Assim, esta pesquisa tem como tema o estudo da tradução da representação literária do dialeto rural no romance Don Segundo Sombra (1926) do escritor argentino Ricardo Güiraldes para o português.
A necessidade de um trabalho que vise analisar a tradução da representação literária do dialeto deve-se à falta de pesquisas sobre traduções de variantes dialetais que tenham como corpus original uma obra literária de língua espanhola e se baseie numa metodologia que exponha os dados de maneira qualitativa. A pesquisa fornece respostas às problemáticas que envolvem a tradução de dialeto e se beneficiarão dela todos os interessados nos aspectos da tradução de romances regionalistas, tal como aqueles que buscam amostras para os estudos dialetológicos na área de tradução.

3) Características da tradução de literatura dramática
Cláudia Soares Cruz (UNIRIO)

Minha proposta para esse Simpósio é compartilhar a experiência que estou vivendo no processo de escrita de minha dissertação de mestrado, a ser defendida em julho próximo. Nela, além dos capítulos teóricos onde abordo temas relacionados ao fazer tradutório, faço a tradução comentada de Lobby Hero, de Kenneth Lonergan, peça norte-americana contemporânea ainda não encenada nem traduzida no Brasil. Minha dissertação consta de um mapeamento do processo tradutório onde discuto as opções feitas, as dificuldades, as soluções encontradas, enfim, diversos aspectos que permeiam qualquer trabalho de tradução. De forma específica, procuro verificar como o fato de se tratar de um texto dramático afeta todo o processo. Nesse esforço de mapeamento, fui (re)descobrindo semelhanças e diferenças entre as duas línguas com as quais trabalho, inglês e português, e percebendo de que forma elas se revelam no momento da tradução. Outro aspecto que destaco em meu trabalho é a possibilidade de se compreender a tradução como uma instância de análise dramatúrgica.

4) Intensidade por extensão – Impasses lírico-épicos na tradução de Phantasus, de Arno Holz
Simone Homem de Mello (Centro de Referência Haroldo de Campos -Casa das Rosas, São Paulo e Centro de Estudos de Tradução Literária-Casa Guilherme de Almeida, São Paulo)

Phantasus, obra poética que o alemão Arno Holz (1863-1929) ampliou continuamente ao longo de três décadas (de 1899 a 1929), representa não apenas um expoente da poesia moderna, mas também um experimento ímpar com a condensação lírica e a tendência extensiva no tratamento da matéria épica. Importante referencial das literaturas de vanguarda da década de 1960, Phantasus – cuja última versão preparada pelo autor se estende por 1584 páginas, na edição póstuma de 1962 – representa um desafio à tradução em decorrência da simultaneidade de técnicas de sobreposição, síncope e montagem e de um movimento de contínua proliferação verbal, mapeável ao longo das diversas versões dessa obra processual (1898/99, 1916, 1925, 1929). Com base em exemplos textuais, a palestra apontará os impasses que se impõem na passagem da língua alemã para a língua portuguesa, destacando – na tradição tradutória brasileira de poesia – possíveis referenciais para uma reflexão sobre a tensão entre redução lírica e discursividade épica.

5) Martin Crimp e a tradução teatral como reescrita dramatúrgica
Marcelo Bourscheid (UFPR- PG)

O dramaturgo britânico Martin Crimp (1956) é reconhecido pela crítica como um dos mais importantes autores do teatro contemporâneo. Além de sua atividade como dramaturgo, que lhe rendeu diversos prêmios e o reconhecimento da crítica, Crimp também é um dos mais requisitados tradutores teatrais da cena britânica, tendo traduzido autores como Molière, Genet, Marivaux, Ionesco e Koltès, dentre outros. Em seu trabalho como tradutor, Crimp explora as fronteiras entre a tradução e a reescrita dramatúrgica, em uma prática tradutória consciente das especificidades da tradução teatral. Em sua peça The City (2008), Crimp tematiza a prática da tradução, ao retratar os conflitos da personagem Clair, uma tradutora que pretende tornar-se escritora. Neste trabalho, cotejo a configuração do tradutor apresentada nessa peça com a prática tradutória de Martin Crimp, discutindo as aproximações e distanciamentos entre a noção de tradução implícita em The City e a prática de tradução teatral do seu autor.

6) O código de Perelá: as peculiaridades de um “romance futurista” teatral
Juliana Hass (Universidade de São Paulo)

O Código de Perelá, “Romance Futurista” de A. Palazzeschi, narra a história de Perelá de modo teatral: os episódios são apresentados pela sequência de diversos diálogos “encenados” à frente do leitor, dialogicamente, com raras intervenções do narrador; há, também, o coro, nas vozes da sociedade do Reino. Nosso objetivo é compartilhar as estratégias de tradução utilizadas, nas quais se levou em consideração a veiculação e a recepção da obra: como metodologia, priorizamos a fluidez do texto, necessária para o caráter teatral. Além disso, como diria Umberto Eco em seu texto “Dire quasi la stessa cosa: Esperienze di traduzione”, buscou-se “negociar” os significados e os sentidos presentes no texto original, privilegiando o “destinatário desta tradução”. Essa busca visou encontrar uma “semelhança” que garantisse o mesmo valor presente no “texto de partida”, sempre refletindo sobre a “visão de mundo encontrada na estrutura e no uso” tanto do italiano quanto do português brasileiro. Quando necessário, recorreu-se a “mecanismos de compensação”, como orienta Francis H. Aubert em seu texto “As (In)fidelidades da tradução: servidões e autonomia do tradutor”.

7) O teatro de Nelson Rodrigues: traduções e encenações
Daniella Avelaneda Origuela (Universidade de São Paulo)

A pesquisa trata do tema da tradução de teatro e suas particularidades por meio do teatro de Nelson Rodrigues que foi traduzido e encenado em língua inglesa na Inglaterra e Estados Unidos. Mesmo dentro do campo da tradução, a tradução teatral recebe pouco estudo. Esse tipo de tradução apresenta desafios para o tradutor, já que ele terá de lidar não somente com a passagem da língua de partida para a língua de chegada, mas também com outros signos não verbais inerentes ao teatro. Esse tipo de tradução também envolve outros artistas que terão de lidar com o texto traduzido: diretores, atores e equipe técnica. A pesquisa abrange dois tipos de traduções: aquelas que chamamos de “traduções para a página” e as “traduções para o palco”. Veremos o que disseram alguns teóricos da tradução sobre a tradução teatral. A partir desses conceitos, analisamos algumas traduções e montagens realizadas por diferentes tradutores e grupos teatrais para perceber como esse material foi tratado.

8) Rosalia, Rosa e Lia. A tradução entre poesia e prosa
Roberta Barni (USP)

É proposta desse simpósio tentar mapear as singularidades da tradução de cada gênero, a forma específica com que o tradutor aborda seu texto-fonte. Se é certo que prosa, poesia e drama demandam aproximações graduais e específicas, interessante é também verificar o que ocorre com os textos limítrofes, que passeiam de um lado para outro na fronteira que separa (ou não) prosa de poesia. Esse é precisamente o caso de Retábulo, obra do siciliano Vincenzo Consolo, publicada no Brasil em 2002. Marcada por registros que vão do altamente poético ao estritamente prosaico, Retábulo apresenta como dificuldades adicionais uma forte relação entre escrita e imagem e o fato de mimetizar uma fala siciliana, arcaica, filtrada ora pelos olhos de um viajante milanês do século XVII, ora pelos olhos de um frade apaixonado. E se o enredo está ambientado no setecentos, o romance também enceta, por outro lado, um plano de leitura que faz clara alusão à Itália dos anos 1980. Refletir sobre alguns desses aspectos à luz de passagens pontuais do texto de partida e de chegada e de um pouco de sua história editorial no Brasil poderá, cremos, contribuir para o debate proposto.

9) Tradução de poesia: o texto possível, teoria e prática na tradução de Trilce de César Vallejo
Ana Cláudia R.Trierweiller Prieto (UFSC)

Neste artigo, procuramos observar especificamente no texto poético algumas singularidades na relação entre teoria e prática de tradução. Partindo de alguns aspectos relevantes para a tradução de poesia, procuramos refletir sobre as características específicas da tradução deste gênero textual. Como exemplo, apresentamos a nossa tradução comentada de uma seleção de poemas do livro Trilce (1922) de César Vallejo. Na tradução destes poemas, podemos perceber mediante algumas das nossas escolhas as especificidades que o texto poético nos proporciona no ato tradutório.

10) Tradução de teatro: elementos clássicos que ecoam até hoje
Renata Cazarini Freitas (Universidade de São Paulo)

A tradição dramatúrgica greco-romana legou-nos mais do que a matéria mitológica, incessantemente retrabalhada até os dias de hoje. No texto teatral da Antiguidade, identificam-se convenções poéticas que se perpetuam na construção de diálogos e solilóquios. A abordagem pelo tradutor de determinadas peças – até mesmo as contemporâneas, a depender do autor e da temática – deve partir do reconhecimento desses dispositivos de elocução de maneira a preservar os ecos da retórica antiga.Para argumentar a favor dessa proposição, pretende-se mostrar como se estrutura, por exemplo, o diálogo agonístico na tragédia clássica grega e latina, passando pelo exemplo de Shakespeare, até a sua ocorrência na atualidade. A divisão de um verso da poesia dramática em mais de uma fala, a retomada de palavras-chave pelo antagonista, o uso de máximas são dispositivos que ainda se refletem na dramaturgia. Também o solilóquio, como meditação, discurso em elaboração do personagem, estrutura-se a partir de ornamentos ou figuras da retórica antiga que não perderam a validade, como a interrogatio, o sequenciamento de perguntas que não esperam respostas.

11) Traduções de Alice no País das Maravilhas como literatura infantil
Cynthia Costa (PGET/UFSC)

Pretende-se discutir as transformações promovidas em Aventuras de Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland, de Lewis Carroll; Inglaterra, 1865) por dois autores nacionais, Monteiro Lobato e Ana Maria Machado, em suas respectivas traduções. Baseando-se na teoria de domesticação versus estrangeirização de Lawrence Venuti, a discussão aborda o confronto entre as traduções e o texto-fonte à luz da noção de literatura infantil e de prosa e poesia (pois o texto possui também versos) e do desafio de recriar a linguagem carrolliana em seus trocadilhos, ludismos e nonsense.

12) Traduzindo nonsense
Dirce Waltrick do Amarante (UFSC)

Aspectos da tradução para o português da linguagem nonsense de Edward Lear, escritor vitoriano que tinha por máxima, parafraseando Carlos Drummond de Andrade, que a rima é a solução.

13) Traduzir os vivos: reflexões sobre tradução a partir da correspondência de Elizabeth Bishop
Myriam Ávila (UFMG)

Elizabeth Bishop inicia um trabalho de tradução de literatura brasileira como forma de se apropriar do território em que passara a viver a partir de 1952. Esse trabalho é pouco ou nada sistemático e se alimenta também da vontade de tornar o Brasil mais presente para seus colegas norte-americanos. Suas escolhas são muitas vezes contingentes e atravessadas por interferências de toda ordem. Os comentários que faz a respeito em sua correspondência levam-nos a formular questões sobre distância, presença e tradução.

14) Traduzir prosa é falhar menos? Provocações e exemplos da obra de Samuel Beckett
Ana Helena Souza (PGET/UFSC)

Partimos da hipótese de que o tradutor de textos literários em prosa se depara, em geral, com uma situação de trabalho menos criativa e flexível que o tradutor de peças teatrais e o de poesia. O primeiro pode contar com as especificidades da tradução para o teatro, na medida em que tenha em vista uma atualização do texto para a performance, algo que lhe permitiria um tratamento mais livre do original. O segundo conta com a tão decantada “intraduzibilidade” da poesia para permitir-se alterações que conduzam a uma recriação do poema na língua de chegada; ou, num outro extremo, pode até mesmo realizar uma versão em prosa. As traduções de prosa, por sua vez, tendem a desconsiderar certas particularidades estilísticas. A exceção mais evidente é a da obra de James Joyce, cuja elaboração literária se impõe de tal modo que é impossível para o tradutor ignorá-la. Mas na maioria das traduções de romances e contos o que predomina é a adaptação ao que se considera “boa prosa”. Nossa intenção aqui é discutir essa prática, utilizando alguns exemplos de traduções para o português de obras de Samuel Beckett.

15) “Un Petit Beurre ni Lu ni Connu” ou Que gosto tem Murphy em português do Brasil?
Fábio de Souza Andrade (Universidade de São Paulo)

Alusivo, erudito, engenhoso e espantosamente engraçado, Murphy (1938) é um desafio considerável para qualquer tradutor, mesmo os que partilham com ele o contexto cultural e as raízes europeias. Examinados de perto, os paralelos e as assimetrias que se insinuam na versão francesa deste romance de estreia do irlandês Samuel Beckett (1906-1989), também assinada por ele, sugerem que o bilinguismo beckettiano, multiplicando os originais, pode se revelar uma ajuda inestimável aos demais tradutores, longe de representar uma ameaça ao estilo Cila e Caribde. O propósito desta comunicação é o relato de uma tentativa de transposição do universo beckettiano a uma nova língua e forma, a do português do Brasil, evitando que sua marca singular e genial do autor de Godot se esfume no processo.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

One thought on “Simpósio: Poesia, prosa, teatro: singularidades das traduções literárias

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