Simpósio: Paratextos: Visibilidade, tradução e discurso

Coordenadores:
Francisco César Manhães Monteiro (Tradutor)
Pablo Cardellino Soto (Tradutor – PGET/UFSC)

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Este simpósio aceita comunicações referentes a paratextos de textos literários traduzidos, desde os ligados ao tradutor, como as N. do T., até os relativos à edição: textos críticos, orelha, quarta-capa, aspectos gráficos…, sem excluir textos subsidiários, como cartas entre tradutores e autores, resenhas, polêmicas, entrevistas, e os paratextos relativos à tradução, mas veiculados a parte, os chamados epitextos (G. Genette).

Paratextos envolvem discursos em torno da tradução: não apenas na voz do tradutor, como do editor, críticos, patrocinadores, censores, revisores… O lugar e o momento em que aparecem, seu teor ou mesmo sua presença podem conduzir à visibilização dessas vozes, como ocorre com as N. do T. ou N. do E. Os paratextos são também uma instância de mediação comunicativa, por ser, no caso dos peritextos, o invólucro que leva o texto ao leitor. Mas nas traduções, particularmente, os paratextos do tradutor também representam uma instância mediadora no sentido tradutório. A importância destas pesquisas aumenta na atual fase de transição na forma como nos relacionamos com textos, devido aos novos meios de comunicação, difusão e produção editorial que afetam o livro física e conceitualmente.

Local: Sala 203 , CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 Traducción, representación cultural e ideología: análisis de los paratextos de Ciudad de Dios.
Renilse Paula Batista
(Universidad de Salamanca)
Poe em antologias brasileiras: uma análise de paratextos
Francisco Francimar de Sousa Alves
(DINTER-UFSC/UFPB-UFCG)
Os paratextos das traduções poéticas de Giacomo Leopardi
Margot Cristina Müller
(PGET/UFSC)
A “Epopeia do comércio”: peritextos a uma tradução de Os Lusíadas
Cláudia Santana Martins
(FFLCH-USP
O paratexto editorial e do tradutor: vozes relevantes para inteligibildade da obra traduzida.
Patrizia Collina Bastianetto
(UFMG)
Da tradução de filosofia e dos paratextos
Gustavo Althoff
(PGET/UFSC)
15:30-17:00 Que Perturbação é essa? – Traduções e paratextos de um romance de Thomas Bernhard em português
Ruth Bohunovsky
(UFPR)
Os paratextos da tradução brasileira da antologia de Guy de Maupassant
Carmen Verônica De Almeida Ribeiro Nóbrega
(DINTER UFSC/UFPB/UFCG)
Paratextos – uma análise dos cartazes de divulgação do longa de animação Rio ao redor do mundo
Roseni Silva
(PGET/UFSC
O paratexto editorial em best-sellers franceses no Brasil
Josely Bogo Machado Soncella
(UEL)
Diálogos da edição: a tradução da obra de Cesare Battisti
Dorothée de Bruchard
(PGET/UFSC
A correspondência como construção da poética tradutória
Francisco César Manhães Monteiro
(Tradutor)
As Notas do Tradutor em traduções para o espanhol de textos machadianos: elementos para a análise
Pablo Cardellino Soto
(PGET/UFSC)

RESUMOS

1) Que Perturbação é essa? – Traduções e paratextos de um romance de Thomas Bernhard em português
Ruth Bohunovsky (UFPR)
“Minha vida inteira enquanto existência outra coisa não é do que uma vontade constante de perturbar e irritar” (Thomas Bernhard).
Perturbação (Verstörung) não é apenas o título de um dos romances mais intrigantes e polêmicos de língua alemã do século XX, mas é também o termo que melhor resume o efeito de toda a obra do seu autor, o austríaco Thomas Bernhard (1931-1989). Inspirado nas discussões sobre tradução literária de Peter Utz (2007) e partindo das reflexões de Gérard Genette sobre paratextos, apresentamos e comparamos duas traduções para o português e os respectivos paratextos do referido romance, publicado pela primeira vez em língua alemã em 1967. Trata-se da publicação portuguesa (1990, tradução Leopoldina Almeida) e da brasileira (1999, tradução Hans Peter Welper e José Laurenio de Melo). Destacamos diferenças relevantes nos paratextos que funcionam como “acesso” ou “limiar” à obra literária traduzida e que, consequentemente, influenciam sua leitura e podem interferir na interpretação da obra. Além disso, apontamos também para divergências significativas nas traduções feitas que, em consonância, com os paratextos, apresentam duas “Perturbações” distintas. As opções dos tradutores ao verter o livro para o português, assim como a natureza dos paratextos, podem ser oriundas de decisões e interpretações individuais ou editoriais, mas, podem ser vistas também como reflexos de diferentes momentos históricos da crítica literária em relação a Thomas Bernhard.

2) OS PARATEXTOS DA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA ANTOLOGIA DE GUY DE MAUPASSANT
Carmen Verônica De almeida Ribeiro Nóbrega (DINTER UFSC/UFPB/UFCG)
Tomando como base as discussões de autores como Gérard Genette (2009) e Marie-Hèléne C. Torres (2011), propomos neste trabalho uma leitura dos paratextos que acompanham a tradução da antologia “Contos” de Guy de Maupassant, de 1987. Nosso objetivo é revelar os aspectos privilegiados pelo tradutor na mediação de uma tradução entre texto e leitor, além de “mostrar como os textos de acompanhamento autenticam e legitimam a obra no contexto da língua de chegada” (SOUSA, 2011:11). Os paratextos das traduções foram criados, possivelmente, para a recepção do autor e da obra no sistema literário brasileiro.

3) Paratextos – uma análise dos cartazes de divulgação do longa de animação Rio ao redor do mundo
Roseni Silva (PGET/UFSC)
De acordo com Gérard Genette (2009), os paratextos são elementos que estão para além do texto, tais como capas, contracapas, títulos, subtítulos, introduções, notas editoriais, ilustrações, notas do tradutor, notas de rodapé, apêndices, publicidade, ou quaisquer outros sinais que mantenham qualquer relação com o texto que acompanham fisicamente. As funções dos paratextos são variáveis, mas todos são mediadores entre o texto e o leitor/receptor e podem potencialmente influenciar a leitura e a recepção do mesmo. Assim, com base na obra de Genette, Paratextos Editoriais (2009) propomos, em um primeiro momento, uma análise dos elementos constitutivos do filme Rio (2011) nos cartazes de divulgação do mesmo em diversos países, tais como Estados Unidos, Espanha, França, Alemanha, Japão, Inglaterra e Brasil e como estes podem ter influenciado na recepção do referido filme nesses países. Num segundo momento, propomos uma discussão sobre a maneira como o paratexto pode estar diretamente ligado à identidade cultural de uma determinada sociedade, baseado nas análises dos cartazes de divulgação do filme realizadas anteriormente.

4) A “EPOPEIA DO COMÉRCIO”: PERITEXTOS A UMA TRADUÇÃO DE OS LUSÍADAS
Cláudia Santana Martins (FFLCH-USP)
Este trabalho discute, à luz dos conceitos de paratexto e peritexto de Gérard Genette, os peritextos escritos pelo poeta escocês William Julius Mickle à sua tradução de Os lusíadas, publicada na Inglaterra em 1776. As profundas transformações (omissões, acréscimos, adaptações etc) operadas no original por essa tradução relacionam-se não só às condições culturais, mas também sociais históricas e econômicas de sua produção. Com habilidade, Mickle montou um verdadeiro “pacote” para apresentar a tradução, rotulando o poema de Camões como a “Epopeia do Comércio” e acrescentando vários textos prefaciais: um ensaio em defesa da expansão marítima; uma história do descobrimento da Índia; uma história da ascensão e queda do Império Português no Oriente; uma biografia de Camões; uma dissertação sobre a poesia épica; uma dissertação sobre a ficção da Ilha dos Amores; e cerca de 680 notas. O estudo desses peritextos contribui para o desvelamento das ideologias subjacentes à elaboração dessa tradução, a mais popular entre todas as traduções para o inglês de Os lusíadas até hoje.

5) Da tradução de filosofia e dos paratextos
Gustavo Althoff (PGET/UFSC)
Esta comunicação está baseada na investigação que empreendi em minha tese de doutorado intitulada ‘Prolegômenos à tradução de filosofia via uma tradução comentada do An Inquiry into the Human Mind de Thomas Reid’ (2012), em que defendo a posição de que não há como resolver os problemas da tradução de filosofia via re-textualização somente; é imprescindível o uso de paratextos. Ingarden (1991 [1955]) e Rée (2001) abordam a tradução de filosofia como uma atividade privilegiadamente de re-textualização; tangente a essa visão, incorporo à tradução de filosofia, como sua ferramenta constitutiva, a atividade do comentário. Advogo, pois, como o caminho desejável e inevitável para a otimização da re-enunciação do mesmo conteúdo nocional e proposicional de um texto filosófico não conceber a tradução de filosofia como re-textualização somente, mas incorporar a ela, integralmente, o comentário via paratexto.

6) Traducción, representación cultural e ideología: análisis de los paratextos de Ciudad de Dios.
Renilse Paula Batista (Universidad de Salamanca)
La traducción literaria constituye una actividad en la que confluyen factores de diversa naturaleza, entre los cuales la manipulación, la ideología y el poder ocupan un papel preponderante dentro de este tráfico de discursos interculturales. El propósito de este trabajo es presentar un análisis comparativo de las notas del traductor, glosarios y de las cubiertas utilizadas en algunas traducciones de Ciudad de Dios de Paulo Lins. Basándose en las reflexiones de Yuste Frías (2005), Vidal (2007) y Zaghloul (2011) se hará un análisis comparativo de los paratextos traducidos, para demostrar hasta qué punto, y de qué manera, estos elementos funcionan como mecanismos capaces de representar o reafirmar ideológicamente versiones muy particulares, y podría decirse que incongruentes, acerca de la identidad cultural brasileña.

7) Poe em antologias brasileiras: uma análise de paratextos
Francisco Francimar de Sousa Alves (DINTER UFSC/UFPB/UFCG)
Certos discursos de acompanhamento como prefácio, introdução, notas de rodapé, são encontrados em coletâneas de obras de Edgar Allan Poe traduzidas para o português. Esta trabalho busca analisar elementos paratextuais na antologia de contos de Poe intitulada Assassinatos na rua Morgue e outras histórias, traduzida por William Lagos e publicada pela L&PM em 2002, observando que aspectos do autor e sua obra são privilegiados pelo tradutor e/ou editor através desses elementos. A referida análise será fundamentada nos princípios teóricos de Gérard Genette que, em livro intitulado Paratextos Editoriais (2009), do original Seuils (1987), discute acerca de paratextos.

8) OS PARATEXTOS DAS TRADUÇÕES POÉTICAS DE GIACOMO LEOPARDI
Margot Cristina Müller (PGET/UFSC)
Pretendo com esta comunicação apresentar os resultados parciais da minha pesquisa, cujo objeto de estudo e investigação são os paratextos das traduções poéticas realizadas por Giacomo Leopardi. Objetiva-se debater as peculiaridades do pensamento crítico e teórico do autor presentes nesses textos; suas reflexões sobre o processo tradutório e os desdobramentos do tema em suas obras. Leopardi é muito citado como poeta dos Canti e autor das Operette Morali, mas no seu percurso intelectual também foi ensaísta, crítico, teórico, autor de um grande epistolário e tradutor dos clássicos antigos do grego e do latim. Leopardi traduziu a Odisséia, a Eneida, poesias de Mosco e Hesíodo, no prefácio destas traduções encontramos as suas reflexões sobre o seu modo de traduzir. Para Leopardi a tradução dos antigos era um ótimo exercício para tornar-se um ótimo escritor e também uma ferramenta apaziguadora no processo de leitura dos clássicos. A partir da investigação acerca das reflexões leopardianas sobre tradução presente nos paratextos, pretende-se contribuir para ampliar o conhecimento do pensamento leopardiano no que tange a tradução.

9) As Notas do Tradutor em traduções para o espanhol de textos machadianos: elementos para a análise.
Pablo Cardellino Soto (PGET/UFSC)
Existem algumas abordagens formuladas sobre Notas do Tradutor, como a de Gerard Genette, de natureza formalista e descritiva, onde as Notas do Tradutor são tratadas apenas superficialmente como mais uma dentre as diversas notas possíveis de um texto, ou a de Solange Mittmann, que se foca nos seus aspectos discursivos, sem esquecer das abordagens normativas de autores como Eugene Nida ou, no Brasil, Agenor Soares dos Santos e Paulo Rónai. Entretanto, nenhuma dessas abordagens tem uma pretensão abrangente: mesmo o importante e aprofundado trabalho de Mittmann se mantém dentro dos limites e objetivos do seu ferramental epistemológico da Análise do Discurso. Esta comunicação pretende levantar questões referentes às Notas do Tradutor presentes nas traduções de três romances de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, e em diversos contos, com o objetivo de fornecer subsídios para a criação de um dispositivo de análise de Notas do Tradutor que seja mais abrangente.

10) O PARATEXTO EDITORIAL EM BEST-SELLERS FRANCESES NO BRASIL
Josely Bogo Machado Soncella (UEL)
Nesta comunicação, pretendemos apresentar e discutir os paratextos editoriais de dois romances franceses contemporâneos traduzidos no Brasil que alcançaram vendagem significativa no período de nossa pesquisa (2000 a 2010) : Ramsés: o filho da luz, de Christian Jacq (2007), e A viagem de Théo: romance das religiões, de Cathérine Clément (1998). Nas obras citadas, a análise dos paratextos editoriais, conforme a concepção de Genette (2009, p. 21), incluídos aqui o “peritexto”, partes sob a responsabilidade do editor, e o “epitexto”, críticas em jornais, permitem verificar como esses elementos podem colaborar na seleção dos leitores, através da segmentação do público, além de moldar sua recepção. São ainda fundamentais para o posicionamento dessas obras e autores dentro do campo literário (Bourdieu, 1996), tendo a tradução como intermediadora desse processo.

11) Diálogos da edição: a tradução da obra de Cesare Battisti
Dorothée de Bruchard (PGET/UFSC)
O presente trabalho se propõe a examinar a estreita relação existente entre edição e tradução a partir da experiência da edição brasileira da trilogia do escritor italiano Cesare Battisti: Minha fuga sem fim, 2007; Ser Bambu, 2010; Ao pé do muro, 2012. Pelas extraordinárias condições em que foi escrita, traduzida e editada, esta obra revela exemplarmente a importância, não só do tradutor, como dos diversos ofícios da edição, no gesto de levar um texto, um autor, ao seu leitor. Paratextos e epitextos constituem então a expressão do necessário diálogo entre as várias instâncias envolvidas na produção de um texto em forma de livro.

12) A correspondência como construção da poética tradutória
Francisco César Manhães Monteiro (Tradutor)
A tradução literária é uma leitura privilegiada do texto fonte realizada por um leitor – o tradutor – que idealmente demonstra um conhecimento excepcional dos idiomas, do texto fonte e do traduzido. Pode ser o único ou o primeiro leitor a ter lido o texto fonte palavra por palavra, buscando sua compreensão integral. O próprio autor pode ser um coleitor ou comentador da sua obra, o que se constata em Cervantes, Shakespeare, J. L. Borges, Machado de Assis e Guimarães Rosa. Este último em particular, nos deixou séries excepcionais de correspondência com seus tradutores nas qual discute o papel da tradução e da retradução na sua obra.
Além de diários de bordo das leituras tradutórias, a correspondência entre tradutores e autores trata de temas prementes e recorrentes como a necessidade e pertinência das notas de rodapé, as omissões e inflações entre os textos e outras questões que, se não tivessem o aval do autor, ficariam ao arbítrio de outras instâncias, como revisores, editores e outros.

13) O paratexto editorial e do tradutor: vozes relevantes para inteligibildade da obra traduzida.
Patrizia Collina Bastianetto (UFMG)
A comunicação proposta tem por objetivo apresentar o paratexto como elemento lingüístico e extra-linguístico relevante para a inteligibilidade da obra traduzida. Não apenas, portanto, fragmentos verbais ou “enunciados que contornam um texto […] “para assegurar sua presença ao mundo, sua “recepção” e seu consumo”.
Pretendemos concentrar as reflexões no papel exercido pelo paratexto editorial e do tradutor, enquanto vozes intregrantes à voz autoral, logo ao seu discurso. Temos também a intenção de demonstrar em que medida um paratexto não adequado interfere na recepção da obra e inviabiliza a pesquisa.
Serão apresentados exemplos de paratextos editoriais quais: ficha catalográfica, título, ilustração e paratextos do tradutor, como: notas de pé de página e glossário. O corpus escolhido é de obras literárias italianas vertidas para o português como: Dos delitos e das penas de Cesare Beccaria, La testa degli italiani de Beppe Severgnini. E, ainda, a versão italiana de obras brasileiras quais: Grande sertão: veredeas de João Guimarães Rosa, Capitães de Areia de Jorge Amado, entre outras.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

3 thoughts on “Simpósio: Paratextos: Visibilidade, tradução e discurso

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