Simpósio: Panorama da tradução de textos em russo no Brasil

Coordenadores:
Profa. Dra. Denise Regina de Sales (UFRGS)
Graziela Schneider Urso (USP – doutoranda, tradutora)
Prof. Dr. Mário Ramos Francisco Júnior (USP)

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Nos últimos anos, tem sido cada vez maior o interesse do público brasileiro por obras literárias russas em traduções diretas dos originais. As recentes traduções de F. M. Dostoiévski, L. Tostói e outros escritores têm dado prova de que esta demanda tornou-se um fenômeno especial. Além disso, o desenvolvimento crescente das relações culturais e comerciais entre Brasil e Rússia abre novas e profícuas perspectivas para os profissionais interessados em atuar na área da tradução entre as duas línguas. Este simpósio propõe a discussão sobre os aspectos de tradução do russo no Brasil, a partir da abordagem dos seguintes temas: a) a tradução literária no Brasil: passado, presente e perspectivas; b) traduções de obras russas em diferentes gêneros: prosa, teatro, poesia, cinema etc; c) traduções técnicas do par linguístico russo-português: livros técnicos, documentos, interpretação, tradução simultânea etc.; d) traduções para meios de comunicação.

 

Local: Auditório HENRIQUE FONTES , CCE, bloco B

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 A literatura fantástica de Ivan S. Turguêniev e a tradução de Klara Militch
Giselle Bianca Mussi de Moura (USP)Alguns problemas de tradução de textos tolstoianos – uma questão de escolha e contexto
Natalia Cristina Quintero Erasso (USP)
Literatura russa: mais que arte?
Tanira Castro (UFRGS)
“Os limites da inabarcável Rússia”: o relato de Púchkin em Viagem a Arzrum
Cecília Rosas (USP)
Zapoviédnik”, de Serguei Dovlátov: desafios para o tradutor
Yulia Mikaelyan (USP)
13:30-15:00 Aspectos da tradução e interpretação na segunda empresa Binacional do Brasil
Edelcio Americo (Alcantara Cyclone Space – DF ̸ USP)
Reflexões sobre a tradução técnica no par de línguas russo-português no Brasil: sistematização e caracterização
Diego Oliveira (UFRJ)Tradução a quatro mãos: experiência pessoal em processos de traduções em parceria
Ekaterina Volkova Americo (USP)

Traduzindo as obras de Konstantin Stanislávski para o português: desafios terminológicos e conceituais
Elena Vássina (USP)
A tradução jornalística do par linguístico russo-português no contexto globalizado
Denise Regina de Sales (UFRGS)

15:30-17:00 Anna Akhmátova no Brasil: uma tradução de seus estudos sobre Púchkin
Deise de Oliveira (USP)
Tradução de poesia de invenção: o caso das vanguardas russas
Mário Ramos Francisco Júnior (USP)
Considerações sobre a tradução poética do poeta simbolista russo Alexander Blok
Rafael Nogueira de Carvalho Frate (USP)
Pro Eto (Sobre Isto): reflexões sobre a experiência de tradução de Maiakóvski
Letícia Mei (USP)
Nabókov nos trópicos: tradução e recepção
Graziela Schneider Urso (USP)

RESUMOS

1) A literatura fantástica de Ivan S. Turguêniev e a tradução de Klara Militch
Giselle Bianca Mussi de Moura
Saindo um pouco do universo já conhecido por leitores de literatura fantástica russa, onde se expressam com maior força mestres como Nikolai Gógol e Fiodor Dostoiévski, escolhi me aprofundar nessa outra faceta do escritor Ivan S. Turguêniev (1818 – 1883), que se consagrou principalmente como autor de narrativas realistas. Seu livro mais conhecido, Pais e filhos, (trad. de Rubens Figueiredo, Cosac Naify, 2004) trata do debate intergeracional nos seus aspectos sociais, políticos, culturais e serviu de veículo para disseminar a discussão política que fermentava na Rússia em meados do século XIX.
Desse modo, alguns contos e novelas, como Klara Militch (1883), (sem tradução publicada em língua portuguesa), O Sonho (1876), entre outros, oferecem a oportunidade ao leitor brasileiro de conhecer o Turguêniev autor de obras fantásticas, onde o mundo sobrenatural e carregado de misticismo e o interesse nas artes ocultas dão vazão ao fantástico de modo bastante natural e inquietante.
De maneira muito própria, Klara Militch – última obra do autor publicada em vida – consegue transmitir justamente a transposição dos momentos românticos, naturalistas e simbolistas da literatura do final do século XIX. Ao dar à luz uma personagem naturalista que se envolve no mundo romântico do espetáculo até estar sobre o domínio demoníaco de uma cantora lírica, Turguêniev demonstra como o fantástico das aparições encontra o cotidiano de um mundo num momento social de afastamento do individualismo romântico alemão, onde os atores da sociedade ainda são um tanto sentimentais mesmo que num esforço de ver o mundo através da lente cientificista.
O processo de tradução é capaz de oferecer à análise de uma obra profundidade ímpar, rendendo um olhar diferenciado ao texto e ao seu criador. A discussão sobre o processo de tradução, por sua vez, enriquece e fermenta as competências do tradutor e a qualidade de sua empreitada. Eis a importância da discussão sobre o ato de traduzir seja no âmbito literário ou da comunicação. Ainda mais nesse momento atual de alvoroço em torno da cultura russa no Brasil, é necessário abrir diálogos que integrem e ramifiquem esses interesses, que permitam uma contínua discussão sobre a tradução e a importância de seus elementos.

2) A tradução jornalística do par linguístico russo-português no contexto globalizado
Denise Regina de Sales (UFRGS)
Após a dissolução da URSS, a imprensa russa passou por grandes transformações, tentando se aproximar do modelo ocidental. Ao mesmo tempo, a intensificação das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Rússia, a partir do surgimento do BRIC, fez com que a demanda de tradutores do par linguístico russo-português aumentasse muito. Menos visível do que o boom de publicações brasileiras de traduções diretas da literatura russa, acontece também o florescimento do mercado de tradução jornalística. Na Rússia, a concepção internacionalizadora renasce no projeto do suplemento mensal “Russia Beyond the Headlines”, publicado com diversos títulos locais em 17 periódicos internacionais, inclusive na Folha de S ão Paulo. Interessa discutir em que essa nova tendência afeta o mercado de trabalho e quais são as especificidades da tradução de textos jornalísticos.

3) Alguns problemas de tradução de textos tolstoianos – uma questão de escolha e contexto
Natalia Cristina Quintero Erasso (USP)
Com palavras simples, o cantor lírico russo Oleg Didenko deu abertura a um de seus concertos realizados recentemente em São Paulo: “Дорогие друзья, я очень рад быть здесь этой ночью, когда мы объединены музыкой, и именно русской музыкой, которая разрушает языковой барьер и разницу менталитетов”. Na ocasião, a tradução do pequeno discurso trouxe várias dificuldades para o intérprete. Sem tempo para longas reflexões, a versão foi mais ou menos a seguinte: “Queridos amigos, estou muito feliz de estar aqui esta noite em que estamos unidos pela música, e justamente pela música russa que quebra as barreiras da língua e as diferenças culturais”.
À primeira vista, a solução pode ter sido boa, visto que conseguiu comunicar a essência da ideia do cantor. Contudo, ao relembrar as palavras e pensar em uma versão escrita do discurso a tarefa de tradução comporta outros desafios específicos: quais são as palavras apropriadas para traduzir os vocábulos “rad” (рад) e “mentalitet” (менталитет)? A palavra “rad” significa diretamente “contente” ou “satisfeito” e no contexto, uma ou outra palavra poderia ter cumprido bem o objetivo de comunicar a mensagem do cantor. Mas, não é comum dizer “estou muito feliz de estar aqui”? Pois a questão aqui é a intensidade do sentimento e na situação dada o tradutor se torna mais que um simples selecionador de palavras equivalentes. Quando o discurso é vivo, existem, por exemplo, os gestos e entonação que auxiliam na escolha de uma determinada palavra entre outras sinônimas possíveis, mas quando se está simplesmente diante do texto escrito, e não se conta com a presença do autor para esclarecer qual era a intenção de suas palavras (como conversar com Tolstói para saber o que ele tinha em mente?), o tradutor tem que fazer uma escolha em que assume o risco de ser desnorteado por suas próprias emoções.
E a expressão “разницa менталитетов”? “Менталитет” não é exatamente cultura e, alem disso, existe em português a palavra “mentalidade”. Mas fala-se por acaso em “mentalidade brasileira” ou em “diferenças de mentalidade”? Pode ser que sim mas, mais uma vez, tudo depende da impressão subjetiva do tradutor: se ele seguir seu instinto, como aconselha Paulo Rónai, e prestar atenção para seu ouvido, pode ser que detecte os erros cometidos. É aqui que o conhecimento da língua de chegada, que idealmente deveria ser a língua materna, tem um papel central, pois a cada passo, o tradutor se depara com dificuldades semelhantes. O sucesso ou fracasso de sua tarefa de escolha depende da combinação tanto dessa intuição como do conhecimento do momento histórico de realização da obra a ser traduzida e, fundamentalmente, da compreensão do pensamento do autor. Isso último deve esclarecer em primeiro lugar ao próprio tradutor, por que o autor escolheu determinada palavra na língua de origem e assim ajudar-lhe a escolher a palavra apropriada na língua de chegada.
Nessa ordem de idéias, como entender as expressões “носить боками”, “надувать барана”, тесачные упражгнения”, “вечером банк”, “почти угорел” nos textos de Liev Tolstói? No presente trabalho gostaria de mostrar com exemplos específicos de dificuldades de tradução tomados de textos de Liev Tolstói, a importância da compreensão do contexto e o papel do cotejo, não só com falantes nativos das línguas de partida e chegada, senão também de traduções para outras línguas no caso singular em que para o tradutor são estrangeiras tanto a língua de partida como a língua de chegada, pois não contando ele com a música como tradutor que derruba as barreiras da língua e da cultura, deve optar por fazer escolhas de palavras.

4) Anna Akhmátova no Brasil: uma tradução de seus estudos sobre Púchkin
Deise de Oliveira (USP)
O movimento de traduções diretas de obras da literatura russa para a língua portuguesa nunca esteve mais intenso. Com algumas editoras tendo como “carro-chefe” títulos consagrados da literatura russa, é possível perceber atualmente uma crescente demanda de obras russas por parte dos leitores brasileiros.
Dentre os gêneros literários, a prosa – seguida do gênero dramático – vem sendo os gêneros mais traduzidos. Talvez por conta do trabalho que envolve a tradução de poesia, vemos uma produção expressivamente menor, assim como do gênero epistolar.
Se pensarmos nos escritores russos com maior número de títulos traduzidos para nosso idioma, veremos que entre alguns que possuem maior número de títulos em língua portuguesa estão Dostoiévski, Tolstói, Tchékhov e Púchkin. No entanto, vemos que existe – ainda que tímida – uma tentativa de se traduzir outros escritores menos conhecidos, como Fiódor Sologub e Ivan Gontcharóv e Anna Akhmátova.
Anna Akhmátova – grande poeta russa dos anos 30 e 40, mas ainda desconhecida do grande público brasileiro – teve alguns de seus poemas traduzidos para o português em edições que contemplam um resumo de toda a sua vida literária. No entanto, a sua autobiografia, cartas e artigos acerca do grande poeta Aleksandr Púchkin são quase desconhecidos pelo público brasileiro.
Tais artigos contemplam análise da poética de Púchkin (e do romance em versos Evguiéni Oniéguin), bem como uma tentativa de revisitação de sua biografia. Akhmátova possuía uma ligação não somente com a sua poética, pois vemos em diversos trechos um desejo de mostrar ao público que o poeta havia sido mal interpretado.
Na tentativa de trazer à tona a tradução de textos que possam ser de extrema utilidade tanto para o entusiasta quanto para o estudioso de literatura russa é que se decidiu trazer aos leitores brasileiros os artigos de Anna Akhmátova acerca do grande poeta russo Aleksandr Púchkin.

5) Aspectos da tradução e interpretação na segunda empresa Binacional do Brasil
Edelcio Americo (Alcantara Cyclone Space – DF ̸ USP)
Convívio de culturas e comportamentos em projeto conjunto entre os Governos do Brasil e da Ucrânia. Situações de pressão e relação com os conflitos. Responsabilidade e cobrança. Ética e fidelidade. Linguagem literária x linguagem técnica.

6) Considerações sobre a tradução poética do poeta simbolista russo Alexander Blok
Rafael Nogueira de Carvalho Frate (USP)
Tendo em vista a proposta da mesa, pretendo apresentar os resultados atingidos em meu trabalho de iniciação científica (ALEXANDER BLOK. TRADUÇÕES POÉTICAS COMENTADAS E CONSIDERAÇÕES SOBRE MÉTRICA E RITMO) onde discutem-se algumas possibilidades de tradução poética através do estabelecimento de critérios rítmicos, métricos e culturais para a versão de determinadas formas da poesia russa em formas equivalentes na poesia portuguesa. A poesia russa, cuja forma geralmente tem como unidade básica o pé rítmico – sequências de sílabas tônicas e átonas –, apresenta certas dificuldades formais ao ser traduzida poeticamente para o português, principalmente pelo fato de tradicionalmente a poesia portuguesa ter como unidade formadora versos, e não sílabas. No trabalho, tentou-se encontrar analogias formais pertinentes que dessem conta desse problema. Ao todo foram selecionados nove poemas do poeta simbolista Alexander Blok, nas mais variadas formas, com cada tradução tentou lidar com o problema a sua maneira. Os resultados alcançados nesse trabalho têm se mostrado muito úteis para meu trabalho atual de mestrado cujo objeto de estudo é a poesia clássica de M. Lomonossóv e outros poetas do século XVIII.

7) Literatura russa: mais que arte?
Tanira Castro (UFRGS)
A literatura russa uma das mais ricas do mundo, nos brindou com grandes escritores, que criaram verdadeiros clássicos. Para quem está acostumado a ler autores russos, sempre está atrás de novidades ou de obras ainda desconhecidas no Brasil. E para estes leitores Alexei Nikolaevitch Tolstoi, conhecidíssimo escritor russo do século XX, é um autor indispensável. Talvez já tenham lido “Ivan – O Terrível”, mas “A Serpente”, com certeza – não, pois é a primeira vez que esta novela é editada em língua portuguesa. Ao contrário de outros clássicos russos, que geralmente se situam num tempo anterior à Revolução Russa de 1917, “A Serpente” descreve e retrata o difícil momento vivido pela população no início de um novo regime, onde as identidades pessoais foram perdidas e novas tiveram que ser buscadas para levar a vida adiante. A trajetória da personagem Zotova é sugestiva para retratar toda esta nova situação, sendo, acima de tudo, baseada em fatos reais. Ao leitor cabe acompanhar a história e tirar suas próprias conclusões quanto ao questionamento dos fatos e à justiça aplicada. É uma história imperdível para quem busca conhecer um pouco mais do que se passava na então recém criada União Soviética: toda uma conjuntura da época, dentro de um novo regime, em que várias situações buscam se acomodar e servem de pano de fundo para esta história.

8) Nabókov nos trópicos: tradução e recepção
Graziela Schneider Urso (USP)
Vladímir Nabókov, um dos escritores mais lidos e estudados do mundo, ainda é um ilustre desconhecido no Brasil e na América Latina.
Embora seja reconhecido por seu célebre romance Lolita (1955) e tenha sido publicado por várias editoras, há pouca bibliografia crítica sobre Nabókov nessa região como um todo.
Essa comunicação visa apresentar: um histórico das publicações; um panorama do que se produziu sobre o escritor e sua obra; e a tradução e recepção de Nabókov em alguns países da América Latina, e, mais especificamente, no Brasil. A partir desse contexto, procura refletir se há uma relação entre o volume de estudos e a reduzida circulação de suas obras nesses países.

9) “Os limites da inabarcável Rússia”: o relato de Púchkin em Viagem a Arzrum
Cecília Rosas (USP)
Em 1829, Aleksandr Púchkin iniciou uma viagem ao sul do país para unir-se às tropas na fronteira com a Turquia. A narrativa, depois transformada no relato Viagem a Arzrum, traz um interessante depoimento sobre as margens do império russo. Na juventude, Púchkin viajara pelo mesmo território e o retratara em poemas narrativos inspirados por Byron; agora, voltava de maneira quase clandestina (não recebera autorização para viajar) e reencontrava vários de seus amigos dezembristas, condenados a lutar no exército.
A obra, – reelaborada em 1835 e publicada no ano seguinte, no primeiro número de sua revista O Contemporâneo –, se aproxima do estilo de relato de viagem em voga na época: nela, o autor discorre a respeito de hábitos e costumes dos povos que encontra, descreve paisagens e evidencia a relação entre Rússia e Oriente.
Traduzido em 2011 para a Nova antologia do conto russo (Editora 34), o conto transita ironicamente entre o registro de memórias, prosa, poesia e depoimento, e apresenta uma profusão de referências que o torna especialmente desafiante na transposição para o português. O propósito da comunicação é abordar esse diálogo e o lugar particular que o relato ocupa na obra do autor.

10) Pro Eto (Sobre Isto): reflexões sobre a experiência de tradução de Maiakóvski
Letícia Mei (USP)
A apresentação tem o intuito de refletir acerca da experiência de tradução em versos do poema narrativo Pro Eto (Sobre isto) de Maiakóvski, inédito em língua portuguesa. A obra foi publicada pela primeira vez em 1923 na revista LEF (Frente de Esquerda das Artes), criada e dirigida pelo próprio poeta. O poema é narrativo e seu tom provocativo e derrisório. Os versos apresentam rimas vigorosas, que conferem ritmo potente ao andamento do poema, semelhante ao do “tambor ou do saxofone” . Maiakóvski recorre à linguagem do dia-a-dia e a revoluciona: cria uma linguagem própria que rompe as construções sintáticas, emprega neologismos, repetições, inversões da ordem das palavras na frase, potencializando o efeito sonoro do texto numa alternância de ritmos diversos. Assim, propomos um esforço de tradução para superar a mera exposição do conteúdo narrativo do poema, a fim de recriar a riqueza e a complexidade sonoras do original russo.

11) Reflexões sobre a tradução técnica no par de línguas russo-português no Brasil: sistematização e caracterização
Diego Oliveira (UFRJ)
Na área de estudos russos no Brasil, vêm surgindo reflexões sobre tradução, na maioria das vezes a partir de um viés literário. Não raro, os trabalhos que versam sobre o assunto buscam caracterizar perspectivas sobre o traduzir literário, o aperfeiçoamento do tradutor literário, na maioria das vezes por meio do compartilhamento de experiências e opiniões pessoais sobre o ofício. Contudo, as relações Brasil-Rússia vêm crescendo não somente em termos culturais, mas também políticos e, por que não dizer, comerciais. Isso implica no aumento das trocas em diversos níveis entre tais países, proporcionando, por sua vez, o aumento das traduções realizadas, principalmente das chamadas traduções técnicas. Este trabalho busca apresentar algumas reflexões sobre a tradução técnica russo-português no cenário brasileiro, discutindo alguns procedimentos referentes à tradução e interpretação na área de estudos russos. Para isso, serão analisadas questões relativas aos gêneros do discurso, procedimentos técnicos envolvidos na tradução e na interpretação, levando em consideração as áreas de engenharia, contabilidade, administração e política.

12) Tradução a quatro mãos: experiência pessoal em processos de traduções em parceria
Ekaterina Volkova Americo (USP)
O objetivo da presente apresentação é relatar a minha experiência pessoal como falante nativa de língua russa em traduções do russo para o português em parceria com os tradutores brasileiros. Trata-se de diferentes particularidades da tradução, tanto de textos críticos, e histórico-filosóficos (como os de Karamzin, Tchaadáiev, Ivánov, Lótman, Vólguin), quanto literários (entre eles estão as obras de Púchkin, Dostoiévski, Búnin, Tsvetáieva).

13) Tradução de poesia de invenção: o caso das vanguardas russas
Mário Ramos Francisco Júnior (USP)
A tradução de textos poéticos, isto é, de textos do gênero lírico, sempre foi um dos aspectos mais complexos para a teoria da tradução em geral. Se na lírica tradicional, para produzir uma nova obra na língua alvo, o tradutor precisa lidar com elementos semânticos, sintáticos, formais e mesmo culturais, todos eles geradores de múltiplos sentidos no original, os desafios são ainda maiores quando se trata das chamadas “poéticas de invenção”. Esta comunicação busca discutir a tradução de textos de invenção de caráter lírico (e suas reverberações na prosa) criados no período das vanguardas russas, no início do século XX, por poetas como Elena Guro, Velimir Khlébnikov, Vassili Kamiênski e outros.

14) Traduzindo as obras de Konstantin Stanislávski para o português: desafios terminológicos e conceituais
Elena Vássina (USP)
Até agora, somente um livro de grande teórico teatral K. Stanislávski foi publicado na tradução direta de russo: trata-se de “Minha vida na arte” (Trad. P. Bezerra, 1989). Entretanto, o “sistema” de Stanislávski já se tornou um tema recorrente tanto nos trabalhos acadêmicos, quanto na prática teatral brasileira. Como resultado de tradução indireta, os mesmos conceitos e /ou termos usados por Stanislávski em russo adquirem nas publicações em português denominações diferentes e, às vezes, equivocadas. O objetivo da comunicação é apresentar a pesquisa de tais ocorrências nas fontes publicadas em português, comparando-as com as originais russas e com traduções a outros idiomas europeus e propor nossas escolhas para a tradução dos principais conceitos do sistema de Stanislávski. Na tentativa de definir possíveis estratégias tradutológicas, nossa abordagem pressupõe também uma investigação mais profunda no campo das ideias estéticas, filosóficas e psicológicas que deram origem aos termos usados por Stanislávski.

15) Zapoviédnik”, de Serguei Dovlátov: desafios para o tradutor
Yulia Mikaelyan (USP)
Serguei Dovlátov (1941, Ufá, URSS – 1990, Nova York, EUA), atualmente pouco conhecido no Brasil, é um dos representantes mais famosos da assim chamada “terceira onda” da emigração russa. Proibido pela literatura oficial, o escritor emigrou em 1978 e se instalou em Nova York. Dovlátov é considerado por muitos críticos o maior prosador da literatura russa da emigração dos anos 80-90 do século passado.
Embora quase toda sua obra tenha sido traduzida para o inglés ainda durante a vida do autor (sem contar traduções para outras línguas, muitas feitas já após a morte do escritor), ele mesmo afirmava nas cartas aos amigos que considerava sua novela “Zapoviédnik” (provisoriamente traduzida ao português como “Patrimônio”) quase intraduzível para outras línguas devido a vários jogos de palavras e de significados, alusões e dialogismo com obras de clássicos da literatura russa, como Púchkin, Gógol e outros.
Durante a apresentação serão analisados e comentados alguns aspectos da tradução da novela, conceitos culturais que surgem no texto e os maiores desafios para o tradutor e suas possíveis soluções.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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