Simpósio: OS ESTUDOS DA TRADUÇÃO APLICADOS A LINGUA ESPANHOLA: UN JARDIN DE SENDEROS QUE SE BIFURCAN

Nylcéa Siqueira Pedra (DELEM-UFPR) e
Francisco Javier Calvo del Olmo (DELEM- UFPR e Doutorando PGET-UFSC)

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O presente simpósio tem por objetivo estabelecer um diálogo interdisciplinar focado nas interfaces dos Estudos da Tradução e dos Estudos Hispânicos. Para esse fim, serão apresentadas pelos participantes do simpósio várias linhas de pesquisa oriundas da Linguística, das Literaturas Hispânicas, do Discurso Crítico Latino-americano e, de maneira mais geral, dos Estudos Culturais pertencentes ao âmbito Hispanista. Nesta encruzilhada entre campos do saber tão próximos, porém com suas marcantes especificidades, levanta-se uma série de questões: quais são as contribuições dos Estudos da Tradução para os Estudos Hispânicos? Qual é a produção acadêmica e científica feita desde o Hispanismo dentro dos referenciais teóricos dos Estudos da Tradução? Quais os discursos paralelos, convergentes ou divergentes entre um e outro campo do saber? Quais as trilhas que podem ser percorridas conjuntamente? Consideramos que estas questões dão mostra da diversidade de olhares e abordagens que serão desenvolvidas no simpósio, que ficará aberto às contribuições de todos aqueles que queiram apresentar comunicações condizentes com alguma das linhas de pesquisa anteriormente descritas.

Local: Sala 225, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 O Brasil escrito por eles e lido por nós: a tradução do espaço brasileiro na narrativa espanhola contemporânea
Nylcéa de Siqueira Pedra
(Universidade Federal do Paraná)
As atividades de tradução nos livros didáticos de língua espanhola do PNLD 2011: uma análise sociolinguística
Valdecy de Oliveira Pontes (Universidade Federal do Ceará)
Tradução e o ensino de línguas mediado pelo uso das tecnologias
Elaine Cristina Reis
(Universidade Federal de Santa Catarina)
O uso da tradução no ensino de espanhol – um olhar sobre algumas diferenças linguísticas
Claci Ines Schneider
(Universidade Federal de Santa Catarina – CAPES)
15:30-17:00 Os ‘Zorros’ de Arguedas: aporias da tradução na literatura latino-americana
Meritxell Hernando Marsal
(Universidade Federal de Santa Catarina)
Tradução e intercompreensão no âmbito neolatino: o par linguístico espanhol-português
Francisco J Calvo del Olmo
(Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Federal do Paraná)
La traducción Literaria: Dificultades en la traducción de Elementos paremiológicos
Salud Mª Jarilla
(Universidad Complutense de Madrid)
Grande Sertão: Veredas. Que “yagunzo” é esse?
Marta Susana García
(Universidade Federal de Santa Catarina – CAPES)

RESUMOS

1) As atividades de tradução nos livros didáticos de língua espanhola do PNLD 2011: Uma análise sociolinguística.

Valdecy de Oliveira Pontes (Universidade Federal do Ceará)

Vários autores ressaltam a importância da variação linguística, na atividade tradutória. Lefevere (1992) destaca o papel da variedade linguística para a tradução de uma situação específica. L. Vernuti (1998) enfatiza os valores culturais e políticos que consolidam a prática e a investigação tradutológica. M. Sneell-Hornby (1988, 1995) pontua a necessidade de que exista um fundo sociocultural na atividade tradutora e que o enfoque seja interdisciplinar com um lugar específico para a Sociolinguística. Esta comunicação pretende analisar, sob o viés da Sociolinguística, as atividades de tradução, dos livros didáticos de Língua Espanhola, selecionados pelo PNLD 2011. A pesquisa traz à luz tanto a relevância da proposta destes materiais, com pretensões de contemplar todas as variações linguísticas do Espanhol, quanto às limitações e possíveis desvios que, consequentemente, o incluam numa publicação ratificadora da imposição de uma norma sobre as demais pela Real Academia Espanhola.

2) La traducción literaria: dificultades en la traducción de elementos paremiológicos.

Salud Mª Jarilla (Universidade Complutense de Madrid)

La traducción literaria presenta unos problemas muy concretos causados por la forma y el contenido del mensaje. Hay que tener en cuenta la función de los textos, sus destinatarios, la relación entre las culturas de los dos pueblos, su condición moral, intelectual y afectiva, así como los factores del tiempo y lugar que pueden afectar al texto (de origen y de llegada). La traducción de elementos paremiológicos es bastante compleja debido al alto contenido de información sociocultural implícita. Hay muchas obras clásicas de la literatura española que poseen un elevado número de elementos paremiológicos; representan unas parcelas muy características de una sociedad específica y un pueblo concreto. En esta comunicación analizaremos las distintas operaciones que los traductores han llevado a cabo para adaptar este tipo de expresiones. Pretendemos reflexionar sobre la función de los elementos paremiológicos y qué soluciones han tomado distintos traductores en épocas diversas.

3) Grande Sertão: Veredas. Que “yagunzo” é esse?
Marta Susana García (Universidade Federal de Santa Catarina – CAPES)

O propósito do presente trabalho é o de encontrar e analisar as divergências e soluções às que utilizaram nas suas traduções os tradutores que verteram a grandiosa obra de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, para a língua espanhola. A primeira realizada pelo poeta espanhol Ángel Crespo e a segunda pelos argentinos Florencia Garramuño e Gonzalo Aguilar. O foco central é analisar o estilo de decifração que cada uma delas apresenta, como palavras que não se encontram dicionarizadas na língua de Cervantes, já que estas representam regiões e personagens próprias do Brasil. Com isto observa-se a transformação e surgimento de novos vocábulos e também novos conceitos lexicais. A partir de leituras de bibliografia especializada, encontramos fundamentos para este empreendimento. E com a delimitação de alguns trechos deste romance/grande poema é que realizamos o estudo em questão.

4) O Brasil escrito por eles e lido por nós: a tradução do espaço brasileiro na narrativa espanhola contemporânea.

Nylcéa de Siqueira Pedra (Universidade Federal do Paraná)

Nos últimos anos, o Brasil começou a fazer parte do cenário literário espanhol de uma maneira que até então não havíamos presenciado. Várias obras passaram a apresentar o país e a sua cultura como elementos constituintes de sua narrativa. Este aparecimento, contudo, não se faz sem a marca da leitura de um Outro, que nem sempre pode ser compreendido (e traduzido) em sua totalidade. Na presente comunicação, pretendemos apresentar algumas destas obras e analisar alguns exemplos de tradução de elementos espaciais e culturais brasileiros presentes nelas. Em um segundo momento, ampliamos a discussão apresentando a análise que estudantes brasileiros fizeram da tradução cultural do seu país, realizada após a leitura de fragmentos das obras.

5) O uso da tradução no ensino de espanhol – um olhar sobre algumas diferenças linguísticas

Claci Ines Schneider (Universidade Federal de Santa Catarina – CAPES)

O Plano Nacional de Ensino do Brasil, preconizado pelo Ministério de Educação, traz orientações sobre a forma de ensinar línguas e sobre a necessidade de confrontar a língua brasileira com outros idiomas, para enriquecer a formação social e cultural do aprendiz, dando atenção especial à modalidade escrita e à leitura. Apesar de ter sido rechaçada por muito tempo, o uso da tradução em sala de aula pode ser uma ótima oportunidade de conscientizar o aprendiz sobre as diferenças existentes, em momentos em que a leitura e a escrita são trabalhadas em sala de aula. Este trabalho se propõe a demonstrar que a tradução pode ser uma forma de acercar os aprendizes de novas línguas à cultura do Outro, especialmente por trazer à luz as diferenças linguístico-culturais existentes, fomentando a criticidade e a consciência linguística do aprendiz. Traremos exemplos de algumas atividades e do resultado obtido com um grupo de alunos, aprendizes intermediários de espanhol.

6) Os ‘Zorros’ de Arguedas: aporias da tradução na literatura latino-americana.

Meritxell Hernando Marsal (Universidade Federal de Santa Catarina)

José María Arguedas foi assinalado como o autor que conseguiu realizar de forma mais acertada a interlocução de culturas que caracteriza em grande parte a literatura latino-americana. Ángel Rama aponta Los ríos profundos como o modelo da transculturação narrativa, noção que segundo vários autores pode ser aproximada à tradução cultural. No entanto, o elemento de perda nessa tradução projeta a dúvida sobre a legitimidade do processo e de sua teoria. O próprio Arguedas distancia-se do seu sucesso narrativo, para encarar o caos e a desintegração da linguagem em El zorro de arriba y el zorro de abajo. Nesta obra, apesar do aparente fracasso vital e literário, o autor experimenta novas formas de tradução, que questionariam os modelos fundadores da modernidade e sua expressão literária.

7) Tradução e o ensino de línguas mediado pelo uso das tecnologias.

Elaine Cristina Reis (Universidade Federal de Santa Catarina)
Existem muitas teorias sobre os Estudos da Tradução e uma ampla bibliografia que abordam os diversos paradigmas da referida área de estudos. Assim, torna-se pertinente esclarecer que essa proposta de trabalho intenciona a) mostrar a tradução como recurso pedagógico; e b) demonstrar como é a integração da tradução e da tecnologia de graduados nos cursos de Letras – Espanhol nas modalidades presencial e a distância da UFSC. Pretende-se buscar relações recíprocas e dialógicas entre as duas modalidades de ensino: EaD e Presencial através da análise comparativa dos PPPs dos cursos na modalidade presencial e EaD e observar de que maneira se dá a integração dos estudantes dos cursos Ead e pesencial com as TICs.
8) Tradução e intercompreensão no âmbito neolatino: o par linguístico espanhol-português.

Francisco Javier Calvo del Olmo (Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Federal do Paraná)

Esta comunicação tenciona analisar as possibilidades tradutológicas entre as línguas neolatinas ou românicas levando em consideração o fundo comum a todas elas que, ainda hoje, permite a intercompreensão entre seus falantes em contextos favoráveis. Assim, propõe-se ir além de modelos linguísticos que apresentam esses idiomas como sistemas independentes para procurar o não padronizado onde a língua materna pode acolher a língua estrangeira, de acordo com Berman (2007). Apoiando-se nas semelhanças morfossintáticas e semânticas do par linguístico espanhol-português, mas também contrastando as suas diferenças, serão apresentados certos elementos que subsidiem a tradução. Igualmente será avaliada a influência no ato tradutório das relações culturais entre as duas comunidades linguísticas. Por fim, espera-se fomentar a reflexão a respeito das possibilidades – assim como das dificuldades – de intercompreensão e de tradução entre as nossas línguas.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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