Simpósio: OS ESTUDOS DA INTERPRETAÇÃO E SUAS MÚLTIPLAS INTERFACES

Coordenadores: Nome (instituição) Branca Vianna Moreira Salles (PUC-Rio) e Reynaldo José Pagura (PUC-SP)

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Os Estudos da Interpretação (no sentido de “tradução oral”) sempre tiveram como foco a interpretação de conferências, por ser essa a modalidade mais antiga e mais organizada em questões profissionais. Contudo, nos últimos anos, vêm surgindo estudos sobre outras modalidades de interpretação, notadamente a comunitária, a jurídica e a médica, essas duas últimas já bastante profissionalizadas nos Estados Unidos. No Brasil, os poucos estudos publicados e cursos existentes focam a interpretação de conferências. A proposta do Simpósio é acolher todas as vertentes de estudos que tenham como objeto a interpretação (oral): a interpretação de conferências, a comunitária, a jurídica e a médica, em estudos e/ou relatos de experiências voltados a questões teóricas, à formação de intérpretes, à história da profissão, entre outras possibilidades. Em resumo, pretende-se acolher todas as interfaces dos Estudos da Interpretação.

Local: Sala HASSIS, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 Aptidão e exames de admissão em cursos de formação de intérpretes
Branca Vianna
Raffaella de Filippis Quental
(PUC-Rio)
Questões de poder nos estudos e na prática da interpretação
Christiano Sanches do Valle Silva
(Intérprete freelance, Rio de Janeiro)
A Tradução Oral à Prima Vista sob a ótica de pesquisa acadêmica recente: relato, resultados e encaminhamentos.
Glória Regina Loreto Sampaio
(PUC-SP)
Formação de Intérpretes no Brasil – Panorama Atual
Jayme Costa Pinto
(Associação Alumni, São Paulo)
Não é só o que você fala, mas como! A Importância da Prosódia na Fala do intérprete
Layla Penha
(Intérprete freelance, São Paulo)
15:30-17:00 A interpretação no Brasil: aspectos mercadológicos e de organização
profissional
Luciana Carvalho
(PUC-SP)
Uso de Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação de Intérpretes
Marcelle Castro
(UGF e Glendon College, Canadá)
O Intérprete e Sua Identidade Profissional
Reynaldo Pagura
(PUC-SP)
Estresse na interpretação simultânea: totalmente inevitável?
Sieni Maria Campos
(Intérprete freelance, Florianópolis)

RESUMOS

1) A interpretação no Brasil: aspectos mercadológicos e de organização profissional

Luciana Carvalho (PUC-SP)

Tendo em vista as condições mercadológicas e de trabalho dos profissionais da
interpretação variarem consideravelmente de país para país e serem as
condições experimentadas pelo profissional atuante no Brasil reconhecidamente notáveis e privilegiadas, buscaremos analisar contrastivamente os aspectos
mercadológicos e de organização profissional dos intérpretes no Brasil e no
mundo.
Assim, o principal objetivo da presente comunicação serádiscutir os aspectos
mercadológicos e profissionais da interpretação no contexto brasileiro à luz de
outros mercados, tais como o estadunidense, australiano, japonês e britânico.
Para tal fim, em primeiro lugar, apresentaremos algumas das mudanças mais recentes e marcantes na relação entre contratantes e intérpretes em diversos países, bem como as posições tomadas pelos profissionais da interpretação frente a essas mudanças e as consequências de tais movimentos na
prestação do serviço da interpretação e na sociedade em que se insere.
Em seguida, traçaremos o perfil do mercado da interpretação simultânea e consecutiva no Brasil, com enfoque no estado de São Paulo, abordando os tipos de evento, condições, práticas e organização profissional.
Ao final, identificaremos os principais movimentos no mercado brasileiro e na organização dos profissionais da interpretação ressaltando as tendências para o
futuro.

2) Aptidão e exames de admissão em cursos de formação de intérpretes

Branca Vianna (PUC-Rio) e Raffaella de Filippis Quental (PUC-Rio)

A Associação Internacional de Intérpretes de Conferência (AIIC), na sessão de seu site intitulada Advice do Students Wishing to Become Conference Interpreters, lista alguns atributos considerados fundamentais para quem quer tornar-se intérprete. Estes cobrem uma gama que vai desde pré-requisitos quase óbvios, como um comando sofisticado da língua nativa em várias áreas do conhecimento e registros e um domínio completo das línguas não-nativas, até atributos vagos e indefiníveis, como um interesse especial em ajudar as pessoas a comunicarem-se entre si.
A noção de “talento”, como aparece em Keiser (1965), já foi abandonada pela
academia, por ser vaga e não científica, mas como vemos em Aptitude Testing Over the Years (Russo 2011), ainda é difícil encontrar características precisas, que possam ser medidas e correlacionadas com o resultado do aluno ao longo do curso e no exame final. Em outras palavras, ainda não temos medidas claras que, aplicadas no exame de admissão, sejam preditivas de sucesso no curso de formação.
A discussão neste trabalho será centrada numa revisão da literatura sobre aptidão para intepretação e na experiência do exame de admissão do Curso de Formação de Intérpretes da PUC-Rio.

3) A Tradução Oral à Prima Vista sob a ótica de pesquisa acadêmica recente: relato, resultados e encaminhamentos.

Glória Regina Loreto Sampaio (PUC-SP)

Ao longo dos anos, a Tradução Oral à Prima Vista (TrPV) vem merecendo uma atenção discreta, porém constante, dos que se dedicam aos Estudos da Tradução e da Interpretação. Compondo esse panorama, esta apresentação focalizará quatro pesquisas de Iniciação Científica, realizadas na PUC-SP, ligadas a um projeto maior, de autoria docente e em andamento, sobre a TrPV.
Com fundamentos teóricos advindos da Teoria Interpretativa da Tradução (Théorie du Sens) [Seleskovitch & Lederer] e a Teoria do Modelos dos Esforços [Gile], as pesquisas em questão investigaram, de modo integrado e complementar, determinados aspectos da TrPV, segundo a perspectiva de alunos e de professores de cursos de formação de tradutores e intérpretes, assim como de renomados profissionais do mercado brasileiro.
Os dados coletados e sua análise oferecem uma percepção ao mesmo tempo ratificadora e renovada sobre as complexidades da TrPV e sobre os desafios que esse tipo de atividade tradutóriointerpretativa coloca aos profissionais atuantes ou em formação, abrindo espaço para considerações de caráter pedagógico.
Espera-se que esta apresentação promova uma maior conscientização e fomente um maior interesse investigativo a respeito da TrPV.

4) Estresse na interpretação simultânea: totalmente inevitável?

Sieni Campos (Intérprete free-lancer – Florianópolis)

É sabido e consensual que a interpretação simultânea (IS) é uma atividade
notavelmente estressante, mas raríssimos estudos vão além de constatar o
problema, cuja negação, mediante sua afirmação sob forma de generalidade,
talvez seja uma das razões desta lacuna. Proponho, em primeiro lugar, um
entendimento de quais seriam os principais estressores exógenos, inerentes ao
exercício da profissão, e endógenos, próprios à personalidade do intérprete, que afetam os profissionais da área. A seguir, procuro examinar mais de perto os
estressores. Descrevo alguns dos modos como ­ segundo observação de alguns
colegas e minha no transcurso de trinta anos ­ os intérpretes têm lidado com
esses estressores, muitas vezes com base em mecanismos de defesa (Anna
Freud). Esta forma de processar os estressores tanto conduz ao aumento do
estresse profissional dos intérpretes, com suas consequências deletérias
inclusive para o relacionamento entre colegas dentro e fora da
cabine, quanto gera interferências negativas no resultado do trabalho em si. Ao mesmo tempo, sugiro alguns meios para tentar minimizar essas interferências, em particular as dos estressores endógenos.

5) Formação de Intérpretes no Brasil – Panorama Atual

Jayme Costa Pinto (Associação Alumni – São Paulo)

Limitada ainda a um número reduzido de centros de formação e centrada principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, a formação sistemática de
intérpretes no Brasil se dá, atualmente, em moldes semelhantes aos verificados em programas de formação da Europa e dos EUA. A apresentação buscará mapear a evolução local desse tipo de treinamento, com ênfase na importância do aporte teórico, resultado da crescente relevância da área de Estudos da Interpretação no contexto acadêmico do exterior e do Brasil. Exemplos de práticas utilizadas no dia-a-dia de um centro formação específico – a Associação Alumni, de São Paulo – serão utilizados para ilustrar as possibilidades que têm se revelado mais produtivas na exploração de pontos de contato entre teoria e prática, tanto na sala de aula como no laboratório de interpretação. A fim de embasar essa inter-relação entre pesquisa teórica e aplicação, será traçado um breve panorama dos principais veios teóricos em circulação nos dias de hoje.

6) Não é só o que você fala, mas como! A Importância da Prosódia na Fala do intérprete

Layla Penha (Intérprete free-lancer – São Paulo)

A fala não transmite apenas o conteúdo estritamente linguístico das sentenças, mas também veicula outras informações, tais como a expressão de atitudes e emoções do falante. A expressividade da fala de um intérprete influencia a maneira com que esse é avaliado por seu público em agradabilidade, credibilidade, assertividade ou nível de conhecimento. Passar a mensagem com elementos prosódicos adequados, incluindo tom de voz, entoação e acento, é crucial para o sucesso da interpretação. Nesta palestra iremos verificar como diferentes ouvintes avaliam o trabalho de diferentes intérpretes, todos profissionais experientes, através da sonoridade da fala. Também abordaremos como as ferramentas da fonética acústica podem ajudar os intérpretes a melhorar a qualidade de sua produção ao se tornarem mais conscientes de seus padrões de fala.

7) O Intérprete e Sua Identidade Profissional

Reynaldo Pagura (PUC-SP)

Esta apresentação pretende elencar como o intérprete é visto pela imprensa, pelo cinema e também pela literatura – em resumo, que ideário a
sociedade tem do intérprete. As visões são múltiplas: em situações de
conflito, por exemplo, o intérprete é ocasionalemente visto como traidor,
por ter contato com a língua e a cultura do inimigo. Na sociedade de
consumo moderna, muitas vezes é visto como alguém a quem basta saber
muitas línguas ou como a pessoa que conhece todo o dicionário – e que não
precisa entender o que está dizendo, “só traduzir”. Esta panorâmica
identitária do intérprete pretende, também, mostrar como os próprios
intérpretes se enxergam, enquanto profissionais, principalmente pelo
ideário construído pelas associações de classe.

8) Questões de poder nos estudos e na prática da interpretação

Christiano Sanches do Valle Silva (Intérprete free-lancer – Rio de Janeiro)

Este trabalho parte da percepção da existência de um conflito entre neutralidade e agentividade na Interpretação e procura caracterizar de que maneiras os conceitos de poder e ideologia informam tanto seus estudos, quanto sua prática. Uma discussão multidisciplinar sobre poder e ideologia é apresentada, para, em seguida, serem examinados alguns casos nos quais se pode observar esses conceitos de forma clara no contexto da Interpretação. Pode-se dizer que diferentes tipos de fidelidade são construídos de acordo com influências do meio em interação com os valores que informam o intérprete em sua atuação. São abordadas questões de ética e de controle dodiscurso por parte do intérprete, colocando em perspectiva os limites de sua atividade e favorecendo o pensamento crítico sobre a profissão e os estudos acadêmicos que a têm
como objeto.

9) Uso de Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação de Intérpretes

Marcelle Castro (UGF e Glendon College-Canadá)

O uso de tecnologias da informação e da comunicação na formação de intérpretes é um tema relativamente novo no mundo da pesquisa em interpretação. Existem poucos estudos sobre o tema, principalmente na América do Sul e no Brasil. O propósito desta apresentação é trazer os resultados de uma pesquisa, que venho realizando como parte de minha tese de doutorado, sobre o uso de tais tecnologias como ferramenta de formação e treinamento de intérpretes. A pesquisa também inclui a aplicação dessas ferramentas em cursos à distância, no intuito de investigar a eficácia e viabilidade de cursos não presenciais ou semipresenciais.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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