Simpósio: O LUGAR DA TRADUÇÃO NOS IMPRESSOS BRASILEIROS: ESTUDOS SINCRÔNICOS E DIACRÔNICOS

Coordenadores: Profa. Dra. Paula Arbex (UFU) e Profa. Dra. Cristina Carneiro Rodrigues (UNESP)

[Scaricare in italiano] | [Descargar en español] | Download provisional translation into English]

Apesar de a proibição de imprimir no Brasil ter se encerrado em 1808, é apenas a partir do século XIX que passa a haver grande atividade tradutória no país. Após a virada desse século, firma-se a publicação de impressos no Brasil – livros, jornais e revistas – que tiveram importante papel na discussão de problemas nacionais e na difusão de ideias inovadoras. Ainda que os tradutores tenham contribuído para a circulação de conhecimento, pouco sabemos sobre suas concepções de tradução, sobre como eles conduziram sua tarefa e como seu direcionamento tradutório veio a constituir um discurso sobre o traduzir. O objetivo deste simpósio é reunir pesquisadores que examinem essas questões, tanto da perspectiva diacrônica, quanto da sincrônica. Levando-se em conta que os elementos paratextuais em traduções auxiliam na análise acerca do sujeito da tradução, a pesquisa que inclui o exame de tais elementos, como correspondências, prefácios e notas, é também relevante, seja ela relacionada ao passado ou à contemporaneidade. Incluem-se, ainda, na proposta do simpósio, trabalhos voltados para a análise da política tradutória de casas editoriais, do papel que a tradução desempenhou em períodos específicos no Brasil e estudos sobre como o material traduzido é integrado aos impressos, ou seja, se é assinado e apresentado como tradução, ou se é agregado como se fosse texto originalmente escrito em português.

 

Local: Sala 225, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Henrique Veloso de Oliveira: o trabalho de um tradutor-adaptador na imprensa periódica oitocentista
Ana Laura Donegá
(UNICAMP)
Tobias Barreto E a história oculta do germanismo no Brasil do fim do século XIX na Escola do Recife: aplicação do método das reconstruções racionais de Imre Lakatos a um caso particular da historiografia da tradução brasileira
Roch Duval
(Université de Montréal)
Salvador de Mendonça: tradutor da livraria B. L. Garnier
Valéria Cristina Bezerra
(UNICAMP)
“Salutation the second”: da tradução à intertextualidade no suplemento “Poesia-Experiência”
Dayana Almeida
(UFPA)
Mário Faustino, poeta, tradutor e crítico literário
Thiago André dos Santos Veríssimo
(UFPA)
Paratextos de relatos de viagem: entre o historiador e o naturalista
Cristina Carneiro Rodrigues
(UNESP)
Prefácios/posfácios de tradutores em clássicos da literatura francesa traduzidos no Brasil a partir da segunda metade do século XX
Teresa Dias Carneiro
(PUC-Rio)
A tradução na Revista do Globo: múltiplas identidades do traduzir
Paula Arbex
(UFU)
As traduções da Revista Joaquim
Sandra M. Stroparo
(UFPR)
13:30- 15:00
15:30- 17:00

RESUMOS

Apesar de a proibição de imprimir no Brasil ter se encerrado em 1808, é apenas a partir do século XIX que passa a haver grande atividade tradutória no país. Após a virada desse século, firma-se a publicação de impressos no Brasil – livros, jornais e revistas – que tiveram importante papel na discussão de problemas nacionais e na difusão de ideias inovadoras. Ainda que os tradutores tenham contribuído para a circulação de conhecimento, pouco sabemos sobre suas concepções de tradução, sobre como eles conduziram sua tarefa e como seu direcionamento tradutório veio a constituir um discurso sobre o traduzir. O objetivo deste simpósio é reunir pesquisadores que examinem essas questões, tanto da perspectiva diacrônica, quanto da sincrônica. Levando-se em conta que os elementos paratextuais em traduções auxiliam na análise acerca do sujeito da tradução, a pesquisa que inclui o exame de tais elementos, como correspondências, prefácios e notas, é também relevante, seja ela relacionada ao passado ou à contemporaneidade. Incluem-se, ainda, na proposta do simpósio, trabalhos voltados para a análise da política tradutória de casas editoriais, do papel que a tradução desempenhou em períodos específicos no Brasil e estudos sobre como o material traduzido é integrado aos impressos, ou seja, se é assinado e apresentado como tradução, ou se é agregado como se fosse texto originalmente escrito em português


COMUNICAÇÕES

1) AS TRADUÇÕES DA REVISTA JOAQUIM
Sandra M. Stroparo (UFPR)
A Revista Joaquim, publicada em Curitiba entre 1946 e 1948, foi uma importante revista modernista editada por Dalton Trevisan, Erasmo Pilotto e Antônio P. Walger. Além da presença de autores brasileiros contemporâneos, de Vinícius de Moraes a Drummond, de José Paulo Paes a Otto Maria Carpeaux, a revista também apresentava textos traduzidos que revelavam o interesse de seus editores por uma literatura moderna que representasse seja uma crítica, seja um estímulo à literatura brasileira da época. Algumas traduções têm “dono”, mas várias, como trechos de James Joyce e T. S. Eliot, aparecem nas páginas da revista sem nome de tradutor. Embora se costume considerar que essas traduções pertencem a Dalton Trevisan, é interessante registrar não só a escolha dos textos, mas principalmente o fato de que, ao omitir o tradutor, a “editoria” da revista assume plenamente o texto escolhido.

2) A TRADUÇÃO NA REVISTA DO GLOBO: MÚLTIPLAS IDENTIDADES DO TRADUZIR
Paula Arbex (UFU)
Notabilizada pelas coleções de literatura traduzida que aproximaram autores estrangeiros do leitor brasileiro, a Editora Globo, de Porto Alegre, publicou, durante quase quatro décadas (de 1929 a 1967), um periódico em que a tradução literária também se fez notícia. Traduções e tradutores ganharam, nas páginas da Revista do Globo, uma até então inédita visibilidade, ao mesmo tempo em que o texto traduzido foi apresentado como um produto, direcionado a um mercado em expansão. Nesse contexto, diversas foram as identidades tradutórias assumidas pela Revista: traduções realizadas (e assinadas) por escritores consagrados, ou mesmo por tradutores desconhecidos, conviviam com traduções fictícias e apócrifas, e também com textos reflexivos sobre o traduzir. O presente trabalho propõe-se a analisar exemplos dessa múltipla presença da tradução e dos tradutores no periódico da Globo, buscando revelar, em certa medida, o tratamento dispensado à tradução em sua “época de ouro” no Brasil.

3) HENRIQUE VELOSO DE OLIVEIRA: O TRABALHO DE UM TRADUTOR-ADAPTADOR NA IMPRENSA PERIÓDICA OITOCENTISTA
Ana Laura Donegá (UNICAMP)
Natural da cidade do Porto, Henrique Veloso de Oliveira passou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde desenvolveu as funções de advogado, juiz e desembargador. Além do trabalho como bacharel, ele publicou livros sobre temas variados – como medicina, física, filosofia e gramática. Nessa lista, encontramos títulos de sua autoria e ainda traduções realizadas a partir do francês e do inglês. Veloso de Oliveira foi também colaborador de uma revista feminina, lançada no Rio de Janeiro entre 1852 e 1854, sob o título de Novo Correio de Modas. A presente comunicação tem o objetivo de desvendar algumas concepções que orientavam a prática da tradução no Brasil do século XIX, partindo da análise de três narrativas ficcionais traduzidas por Veloso de Oliveira, publicadas nas páginas do referido periódico: “História da bela Aroya ou três amantes em raros apuros. Conto oriental”, “Profecias modernas” e “Cagliostro, o célebre alquimista”.

4) MÁRIO FAUSTINO, POETA, TRADUTOR E CRÍTICO LITERÁRIO
Thiago André dos Santos Veríssimo (UFPA)
Mário Faustino, na Belém do final do decênio de 1940 e início daquele de 1950, publica seus primeiros poemas no Suplemento “Arte Literatura”, d’A Folha do Norte, como também encena ali suas primeiras contribuições como tradutor de poesia. Este trabalho objetiva analisar o percurso de Faustino como poeta/tradutor e crítico no jornal paraense, sabendo-se com Haroldo de Campos que todo tradutor é um crítico. Para isso, parte-se da análise crítica que o poeta fez dos poemas em língua espanhola de autores como Rafael Alberti, Juan Ramón Jimenez e Alfonsina Storni.

5) PARATEXTOS DE RELATOS DE VIAGEM: ENTRE O HISTORIADOR E O NATURALISTA
Cristina Carneiro Rodrigues (UNESP)
A coleção Brasiliana, lançada em 1931, teve, entre seus tradutores e anotadores, alguns dos mais importantes intelectuais da época. Como a maior parte dos títulos traduzidos é classificada como literatura de “viagem” e de autoria de naturalistas que estiveram no Brasil no século XIX, há uma certa homogeneidade temática que, aliada à contemporaneidade das traduções, poderia fazer com que houvesse similaridade no direcionamento tradutório. Com o objetivo de evidenciar que não há a esperada homogeneidade, neste trabalho analisarei as traduções das obras de dois naturalistas ingleses que, por um período, viajaram juntos pela Amazônia, Henry Walter Bates e Alfred Russel Wallace. A primeira foi traduzida e anotada pelo naturalista Candido de Mello-Leitão e a segunda, traduzida pelo folclorista Orlando Torres e prefaciada e anotada pelo historiador Basílio de Magalhães. O exame da tradução e das notas dessas obras denuncia e anuncia orientações e concepções tradutórias bastante diferentes.

6) PREFÁCIOS/POSFÁCIOS DE TRADUTORES EM CLÁSSICOS DA LITERATURA FRANCESA TRADUZIDOS NO BRASIL A PARTIR DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX
Teresa Dias Carneiro (PUC-Rio)
A pesquisa sobre prefácios/posfácios de tradutores em clássicos da literatura francesa traduzidos no Brasil a partir da segunda metade do século XX foi feita na Biblioteca Nacional e deu origem à tese de doutorado, em elaboração, que tem como objetivo principal contribuir para a construção de uma teoria do paratexto do livro traduzido, com foco principalmente na análise de prefácios/posfácios de tradutores em que estes falem de seu trabalho. A teoria do paratexto do livro traduzido ainda se encontra em estágio incipiente e aguarda contribuições que iluminem o discurso dos tradutores em paratextos, para que sejam analisados não somente como material periférico e acessório ao texto, mas também para se entender quais são os conceitos/ideias que se repetem no discurso de tradutores nas instâncias prefaciais.

7) “SALUTATION THE SECOND”: DA TRADUÇÃO À INTERTEXTUALIDADE NO SUPLEMENTO “POESIA-EXPERIÊNCIA”
Dayana Almeida (UFPA)
O poeta Mário Faustino, durante a maior parte de sua carreira, sempre esteve envolvido com trabalhos no meio jornalístico, com destaque para suas traduções de poemas no suplemento literário “Poesia-Experiência”, as quais estavam vinculadas à base do pensamento faustiniano: Ezra Pound. Deste modo, a partir do conceito de intertextualidade de Gerard Genette, espera-se, nesta comunicação, compreender como Faustino criou um poema inédito tendo como base um poema de Pound que ele traduziu no referido suplemento, ao se comparar os poemas “Mensagem” e “Salutation the Second”.

8) SALVADOR DE MENDONÇA: TRADUTOR DA LIVRARIA B. L. GARNIER
Valéria Cristina Bezerra (UNICAMP)
Salvador de Mendonça foi um influente homem de letras do século XIX, atuando como colaborador nos variados elementos que constituíam a imprensa periódica do seu tempo: jornalismo político, crônica de variedades, crítica teatral, crítica literária, traduções. Teve uma atuação dupla nas letras, uma vez que incentivava a difusão da literatura brasileira e, ao mesmo tempo, através de sua atividade de tradutor, ampliava a disponibilidade de obras estrangeiras, preferidas do público. Entre os anos de 1873 e 1875, ele traduziu incansavelmente títulos de sucesso na Europa para a editora Garnier. Dentre essas obras, estão romances de Octave Feuillet, Victor Hugo, Théophile Gautier, Paul Féval, Alfred de Musset. Esta comunicação buscará explicitar a atuação de Salvador de Mendonça como tradutor na década de 70 do oitocentos de uma das mais importantes casas editoriais do Brasil no período e identificar o destaque de suas traduções por meio de menções e críticas nos periódicos da época.

9) TOBIAS BARRETO E A HISTÓRIA OCULTA DO GERMANISMO NO BRASIL DO FIM DO SÉCULO XIX NA ESCOLA DO RECIFE: APLICAÇÃO DO MÉTODO DAS RECONSTRUÇÕES RACIONAIS DE IMRE LAKATOS A UM CASO PARTICULAR DA HISTORIOGRAFIA DA TRADUÇÃO BRASILEIRA
Roch Duval (Université de Montréal)
Tobias Barreto (1839-1889), verdadeiro arauto da Escola do Recife e divulgador da cultura alemã (o chamado “germanismo”) no Brasil do fim do século XIX, foi também um tradutor insaciável e arrebatado (porém às vezes “inábil”) dos maiores representantes do “novo espírito científico alemão” (Lotze, Haeckel, von Hartmann, Noiré). Ainda que já tenham sido publicados os principais textos e traduções de Barreto em Estudos Alemães (1879) e no jornal Deutscher Kampfer, faltam hoje inumeráveis artigos e traduções (em alemão) que foram publicados em pequenos jornais regionais. Considerando a falta de algumas fontes essenciais para a constituição da historiografia das traduções alemãs, proponho adaptar e aplicar o método das “reconstruções racionais” a fim de ressaltar a história interna e externa das traduções na Escola do Recife.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

Anúncios

One thought on “Simpósio: O LUGAR DA TRADUÇÃO NOS IMPRESSOS BRASILEIROS: ESTUDOS SINCRÔNICOS E DIACRÔNICOS

  1. Pingback: Lista de simpósios | ABRAPT

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s