Simpósio: Novas perspectivas para o Ensino de Tradução

Coordenadores: Luciane Leipnitz (UFBP) e Cleci Regina Bevilacqua (UFRGS)

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Este simpósio tem por objetivo principal apresentar e discutir novas metodologias adotadas para o Ensino de Tradução. Pretende-se apontar caminhos no sentido da qualificação do profissional tradutor a partir do desenvolvimento da competência tradutória nos cursos de graduação. Tal competência deve levar em conta as competências linguística, tradutória, social, cultural e intercultural (SNELL-HORNBY et al., 2006, p.341), instrumental e estratégica, bem como os componentes psicofisiológicos (HURTADO ALBIR, 2005, p.27-28). As comunicações do Simpósio deverão contemplar diferentes iniciativas didático-metodológicas desenvolvidas em instituições de ensino que busquem sistematizar as diversas categorias de conhecimentos, habilidades e subcompetências relacionadas à competência tradutória, as quais deveriam ser contempladas pelos cursos de formação de tradutores.

 

Local: Sala 208, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Da compilação do corpus à publicação de um vocabulário bilíngue de fotografia: uma vivência real no ensino de tradução
Stella E. O. Tagnin
(USP)
A metacognição no ensino de tradução
Patrícia Rodrigues Costa
(POSTRAD/UnB)
Desenvolvimento da competência tradutória através da reflexão sobre o processo: práticas em sala de aula no Curso de Bacharelado em Tradução da UFPB
Luciane Leipnitz
(UFPB)
The Trio of Cognition, Communication and Translation: A Process Paradigm for Knowledge Transfer
Hamad Al-Dosari
(College of Languages and Translation- King Khalid University, Abha)
13:30-15:00 Contribuição brasileira ao Vocabulário Panlatino de Pneumopatias Ocupacionais: uma experiência com alunos de graduação em Tradução
Maria José Bocorny Finatto
(UFRGS)
Marcos Goldnadel
(UFRGS)
Do Brasil à China: “O homem que sabia javanês”. A prática e o ensino de tradução literária em uma experiência de tradução coletiva
Márcia Schmaltz
(Universidade de Macau – UM)
Raquel Abi-Sâmara
(Universidade de Macau – UM)
Educação continuada no acervo TERMISUL: uma contribuição para o ensino-aprendizagem de versão em língua francesa
Sandra Dias Loguercio
(UFRGS, TERMISUL)
Maria Helena Marques
(TERMISUL)
A construção de um corpus de língua italiana como ferramenta auxiliar no ensino da tradução
Cláudia Mendonça Scheeren
(UFRGS)
15:30-17:00 Formação em tradução: as várias facetas do novo profissional da tradução
Cleci Regina Bevilacqua
(UFRGS)
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard
(UFRGS)
O ensino de tradução como qualificação do conhecimento
João Azenha Junior
(USP)
Uma plataforma interativa de tradução automática para o ensino multidisciplinar da tradução
Tiago Martins da Cunha
(UFC)

RESUMOS

1) A metacognição no ensino de tradução

Patrícia Rodrigues Costa (POSTRAD/UnB)

Álvaro Echeverri, professor da Universidade de Montreal, defende a componente metacognitiva no ensino de tradução graças à recriação gradual de certas condições contextuais e ambientais próprias do exercício de tradução profissional. Echeverri relata que a competência tradutória do aprendiz pode ser observada na capacidade em que esse tem em controlar o processo de tradução, o modo de aprendizado e o que aprende. O aprendiz deveria adquirir primeiramente novos conhecimentos e habilidades, o que pode ser comprovado ao fazê-lo verbalizar suas estratégias e, assim, contribui na aprendizagem da componente metacognitiva, visto que desejam aprender algo novo. Percebe-se a metacognição no ensino durante a identificação de problemas de tradução, pois caberá aos aprendizes buscar ajuda quer seja de colegas, quer seja do professor. Assim, a metacognição demonstraria como utilizar esses conhecimentos em diversas situações e aproveitar-se delas, de modo reflexivo, para contribuir na formação.

2. Contribuição brasileira ao Vocabulário Panlatino de Pneumopatias Ocupacionais: uma experiência com alunos de graduação em Tradução

Marcos Goldnadel (UFRGS)
Maria José BocornyFinatto (UFRGS)

Relata-se aqui uma experiência de formação em Terminologia na graduação em Tradução da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nas disciplinas Terminologia I e Terminologia II. De 2011 a 2012, alunos dessas disciplinas, na maioria formandos, cumpriram todas as etapas de planejamento e implementação de um Glossário de Pneumopatias Ocupacionais relativo ao português do Brasil, partindo de uma lista de 160 equivalentes em inglês e francês. As orientações teóricas para o trabalho foram da Teoria Comunicativa da Terminologia, da Socioterminologia, da perspectiva textual dos estudos de Terminologia e da Linguística de Corpus. O processo revelou caminhos de formação capazes de inserir o aluno em um ambiente de boas práticas terminográficas e de tradução. A experiência mostra ser possível envolver satisfatoriamente um grupo grande de alunos em uma experiência positiva de trabalho real, desde que haja planejamento rigoroso, divisão de tarefas, trabalho colaborativo e revisão continuada.

3. Da compilação do corpus à publicação de um vocabulário bilíngue de fotografia: uma vivência real no ensino de tradução

Stella E. O. Tagnin (USP)

A comunicação relatará o processo completo da produção de um glossário de fotografia com alunos de um curso de tradução na USP. Primeiramente foram estabelecidas as áreas principais do domínio da fotografia e os alunos foram divididos em grupos, cada um responsável pela compilação do corpus de uma área. A partir daí foram selecionadas as palavras-chave e criadas as entradas do glossário segundo parâmetros pré-estabelecidos. Mas nem tudo foi fácil: também serão discutidos os problemas e dificuldades. O produto final foi publicado pela editora SBS no início deste ano.

4. Desenvolvimento da competência tradutória através da reflexão sobre o processo: práticas em sala de aula no Curso de Bacharelado em Tradução da UFPB

Luciane Leipnitz (UFPB)

Apresento atividades em Prática de Tradução de Textos Gerais do Curso de Bacharelado em Tradução da UFPB. A disciplina objetiva aproximar estudantes à realidade da atividade tradutória, oportunizando práticas em diferentes gêneros textuais. Ao acreditar no desenvolvimento da competência tradutória por meio da reflexão sobre o fazer tradutório, as práticas são realizadas com a ferramenta Translog, que gera um protocolo do processo a partir da leitura dos toques no teclado. A observação das traduções e dos protocolos gerados compõe um relatório no qual o aprendiz reflete sobre dificuldades, ferramentas utilizadas, escolhas, e avalia a qualidade do texto produzido. Nas aulas, tem-se, ao final, um momento de discussão no grupo, quando são levantados os problemas surgidos e as soluções encontradas e discutem-se as escolhas individuais. Os relatos mostram reflexão sobre o processo e tomada de consciência, por parte dos aprendizes de tradução, de escolhas individuais e possibilidades de melhoria na busca por um produto final de qualidade crescente, respaldado pelo desenvolvimento da consciência crítica sobre processos individuais.

5. Do Brasil à China: “O homem que sabia javanês”. A prática e o ensino de tradução literária em uma experiência de tradução coletiva

Márcia Schmaltz; Raquel Abi-Sâmara (Universidade de Macau – UM)

O “O homem que sabia javanês” de Lima Barreto foi traduzido do português para o chinês por um grupo de alunos chineses do mestrado em Estudos da Tradução da Universidade de Macau. A tradução integrou um projeto de divulgação da literatura brasileira promovido pelo governo do Brasil. Formulou-se, coletivamente, um conjunto de estratégias para a tradução do conto, consideraram-se os seguintes aspectos: o público receptor, a contextualização do conto, o entendimento estético e ideológico de sua recepção no Brasil, a identificação de aspectos culturais, históricos, estilísticos e linguísticos, além de abordagens distintas sobre a tradução literária. Esta comunicação discutirá questões e problemas relacionados à prática e ao ensino da tradução literária, à tomada de decisão na transposição e a transcriação da narrativa ficcional do português para o chinês, à análise das diferentes etapas do processo de tradução e reflexões sobre o diálogo entre diferentes abordagens da tradução literária.

6. Educação continuada no acervo TERMISUL: uma contribuição para o ensino-aprendizagem de versão em língua francesa

Sandra Dias Loguercio (UFRGS)
Maria Helena Marques (UFRGS)

Neste trabalho, descrevemos o projeto de educação continuada no acervo TERMISUL destinado ao acadêmico de Letras e sua aplicação à disciplina de versão para o francês. Através da construção de objetos de aprendizagem voltados inicialmente ao estudo contrastivo do resumo científico, que vão da análise textual (macroestrutura) à análise linguística com ferramenta automática (microestruturas), o projeto prevê as seguintes etapas: familiarização com os resumos acadêmicos em português e na língua estrangeira, análise linguística e textual contrastiva dos resumos, redação de resumos, versão de resumos e, por fim, coleta e armazenamento dos padrões lexicogramaticais dos textos. As atividades propostas, que conjugam ensino a distância e presencial, têm revelado resultados promissores para a formação dos tradutores. Por um lado, percebe-se um ganho de autonomia relativa ao trabalho de investigação e aprendizagem linguística em língua materna e estrangeira e, por outro, o desenvolvimento de uma visão crítica sobre a produção de seus próprios textos, duas subcompetências essenciais para a aquisição da competência tradutória.

7. Formação em tradução: as várias facetas do novo profissional da tradução

Cleci Regina Bevilacqua (UFRGS)
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard (UFRGS)

Pretende-se apresentar as linhas gerais que orientam a formação em tradução oferecida, a partir de 2012, no Curso de Bacharelado em Letras – Tradutor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Primeiramente, tratamos das competências e habilidades norteadoras da nova proposta curricular. Em seguida, apresentamos e comentamos a proposta do novo currículo, que busca atender às novas necessidades da atividade tradutória e acompanhar a evolução da profissão. Finalmente, mencionamos atividades concomitantes à formação, consideradas fundamentais na formação continuada dos egressos do curso. Buscamos, assim, apresentar um panorama geral da trajetória do curso de formação de tradutores na UFRGS. Destacamos que esta reforma foi movida pela necessidade de atualização dessa formação e busca responder às necessidades formativas e profissionais do tradutor, essencialmente um profissional do texto.

8. O ensino de tradução como qualificação do conhecimento

João Azenha Junior (USP)

A noção consensual que a tradução pressupõe, de um lado, o domínio de, pelo menos, duas línguas e, de outro, de duas culturas, em geral associa o primeiro a conhecimentos equiparáveis ao de um falante nativo e o segundo à vivência do usuário/tradutor por um período longo de tempo no país de sua língua estrangeira (LE) de trabalho. Essa noção gera desconfortos e desacertos, dentre eles a opinião de que um curso de formação de tradutores não deve caminhar paralelamente a um curso de formação em língua estrangeira e a de que a competência cultural se adquire basicamente pela experiência do contato direto com a cultura estrangeira. Neste trabalho, tenho por objetivo mostrar que a partir de um ponto não muito distante do início da aquisição de uma LE, a introdução a questões de tradução cria um espaço de aproximação entre os conceitos de língua e de cultura marcado pelo deslocamento de eixos nos planos do léxico, da sintaxe e na consideração de questões culturais. Em poucas palavras, a parceria aprender uma língua/traduzir essa língua pode acelerar a agenda da formação de tradutores, ao transformar a sala de aula de língua e de tradução num espaço de qualificação do conhecimento.

9. Uma plataforma interativa de tradução automática para o ensino multidisciplinar da tradução

Tiago Martins da Cunha (UFC)

O uso da Tradução Automática (TA) tem sido cada vez mais frequente na vida cotidiana.‬ Desde o início das pesquisas em processamento de linguagem natural (PLN), muito tem sido feito para provar o potencial da TA.‬ Muitos de seus métodos de TA já foram testados e a junção destes métodos tem fornecido resultados promissores. Essas ferramentas integram a estação de trabalho dos tradutores profissionais junto com dicionários e gramáticas. No entanto, não são desenvolvidas para terem seu design manipulado pelos usuários. ‬Sistemas de TA não permitem que o usuário configure a gramática ou o motor de transferência ou mesmo o tipo de fragmento que o sistema deve utilizar. Por este motivo, propomos a apresentação de uma plataforma aberta, na qual o usuário pode livremente ter acesso às fases do sistema e adaptá-las quando necessário. Cada etapa desse sistema de TA será apresentada nesse trabalho, assim como algumas possibilidades de adaptação. Acreditamos que o sistema pode ser usado didaticamente nos cursos de formação de tradutores, possibilitando a reflexão sobre a prática tradutória e permitindo a explicação e a aplicação de teorias relacionadas à Tradução.‬

10. The trio of cognition, communication and translation: a process paradigm for knowledge transfer

Hamad Al-Dosari, PhD (College of Languages and Translation- King Khalid University, Abha)

The purpose of this study is to propose a process model for knowledge transfer in using theories relating knowledge communication and knowledge translation. This study is based a thorough review of literature in relation to cognitive theories, communication theories, and translation theories. Findings indicate that the process paradigm developed in this study has built upon the theory of knowledge transfer and the theory of communication. This paradigm involves different stages of knowledge transformation, and is influenced by many factors. The developed model of knowledge transfer attempts to encapsulate all these issues in order to create a holistic framework that sums up the interrelationships among cognition, communication and translation.

11. A construção de um corpus de língua italiana como ferramenta auxiliar no ensino da tradução

Cláudia Mendonça Scheeren (UFRGS)

Esta comunicação pretende apresentar o trabalho realizado pela professora e suas bolsistas IC nas etapas de construção de um corpus de língua italiana para a base de dados do Projeto Termisul, que desenvolve uma pesquisa plurilíngue das Combinatórias Léxicas Especializadas do texto legislativo. Como referencial teórico, partimos da Teoria Comunicativa, da Tradutologia e da Linguística de Corpus. A criação da base possibilita a análise dos modos de dizer dos diplomas legais em italiano e sua comparação com o português e com as demais línguas do Projeto. Assim, sua abrangência e relevância se ampliam para professores e estudantes de tradução, e não apenas para tradutores e estudiosos do texto e cria-se um novo espaço para que os mesmos tenham acesso a estudos da linguagem da legislação ambiental (brasileira e italiana) de forma a encontrarem informações úteis, também para o uso na sala de aula de tradução, baseadas em evidências colhidas em um corpus de textos autênticos.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

Alemão: Melanie Strasser

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