Simpósio: LITERATURA RE (TRADUZIDA) E PRÁTICAS EDITORIAIS E PRÁTICAS DISCURSIVAS

Coordenadoras: Prof.ª Dr.ª Válmi Hatje-Faggion (UnB) e Prof.ª Dr.ª Sara Viola Rodrigues (UFRGS)

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Este Simpósio trata de literatura (re) traduzida e sua relação com práticas editoriais e práticas discursivas. Algumas editoras adicionam textos extras ao texto traduzido que publicam. Trata-se de textos com conteúdos que podem revelar informações importantes sobre o processo de circulação de uma dada tradução. Esses textos ou paratextos que acompanham obras literárias (re) traduzidas publicadas são objeto de análise deste Simpósio. O debate e a análise crítica das mudanças, manipulações e preferências de tradutores e demais agentes institucionais atrelados a práticas históricas, políticas, sociais e culturais que tomam lugar no processo de elaboração, apresentação e veiculação de obras (re) traduzidas constituem aspecto central para os estudos da tradução.

 

Local: Sala MACHADO DE ASSIS, 4º andar, CCE, bloco B

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Aspectos editoriais e discursivos nas retraduções para o português de Alice’s adventures in wonderland de Lewis Carroll
Micla Cardoso de Souza
(Embrapa)
Válmi Hatje-Faggion
(UnB)
A tradução como resultado de múltiplas influências: o caso dos tradutores de Of mice and men, de John Steinbeck
Johnwill Costa Faria
(UEG- GO)
A tradução e a recepção no Brasil do romance italiano A ilha do dia anterior de Umberto Eco: análise das duas edições
Patrizia Cavallo
(UFRGS)
Clarice Lispector em tradução: funções do paratexto
Sara Viola Rodrigues
(UFRGS)
13:30-15:00 Fim de partida e o texto para além do jogo
Liane Mroginiski Zanesco
(PUCRS)
Histórias de um louco amor, de heroísmos e de uma galinha degolada: Sergio Faraco, tradutor de Horacio Quiroga
Gustavo Melo Czekster
Andrea Cristiane Kahmann
(Doutorado UFRGS)
Literatura brasileira traduzida: aparato paratextual em antologias em língua inglesa
Elizamari Rodrigues Becker
(UFRGS)
Os títulos de Chinua Achebe – keeping the references from falling apart
Fernanda Alencar Pereira
(UnB)
15:30-17:00 Por uma retradução espontânea de cartas do Yagé, de William Burroughs e Allen Ginsberg
Eclair Antonio Almeida Filho
(UnB)
Ana Araújo Vázquez
(PROIC-UnB)
Reescrevendo Jonathan Swift: a ideologia em duas traduções de Gulliver’s Travels
Valmir Dias Barroso
(UEG- GO)
Johnwill Costa Faria
(UEG- GO)
Texto e paratexto em traduções do Fausto de Goethe
Pedro Theobald
(PUCRS)
Tradutores de romances de Machado de Assis para o inglês: os metatextos na dinâmica do processo tradutório em retraduções
Válmi Hatje-Faggion
(UnB)
Variações na tradução do título de Les lauriers sont coupés
Josina Nunes Magalhães Roncisvalle
(POSTRAD– UnB)

RESUMOS

1)     Aspectos editoriais e discursivos nas retraduções para o português de <em>Alice’s adventures in wonderland</em> de Lewis Carroll

Micla Cardoso de Souza (Embrapa) e Válmi Hatje-Faggion (UnB)

O objetivo deste trabalho é ilustrar como uma mesma obra pode ser traduzida e apresentada de maneiras diferentes conforme o projeto de tradução da editora e do tradutor. Com esse intuito, foram selecionadas três traduções, para o português, da obra Alice’s adventures in wonderland de Lewis Carroll. As traduções escolhidas para a análise foram: Alice no país das maravilhas (L&PM Pocket, 1998), traduzida por Rosaura Eichenberg e Ísis Alves; Alice: edição comentada (Jorge Zahar Editor, 2002), traduzida por Maria X. de A. Borges; e Alice no país das maravilhas (Ática, 2006), traduzida por Ana Maria Machado. Como a obra traduzida inclui aspectos da cultura inglesa, presentes na narrativa por meio da intertextualidade, principalmente de alusões, trocadilhos e paródias, esses tópicos serão analisados na leitura comparativa. O referencial teórico da pesquisa inclui autores como Lambert e Van Gorp (1985), Lefevere (1992) e Newmark (1988). Os dados indicam que, apesar das semelhanças entre as traduções, os textos traduzidos apresentam diferenças e peculiaridades quando se observa os públicos leitores previstos e os participantes envolvidos no processo tradutório.

2)     A tradução como resultado de múltiplas influências: o caso dos tradutores de <em>Of mice and men</em>, de John Steinbeck

Johnwill Costa Faria (UEG- GO)

A teoria dos polissistemas, de Even-Zohar, entende a literatura como um sistema dinâmico e complexo, em que as traduções são vistas como parte de uma rede de relações que incluem diferentes aspectos da língua de partida. A sua vertente descritiva (Toury, Lefevere e Hermans), propõe que as traduções são influenciadas por normas culturais e históricas. Essas influências se manifestam, por exemplo, nas motivações e na escolha dos textos a serem traduzidos, bem como em orientações, recomendações, ou até mesmo a censura por parte das editoras e de outros agentes institucionais. Esta comunicação analisa a tradução para o português de <em>Of mice and men</em>, de John Steinbeck, realizada por Érico Veríssimo, em 1940; por Myriam Campello, em 1991; e por Ana Ban, em 2005, observando-se motivações, influências, normas e relações de poder que operaram sobre tal trabalho, bem como as idiossincrasias do tradutor.

3)     A tradução e a recepção no Brasil do romance italiano A ilha do dia anterior de Umberto Eco: análise das duas edições

Patrizia Cavallo (UFRGS)

O romance A Ilha do Dia Anterior, escrito por Umberto Eco em 1994, foi traduzido em português pelo tradutor, professor e poeta Marco Lucchesi e publicado no Brasil em 1995 pela Editora Record. Depois do sucesso do romance O Nome da Rosa, que recebeu adaptação para o cinema, e após a publicação de O Pêndulo de Foucault, o terceiro romance de Umberto Eco, A Ilha do Dia Anterior, história de um naufrágo e de uma ilha inalcançável, chega no Brasil em 1995 (Editora Record) e recebe uma segunda edição em 2010 (Editora BestBolso). Este trabalho se configura como uma análise das principais mudanças lexicais e sintáticas da tradução do italiano para o português nas duas edições conhecidas no Brasil, com conseguinte avaliação do impacto para o leitor brasileiro. Igualmente serão analisados os elementos paratextuais presentes nas referidas edições e suas possíveis implicações para a recepção dessas edições. Um questionário, a ser enviado às editoras e ao tradutor brasileiro Marco Lucchesi, poderá auxiliar na compreensão de tais escolhas e mudanças, além de esclarecer os mecanismos subjacentes ao processo de reedição de uma obra literária.

4)     Clarice Lispector em tradução: funções do paratexto

Sara Viola Rodrigues (UFRGS)

Em 2012, as livrarias dos Estados Unidos  receberam os livros  de Clarice Lispector: (Perto do Coração Selvagem, Água Viva, A Paixão Segundo G. H. e Um Sopro de Vida) traduzidos para o inglês pela editora New Directions, que já traduzira, em 2011, A Hora da Estrela. Segundo o jornal Zero Hora (Porto Alegre, 20/05/2012, “as capas reproduzem uma foto de Clarice jovem. E, em um canto, são reproduzidos elogios de personalidades como Jonathan Franzen (‘Uma escritora verdadeiramente notável’), Orhan Pamuk (‘Uma das mais misteriosas autoras do século 20’) e Colm Toíbín (‘Um dos gênios ocultos do século 20’), além de uma citação de The New York Times (‘A principal escritora latino-americana de prosa do século’)”. Relativamente à questão da recepção dessas e de outras traduções de Clarice Lispector, pretende-se, neste trabalho, analisar a função dos paratextos, especialmente no que tange ao direcionamento de leitura que engendram, evidenciando-se implicações disso para a interpretação e recepção da obra, tanto em termos positivos, quanto negativos.

5)     Fim de partida e o texto para além do jogo

Liane Mroginiski Zanesco (PUCRS)

Este trabalho discute a relevância dos textos e paratextos, nas formas de Apresentação e de Apêndice, que acompanham a tradução da peça Engame (Fim de Partida) de Samuel Beckett pela editora Cosac Naify de 2002.  Propomo-nos a discutir a gênese, a partir desses textos adicionais ao texto traduzido, de uma adequação da leitura, que pretende estreitar os distanciamentos temporal e sociocultural entre a obra, o autor e o leitor contemporâneo. Essa edição traz aspectos biográficos do autor e fotos de encenações e de cartazes da peça evidenciando o caráter visual minimalista da obra de Beckett. Analisamos o impacto desse aspecto visual na edição para a fruição, por parte do leitor, da peça de Beckett enquanto texto literário.

6)     Histórias de um louco amor, de heroísmos e de uma galinha degolada: Sergio Faraco, tradutor de Horacio Quiroga

Gustavo Melo Czekster e Andrea Cristiane Kahmann

(Doutorandos em Literatura Comparada – UFRGS)

O trabalho objetiva apresentar análises sobre as obras de Horacio Quiroga no Brasil, a partir do labor de Sergio Faraco, tradutor de quatro obras de Quiroga e organizador do Decálogo do contista perfeito, e dos editores que o publicaram. Abordaremos o texto traduzido em si e os paratextos – índices morfológicos e discursos de acompanhamento – bem como a evolução destes e suas variações, desde a primeira obra, publicada em 1994 pela editora Mercado Aberto, até as edições recentes, em formato pocket book, pela L&PM. Assim, nossa análise recairá não só na figura do tradutor e suas escolhas, mas também na dos editores como agentes institucionais atrelados a práticas históricas, políticas, sociais e culturais nesse processo de composição e distribuição das obras (re)traduzidas. Embasaremos nosso trabalho em teóricos como Berman (para a crítica de tradução), Bourdieu (para análise das regras de formação do campo literário), José Lambert e demais estudiosos dos polissistemas literários e nas teses de Genette, referência fundamental para o estudo dos paratextos.

7)     Literatura brasileira traduzida: aparato paratextual em antologias em língua inglesa

Elizamari Rodrigues Becker (UFRGS)

Este estudo aprecia um corpus definido de sumários, apresentações, introduções, notas de organização e tradução, prólogos, prefácios, posfácios e outros tipos de paratextos que fazem fronteira com textos traduzidos de literatura brasileira contidos em antologias voltadas para público leitor de língua inglesa. Tendo por base a noção de paratexto de Genette (2009), em seu <em>Paratextos editoriais</em>, para quem o paratexto é um discurso fundamentalmente heteronômico, auxiliar e cuja existência só é explicada em sua relação de subordinação com o texto, a autora busca identificar as vozes autorizadas e as estratégias de orientação de leitura e interpretação recorrentemente empregadas no corpus com a finalidade de interferir na recepção das traduções.

8)     Os títulos de Chinua Achebe – keeping the references from falling apart

Fernanda Alencar Pereira (UnB)

A proposta deste trabalho é analisar as possibilidades e repercussões literárias das traduções dos títulos de romances de escritores oriundos de sistemas literários africanos. Examinando mais especificamente as obras de Chinua Achebe e suas traduções para o português, francês, espanhol e alemão, pretende-se avaliar como as traduções dos títulos sofrem a influência das especificidades de cada língua de chegada combinadas com determinadas exigências editoriais. No contexto nigeriano, no qual Chinua Achebe influenciou diversos autores das gerações posteriores, e onde se observa a consolidação de um sistema literário mais elaborado, a tradução de seus títulos de uma ou outra forma pode afetar a recepção e compreensão de referências já presentes nas obras de outros autores, como Chimamanda Ngozi Adichie. Os estudos de Danielle Risterucci Roudicky nessa área servirão como principal base teórica para este estudo.

9)     Por uma retradução espontânea de cartas do Yagé, de William Burroughs e Allen Ginsberg

Eclair Antonio Almeida Filho (UnB) e Ana Araújo Vázquez (PROIC-UnB)

Nossa apresentação propõe-se a retraduzir algumas cartas do Yage, de autoria dos escritores beats estadunidenses William Burroughs e Allen Ginsberg, publicadas em português em 1984 e republicados em 2009 pela editora L&PM, baseando-nos, diferentemente da edição da L&PM, no texto estabelecido pela sua edição <em>redux</em> lançada em 2002, a qual traz, além do texto original,  material inédito como artigos e manuscritos. Assim, nossa perspectiva será a de uma metodologia dos estudos genéticos, de modo a considerar o texto em seus processos. Nosso objetivo será restituir às os elementos do que chamamos, conforme Jack Kerouac, de uma poética espontânea.

10) Reescrevendo Jonathan Swift: a ideologia em duas traduções de Gulliver’s Travels

Valmir Dias Barroso (UEG- GO) e Johnwill Costa Faria (UEG- GO)

Este trabalho é uma análise sobre como questões ideológicas afetam as traduções, tomando como objeto de estudo duas traduções em português de Gulliver’s travels, de Jonathan Swift, ambas sob o título Viagens de Gulliver. Desse modo, faz-se uma análise comparativa entre o texto de partida e as traduções de Clarice Lispector (Rio de Janeiro: Rocco, 2008) e de Therezinha Monteiro Deutsch (São Paulo: Cultural, 1996). O foco desta pesquisa, portanto, se refere a fatores ideológicos e motivações que pesam sobre os tradutores para realizarem sua tarefa, que contam não só com sua subjetividade, mas também, com as exigências das editoras, a necessidade e o gosto dos diferentes consumidores a quem se destinam essas traduções. Procura-se demonstrar – principalmente com base na teoria dos polissistemas, de Even-Zohar e Gideon Toury, bem como nas suas derivações encontradas em André Lefevere, dentre outros – aspectos que comprovem a tradução como um processo de reescritura.

11) Texto e paratexto em traduções do Fausto de Goethe

Pedro Theobald (PUCRS)

A gênese do Fausto, que ocupou Goethe pela vida inteira, encontra um paralelo nas traduções brasileiras dessa obra. Jenny Klabin Segall começou sua tradução em 1938, publicando a primeira parte em 1943 (Companhia Editora Nacional), mas seguiu trabalhando no texto até 1967. A edição completa de ambas as partes apareceu em 1987 (Editora Itatiaia), com prefácios e um posfácio. A mesma tradução teria uma nova edição, em dois volumes, bilíngue, em 2004 (Editora 34), com apresentação, comentários, notas e ilustrações. Como essas diversas edições da tradução de Segall podem ter contribuído para aproximar o texto de Goethe do público brasileiro e de que forma os comentários de professores e intelectuais de renome podem ter influenciado essa aproximação é o que discutiremos na presente comunicação. Serão incluídas nas considerações as traduções de Sílvio Meira (Editora Três, 1974) e Haroldo de Campos (década de 1980).

12) Tradutores de romances de Machado de Assis para o inglês: os metatextos na dinâmica do processo tradutório em retraduções

Válmi Hatje-Faggion (UnB)

Nesta pesquisa, o objetivo é mostrar que alguns dos tradutores de romances de Machado de Assis para o inglês elaboraram textos sobre sua prática tradutória e que acompanham ou não a obra traduzida publicada. As diferentes instâncias discursivas em que essas obras traduzidas se concretizam revelam as escolhas efetuadas pelos tradutores e também as motivações de diferentes agentes institucionais e ordens de natureza política, ética, cultural, econômica para garantir a circulação de obras literárias brasileiras no mundo de língua inglesa. A existência de metatextos (Bassnett, Lefevere, Newmark) publicados em diferentes ocasiões que incluem entrevistas dos tradutores, textos de palestras, livros, comentários, artigos, bem como as notas de tradutor, introdução, prefácios, posfácios e notas de rodapé que acompanham a obra traduzida podem revelar razões que se fazem presentes na dinâmica do processo tradutório ao apresentar um romance brasileiro para o mundo de língua inglesa em múltiplas traduções.

13) Variações na tradução do título de Les lauriers sont coupés

Josina Nunes Magalhães Roncisvalle (POSTRAD– UnB)

Este trabalho enfoca as traduções do título do romance Les lauriers sont coupés, de Édouard Dujardin (1861-1949), poeta, dramaturgo, romancista e ensaísta francês, nas duas traduções brasileiras da obra. No Brasil, foram publicadas duas traduções de Les lauriers sont coupés, obra seminal quando se fala do romance moderno. A primeira das traduções, publicada pela Editora Globo, em 1989, tem tradução de Élide Valarini. Essa edição traz o título A canção dos loureiros(Les lauriers sont coupés). Além do antológico prefácio de Valery Larbaud, ela apresenta ainda um posfácio da tradutora. No final, inclui uma Nota Bibliográfica, datada de Agosto de 1924. A outra tradução, o título foi traduzido literalmente, Os loureiros estão cortados, sem menção ao título em francês. Não apresenta o prefácio de Larbaud, mas um texto do autor, crítico e tradutor Donaldo Schüler e um prefácio da tradutora, Hilda Pedrollo.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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