Simpósio: Literatura brasileira traduzida para o estrangeiro: texto e paratexto

Coordenadoras:
Márcia Valéria Martinez de Aguiar (USP)
Maria Cláudia Rodrigues Alves (IBILCE – UNESP)

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O presente simpósio pretende acolher estudos relativos a distintas fases do percurso tradutório dos textos originais à sua recepção no exterior. Trata-se de comentar uma tradução considerada não apenas em seus aspectos linguísticos, mas inserida em suas condições de produção e de recepção. Ganham relevância a análise de elementos paratextuais, conforme definição de Gérard Genette (Seuils. Paris: Seuil, 1987, pp. 10-11), relacionados à análise de peritexto editorial (espaço físico da obra) ou de seu epitexto (elementos referentes à obra, porém exteriores à mesma), assim como a leitura dos artigos críticos que acolheram o lançamento da versão de uma obra para uma língua estrangeira. Nosso objetivo é propiciar a reflexão sobre a imagem de um autor ou de um país produzida, pelo mercado editorial externo, junto ao leitor estrangeiro.

Local: Sala 207, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 A tradução de Casa grande e senzala em francês
Gloria Carneiro do Amaral
(FFLCH/USP e Mackenzie)Escrita fora da linha: o paratexto nas traduções de obras brasileiras da Alfred Knopf Publisher
Marly d’Amaro Blasques Tooge
(USP)
13:30-15:00 Paratradução na literatura infantil: uma análise das ilustrações de Ziraldo
Elisa Oliveira Câmara
(UNICAMP)
Legibilidade do paratexto na versão italiana de Capitães da areia, de Jorge Amado
Leila Beatriz Azevedo Ponciano
(FALE/UFMG)Estudo de capas de Agosto, de Rubem Fonseca
Maria Cláudia Rodrigues Alves
(IBILCE/UNESP)
15:30-17:00 São Bernardo em francês, uma tradução influenciada pela tradução inglesa
Raquel Lima Botelho Casillo Vieira
(Universidade Presbiteriana Mackenzie)
Do sertão para os boulevards: Grande sertão: veredas
Ana Maria Bicalho
(UFBA)
Ritmo e historicidade nas versões francesas de Grande sertão: veredas
Márcia Valéria Martinez de Aguiar
(USP)

RESUMOS

1) A tradução de Casa grande e senzala em francês
Gloria Carneiro do Amaral – FFLCH/USP – Mackenzie

A fascinação de Roger Bastide pela obra de Gilberto Freyre levou-o a fazer a única tradução de sua carreira, a de Casa Grande e Senzala para o francês, em 1952, reeditada pela Gallimard em 1974, confirmando o interesse do público francês pela obra do sociólogo brasileiro.
Trata-se nesta comunicação de discutir como foi recebida essa tradução e quais os equívocos e acertos do tradutor – francês não especializado em tradução, com deficiências no conhecimento de um léxico específico, mas empenhado e entusiasmado.
Palavras-chave: Roger Bastide, Casa grande e senzala, Gilberto Freyre, tradução.

2) Do sertão para os boulevards: Grande sertão: veredas
Ana Maria Bicalho – Universidade Federal da Bahia – Instituto de Letras

Este trabalho pretende analisar a tradução do romance brasileiro Grande Sertão Veredas discutindo como ela reconstrói a obra de Guimarães Rosa. A análise aborda questões referentes às escolhas do tradutor diante de signos específicos da nossa cultura identificando as soluções encontradas pelo tradutor francês para a recriação de elementos linguístico-culturais específicos do sertão que passam a se inscrever em outro sistema linguístico-cultural. Esta proposta se insere na área dos Estudos da Tradução e se propõe a discutir questões relacionadas à importância e à autonomia do ato tradutório e aos fatores que influenciaram o processo tradutório dessa obra. A análise trará à tona as relações entre tradução, contexto cultural e sistema literário, demonstrando que o processo de recriação é afetado não apenas pela forma como o texto será traduzido, mas também pelo momento em que determinada cultura solicita a tradução.
Palavras-chave: sertão, polissistemas, cultura, Guimarães Rosa.

3) ESCRITA FORA DA LINHA: O paratexto nas traduções de obras brasileiras da Alfred Knopf Publisher.
Marly D’Amaro Blasques Tooge – doutoranda FFLCH/USP

Entre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, a literatura estrangeira traduzida foi vista pelo governo dos Estados Unidos e por intelectuais da época como ferramenta para conhecer a cultura do “outro” e como instrumento para fortalecer alianças políticas. Inúmeras obras brasileiras foram traduzidas para o idioma inglês e levadas para os Estados Unidos através da editora de Alfred Knopf. Nesse período, os jornais norte-americanos atuaram como veículos das opiniões de agentes literários e funcionaram como construtores de imagens das nações estrangeiras. Esta comunicação enfoca o período entre a Segunda Guerra Mundial) e a publicação do primeiro best-seller brasileiro nos Estados Unidos (Gabriela, clove and cinnamon), mostrando a relação entre a atividade de tradução, a produção de paratextos e a representação cultural brasileira na época.
Palavras chave: Tradução, representação, paratexto, Alfred Knopf, identidade.

4) Estudo de capas de Agosto, de Rubem Fonseca
Maria Cláudia Rodrigues Alves – IBILCE – UNESP

Agosto, de Rubem Fonseca, foi publicado na França com o título de Un été brésilien. Essa opção dos editores que desconsideraram a opinião do tradutor, Philippe Billé e sequer consultaram o autor, já se tornou anedota nos meios dos estudos de tradução. O título, impresso na capa, é o que se dá de imediato a ver ao potencial público leitor e é revelador de um projeto editorial que privilegia a obra, o mercado, ou ambos. O eventual grafismo que acompanha a informação é outro elemento que define o produto oferecido, completando o conjunto visual. Partindo das capas da edição francesa de Agosto, brochure e poche, objetos iniciais de nossos estudos, interessa-nos observar e analisar outros paratextos iconográficos, opções editoriais estrangeiras dessa mesma obra, na busca de um panorama que nos dê indícios do que se pretende, atualmente, em termos editoriais, dar como imagem do Brasil e de sua literatura ao público leitor estrangeiro.
Palavras-chave: Rubem Fonseca; Agosto; paratextos iconográficos; capas; recepção.

5) Legibilidade do paratexto na versão italiana de Capitães da Areia de Jorge Amado
Leila Beatriz Azevedo Ponciano – Mestranda em Estudos Linguísticos – FALE – UFMG

Nosso trabalho fundamenta-se na concepção de paratexto como ponte que possibilitará a interação entre o leitor e o texto e de que a tradução tem como desafio transportar para a língua de chegada, muito mais que as estruturas da língua de partida. Analisamos, através do cotejo com a obra original, a capa e contracapa da versão italiana de Capitães da Areia, observando as mudanças e adaptações feitas e se contribuíram para a legibilidade. Esse estudo busca evidenciar a importância do paratexto, ressaltando como o contexto imediato: a capa e a contracapa produzem um efeito global de significação em seu leitor, que se traduz principalmente na identificação dos temas tratados e na apreensão de certos elementos que introduzem a leitura e possibilitam inferências. Em nossa pesquisa, ressaltamos em que medida alguns elementos paratextuais podem direcionar o entendimento do leitor e como as estratégias discursivas adotadas pelo editor e tradutor contribuem para a legibilidade do texto traduzido.
Palavras-chave: Capitães da Areia, paratexto, legibilidade.

6) Paratradução na literatura infantil: uma análise das ilustrações de Ziraldo
Elisa Oliveira Câmara – Mestranda Unicamp

Recentemente, os Estudos da Tradução têm adquirido um caráter transdisciplinar, dada a necessidade de se considerar, na tarefa do tradutor, aspectos além do texto “em si”, como questões culturais, históricas, sociais, políticas, ideológicas, dentre tantas outras (BALTRUSCH, 2008). Com isso, percebe-se a necessidade de que o tradutor considere em sua tarefa outros elementos presentes no texto traduzido – os paratextos – e cria-se a noção de paratradução, partindo-se do pressuposto de que se não existe nem nunca existiu um texto sem seus correspondentes paratextos (GENETTE, 2009), também não deve existir tradução sem sua correspondente paratradução (FRÍAS, 2007). Considerando essa questão, pretende-se analisar um caso específico de paratradução na literatura infantil de Ziraldo, buscando mostrar de que modo a paratradução pode afetar
a recepção do leitor e reforçar a importância de que essa tarefa seja realizada de maneira consciente, levando em conta as questões mencionadas acima.
Palavras-chave: Ziraldo, paratextos, literatura infantil, tradução.

7) Ritmo e historicidade nas versões francesas de Grande sertão: veredas
Márcia Valéria Martinez de Aguiar Pós-doutoranda – FFLCH/USP

A ideia que uma obra literária não se resolve nela mesma não é nova. No domínio da tradução, a concepção de que um texto guardaria uma única verdade que deveria ser transposta em suas versões para outras línguas já foi rejeitada por teorias como a desconstrução, os polissistemas de Even-Zohar, a significância desenvolvida por Mário Laranjeira, o ritmo de Henri Meschonnic.Todas elas afirmam, de diferentes pontos de vista, a importância da contextualização histórica e cultural do original e da tradução.
Consideramos particularmente interessante para a análise da obra de João Guimarães Rosa, o conceito de oralidade desenvolvido por Henri Meschonnic, pois, nele, as velhas dicotomias como forma e conteúdo, sujeito e objeto são refundidas a partir da noção central de um sujeito que se constitui na linguagem.
É nela, pois, que vamos nos apoiar para examinar as duas diferentes perspectivas adotadas pelos tradutores na publicação de Grande sertão: veredas na França dos anos 1960 e 1990. Enfocaremos a dialética que se estabelece entre original e tradução, mediada por seus respectivos contextos de produção e iluminada, posteriormente, pelas críticas que as acolheram.
Palavras-chave: Grande sertão: veredas, tradução, Meschonnic, recepção.

8) São Bernardo em francês, uma tradução influenciada pela tradução inglesa
Raquel Lima Botelho Casillo Vieira (Universidade Presbiteriana Mackenzie)

Esta comunicação é fruto de minha pesquisa de doutorado e propõe-se a estabelecer e a examinar a relação entre duas traduções do romance São Bernardo de Graciliano Ramos: uma em língua inglesa e outra em língua francesa. Separadas pela língua e pelo intervalo de onze anos, nossa tese é de que a tradução inglesa se constitui uma tradução modelo e, a francesa, uma tradução informada. Os conceitos de tradução modelo e tradução informada foram criados por nós para atender às necessidades de nossa pesquisa; o primeiro nos foi inspirado pela leitura das correspondências entre Guimarães Rosa e seu tradutor alemão Curt-Meyer-Clason (1963 e 1965), enquanto o segundo foi desenvolvido a partir dos conceitos de primeira tradução, e de retradução, lançados por Antoine Berman (1990). Como fio condutor da discussão sobre esses textos que habitam três línguas-cultura distintas, lançou-se mão dos marcadores culturais a fim de estabelecer de que maneira e em que níveis a tradução inglesa informa a tradução francesa.
Palavras-chave: Graciliano Ramos, São Bernardo, retradução, tradução modelo, tradução informada.

 

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

One thought on “Simpósio: Literatura brasileira traduzida para o estrangeiro: texto e paratexto

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