Simpósio: Interpretação de Conferências: História, Formação e Prática

Coordenadores: Patrícia Ramos Reuillard (UFRGS) e Tito Lívio Cruz Romão (UFC)

Haverá intérpretes de LIBRAS - fundo preto

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No Brasil, a interpretação de conferências (interpretação simultânea, consecutiva, sussurrada etc.) é uma atividade que nem sempre pressupõe uma formação prévia dos profissionais que a exercem. Como não há um reconhecimento da profissão de intérprete de conferências, e não há neste país uma tradição na formação de intérpretes em cursos superiores e/ou técnicos, os intérpretes brasileiros aprendem o ofício, não raro, mediante sua imersão neste campo profissional extremamente necessário. É notável como a relevância da interpretação ganha cada vez mais forma e força num mundo em que as distâncias estão cada vez menores e as relações entre os países, cada vez mais estreitas. Tomando por base conceitos e modelos básicos da formação de intérpretes e da prática da interpretação adotados e disseminados por autores como Danica Seleskovitch e Marianne Lederer(1993), Daniel Gile (1995), Hans J. Vermeer (1990), Mira Kadric (2001), Franz Pöchhacker (2004), Mary Snell-Hornby (2006), dentre outros, este simpósio visa a tratar de temas concernentes à formação do intérprete no Brasil e/ou no exterior, à prática da interpretação em suas diferentes formas, assim como às questões profissionais e legais decorrentes do trabalho do intérprete. Igualmente bem-vindas são reflexões sobre a história da interpretação no Brasil e em outros países, bem como sobre aspectos de pesquisas interdisciplinares que envolvam a interpretação de conferências.

 

Local: Sala 207, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 O mercado da interpretação de conferências no Brasil e a formação dos intérpretes
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard (UFRGS)
Tomada de notas na tradução consecutiva: proposta de modelo para o português
Luciana da Silva Cavalheiro (UFRGS)
A técnica de anotações de Heinz Matyssek para interpretação consecutiva
Tito Lívio Cruz Romão (UFC)
15:30-17:00 Fidelity in conference interpreting and its interface with ethics
Fatiha Dechicha Parahyba (UFPE)
Relação palestrante/intérprete
Júnia Guimarães Botelho – Tradutora juramentada (JUCESP)
A tradução e interpretação de conferência português/Libras. Formação legal versus formação real
Sandro Rodrigues da Fonseca (UFRGS)
Vinicius Martins Flores (UFRGS)

RESUMOS

1) A técnica de anotações de Heinz Matyssek para interpretação consecutiva

Tito Lívio Cruz Romão (UFC)

Heinz Matyssek foi professor do Curso de Formação de Tradutores e Intérpretes da Universidade de Heidelberg, onde ministrava a disciplina de Técnica de Anotações em Interpretação Consecutiva. Ali ajudou a formar gerações de intérpretes com diferentes combinações de idiomas. Esta comunicação tem por fim apresentar os recursos gerais utilizados por Matyssek para criar e desenvolver sua técnica, que se baseia fortemente na utilização de símbolos supralinguísticos. Deste modo, o alfa grego (α), p.ex., representa a noção de “trabalho”, mas também de “travail”, “work”, “Arbeit”, “lavoro”, “trabajo” etc. Aqui serão analisados estes aspectos: bloco ideal de anotações, distribuição e manuseio das notas, semântica e gramática das notas etc. O autor desta comunicação, que foi aluno de Heinz Matyssek, também tentará mostrar como é possível um intérprete criar, a partir dos conceitos básicos do método ora apresentado, novos símbolos que poderão ser incorporados à sua técnica pessoal de anotações.
Palavras-chave: interpretação consecutiva, técnica de anotações.

2) A tradução e interpretação de conferência português/Libras.
Formação legal versus formação real

Sandro Rodrigues da Fonseca (UFRGS)
Vinicius Martins Flores (UFRGS)

Este trabalho apresenta os resultados iniciais de um estudo sobre a capacitação de intérpretes de Libras no programa de formação em extensão universitária, sob a luz dos estudos da tradução e do bilinguismo. Inicia com uma comparação entre a formação universitária requerida na legislação e a realidade da formação em curso de extensão universitária. O estudo justifica-se pela necessidade de reflexão sobre a formação de intérpretes e de pensar o currículo deste profissional de acordo com a realidade linguística no estado do Rio Grande do Sul, considerando que é a única modalidade de interpretação com uma legislação específica e teste de habilitação promovido pelo governo federal. O estudo analisa o ingresso do aluno e suas características, as dificuldades do processo de formação em período curto, bem como estratégias formativas necessárias para suprir a exigência de um intérprete com habilidade de lidar com cenários exigentes que utilizam a interpretação simultânea.
Palavras-chave: intérpretes de libras; formação; capacitação; extensão universitária.

3) Fidelity in conference interpreting and its interface with ethics

Fatiha Dechicha Parahyba (UFPE)

This work analyses the use of offensive or insulting language in a setting where interpretation is required. Being ethical and faithful are among many duties that interpreters should seek and implement. Interpreter education dictates that interpreters use the equivalent in the target language and show no reaction, bearing in mind that such language is not theirs. Based on the assumption that the norms of conduct serve as a reference in people’s lives, when offensive language is used and faithfully interpreted, presumably, there is a breakdown in agreed norms. This study investigates how far the interpreter code of ethics prevails on such occasions. It looks at violations of code of ethics mainly caused by factors such as interpreter’s beliefs, attitudes, culture and reactions and their relevance on interpreting decision-making. Moreover, it examines whether interpreters use some resources to soften the impact on the listeners when rendering offensive language into the target language. If a choice is made not to translate or to down tone the unfriendly message, how can such decisions be viewed in the perspective of both interpreter´s duties and client’s rights?
Palavras-chave: interpreter’s duties; offensive language; client’s rights.

4) O mercado da interpretação de conferências no Brasil
e a formação dos intérpretes

Patrícia Chittoni Ramos Reuillard (UFRGS)

Esta comunicação tem o objetivo de compartilhar os dados de uma pesquisa quantitativa e qualitativa sobre a formação de intérpretes de conferência no Brasil. Embora exija uma formação distinta da tradução escrita e uma série de competências diferenciadas, essa atividade profissional, em ampla expansão em nosso país devido ao papel que o Brasil vem assumindo no mercado internacional, é, em grande parte, exercida por profissionais ad hoc. A pesquisa desenvolve-se em dois níveis: levantamento e nível dos cursos de interpretação oferecidos no Brasil (extensão, graduação ou pós-graduação), configuração dos cursos, currículos, línguas oferecidas, exigências de admissão, equipamentos disponíveis, corpo docente, etc.; verificação da demanda de mercado e estabelecimento do perfil dos intérpretes que atuam no Estado Rio Grande do Sul. O objetivo final da pesquisa é acumular informações sobre a demanda desse profissional tanto no RS quanto nos demais estados brasileiros e sobre as necessidades específicas de capacitação e qualificação para, futuramente, reativar a formação de intérpretes.
Palavras-chave: intérprete de conferências; formação acadêmica; mercado profissional; perfil do intérprete.

5) Relação palestrante/intérprete

Júnia Guimarães Botelho – Tradutora juramentada (JUCESP)

A opinião de profissionais extremamente competentes é: interpretação é rapidez. O raciocínio funciona de diferentes maneiras, no entanto. Não é uma questão de técnica, mas de perfil. Treinamos a concentração, a rapidez, aprendemos a ser pacientes, porém aquilo que somos não se reestrutura, nem se transforma. O ritmo de cada um não é uma escolha, podemos melhorá-lo, mas não chegaremos ao aperfeiçoamento. Os passos dependem do tamanho de nossas pernas. O intérprete tem de aprender todos os dias. Adaptar-se, moldar-se. Escutar. Ouvir. Entender. Memorizar. Sincronizar. Sem julgar, sem dar palpites, renunciando às suas crenças, paixões, idiossincrasias, ideologias. A palavra é do outro e neste momento eu sou o outro. Desafio: gerar a comunicação. Os problemas de comunicação começam na relação palestrante/intérprete. As pessoas se esquecem da necessidade de fazer pausas. O palestrante quer imperativamente acabar sua ideia e concluir um conceito. O tradutor conhece o tema? Foi-lhe oferecido material de apoio para termos técnicos? A gama de assuntos é ampla, não se escolhe o tradutor especialista. Ele é tradutor. Isto deveria ser suficiente. Não é.
Palavras-chave: relação palestrante/intérprete; técnica e perfil do intérprete.

6) Tomada de notas na tradução consecutiva: proposta de modelo para o português

Luciana da Silva Cavalheiro (UFRGS)

Esta comunicação busca apresentar a primeira parte de um estudo de Mestrado, que se debruçará sobre a interpretação consecutiva de conferências – reformulação oral em língua de chegada após enunciação de um texto oral em língua de partida (Jimenez, 1999; Albir, 2001) –, estudando os métodos de tomada de notas. O objetivo principal deste estudo é propor um método de tomada de notas específico para as interpretações do par de línguas francês-português. Por tomada de notas, entende-se o conjunto de referências destinadas a facilitar a reformulação do discurso na segunda fase da interpretação. A etapa inicial da pesquisa identificará as metodologias existentes para a armazenagem de informações – sistema de símbolos, sistema gramatical particular, etc. –, em diferentes línguas, e aperfeiçoamento da “competência interpretativa”. Partiremos de um levantamento bibliográfico, seguido de entrevistas com profissionais que atuam no mercado da interpretação.
Palavras-chave: tomada de Notas; interpretação consecutiva; intérprete de conferências; método.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

Alemão: Melanie Strasser

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