Simpósio: Interfaces do léxico e o léxico em tradução

Coordenadoras:
Claudia Zavaglia (UNESP, São José do Rio Preto)
Adriana Zavaglia (USP)

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Como um conjunto aberto, sem fronteiras, que se movimenta dinamicamente no tempo e no espaço, o léxico de cada uma das línguas representa-as culturalmente e, por isso, também as torna particulares e singulares. Em uso, quando enunciado, o léxico organiza-se na lógica dos sujeitos de forma padronizada (colocações, coligações, fraseologias) ou inusitada (quebra de padrões, por exemplo, na literatura). A complexidade da relação lexical entre duas línguas abre um campo bastante amplo de possibilidades de pesquisa, seja no diálogo interdisciplinar que ela propicia, seja na heterogeneidade de pontos de vista que ela cria. Considerando essa complexidade, o presente simpósio abre um espaço de discussão sobre o léxico em tradução, considerando suas interfaces possíveis. São benvindos trabalhos sobre lexicologia e lexicografia bilíngue, lexicografia especializada bilíngue, fraseologia e fraseografia bilíngue e linguística de corpus.

 

Local: Auditório CSE

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Higiene pessoal e banheiros: aspectos culturais em um dicionário bilíngue português-italiano
Paola Baccin (USP)
Fraseologias terminológicas em tradução
Luciane Leipnitz (UFPB)
Tradução e Lexicografia Jurídicas no Brasil – considerações sobre Dicionários Jurídicos Português-Inglês brasileiros tendo em vista os condicionantes culturais dos sistemas e linguagens jurídicas envolvidas.
Marieta Giannico de Coppio Siqueira Nobile (Tradutora Pública e Intérprete Comercial – JUCEPAR)
As cores na terminologia da fauna e flora: a composição e a tradução das expressões cromáticas especializadas
Sabrina de Cássia Martins (UNESP)
O lugar da tradução em um dicionário para a compreensão escrita em francês língua estrangeira
Sandra Dias Loguercio (UFRGS)
Os dicionários bilíngues, as línguas que espelham e a competência para interpretar as suas informações
Félix Bugueño Miranda (UFRGS)
Mecanismos de gramaticalização: a reanálise nas construções com verbo-suporte do par de línguas alemão-português
Eva Maria Ferreira Glenk (USP)
A analogia como possível mecanismo da mudança na gramaticalização dos verbos-suporte do alemão e do português
Maria Helena Voorsluys Battaglia (USP)
A formação do conceito na unidade lexical e sua relação com o ato tradutório
Vanice Latorre (USP)
13:30-15:00 Terminologia histórica em literatura: questões de tradução
Carolina Poppi Bortolato (USP)
Tradução comentada de uma obra de Claude Bernard, médico fisiologista francês do século XIX
Christine Janczur (USP)
Adriana Zavaglia (USP)
Expressões idiomáticas tabus: uma proposta lexicográfica bilíngue
Vivian Orsi (UNESP)
Dicionários bilíngues português/espanhol e a tarefa de descrição dos etnônimos injuriosos
Deni Yuzo Kasama (UNESP)
Angélica Karim Garcia Simão (UNESP)
Análise da lexia MAL por uma abordagem lexicográfica bilíngue diferencial
Gisele Galafacci (USP)
15:30-17:00 Colocações verbais e nominais em italiano dos campos lexicais ensino e dinheiro: propostas de tradução para um dicionário bilíngue
Angela Maria Tenório Zucchi (USP)
O estereótipo de masculinidade de brasileiros e italianos no léxico das publicidades das revistas Veja e l’Espresso
Edson Roberto Bogas Garcia (UNIFEV e IMES)
Verbi procomplementari – entre o dicionário e a tradução
Roseli Dornelles dos Santos (USP)
Análise de expressões idiomáticas de língua francesa e suas possíveis equivalências em português brasileiro
Carla de Mojana di Cologna Renard (USP)
A equivalência na Lexicografia Bilíngue
Claudia Zavaglia (UNESP)

RESUMOS

1.
A analogia como possível mecanismo da mudança na gramaticalização dos verbos-suporte do alemão e do português
Maria Helena Voorsluys BATTAGLIA
Departamento de Letras Modernas (DLM), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: verbo-suporte, gramaticalização, analogia

Este trabalho se insere no âmbito do projeto de dicionário digital de construções verbais alemão-português do Brasil e tem por objetivo descrever os verbos-suporte de ambas as línguas em construções com verbo-suporte (CVS) a partir da gramaticalização. A gramaticalização pode ser observada tanto do ponto de vista diacrônico quanto sincrônico. Se, no início, a reanálise era entendida como sendo o mecanismo da mudança na gramaticalização, atualmente mais e mais estudos consideram também a analogia e a extensão como mecanismos da gramaticalização. Lehmann (2004:162) fala de uma gramaticalização pura, sem analogia, e de uma gramaticalização por analogia quando ocorre uma mudança a partir de um modelo pré-existente. Além disso, há outras concepções, como a de Kiparsky, que defende, como norma, uma interação maior entre a analogia e a reanálise. Em vista das mudanças dos verbos suporte nas CVS, como a dessemantização, pretende-se verificar em que medida a analogia, entendida como um processo metafórico, entra no processo da gramaticalização do verbo-suporte.

2.
A equivalência na Lexicografia Bilíngue
Claudia ZAVAGLIA
Departamento de Letras Modernas (DLM), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Palavras-chave: lexicografia, dicionário bilíngue, equivalência.

A presente proposta tem por objetivo discutir a noção de equivalência em projetos lexicográficos bilíngues para o par de línguas italiano e português. A partir de exemplos concretos extraídos de dois recentes empreendimentos para a elaboração de dicionários bilíngues, quais sejam, o Dicionário Multilíngue de Regência Verbal – DMRV (direção português-italiano) e a Multilingual Dictionaries Series – MLDS/K Dictionary (direção italiano-português), serão tecidos comentários sobre a incessante (e frustrante) busca de itens ou expressões lexicais que contenham a mesma distribuição num contexto para uma língua de chegada a partir de outra de partida. Segundo Milton (2010), o mérito da preservação e da transmissão do conteúdo do texto original deveria se sobrepor à forma como ele chegaria à língua-alvo. Nesse sentido, as noções de forma e conteúdo tornam-se imprescindíveis, levando a debates sobre os limites da possibilidade de tradução e da equivalência entre línguas, máxime para a Lexicografia Bilíngue.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MILTON, J. Tradução: teoria e prática. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

3.
Análise da lexia MAL por uma abordagem lexicográfica bilíngue diferencial
Gisele GALAFACCI
Mestranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (ELLTF), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: lexicografia, dicionário bilíngue, palavras gramaticais.
Considerando as limitações que os dicionários bilíngues (português-francês), disponíveis para os falantes de língua portuguesa do Brasil, apresentam quando da necessidade do consulente de transpor enunciados produzidos na língua materna para o francês, devido às lacunas nas suas microestruturas quanto à contextualização e detalhamento dos possíveis usos das marcas, sobretudo daquelas consideradas gramaticais, o presente trabalho tem como objetivo analisar a lexia mal por uma abordagem lexicográfica bilíngue diferencial que se insere na perspectiva da elaboração do Dicionário Relacional (português-francês) – DIRE, ao qual está ligado meu projeto de pesquisa. A partir do levantamento desta marca em corpora paralelos, os quais são constituídos de textos autênticos em língua portuguesa e suas respectivas traduções em língua francesa, padrões lexicais fraseológicos e colocacionais, bem como padrões gramaticais e de prosódia semântica podem ser detectados e analisados a partir da observação dessas ocorrências em contexto, o que viabiliza a proposta de elaboração de um verbete que apresente a polissemia da lexia estudada, cuja definição é resultante da análise dos padrões observados. Além disso, trata-se de uma abordagem pela qual as acepções da lexia são apresentadas de forma contextualizada devido à disponibilização de exemplos que ilustram a sua polissemia.

4.
Análise de expressões idiomáticas de língua francesa e suas possíveis equivalências em português brasileiro
Carla de Mojana di Cologna RENARD
Mestranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (ELLTF), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: lexicologia, expressões idiomáticas, literatura.

Andrée Chedid, poeta e escritora franco-egípcia de origem libanesa, apropriava-se de forma apurada do léxico francês. Suas obras – poemas, romances e novelas – foram traduzidas em cerca de quinze idiomas, com exceção do português. A observação do uso lexical por parte da autora, rico e complexo na língua de origem, torna-se ainda mais interessante durante o ato tradutório interlingual para o português brasileiro – objetivo de nossa pesquisa –, inicialmente devido ao seu gênero de predileção: a prosa poética. Ainda, ao analisar sua obra L’enfant multiple, percebe-se que um dos marcadores culturais mais fortes e presentes são as expressões idiomáticas, o que determina o desafio específico de verificação e busca de possíveis equivalências na língua alvo. O presente trabalho visa a discutir algumas expressões e suas possíveis equivalências, como “être couché en chien de fusil”, “rapporter gros”, “ne pas se faire prier” e “y être pour quelque chose”.

5.
As cores na terminologia da fauna e flora: a composição e a tradução das expressões cromáticas especializadas.

Sabrina de Cássia MARTINS
Doutoranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (EL), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Palavras-chave: expressões cromáticas especializadas, fauna, flora.

É sabido que o léxico é impregnado por características culturais que atuam ativamente na interpretação e categorização da realidade, evidenciando a diversidade linguística entre as nações. Entendendo o léxico como um conjunto aberto e em constante expansão, que acompanha as necessidades de nomeação de cada comunidade, cada língua usa de alguns artifícios que contribuirão para a formação de novas denominações, tais como a utilização do vocabulário das cores. A presente comunicação trará algumas considerações sobre o uso de tal fatia lexical na terminologia da fauna e da flora em língua portuguesa, atentando para disparidades ou semelhanças na composição de seus correspondentes em línguas italiana e inglesa, bem como instigará a reflexão sobre aspectos sócio-históricos e culturais que influenciam na formação e tradução das expressões cromáticas especializadas.

6.
Colocações verbais e nominais em italiano dos campos lexicais ensino e dinheiro: propostas de tradução para um dicionário bilíngue.
Angela Maria Tenório ZUCCHI
Departamento de Letras Modernas (DLM), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: colocações, corpus jornalístico, glossário bilíngue.

As colocações são combinações de palavras, formadas por base e colocado, caracterizadas pela recorrência, não idiomaticidade e arbitrariedade no uso (Tagnin, 1998). A arbitrariedade faz das colocações um fator de dificuldade na produção de um aprendiz em língua estrangeira, já que as combinações podem diferir de sua língua materna e a língua de estudo. Visando ao ensino das colocações, elaborei um glossário temático (ensino e dinheiro), com exemplos autênticos, baseados em corpus jornalístico (Zucchi, 2002). Aqui, vou apresentar a metodologia empregada para a seleção das colocações e dos exemplos autênticos no glossário e propor possíveis traduções para o português de colocações em italiano, com seus respectivos exemplos baseados em corpus de língua autêntica, agora, em português. Essa proposta fará parte do dicionário pedagógico bilíngue Cantiere di Parole, organizado pela Profa. Paola Baccin. Esse dicionário será útil não só a aprendizes, mas também a tradutores.

7.
Dicionários bilíngues português/espanhol e a tarefa de descrição dos etnônimos injuriosos

Deni Yuzo KASAMA
Doutorando (CNPq) junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (EL), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Angélica Karim Garcia SIMÃO
Departamento de Letras Modernas (DLM), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Palavras-chave: etnônimos injuriosos, dicionário bilíngue, marcas de uso.

Não obstante a larga difusão da língua espanhola, no Brasil, há carência de dicionários bilíngues português-espanhol. Pesa ainda o fato de haver uma concepção geral de que a semelhança lexical das línguas portuguesa e espanhola torna o uso de dicionários prescindível. Entretanto, cada cultura codifica linguisticamente informações que lhe são próprias e que impactam o seu léxico. Apresentamos a problemática da tradução dos etnônimos injuriosos, categoria lexical culturalmente marcada e estereotipada, que exige do tradutor ferramentas que lhe permitam traduzi-los coerentemente, de modo que a ofensa mantenha-se, semântica e pragmaticamente, na língua de chegada. Entendemos que os dicionários bilíngues deveriam marcar tal uso como sendo de conotação ofensiva e/ou depreciativa. Propomos, a partir de uma lista de etnônimos injuriosos, uma análise dessas unidades lexicais em três dicionários bilíngues, verificando ainda marcas de uso nessas acepções em dois dicionários monolíngues espanhóis.

8.
Expressões idiomáticas tabus: uma proposta lexicográfica bilíngue
Vivian ORSI
Departamento de Letras Modernas (DLM), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Palavras-chave: expressões idiomáticas tabus, fraseologismos, lexicografia bilíngue.

Em nossa pesquisa, partimos da consideração de que uma língua não é um somente um instrumento apto à comunicação, mas desempenha uma função simbólica extremamente relevante em meio a uma sociedade: ela é a mais viva e expressiva marca da nacionalidade e da identidade de um povo. E é no léxico que são acondicionadas todas as informações sobre o mundo, transformadas em unidade lexical (UL), elemento capaz de traduzir em uma língua as relações de ordem social, política e econômica. Assim, também as UL de carga semântica erótico-obscena, classificadas como tabus, armazenam-se nesse repertório lexical. Este trabalho direciona-se ao estudo de um campo especial referente aos verbos que nomeiam as relações sexuais e a masturbação nas línguas italiana e portuguesa, variedade brasileira, para o qual pesquisamos algumas expressões idiomáticas (EI) relativas e as metáforas que perpassam essas construções. Tendo, assim, como base a Lexicologia, perscrutamos uma sua subárea, a dos fraseologismos, e, especificamente, a dos idiomatismos: combinatórias de unidades léxicas indecomponíveis e cristalizadas, cujo significado deve ser diverso daquele considerado com base na soma dos significados singulares de seus constituintes. Desse modo, intendemos, a partir do levantamento das EI mencionadas, e com os alicerces assentados na Lexicografia, apresentar uma proposta de dicionário bilíngue de idiomatismos tabuizados. Esperamos, assim, colaborar com o preenchimento da lacuna presente no mercado lexicográfico brasileiro relativo à confecção de obras especiais na direção português-italiano.

9.
Fraseologias terminológicas em tradução
Luciane LEIPNITZ
Centro de Ciências Humanas e Artes (CCHLA), Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Palavras-chave: corpus, fraseologia, área médica

Apresento estudo em corpora para identificação de fraseologias terminológicas entre compostos nominais alemães da área médica e formas verbais coocorrentes. A pesquisa objetivou auxiliar no desenvolvimento das competências linguística e tradutória, apresentando a aprendizes de tradução o funcionamento sintagmático do par de línguas alemão-português. A partir da identificação de unidades lexicais terminológicas da área médica, buscaram-se em corpora em língua alemã seus coocorrentes verbais e, a partir dessas fraseologias terminológicas em língua alemã, levantaram-se os equivalentes em língua portuguesa. O estudo pretendeu mostrar ao aprendiz de tradução que há jeitos de dizer específicos de cada língua, fortemente influenciados pela cultura. O tradutor precisa tomar o léxico em suas relações textuais na língua de partida, buscando seus equivalentes também textuais na língua de chegada. Pretende-se ampliar o levantamento de pares fraseológicos, buscando equivalentes em língua inglesa, espanhola e francesa, para incrementar o ambiente virtual de aprendizagem de tradução, já disponibilizado em versão teste.

10.
Higiene pessoal e banheiros: aspectos culturais em um dicionário
bilíngue português-italiano

Paola BACCIN
Departamento de Letras Modernas (DLM), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)
Palavras-chave: Lexicografia bilíngue, comunicação intercultural, hábitos
Esta comunicação está inserida no âmbito da lexicografia bilíngue e da
comunicação intercultural e é parte de nossa tese de livre-docência. Alguns
aspectos da cultura do dia a dia se tornam visíveis apenas quando colocados
em confronto, ou seja, são entendidos como peculiares de uma cultura apenas
quando contrastados com hábitos culturais do próprio país. Por exemplo,
quando comparamos os delicados aspectos da higiene pessoal entre duas
culturas, há sempre desconforto, pois certas inferências e percepções podem
acentuar percepções que geram conflito ou que reforçam estereótipos
negativos. Os dados foram obtidos por meio de três instrumentos
(depoimentos, questionários abertos e questionários eletrônicos) elaborados
consecutivamente, constituindo um conjunto de 576 documentos que
evidenciaram as diferenças nas soluções habitacionais entre Brasil e Itália
e ofereceram exemplos e informações para os verbetes de um dicionário bilíngue português-italiano.

11.
Mecanismos de gramaticalização: a reanálise nas construções com verbo-suporte do par de línguas alemão-português
Eva Maria Ferreira GLENK
Departamento de Letras Modernas (DLM), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: verbos-suporte, gramaticalização, reanálise
As construções com verbo-suporte são o cerne do trabalho fraseográfico desenvolvido no âmbito do projeto de dicionário digital de construções verbais alemão-português do Brasil. Essas construções têm sido estudadas sob os mais diversos aspectos e abordagens teóricas, uma delas sendo a teoria da gramaticalização, que analisa o papel dos processos metafóricos e metonímicos na mudança linguística. Analogia e reanálise são dois desses processos discutidos no contexto da gramaticalização. Neste trabalho focaremos a reanálise, investigando até que ponto esse processo pode ser encontrado na gramaticalização dos predicados complexos com verbos-suporte em alemão e em português. A reanálise é, segundo LANGACKER (1977), uma mudança da estrutura de uma expressão ou de uma classe de expressões, que não implica uma mudança de sua estrutura de superfície. Segundo LEHMANN (2004), reanalisar uma construção significa atribuir-lhe uma outra estrutura gramatical. A reanálise desempenha um papel importante em todos os processos de gramaticalização relativos aos verbos – sejam eles construções temporais, aspectuais, modais ou de diátese, como, por exemplo, o ‘Perfekt’, a construção imperfectiva ou a passiva com ‘bekommen’ em alemão. Construções com verbo-suporte apresentam funções aspectuais e apassivadoras; o desenvolvimento dessas construções, no entanto, geralmente é descrito em termos de lexicalização e dessemantização do verbo-suporte. Este trabalho visa a determinar até que ponto ocorreram também processos de reanálise no seu desenvolvimento.

12.
O estereótipo de masculinidade de brasileiros e italianos no léxico das publicidades das revistas Veja e l’Espresso.
Edson Roberto Bogas GARCIA
Centro Universitário de Votuporanga (UNIFEV) e Instituto Municipal de Ensino Superior (IMES-Catanduva)

Palavras-chave: Lexicologia bilíngue, estereótipo, gênero

A partir de pesquisa em Lexicologia Bilíngue, cuja finalidade é proceder a um levantamento e análise de unidades lexicais presentes em publicidades impressas veiculadas pela revista Veja e pela revista L’Espresso, nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, nas quais o homem é o público-alvo selecionado ou o protagonista das ações de venda, objetiva-se averiguar se os itens lexicais, nos textos escritos publicitários, são portadores de aspectos semânticos capazes de apontar relações que caracterizem os estereótipos de masculinidade nos dois países investigados, Brasil e Itália. Para a descrição e apreciação das lexias, utilizamos a metodologia da Linguística de Corpus, por meio do programa Wordsmith Tools. Dentro dessa perspectiva, empregamos as ferramentas WordList, com o intuito de fornecer as listas de itens léxicos a serem estudados, e Concord, para perceber o seu contexto.

13.
O lugar da tradução em um dicionário para a compreensão escrita em francês língua estrangeira
Sandra Dias LOGUERCIO
Instituto de Letras (IL), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Palavras-chave: Uso de dicionário, ensino, tradução

Partindo do ensino de leitura-compreensão em francês para um público universitário e na identificação da falta de dicionários adequados a esse consulente, propomo-nos refletir sobre o que deveria caracterizar um instrumento lexicográfico destinado à leitura. Este estudo se apoia, por um lado, em duas pesquisas empíricas que investigam o uso de dicionários na situação mencionada e, por outro, na análise de vinte e um dicionários que colocam em relação as línguas materna e estrangeira. As pesquisas nos ajudam a discernir as particularidades do consulente, sua relação com o dicionário durante a atividade de leitura e suas principais necessidades relativas à consulta lexical. Já a análise das obras nos revela o que está em jogo na relação de equivalência proposta pelos dicionários bilíngues, o que pode ser útil ao consulente visado, e o que deveria ser descartado. Esse percurso nos levou a traçar princípios metodológicos para a elaboração de um dicionário que considere as dimensões cognitiva e comunicativa em tal situação, indicando, entre outros, o lugar da tradução e os elementos lexicográficos que deveriam acompanhá-la em um dicionário de apoio à leitura.

14.
Os dicionários bilíngues, as línguas que espelham e a competência para interpretar as suas informações
Félix Bugueño MIRANDA (UFRGS)
Departamento de Línguas Modernas (DLM), Instituto de Letras (IL), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Palavras-chave: Dicionário bilíngue, anissomorfismo linguístico, sistemas semióticos
Os dicionários bilíngues, pela sua intrínseca natureza contrastiva, deveriam espelhar bem o princípio do “anissomorfismo linguístico”, proposto por Ladisłav Zgusta há exatos 42 anos. No entanto, nem o princípio foi até agora bem compreendido – e muito menos aplicado –, nem a lexicografia bilíngue o converteu em uma “conditio sine qua non” da sua praxe, assim como tampouco assume totalmente os ensinamentos de Lev Ščerba. O objetivo da presente comunicação é apresentar um panorama do estado da arte da lexicografia bilíngue, considerando línguas como a portuguesa, espanhola, alemã, inglesa e latina. Ademais, se dará especial importância aos sistemas semióticos empregados pelos dicionários que espelham essas línguas no que diz respeito às informações sobre a língua e a sua interpretação por parte do potencial consulente. Como metodologia para a análise, serão empregados os princípios ativo / passivo, subsídios de linguística geral e contrastiva, entre outros. Os nossos primeiros resultados revelam que a maioria dos dicionários bilíngues nem sempre estão em um nível satisfatório.

15.
Terminologia histórica em literatura: questões de tradução
Carolina Poppi BORTOLATO
Mestranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (ELLTF), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)Palavras-chave: terminologia histórica bilíngue, Ancien Régime, literatura.

As áreas da Terminologia e da Tradução mantêm muitos pontos convergentes. Entre eles, podem ser mencionados o domínio da tradução de textos especializados e o da tradução de textos literários que apresentam unidades terminológicas (BARBOSA, 2006 e ZAVAGLIA ET AL, 2011). Quando os tradutores se encontram diante de um léxico de uma área de especialidade, é necessário que enfrentem uma série de requisitos textuais para uma prática satisfatória, como, por exemplo, a documentação relativa a esse léxico, uma vez que termos marcados culturalmente ou referentes a um dado momento da história podem apresentar diversos desafios relacionados à tradução entre línguas e culturas diferentes. Em nosso trabalho, termos em francês pertencentes à terminologia jurídica do Ancien Régime presentes na peça Les Plaideurs (1668) de Jean Racine podem ilustrar tanto a necessidade da documentação terminológica por parte do tradutor quando das dificuldades que esse tipo de tradução entre línguas pode apresentar (francês/FR e português/BR). Assim, a partir de alguns exemplos de termos relacionados à divisão das categorias dos auxiliares da justiça do Ancien Régime, procuraremos demonstrar quais são as questões e dificuldades envolvidas no processo de tradução de termos marcados culturalmente do ponto de vista histórico entre línguas e culturas diferentes.

16.
Tradução comentada de uma obra de Claude Bernard, médico fisiologista francês do século XIX.
Christine JANCZUR
Mestranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (ELLTF), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Adriana ZAVAGLIA
Departamento de Letras Modernas (DLM), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: terminologia histórica, tradução comentada, glossário bilíngue.

O presente projeto tem por objetivo fazer uma tradução comentada, do francês para o português, de uma obra clássica de importância científica e elaborar, nesse procedimento, um glossário que poderá servir, considerando aspectos históricos, de ferramenta para traduções nessa área específica do conhecimento. Para tanto, foi escolhida a obra do médico francês Claude Bernard, Introduction à l’étude de la médecine experimentale (1865), com reflexos até os dias de hoje. Seus trabalhos não influenciaram apenas a Fisiologia e a Medicina, uma vez que, recheados de reflexões, serviram para mudar a própria maneira de pensar a atividade científica como busca do conhecimento. Claude Bernard produziu vasta obra, estudada no mundo todo não só por fisiologistas, mas também por historiadores da ciência e por filósofos. Conceitos criados por ele mudaram completamente a visão da fisiologia e da medicina na sua época e o que se passou a estudar a partir de então. Ao elaborar a tradução de tal obra, daremos especial atenção ao léxico, do ponto de vista tanto da(s) área(s) do conhecimento a que pertence (aspectos terminológicos) quanto da época (aspectos diacrônicos da ciência) e do autor (estilo).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERNARD, Claude. Introduction à l´étude de la médecine expérimentale.Paris : Flammarion, 1984. (1ª ed., J. B. Baillière et fils, 1865).
17.
Tradução e Lexicografia Jurídicas no Brasil – considerações sobre Dicionários Jurídicos Português-Inglês brasileiros tendo em vista os condicionantes culturais dos sistemas e linguagens envolvidos.

Marieta Giannico de Coppio Siqueira NOBILE
Faculdade de Direito Dom Bosco

Palavras-chave: dicionário jurídico bilíngue, análise comparativa, qualidade

O dicionário jurídico bilíngue é uma das fontes mais consultadas quando se busca a tradução de termos da área. No entanto, poucos são os estudos sobre tradução e a lexicografia jurídicas no Brasil. O presente trabalho, após apresentar o método e os critérios norteadores da pesquisa, analisa comparativamente os dicionários jurídicos bilíngues português-inglês / inglês-português mais conhecidos publicados no Brasil. Para tanto, a pesquisa considera o que a doutrina especializada aponta como sendo possíveis fatores para a baixa qualidade de dicionários jurídicos bilíngues e apresenta sugestões para análises conceituais dos termos envolvidos no processo tradutório. O trabalho destaca também algumas peculiaridades e os condicionantes culturais da tradução da linguagem jurídica, tradução esta que é diretamente afetada pelos diferentes sistemas jurídicos que regulam os locais onde as línguas fonte e alvo se manifestam.

18.
Verbi procomplementari – Entre o dicionário e a tradução.

Roseli Dornelles dos Santos
Mestranda junto ao Programa de Pós-Graduação em Língua e Literatura Italiana (LLI), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências e Ciências Humanas (FFLCH), Universidade de São Paulo (USP)

Palavras-chave: verbi protocomplementari, dicionários, verbetes bilíngues

Embora frequentes no italiano neostandard, os verbos conjugados com uma ou mais partículas pronominais com significado sintagmático, como starci e farcela, também conhecidos como verbi procomplementari (De Mauro, 2000), representam uma categoria verbal ainda pouco estudada pelos linguistas e frequentemente negligenciada em dicionários monolíngues e bilíngues. Muitos desses verbos jamais receberam equivalentes em dicionários bilíngues brasileiros, fato que representa uma dificuldade para aprendizes de italiano LE e para tradutores, especialmente em relação aos verbos menos frequentes.Neste trabalho procuramos evidenciar a ainda modesta presença dessa categoria verbal nos dicionários IT-PT e a importância de um melhor tratamento lexicográfico dos procomplementari. Demonstraremos como o cotejo entre o original de uma obra literária em italiano e sua tradução em português pode constituir fonte de enriquecimento e regulação para a produção de verbetes dos procomplementari na direção IT-PT.

19.
A formação do conceito na unidade lexical e sua relação com o ato tradutório

Vanice Latorre (USP)

Palavras-chave: sistemas lexicais, formadores conceptuais, construção de sentidos

Propomos que a análise conceptual das palavras-chave de uma obra literária, enquanto ferramenta de identificação do universo linguístico e referencial de uma dada língua de partida caracteriza sua realidade, muitas vezes intransponível, para o tradutor. Sabemos que a identidade cultural de cada grupo linguístico é construída no léxico de cada uma das línguas naturais, nele refletindo esta construção. A tradução vista como a operação que presentifica e atualiza a construção de uma língua de partida, deve reconstituir os sistemas lexicais envolvidos a partir da interação que o ato tradutório enseja. Ao permitir o surgimento de novas relações que dão a conhecer a identidade cultural, social e linguística de outra realidade, possibilita também ao Homem, o acesso a uma nova cultura e a reconstrução da sua visão de mundo. Uma importante barreira que se impõe ao tradutor está, justamente, ligada à razão do fazer tradutológico: as diferenças linguísticas e culturais, principalmente aquelas que residem em obras complexas, em que um autor, como João Guimarães Rosa realça transformações lexicais através de ressemantizações e invenções linguísticas. Suas conhecidas pesquisas etnográficas realizadas nos campos gerais do nordeste de Minas Gerais e sul da Bahia, sintetizadas em sua obra, são um desafio para o falante culto do português e mesmo para o conhecedor do contexto sociocultural idiossincrático eternizado por Rosa. Uma obra clássica, da magnitude de Grande Sertão: Veredas, na qual o conhecimento temático associado aos conhecimentos de terminologia específica e aos conceitos que cada termo, de uso exclusivo dos sertanejos dos Gerais encerra, se constitui em barreira para os próprios falantes da língua portuguesa de outras regiões. As representações acerca dos fatos, concepções e visões de mundo, convenções culturais, tradições, crenças, formas de perceber, sentir, pensar e simbolizar a realidade se revelam na dinâmica lexical, produto do fazer persuasivo do sujeito enunciador, originárias das qualidades conceituais da cognição e materializadas em traços semânticos específicos, ou nos conceitos de cada unidade lexical, integrando o processo de modalização. Propomos que a análise da natureza dos formadores conceptuais (classe de noemas, caracterização semântico-conceptual e a natureza dos seus traços), nos permite compreender a intenção da manifestação linguística de um autor, e a partir do levantamento dos semas de cada unidade lexical, poderá o tradutor compreender como o sentido linguístico de cada unidade lexical foi construído.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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