Simpósio: GRÉCIA E ROMA ANTIGAS NA TRADUÇÃO DA LITERATURA CLÁSSICA

Coordenadores:
Ana Maria César Pompeu (UFC)
Roosevelt Araújo da Rocha Júnior (UFPR)

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A tradução de textos antigos da literatura grega e romana no Brasil tem sido ampliada recentemente pelos numerosos trabalhos dos novos mestres e doutores da área de literatura clássica, no entanto a publicação desses textos acontece em escala bem inferior à produção. Além do trabalho de traduzir uma língua estrangeira, o tradutor dos clássicos deve interpretar os elementos culturais distantes da nossa cultura  no espaço e mais ainda no tempo. Tal interpretação se faz, muitas vezes, através de notas ou de inovações linguísticas, que também requerem alguma explicação. As diversas revisões e atualizações, pelas quais passam as traduções, prolongam o ato de acabamento do trabalho do tradutor.  Os textos originais em grego e latim apresentam particularidades tais como a numeração de versos, na poesia, e de linhas, na prosa; a divisão de um mesmo verso entre dois ou três interlocutores nos textos teatrais; variações significativas de acordo com a edição escolhida; a existência de lacunas, entre outras. Este simpósio propõe a discussão dos aspectos relevantes da tradução dos textos literários em grego e latim clássicos para uma língua moderna, especialmente para o português brasileiro.

Local: Sala MACHADO DE ASSIS, 4º andar, CCE, bloco B

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-1 Criação e produção de tradução de teatro em Trupe
Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa
(Universidade Federal de Minas Gerais)
A TRADUÇÃO COMO DRAMATURGIA: POR UMA TRADUÇÃO PERFORMATIVA DA TRAGÉDIA GREGA.
Marcelo Bourscheid
(Universidade Federal do Paraná)
El humor en escena: los problemas de traducción de la comedia de Plauto
Romina L. Vazquez
(Universidad de Buenos Aires)
Experiencias de traducción del griego al español de algunas comedias de Aristófanes
Lic. Marcela Coria
(Universidad Nacional de Rosario, Argentina)
Recorrido generativo de Adelphoe: de la traducción filológica al texto espectacular
Equipo UBACyT 1:302011-2014
(Universidad de Buenos Aires)
13:30-15:00 O desafio de traduzir Píndaro: uma versão comentada da Sétima Nemeia
Roosevelt Araújo da Rocha Júnior
(Universidade Federal do Paraná)
Tradução de provérbios e de máximas no teatro de Sófocles
Orlando Luiz de Araújo
(Universidade Federal do Ceará)
Duas traduções brasileiras de Acarnenses de Aristófanes numa análise comparativa
Ana Maria César Pompeu
(Universidade Federal do Ceará)
15:30-17:00 Geórgicas 2.136-176: uma leitura política do campo
Liebert de Abreu Muniz
(Universidade Estadual de Campinas)
MALDIÇÕES NA ROMA ANTIGA: MATÉRIA ÚNICA, DISTINTAS DICÇÕES
Renata Cazarini de Freitas
(Universidade de São Paulo)
Metamorfoseum: reflexões de tradução
Renata Santos
(Universidade Federal de Santa Catarina)
Os desafios da tradução da prosa grega de ficção
Adriane da Silva Duarte
(Universidade de São Paulo)
“Os-vuestro-vosostros-vos”. Uso e desuso das variantes ibéricas do espanhol nas traduções latinoamericanas dos textos clássicos.
Cecilia Ugartemendía
(Universidad de Buenos Aires)

RESUMOS

1) A TRADUÇÃO COMO DRAMATURGIA: POR UMA TRADUÇÃO PERFORMATIVA DA TRAGÉDIA GREGA

Marcelo Bourscheid (UFPR-PG)
Ao analisar as razões da ausência, nos palcos contemporâneos, de representações teatrais dos textos provenientes da comédia latina, Florence Dupont (2007) encontra a chave para essa exclusão no textocentrismo derivado das concepções aristotélicas, em que o teatro como evento é substituído por um teatro como textualidade, dissociando a tragédia de seu contexto enunciativo e centrando no mythos a abordagem de um fenômeno que, em sua origem, estava ligado à mousiké, termo grego que designa a união entre palavra, música e dança. Essa mesma constatação pode ser encontrada na maioria das traduções de tragédia grega realizadas no Brasil, resultando em textualidades dissociadas do seu contexto de performance. Explorando os conceitos de tradução dramatúrgica de Patrice Pavis (2008) e de tradução performativa de Douglas Robinson (2003), este trabalho discute as possibilidades das relações entre tradução, performance e dramaturgia na prática tradutória dos textos teatrais da Antiguidade clássica.

2) Criação e produção de tradução de teatro em Trupe
Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG)
O texto dramático “é lido como algo incompleto e não como uma entidade inteiramente acabada” (BASSNETT, 2003, p. 190). Ele é material gráfico, partitura que contém a força da palavra fixada, mas que aponta para uma totalidade só preenchida em seu potencial na ocasião de execução simultânea do texto e da cena. Assim sendo, ele é, necessariamente, de autoria diversa e múltipla. E este foi o pilar de nossa proposta tradutória: o texto traduzido deverá ser discutido e estabelecido em sintonia com um grupo encenador que atura, em duas etapas, uma virtual (no processo de tradução) e outra real (na performance propriamente dita) desconstruções, fragmentações, experimentações. Assim, a execução de uma tradução funcional é promovida com a intervenção efetiva de atores que acompanham constantemente e para cada verso traduzido os tradutores.

3) Duas traduções brasileiras de Acarnenses de Aristófanes numa análise comparativa
Ana Maria César Pompeu (UFC)
As traduções de Acarnenses a serem analisadas de modo comparativo são ambas inéditas e em verso, mas com estilos opostos: uma versão erudita, de Roosevelt Araújo da Rocha Júnior, e uma versão matuta para os personagens do campo, de Ana Maria César Pompeu, autora deste trabalho. O objetivo é apresentar formas diversas de expressividade na tradução de um texto da comédia grega antiga e as implicações de sua recepção na atualidade. Agradeço ao Professor Roosevelt por permitir a utilização do seu texto inédito nesta análise.

4) El humor en escena: los problemas de traducción de la comedia de Plauto)
Romina L. Vazquez (Universidad de Buenos Aires)
En la reflexión sobre la traducción de obras teatrales, se plantean habitualmente dos posibilidades de traducción: una para la publicación, otra para el escenario. En relación con la comedia palliata, este planteo ha sido reformulado en términos de traducción filológica vs. traducción teatral. Sin embargo, la cuestión no puede ser reducida a esta dicotomía, en primer lugar, porque un texto teatral está indisolublemente ligado a su representación. Y en el caso particular de la palliata, porque la comicidad de las piezas y su eficacia escénica están íntimamente relacionadas no sólo con el contexto sociocultural de Roma en el siglo II a.C., sino fundamentalmente a sus condiciones de representación en el marco de los ludi. En este sentido, el estudio de los recursos humorísticos utilizados por el autor y su funcionamiento en la dinámica performativa es central para la tarea del traductor de obras de Plauto. En la presente comunicación reflexionaremos sobre las problemáticas inherentes a la traducción de la comedia plautina, centrándonos en el caso de Persa.

5) Experiencias de traducción del griego al español de algunas comedias de Aristófanes
Lic. Marcela Coria (Universidad Nacional de Rosario – Argentina)
Durante los últimos años de su vida, la Prof. Lena R. Balzaretti se dedicó intensamente al estudio y la traducción de Aristófanes. El fruto de sus investigaciones fue la publicación, en Editorial Losada, de nuevas versiones con introducción y notas de Aves (2007) y Tesmoforiantes (2010) y luego, en colaboración conmigo, Acarnienses (2010), Avispas (2011) y Nubes (2012), publicada esta última luego de su fallecimiento en 2011. Durante todos esos años, compartimos innumerables lecturas y charlas sobre la tarea del traductor, comparamos críticamente diversas traducciones a diferentes lenguas modernas, cotejamos ediciones de los textos y profundizamos en los aspectos culturales que necesariamente involucra una nueva versión de un texto antiguo. En esta comunicación, me propongo señalar algunas cuestiones que surgieron de las experiencias de traducción compartidas con la Prof. Balzaretti y que, a mi juicio, pueden ser relevantes para la consideración de algunos de los problemas que supone la traducción del gran cómico ateniense.

6) Geórgicas 2.136-176: uma leitura política do campo
Liebert de Abreu Muniz (Unicamp)
O poema As Geórgicas tem se mostrado um grande desafio para a crítica literária greco-romana. A famosa passagem conhecida como Laudes Italiae, Geórgicas 2.136-176, pode ser lida, por seu contexto histórico, como um louvor à fauna e à flora italianas. A passagem pode indicar a existência de um interesse político, uma vez que o contraponto parece ser o mundo oriental. Parece possível entender os Laudes Italiae como uma propaganda antioriental do período que cerca a batalha de Ácio (32 a.C.), e mais, todo o trecho pode ser lido como uma metáfora da superioridade romana. Por trás de uma exaltação da natureza, há uma exaltação política de Roma. Nesse sentido, todo o trecho ganha um novo significado. O tema, ao que parece, não é de teor puramente campesino. Novas possibilidades e interpretações surgem a partir dessa leitura. Nossa proposta é levar à tradução da passagem em português as nuances da composição de Virgílio.

7) MALDIÇÕES NA ROMA ANTIGA: MATÉRIA ÚNICA, DISTINTAS DICÇÕES
Renata Cazarini de Freitas (USP)
Na confluência entre fontes literárias e epigráficas, o tradutor de latim compartilhará sua experiência da tradução, em paralelo, de fórmulas de invocação aos deuses e de imprecação contra os mortais como aparecem tanto em obras do cânone latino como nas populares plaquinhas de praga (defixiones) recuperadas no território do Império romano. Sendo a mesma matéria, as dicções são distintas. Na Eneida, Metamorfoses, Medeia, o registro é elevado e a composição complexa. Nas defixiones, o registro é baixo e os textos breves. A construção, em ambos os casos, é formular: não é rígida, mas tem limitada modulação, apesar de certa diversidade temática, como a maldição contra roubo e a amarração amorosa. Ainda no âmbito das singularidades dessa matéria, ela se encontra na fronteira entre religião e magia. A tradução integra pesquisa desenvolvida na especialização em Estudos Clássicos da Universidade de Brasília (UnB), modalidade EAD, sob a orientação do prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp).

8) Metamorfoseum: reflexões de tradução
Renata Santos (UFSC)

A tarefa de traduzir textos clássicos apresenta algumas especificidades no que se refere a elementos (liguísticos, culturais e estéticos, entre outros) próprios do momento em que o texto foi escrito e que muitas vezes não são sequer reconhecidos atualmente. No caso da tradução de textos antigos em Latim a primeira dificuldade é a própria língua, afinal como traduzir uma língua e uma cultura “mortas”? Apesar disso, a tradução desses textos é essencial para a longevidade dos clássicos e para os Estudos de Tradução, pois representa alguns desafios que levam à reflexão sobre o processo tradutório. Tendo isso em vista, será discutida a tradução de alguns aspectos da obra Metamorfoseum, de Ovídio, tais como a uso de nomes e epítetos variados (dos quais muitas vezes não temos referência) para se referir a um mesmo personagem e o uso de recursos linguísticos da retórica clássica que criam, no texto primeiro, o efeito estético de sublime (conceito de sublime apresentado por Longino).

9) O desafio de traduzir Píndaro: uma versão comentada da Sétima Nemeia
Roosevelt Araújo da Rocha Júnior (UFPR)
Nesta comunicação tratarei dos desafios enfrentados pelo tradutor de Píndaro, tais como a métrica, a sintaxe, o dialeto, o estudo do contexto histórico e do contexto de performance dos poemas, todos aspectos que precisam ser abordados por quem se propõe a traduzir esse autor. Como ilustração, apresentarei um ensaio de tradução da Sétima Nemeia, poema ainda inédito em português.

10) Os desafios da tradução da prosa grega de ficção
Adriane da Silva Duarte (USP)
A prosa ficcional na Grécia surge tardiamente, consolidando-se no período imperial. Em virtude disso, o romance grego antigo dialoga com toda a tradição literária anterior, que busca incorporar seja no estilo, seja na temática. A tradução dessa produção, ainda pouco conhecida em nosso país, representa um desafio para o estudioso que deve estar atento para o jogo intertextual e, ao mesmo tempo, proporcionar aos leitores a experiência de uma leitura fluída e prazerosa, almejada pelos autores do gênero. Essa comunicação pretende mapear as traduções de romances em língua portuguesa e discutir alguns critérios de tradução a partir da experiência.

11) “Os-vuestro-vosostros-vos”. Uso e desuso das variantes ibéricas do espanhol nas traduções latinoamericanas dos textos clásicos
Cecilia Ugartemendía (UBA)
Prevalece senso comum de que a variante ibérica do espanhol é a variante culta da língua e por isso a preferida ao traduzir clássicos em tom solene, como Cícero, César ou Virgílio. Tradicionalmente, tradutores do latim e estudantes do idioma recorrem de forma irrefletida ao espanhol castiço na tradução da segunda pessoa, suas respectivas conjugações verbais e pronomes. Além dos problemas com o estilo solene, a variante ibérica, não natural ao tradutor latino-americano, acarreta problemas adicionais na tradução dos clássicos. A partir de experiência com grupo de tradutores da UBA em De lege agraria (Cícero), que optou pela variante latino-americana, serão confrontadas as variantes tradicional-ibérica, latino-americana e rio-platense. Os mecanismos de tradução serão demonstrados com base em excertos essenciais da obra, verificando as consequências da eleição das variantes, especialmente a rio-platense (voseo), tanto pelo papel do leitor a quem esta destinada a tradução como pela sua familiaridade com o texto.

12) Recorrido generativo de Adelphoe: de la traducción filológica al texto espectacular
Equipo UBACyT 2011-2014
Directora: Dra. Marcela A . Suárez (Universidad de Buenos Aires)
Integrantes: Mariana Breijo, Verónica Díaz Pereyro, Enzo Diolaiti, Violeta Palacios, María Luz Pedace, Rómulo Pianacci y Romina Vazquez
En los últimos veinte años se ha publicado menos de una docena de traducciones de la obra de Terencio en español. Sólo tres de ellas abarcan la obra completa. En las representaciones de teatro grecolatino llevadas a cabo en Latinoamérica y en Europa, se puede advertir un claro predominio de la comedia plautina. Plauto y una aparición esporádica de Terencio, presente, no por casualidad, con una única obra: El eunuco. La escasa presencia del corpus terenciano en los escenarios del mundo está directamente vinculada con la falta de publicación de las comedias y, particularmente, de versiones aptas para ser representadas. Este panorama muestra a las claras la necesidad de encarar la traducción actualizada de la obra completa de Terencio aunando los conocimientos filológicos con los dramatúrgicos y de puesta en escena. En virtud de lo expuesto, la presente ponencia da cuenta del trabajo llevado a cabo por los integrantes del proyecto UBACyT en torno a la edición trilingüe de Adelphoe que incluye no solo el texto en latín y su traducción filológica, sino también el texto espectacular.

13) Tradução de provérbios e de máximas no teatro de Sófocles

Orlando Luiz de Araújo (UFC)
No teatro antigo, as máximas e provérbios parecem ser reflexões gerais direcionadas muito mais ao espectador do teatro do que propriamente a uma personagem dentro da cena; isso levou muitos tradutores a considerarem tais elementos como não teatrais, podendo ser excluídos do texto em tradução. Na nossa análise, consideramos que essas reflexões são importantes para a ação dramática e estão de acordo com as convenções das representações teatrais. Desse modo, o objetivo da comunicação é analisar as traduções de provérbios e máximas no teatro de Sófocles.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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