Simpósio: ESPAÇOS DE DIÁLOGO DA REPRESENTAÇÃO CULTURAL EM TRADUÇÃO

Coordenadoras: Meta Zipser (UFSC) e Silvana Ayub (UTFPR)

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A interdisciplinaridade tem como desafio o diálogo entre áreas afins e a proposição de novos olhares e reflexões sobre caminhos e objetos de estudo demarcados. Este é o caso da interface tradução-jornalismo que em dez anos de pesquisas, marca o diálogo de áreas como a filosofia, antropologia, administração, comunicação, história, educação com espaços do discurso, semiótica, pragmática e semântica. Ancorada no funcionalismo alemão, suas pesquisas partem do conceito da tradução como ato comunicativo (NORD, 1991) e da representação cultural (ZIPSER, 2002), ampliando o conceito do texto para o fato gerador da tradução e provocando diferentes versões/leituras dependendo do público receptor, da finalidade da tradução e dos filtros/marcas culturais envolvidos no processo de retextualização. Esse ampliar de discussões evidencia a complexidade e consistência da interface além da dinâmica dos estudos tradutórios e da representação cultural.

 

Local: Sala 205, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 A Representação Cultural: processos tradutórios em interface
Meta Zipser
(UFSC)
Traduzindo com títulos: tecendo novas representações culturais através da tradução e da narratividade jornalística
Silvana Ayub Polchlopek
(UTFPR)
O Texto Jornalístico no Québec: A construção de um processo identitário/tradutório
Hutan do Céu de Almeida
(UFSC)
A Tradução Das Ciências Humanas Brasileiras: contextualização e identidades
Monique Pfau
(UFSC)
13:30-15:00 Tradução e Ensino: caminhos para o desenvolvimento da interculturalidade
Maria José Damiani Costa
(UFSC)
Brenda Rocio Ruesta Barrientos
(UFSC)
Tradução e ensino de LE: associando língua e cultura
Maria José Laiño
(UFFS)
Noemi Teles de Melo
(UFSC)
A Tradução/Retextualização como estratégia para composição textual em sala de aula de Espanhol como Língua Estrangeira
(LE)
Ana Paula de C. Demétrio
(UFSC)
A multimodalidade na construção de sentido: os movimentos tradutórios do DI na produção do material didático
Grasiele F. Hoffmann
(UFSC)
15:30-17:00 Brasil – França: Textos telejornalísticos sob a ótica da tradução e cultura
Gabriela Hessmann
(UFSC)
As técnicas tradutórias das marcas culturais nos gêneros folheto turístico e reportagem jornalística
Mirella Nunes Giracca
(UFSC)
Myrian Vasques Oyarzabal
(UFSC)
O olhar de uma austríaca sobre Natal
(RN)
Cássia Sigle
(UFSC)
Juliana de Abreu
(UFSC)
Tradução e Jornalismo: análise de notícias sob a perspectiva da teoria da representação cultural
Laís Gonçalves Natalino
(UFSC)

RESUMOS

1) A multimodalidade na construção de sentidos: os movimentos tradutórios do DI na produção do material didático.
Grasiele F. Hoffmann (UFSC)

Frequentemente novos meios semióticos são introduzidos na nossa comunicação e ao interagirem com o verbal passam a significar e compor mensagens cada vez mais sofisticadas e repletas de recursos. No âmbito da educação, os materiais didáticos tiveram que se adaptar as novas tendências utilizando os diferentes recursos multimodais na produção e edição de conteúdos. Para auxiliar neste processo surge o Design Instrucional (DI), profissional responsável por planejar e desenvolver projetos educacionais e materiais didáticos usando como apoio variadas ferramentas tecnológicas, (FILATRO, 2007). Logo, pretendemos demonstrar, sustentados na teoria funcionalista da tradução defendida por Reiss & Vermeer (1984/1996) e Nord (1991), que o trabalho desenvolvido pelo DI ao reescrever o texto fonte combinando várias linguagens multimodais pode ser caracterizado como um processo tradutório. Para exemplificar utilizaremos como corpus os materiais didáticos desenvolvidos pelo DI para as disciplinas do curso de Licenciatura em Letras/Língua Espanhola da UFSC.

2) A Representação Cultural: processos tradutórios em interface.
Meta Elisabeth Zipser (UFSC)

Em meio acadêmico a transdisciplinaridade é uma tendência consolidada e necessária. Essa postura acadêmica de reflexão e pesquisa implica buscar em áreas afins respostas para questionamentos que uma única área de especialização não consegue responder, ampliando-a. Neste sentido e, partindo da representação cultural (Zipser, 2002), conceito que amplia o entendimento da tradução para além-texto, a presente comunicação busca discutir a aplicabilidade do conceito, as implicações desta prática e seus desdobramentos na formação de tradutores, em especial, em nossa instituição, a UFSC.

3) A tradução das ciências humanas brasileiras: contextualização e identidades.
Monique Pfau (UFSC)

Em produções da área de Ciências Humanas bilíngues no Portal SciELO, busca-se estratégias dos tradutores para resolver especificidades da cultura brasileira na língua inglesa. O inglês hoje é uma língua de prestígio para publicações assumindo um diálogo internacional entre as comunidades científicas e só através dele o acesso de textos sobre o Brasil escrito por brasileiros pode ser amplamente viável. Nesse sentido, é realizado um estudo da tradução de textos científicos para a compreensão da competência de exportação de produções brasileiras. Sendo uma pesquisa quantitativa e qualitativa, a análise é realizada em uma perspectiva funcional buscando compreender as funções que os textos-alvos exercem no público-alvo, estabelecendo categorias de análise cultural, identitária e ética, a partir das decisões tomadas pelos tradutores nas leituras comparativas dos textos bilíngues. A pesquisa propõe uma possível metodologia de tradução em produções científicas para a maior clareza de diálogo.

 

4) A tradução/retextualização como estratégia para composição textual em sala de aula de espanhol como língua estrangeira (LE).
Ana Paula de C. Demétrio (UFSC)

Sabe-se que muitas vezes, o ensino de produção textual é trabalhado de forma mecânica em de sala de aula, impedindo que o aluno reflita sobre a importância do texto que está produzindo. Este fato, também ocorreu e ainda ocorre com o uso de atividades de tradução. Partindo deste contexto, esta comunicação apresenta uma pesquisa em andamento que busca analisar a relação entre produção textual e tradução, considerando esta na perspectiva da retextualização, como estratégia para composição textual em sala de aula de LE. Tal proposta busca discutir a prática tradutória a partir de uma concepção funcionalista, concebendo-a como um ato comunicativo inserido num contexto real e autêntico, e a atividade de composição textual apoiada nos princípios de textualidade de Beaugrad & Dressler (1997) e Cassany (1998). Como o objetivo é investigar uma prática ocorrida em sala de aula de LE, o corpus deste trabalho foi adquirido através de uma atividade de tradução/retextualização realizada com alunos do Curso de Letras Espanhol EaD/UFSC. Através desta atividade, espera-se comprovar que a tradução pode ser utilizada como uma estratégia para a composição textual em sala de aula de LE.

5) As técnicas tradutórias das marcas culturais nos gêneros folheto turístico e reportagem jornalística.

Mirella Nunes Giracca (UFSC)
Myrian Vasques Oyarzabal (UFSC)

O objetivo do presente trabalho é apresentar através de gêneros textuais um breve resgate dos elementos culturais e as dificuldades tradutórias para a construção de sentido do texto fonte e/ou meta. Partilhamos dos conceitos apresentados por Bakhtin (2006) sobre a palavra como representação ideológica da prática social do homem. Sendo assim, as marcas culturais apresentadas nos folhetos turísticos e nas notícias jornalísticas, sejam eles traduzidos ou não, estão relacionadas com as estruturas que compõe uma sociedade. Como suporte teórico recorremos aos paradigmas dos teóricos Nida (1945), Newmark (1992), Vermeer, (1983), Nord (1994), Molina (2001), Bakhtin (2006).

6) Brasil – França: textos telejornalísticos sob a ótica da tradução e cultura.
Gabriela Hessmann (UFSC)
Essa proposta de comunicação se desenvolve, principalmente, no âmbito dos Estudos da Tradução vertente funcionalista NORD (1991) embasado na teoria da tradução como representação cultural ZIPSER (2002) bem como em reflexões sobre telejornalismo ESSER (1998) TRAQUINA (2005) e uso do recurso linguístico – Alusão NIKNASAB (2011) e LEPPIHALME (1996). As marcas culturais que foram identificadas em dois textos telejornalísticos elaborados a partir de um mesmo fato notícia – casamento real ocorrido em 29 de abril de 2011- no contexto França e Brasil. As analises evidenciaram que a comunicação de cada país está alicerçada no binômio indissociável língua/cultura.

7) O olhar de uma austríaca sobre Natal (RN).
Cássia Sigle (UFSC)
Juliana de Abreu (UFSC)

A presente comunicação mostra o enfoque cultural dado a um evento do cotidiano na cidade de Natal, relatado através do olhar de uma austríaca. Ao analisar o artigo Stadt der Mauern (Cidade dos muros), publicado no blog intitulado Brasilien Reiseblog (blog de viagem pelo Brasil) e escrito por Mirjam Harmtodt, redatora do jornal derStandart.at, percebemos que aspectos culturais são relevantes para a tradução, já que “não se traduz de uma língua para outra, e sim de uma cultura para outra” (CAMPOS, 1987, p. 26). Nesse sentido, Zipser (2002) afirma que cada veículo (e autor) tende a visualizar e traduzir certo acontecimento através de seus “óculos” culturais, realizando desta forma uma representação cultural. A tradução de um fato através de tal representação nos leva a observar algumas marcas culturais presentes no texto analisado. As marcas evidenciadas no texto, são baseadas na análise de fatores externos ao texto, entre eles a função textual, conforme a teoria proposta por Nord (2009).

8) O texto jornalístico no Québec: a construção de um processo identitário/tradutório.
Hutan do Céu de Almeida (UFSC)
O texto jornalístico faz parte da sociedade e embora sua função básica seja informar um fato noticioso sabe-se que sua dimensão social ultrapassa os limites do papel no qual é impresso. No Québec, as produções editorias em formato jornal estão presentes desde 1752, sendo importante também ressaltar que alguns dos mais antigos jornais do mundo ainda hoje publicados são produzidos no Québec. Nesse cenário onde notadamente a produção jornalística remonta os primórdios da colonização inglesa e francesa e todos os seus desdobramentos é que se insere essa proposta que visa verificar e analisar como a partir da Revolução Tranquila, dois dos principais periódicos da província, traduzem e dessa forma representam culturalmente a questão da imigração e nesse sentido, a tradução e o jornalismo podem ser compreendidos como fenômenos identitários que em regiões fronteiriças assumem contornos específicos fundamentados nos pactos de leitura existentes entre leitor e jornalista/editor orientando assim seus leitores a uma percepção de sua própria identidade cultural.

9) Tradução e ensino de LE: associando língua e cultura.
Maria José Laiño (UFFS)
Noemi Teles de Melo (UFSC)

Esta comunicação objetiva refletir sobre os benefícios que o uso da tradução pode trazer para o ensino de LE. Compartilhamos do conceito de tradução como uma atividade intercultural em que o foco não está em questões linguísticas, já que é um processo que envolve uma série de fatores extralinguísticos como por exemplo: conhecer o público-alvo para o qual se traduz, ter consciência do propósito da tradução, conhecer o gênero textual envolvido, entre outros (Nord, 1991). De acordo com esta concepção, a tradução adquire uma dimensão muito mais ampla que simplesmente uma atividade mecânica de memorização de palavras e de estruturas gramaticais, como era proposto no Método Gramática-Tradução. Para ilustrar como poderia ser explorada a tradução em sala de LE, apresentaremos uma atividade tradutória realizada por alunos da 5ª e 6ª fase do Curso Letras Português e Espanhol da UFFS. Os resultados mostraram que durante o processo tradutório os alunos foram levados a refletir sobre questões extralinguísticas citadas anteriormente, e assim sendo, puderam perceber que traduzir não é somente uma atividade de transcodificação linguística.

10) Tradução e ensino: caminhos para o desenvolvimento da interculturalidade.

Maria José Damiani Costa (UFSC)
Brenda Rocio Ruesta Barrientos (UFSC)

Nas últimas décadas se tem discutido e pesquisado, no campo da pedagogia de ensino de línguas em interface com os Estudos da Tradução, sobre qual o papel que desempenha a tradução dentro de sala de aula de línguas estrangeiras (LEs) e sua importância no aprendizado de LEs. Em decorrência disso, numerosas pesquisas tem comprovado a falta de esclarecimento teórico e metodológico de muitos professores, sobre o assunto, os quais concebem e limitam a prática de tradução à atividades de simples decodificação linguística negando assim, à tradução, seu caráter, além de tudo, de processo comunicativo intercultural. Nesse sentido, ancorados na perspectiva funcionalista da tradução, conforme Reiss e Vermeer (1991), Nord (1988, 1991, 2010) que concebem a tradução como um evento comunicativo intercultural e sustentados pelo paradigma que concebe a língua como prática social conforme Bakhtin ( 2004). Defendemos neste trabalho a inserção da tradução dentro da sala de aula de LE como via para à construção da consciência e competência intercultural dos aprendizes brasileiros (e futuros professores) de língua espanhola. Demonstraremos a importância que representa desenvolver essas práticas de tradução, dentro do contexto de ensino- aprendizagem de ELE, através do uso dos gêneros textuais. Exemplificaremos como tais práticas podem ser desenvolvidas de forma crítica e reflexiva, enfatizando sobre a importância de considerar a indissociável relação entre língua e cultura em todo processo de ensino-aprendizagem de LE o qual contribui significativamente para à ampliação e compreensão do fenômeno da linguagem em todo processo comunicativo que privilegie o dialogo intercultural da língua – cultura dos aprendizes e língua – cultura meta.

11) Tradução e jornalismo: análise de notícias sob a perspectiva da teoria da representação cultural.

Laís Gonçalves Natalino (UFSC)

Dentre as teorias da tradução existentes encontramos a concepção funcionalista, que atua no processo de tradução orientando para a análise de textos. Ancorado no funcionalismo alemão, o objetivo deste trabalho é analisar duas notícias no par de línguas português-espanhol, de modo com que seja possível a identificação e discussão a respeito de possíveis diferenças entre as perspectivas de enfoque dadas em cada uma delas, ou seja, o modo com que cada cultura representa em texto sua visão do fato noticioso. Para tanto será explorado o conceito da tradução como representação cultural de Zipser (2002), que tem por base o conceito da tradução como ato comunicativo intercultural (Nord, 1991) e o jornalismo como mapa cultural de sociedades (Esser, 1998).

12) Traduzindo com títulos: tecendo novas representações culturais através da tradução e da narratividade jornalística.

Silvana Ayub Polchlopek (UTFPR)

A tradução de fatos jornalísticos encontra na teoria da representação cultural a possibilidade de expandir o conceito de texto para o fato noticioso, compreendendo a prática tradutória como ato de língua. Assim, permite desprender o olhar das margens da reportagem, voltando-se ao título como enunciação e traduções primeiras desse fato. Sua sequencialidade temática (re)constrói e representa o fato gerando novas possibilidades tradutórias e deslocamentos de enfoque, ao mesmo tempo em que resgata a historicidade do fato no imaginário do leitor constituindo novas narrativas jornalísticas. Deslocadas para o campo discursivo, essas novas narrativas permitem pensar a tradução a partir da própria intenção de comunicar, presente na relação interlocutória entre sujeitos e instituições sociais. Nesse sentido, os títulos adquirem a função de traduzir e representar culturalmente os fatos em narrativas circunstanciadas e contextualizadas, perspectiva que reafirma a tradução como prática social, cultural e comunicativa.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

Alemão: Melanie Strasser

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