Simpósio: CONFLITOS E DESAFIOS DO “ENTRE-LUGAR” DA TRADUÇÃO E DO(A) TRADUTOR(A) NA CONTEMPORANEIDADE

Coordenadoras:
Ana Maria de Moura Schäffer (UNASP-EC)
Rosa Maria Olher (UEM)

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Se for verdade que, como dizem as palavras bíblicas, “no início, era o verbo”, isto é, a palavra, pode-se afirmar que desde os primórdios, a tarefa de traduzir é conflituosa e desafiante. As palavras bíblicas de S. João, provavelmente, foram: “No início, era o ‘logos’”, já que o texto estava em grego. Na “Carta à Pamáquio”, Epístola 57 (395), São Jerônimo, para se defender da acusação de infidelidade na tradução, afirma: “Se traduzo palavra por palavra, torna-se absurdo; se […] modifico por pouco que seja a construção ou o estilo, parece que me demito da tarefa de tradutor”. Mais tarde, outros tradutores como Schleiermacher, Dryden, Haroldo de Campos e Millôr Fernandes também discutiram os problemas de tradução com base nos conflitos que a complexidade da tarefa gera. Discutir a tradução no contexto contemporâneo envolve, entre outras coisas, refletir sobre ambivalências e paradoxos, hibridismos e pluralidade de vozes. Assim, esta proposta pretende discutir e destacar os desafios e conflitos do(a) tradutor(a), situado(a) no “entre-lugar” e no “double bind” da tradução, alem de problematizar as representações de tradução na atualidade.

 

Local: Sala DRUMMOND, CCE, bloco B

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Os desafios do “entre-lugar” da tradução e do(a) tradutor(a) na contemporaneidade: na universidade, n(o) mercado de trabalho
Ana Maria de Moura Schäffer
(UNASP-EC)
Tradução e mercado de trabalho: em busca de harmonia
Bianca Leal
(IBM/UNICAMP-POSTRAD)
O dia a dia de quem traduz e o mercado de trabalho
Ana Maria de Moura Schäffer
(UNASP-EC)
Mariana Ormenese
(ACCENT/UNASP- EC)
Janaira Nasato
(ACCENT/UNASP- EC)
Um possível ethos do traduzir no “entre-lugar” do imigrante/emigrante
Alice Maria Araújo Ferreira
(UnB-POSTRAD)
Escolhas lexicais e condições de produção e recepção da tradução
Viviane Cristina Poletto Lugli
(UEM)
13:30-15:00 How green was my valley and how deep was my river: a dialogue between Wales and the Amazon
Davi Silva Gonçalves
(UFSC-POSTRAD)
Machado de Assis Tradutor: o labirinto da representação
Ana Lúcia Lima da Costa
(UFF)
Tradução e recepção na terceira Idade: The Taming of the Shrew e “O Cravo e a Rosa”
Liliam Cristina Marins Prieto
(UEM)
A representação da identidade do sujeito-tradutor no conto de Clarice Lispector “A Menor Mulher do Mundo”/ “The Smallest Woman in the World” traduzido por Elizabeth Bishop
Simone de Souza Burguês
(UEM)
Hibridismo e conflito na construção identitária do professor-leitor
Rosa Maria Olher
(UEM)
15:30-17:00 Representações identitárias do tradutor pós-moderno
Terezinha Rivera Trifanovas
(UNICAMP)
“Marat/Sebastião – Pictures of Garbage”: uma adaptação de “A Morte de Marat”
Fernanda Silveira Boito
(UEM)
Da Turma da Mônica à Monica´s Gang – aspectos culturais na tradução de quadrinhos
Elica Vaz Teixeira
(UEM)
Jéssica Oshiro
(UEM)
Rosa Maria Olher
(UEM)
A (in) visibilidade da tradutora no livro “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”.
Maria Amélia Lobo Pires
(UEM)

RESUMOS

1. A (in) visibilidade da tradutora no livro “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”.

Maria Amélia Lobo Pires (UEM)

Este trabalho pretende analisar marcas identitárias e de gênero, presentes na materialidade linguística de recortes selecionados nos textos em inglês e em português, do livro “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, tradução de Waldéa Barcellos. Esta comunicação, sob um viés discursivo desconstrutivista, propõe perceber questões subjetivas que perpassam o discurso da tradutora. Observa-se que enquanto a autora se posiciona como sujeito que participa do universo feminino, o qual constitui a essência do livro como um todo, a tradutora por sua vez parece buscar um apagamento de sua identidade de gênero, por meio das escolhas que faz no processo tradutório. Considerando-se que a invisibilidade do sujeito tradutor é uma utopia, entende-se que as escolhas que a tradutora faz conferem ao texto seu cunho pessoal de coautoria, outorgando ao trabalho suas marcas identitárias.

2. A representação da identidade do sujeito-tradutor no conto de Clarice Lispector “A Menor Mulher do Mundo”/ “The Smallest Woman in the World” traduzido por Elizabeth Bishop

Simone de Souza Burguês (UEM)

Quando se trata de tradução há muitas controvérsias, especialmente no que tange a tradução literária. Muitos críticos acreditam que a tradução de uma obra literária a descaracteriza e a trai. Já os seguidores de uma postura pós-moderna dos estudos da tradução acreditam que esta trabalha para a manutenção e sobrevida de tal obra. Nesse sentido, o presente artigo busca investigar de que forma se constitui a identidade tradutória (CORACINI, 2005) de Elizabeth Bishop (poeta norte-americana) ao traduzir um conto de Clarice Lispector “A menor mulher do mundo” para o inglês “The smallest woman in the world”. Escolhemos trabalhar com uma obra da literatura brasileira traduzida para o inglês porque – em comparação com as outras literaturas traduzidas para o português – muito pouco se traduz do português para outras línguas, especialmente para o inglês.

3. Da Turma da Mônica à Monica´s Gang – aspectos culturais na tradução de quadrinhos

Elica Vaz Teixeira (UEM)
Jéssica Oshiro (UEM)
Rosa Maria Olher (UEM)

Este trabalho visa discutir os aspectos culturais encontrados na tradução para a língua inglesa das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, publicadas pela Editora Panini, Maurício de Souza Produções e traduzidas pela MSP International. Por meio da análise e discussão de recortes selecionados dos quadrinhos, pretende-se pesquisar acerca da influência cultural na tradução, com foco nas escolhas do tradutor e nas transformações ocorridas no texto traduzido, entendidas como resultado das diferenças culturais. A análise e discussão das traduções dos quadrinhos serão embasadas em teóricos como: Arrojo, Hermans, dentre outros, os quais entendem o texto traduzido como texto transformado, não só pelas diferenças linguísticas e culturais presentes nos dois contextos envolvidos – o da língua de partida e o da língua de chegada, mas, também, pela intervenção do tradutor.

4. Escolhas lexicais e condições de produção e recepção da tradução

Viviane Cristina Poletto Lugli (UEM)

Este trabalho é resultado das reflexões incitadas na disciplina Tradução: Textos e Contextos, ministrada pela profa. Dra. Rosa Maria Olher, no Programa de Pós-Graduação em Letras na Universidade Estadual de Maringá. A pesquisa apresenta comentários sobre a tradução de alguns excertos e expressões do livro “Como água para chocolate”, um romance mexicano, traduzido por Olga Savary, poeta, jornalista e tradutora brasileira. É uma pesquisa de cunho bibliográfico e diagnóstico porque identifica o processo tradutório de alguns excertos e expressões em espanhol, no intuito de compreender se as escolhas lexicais na tradução resultaram em representações domesticadas ou estrangeirizantes. O propósito é demonstrar como a tradução é uma mediação cultural, resultante de uma leitura e escolhas discursivas do tradutor que estão relacionadas com as condições de produção e recepção de textos.

5. Hibridismo e conflito na construção identitária do professor-leitor

Rosa Maria Olher (UEM)

Esta comunicação tem por objetivo discutir as representações que professores de literatura estrangeira têm de tradução, com base na sua construção identitária de leitores de textos literários traduzidos. A partir da análise e discussão de recortes discursivos extraídos de entrevistas com professores de graduação e pós-graduação, pretende-se problematizar o conflito de identidades culturais ocasionadas pelo “entre-lugar” das línguas. Os relatos em discussão sinalizam para a questão do arquivo como responsável pela materialização dos discursos, corroborando com Foucault (2007) ao afirmar que é no interior de suas regras que falamos. Também importa discutir que é no processo identificatório com as línguas (a sua e a do Outro) que o hibridismo e os conflitos se instauram na construção identitária do sujeito professor-leitor.

6. How green was my valley and how deep was my river: a dialogue between Wales and the Amazon

Davi Silva Gonçalves (UFSC)

Este trabalho visa estabelecer uma ponte entre os romances How Green was my Valley (Llewellyn, 1939) e The Brothers (Hatoum, 2000); ponte esta possibilitada pela tradução literária que, ao trazer discursos marginalizados para o centro hegemônico que a língua inglesa representa, permite que as subalternidades galesa e amazônica estabeleçam um diálogo contra-hegemônico. Com o respaldo de teóricos como Galeano (1978) e Harvey (2010), tal abordagem captura características em comum entre o espaço galês e amazônico problematizando, posteriormente, o discurso desenvolvimentista que – ao desarticular redes de sentido aparentemente ameaçadoras – interfere permanentemente no cenário e na vida dos narradores de ambos os romances.

7. Machado de Assis Tradutor: o labirinto da representação

Ana Lúcia Lima da Costa (UFF)

Este artigo observa as relações de Machado de Assis com a tradução e o grande impulso que ela causou na constituição do escritor e de sua obra. Verificaremos tanto o Machado de Assis tradutor, o censor do Conservatório Dramático Brasileiro, o crítico e o teórico, abordando as seguintes feições: sua relação com a tradução, que ora atua como meio de modernização, ora como obstáculo ao aparecimento de talentos nacionais; a postura das literaturas periféricas e a recepção de modelos externos; a releitura da dependência cultural; a diluição de modelos exclusivos de referência; a revisão de conceitos de cópia, imitação e plágio; a relação entre tradução e processos criativos e a migração da tradução teatral para a ficção. Para isso, passamos por sua extensa produção jornalística, na qual se notabilizou como crítico e folhetinista, pela poesia, chegando aos contos e romances. A teoria da tradução tão discutida na contemporaneidade já tinha seu esboço traçado por Machado de Assis no séc. XIX.

8. “Marat/SebastiãoPictures of Garbage”: uma adaptação de “A Morte de Marat”

Fernanda Silveira Boito (UEM)

A partir de uma perspectiva que aproxima a noção de adaptação à visão discursivo-desconstrucionista da tradução, o presente trabalho tem como objetivo discutir o que faz da obra “Marat/Sebastião – Pictures of Garbage” uma adaptação e quais as implicações disso; assim como investigar o que as mudanças realizadas na obra adaptada podem revelar. A análise da adaptação problematiza os efeitos de sentido que as escolhas feitas pelo adaptador podem ocasionar e discute o que as mudanças entre as obras podem revelar sobre o momento histórico no qual foi produzida, nos levando a conceber a tradução como um instrumento que age em sociedade.
9. O dia a dia de quem traduz e o mercado de trabalho

Ana Maria de Moura Schäffer (UNASP–EC)
Mariana Ormenese (ACCENT/UNASP–EC)
Janaira Nasato (ACCENT/UNASP–EC)

Saber bem o idioma envolvido na tradução e ter boa redação na língua meta não garante o sucesso de quem traduz no mercado de trabalho. Hoje é necessário se adaptar a prazos cada vez mais apertados, ser flexível para trabalhar com as mais diversas ferramentas de tradução, das mais comuns às específicas disponibilizadas pelo cliente. Assim, é necessário que tradutores estejam abertos a aprender de tudo, adaptando-se aos vários cenários de trabalho para satisfazer clientes cada vez mais exigentes; se acostumem a trabalhar em projetos com glossários específicos em variados formatos, com instruções e exigências muitas vezes confusas; e, por fim, entreguem os trabalhos com alto nível de excelência. Esta proposta, portanto, discute e destaca os desafios da profissão de traduzir no mercado de trabalho, trazendo a realidade de um dia a dia de trabalho que, muitas vezes, não é considerada nem praticada em sala de aula, ao problematizar as dualidades entre o ensino e a prática da tradução.

10. Os desafios do “entre-lugar” da tradução e do(a) tradutor(a) na contemporaneidade: na universidade, n(o) mercado de trabalho

Ana Maria de Moura Schäffer (UNASP-EC)

Nesta comunicação, apresenta-se uma experiência em andamento no curso de Tradutor e Intérprete do UNASP (EC), no interior de São Paulo. Trata-se de um projeto resultante de uma parceria entre o curso e algumas empresas de tradução, entre elas, a IBM e a ACCENT TRANSLATION. Com a parceria tem-se buscado ampliar a capacitação dos discentes com o compartilhamento, por parte dos profissionais das empresas, de habilidades necessárias requeridas pelo mercado de trabalho nacional e internacional, ao oferecerem treinamentos, nem sempre convencionais nos cursos de tradução, como por exemplo: como gerenciar um projeto de tradução numa grande empresa, como se processa o controle terminológico deste e como avaliar as traduções, a partir de critérios definidos pelas empresas parceiras. Embora seja um projeto em andamento, é possível se perceber, na prática, os resultados; entre eles, maior segurança e autonomia dos egressos, propiciando uma inserção ativa no mercado de trabalho.

11. Representações identitárias do tradutor pós-moderno

Terezinha Rivera Trifanovas (UNICAMP)

Considerando a utilização de tecnologias de tradução na forma de softwares de tradução automática ou de memória de tradução, propomos a reflexão sobre a prática tradutória, na pós-modernidade, com o intuito de observar as consequências dessa utilização tecnológica na constituição identitária dos sujeitos tradutores. Para isso, de uma perspectiva discursivo-desconstrutivista, analisaremos a materialidade discursiva, ou seja, o fio discursivo (intradiscurso) dos recortes discursivos advindos do dizer do tradutor entrevistado a fim de observar a emergência de fragmentos de múltiplos discursos (interdiscurso) que possibilitam as representações que o tradutor pós-moderno faz de si, de seus pares, da atividade tradutória, do mercado de trabalho e das tecnologias de tradução.

12. Tradução e mercado de trabalho: em busca de harmonia

Bianca Leal (IBM/UNICAMP-POSTRAD)

A parceria entre universidade e empresa proporciona meios eficazes de troca de conhecimento e de experiências. A universidade, como fonte de conhecimento teórico e instituição de ensino responsável pela formação de profissionais, se compromete em buscar oportunidades para preparar os alunos para o mercado de trabalho; neste preparo é imprescindível aliar conhecimento teórico e prático de tradução, como ferramentas utilizadas, objetivos de negócio e realização profissional. Nesta era tecnológica e globalizada, tanto o mercado enfrenta desafios ao buscar profissionais qualificados, como os recém-formados, frente aos embates desse “entre-lugar” da tradução e do(a) tradutor(a) neste mercado com exigências tão específicas. Por isso, o objetivo desta comunicação é destacar a relação universidade-empresa como um recurso possível de enfrentamento do descompasso entre o que se ensina na universidade e o que o mercado exige de um profissional de tradução.

13. Tradução e recepção na terceira Idade: The Taming of the Shrew e “O Cravo e a Rosa”

Liliam Cristina Marins Prieto (UEM)

O objetivo principal deste estudo é analisar a recepção da tradução por um grupo da terceira idade em uma disciplina ofertada na Universidade da Terceira Idade, uma instituição vinculada à Universidade Estadual de Maringá. A tradução foi abordada em sala de aula pelo viés da desconstrução e foi discutida, de forma concreta, na tradução intersemiótica de The Taming of the Shrew (aproximadamente 1593), de William Shakespeare, O Cravo e a Rosa (2000), uma telenovela de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira. Apesar de inicialmente vista como “infiel”, as discussão e o trabalho com um meio diferente do impresso, o audiovisual, possibilitaram a emancipação do leitor não apenas com relação ao conceito tradicional de tradução, mas também como se posicionam frente ao texto literário.

14. Um possível ethos do traduzir no “entre-lugar” do imigrante/emigrante

Alice Maria Araújo Ferreira (UnB-POSTRAD)

Entre as dinâmicas propostas por Ricoeur (1991) para definir um ethos capaz de conciliar identidade e alteridade, encontramos o modelo da tradução. Concebê-la como fato cultural, permitindo os encontros e os intercâmbios, nos revela o papel das ideologias na difusão e recepção das traduções. No entanto, pensar a tradução no que ela pode ensinar a respeito da subjetividade do tradutor e da natureza do traduzir faz Nouss e Laplantine (2001) considerarem a tradução como prática mestiça, mestiçada e mestiçante. A mestiçagem aponta para um “entre-lugar” e é nele que buscamos reconhecer o ethos do traduzir. Não um “entre-lugar” híbrido que produz um novo conjunto, mas um “entre-lugar” instável, indefinido, onde cada componente preserva sua identidade e história. Assim, o sujeito tradutor, situado entre duas línguas e culturas, aparece como possível modelo para um sujeito contemporâneo, que se aproxima da figura do estrangeiro de Simmel (1979) e, mais particularmente, do imigrante/emigrante.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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