Simpósio: Competência e Expertise em Tradução

Coord.: José Luiz Vila Real Gonçalves (UFOP) e Tânia Liparini Campos (UFPB)

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A competência tradutória e o conhecimento experto em tradução vêm sendo investigados a partir de diferentes abordagens, e o mapeamento do comportamento de tradutores profissionais que apresentam uma competência tradutória desenvolvida ou alto grau de expertise em tradução tem tido impacto nas diretrizes adotadas em cursos de formação de tradutores. Com o intuito de promover o debate e a reflexão sobre o assunto, este simpósio sobre competência e expertise em tradução tem como objetivo reunir trabalhos que investigam características da competência tradutória e/ou da competência do tradutor, aquisição da competência tradutória, características do comportamento experto em tradução, mapeamento do comportamento de tradutores expertos, comparação entre o comportamento do tradutor experto e do tradutor novato, relação entre competência tradutória, expertise e formação de tradutores, entre outros.

 

Local: Auditório do curso de Direito , CCJ

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
13:30-15:00 O Uso da Tradução de Mangá para o Desenvolvimento da Competência Tradutória de Aprendizes de Língua Japonesa
Abimael Maciel Marques (UECE)
Desenvolvimento da competência tradutória: meta-reflexão em fases iniciais do processo
Heloísa Cintrão (USP)
Students’ perceptions of the advantages and disadvantages of collaborative and individual translation
Lisa Le (Glendon College, York University)
Avaliando traduções: a perspectiva do avaliador
Camila Nathália de Oliveira Braga (UFPB)
15:30-17:00 Representações e Formação de Tradutores: percursos de uma pesquisa empírico-experimental acerca de questões tradutórias no ambiente acadêmico/profissional
Débora Mendes Neto (UFOP)
“O ABC do tradutor”: uma discussão sobre o que se diz nos blogs e o que se ensina nos cursos de tradução
Érica Lima (PUC – Campinas; UNIMEP – Piracicaba)
Um panorama de cursos de tradução no Brasil e o desenvolvimento da competência tradutória
José Luiz Vila Real Gonçalves (UFOP)
A ocorrência de processos de (des)metaforização no processo cognitivo de tradutores profissionais
Tânia Liparini Campos (UFPB)

RESUMOS

1) A ocorrência de processos de (des)metaforização no processo cognitivo de tradutores profissionais
Tânia Liparini Campos (UFPB)
Tendo como base o conceito de Metáfora Gramatical de Halliday & Matthiessen (1999, 2004) e os trabalhos sobre processos de desmetaforização em tradução dos pesquisadores Steiner (2001a/b, 2002, 2004, 2005); Hansen (2003); Hansen-Schirra et al. (2007); Alves et al. (2010) e Liparini Campos (2010), o presente trabalho tem como objetivo contribuir para a explicação do fenômeno da desmetaforização no processo tradutório de sujeitos com competência tradutória desenvolvida, a partir da análise dos dados coletados em um experimento envolvendo seis tradutores profissionais do par linguístico alemão-português e seis do par linguístico inglês-português. Os dados processuais, obtidos por meio do programa Translog (JAKOBSEN, 1999) apontam que os tradutores profissionais investigados tendem a produzir trechos mais metafóricos em seus textos de chegada antes de reformulá-los para estruturas menos metafóricas, indicando que a ocorrência de trechos do texto de chegada desmetaforizados em relação a seus respectivos trechos nos textos de partida pode estar associada à opção do tradutor de produzir trechos mais explícitos em suas traduções.

2) Avaliando traduções: a perspectiva do avaliador
Camila Nathália de Oliveira Braga (UFPB)
Este trabalho apresenta um estudo sobre o texto traduzido sob a perspectiva do avaliador. Para tanto, dezoito avaliadores receberam a tarefa de avaliar oito traduções de um mesmo texto de partida produzidas por quatro tradutores profissionais e quatro pesquisadores não tradutores. Objetivou-se verificar a correlação entre o perfil do avaliador, seu método de avaliação e os aspectos textuais mais focalizados em suas avaliações, além da existência de concordância geral e intragrupos em relação às notas e aos rankings atribuídos pelos avaliadores aos textos traduzidos. Quanto aos sujeitos que produziram as traduções, buscou-se verificar qual grupo teve seus textos mais bem avaliados e se alguma das traduções se destacou em relação às outras de seu grupo. Os resultados apontaram concordância intragrupos de avaliadores, porém não houve concordância intergrupos. Constatou-se, ainda, que o conhecimento de domínio teve pouco impacto no processo de avaliação dos avaliadores.

3) Desenvolvimento da competência tradutória: meta-reflexão em fases iniciais do processo
Heloísa Cintrão (USP)
Costuma-se apontar dois objetos dos Estudos da Tradução em sua face cognitiva: processo tradutório e competência tradutória (cf. HURTADO 2001). Contudo, pareceria mais adequado distinguir entre desenvolvimento da CT e CT propriamente dita: o primeiro não é uma configuração hipotética de habilidades e conhecimentos, mas um processo de aprendizagem, ao longo do qual tal configuração passa por sucessivos rearranjos. Toury fala de um processo pelo qual um bilíngue se torna tradutor (TOURY 1986; 1995). Este autor, Shreve (1997), Chesterman (2000), Pacte (2000) e Gonçalves (2003) fizeram propostas acerca do processo. Apresentaremos dados do Translog (JAKOBSEN 1999) que sinalizam que o desenvolvimento da CT, como acontece no caso da aquisição de língua estrangeira, não é uma progressão linear regular entre as características já descritas para novatos e profissionais, tais como sistematizadas por Pym (2009). Não poderia, assim, ser conhecido apenas a partir de descrições daqueles dois pólos.

4) “O ABC do tradutor”: uma discussão sobre o que se diz nos blogs e o que se ensina nos cursos de tradução
Érica Lima (PUC – Campinas; UNIMEP – Piracicaba)
Este trabalho tem por objetivo analisar algumas postagens do blog “Tradutor Profissional”, em especial os conselhos e indicações aos tradutores iniciantes apresentados, principalmente, no texto intitulado “O ABC do tradutor”. Serão tratadas questões sobre a formação acadêmica e mercado de trabalho e a relação entre o que é dito pelos tradutores expertos sobre a competência tradutória e o que é abordado em um curso de graduação e um curso de especialização em tradução. A base teórica de análise são algumas concepções da análise do discurso de linha francesa, como noções de discurso, sujeito, autoria e heterogeneidade constitutiva, ao lado de noções de assinatura, nome próprio e arquivo, desenvolvidas em alguns textos de Jacques Derrida. O objetivo final é traçar um contraponto entre o que os tradutores blogueiros dizem e o que é defendido na academia, de forma a trazer para a discussão as diretrizes adotadas em dois cursos de formação do interior de São Paulo e a relação com o atravessamento de vozes característico da materialidade discursiva digital.

5) O Uso da Tradução de Mangá para o Desenvolvimento da Competência Tradutória de Aprendizes de Língua Japonesa
Abimael Maciel Marques (UECE)
A tradução é uma habilidade cuja importância vem crescendo cada vez mais em nosso mundo globalizado. Todavia, a competência tradutória (CT) não é comumente desenvolvida nos cursos de língua adicional (LA), fazendo com que o aluno careça dessa habilidade quando é defrontado com atividades que envolvem o ato tradutório. Dessa forma, o presente trabalho propõe mostrar os resultados de uma pesquisa conduzida no curso de extensão em Língua Japonesa da UECE, onde um minicurso de tradução foi realizado com aprendizes de nível básico de japonês. Levando-se em consideração teóricos que abordam a questão da competência tradutória, a pesquisa teve como base a metodologia da pesquisa-ação, na qual os tradutores-aprendizes realizaram atividades de tradução fazendo uso do gênero Mangá. Através dos instrumentos de coleta, foi verificada uma evolução dos participantes no que concerne às suas escolhas e capacidade crítica em relação ao ato tradutório. Assim, os resultados demonstraram que uma metodologia centrada em discussões e análise crítica das traduções faz com que os aprendizes se tornem tradutores conscientes e autocríticos sobre o seu próprio fazer tradutório.

6) Representações e Formação de Tradutores: percursos de uma pesquisa empírico-experimental acerca de questões tradutórias no ambiente acadêmico/profissional
Débora Mendes Neto (UFOP)
Esta pesquisa busca identificar representações cognitivas de tradutores em formação acerca da tradução como processo e como produto e sua relação com o contexto sociocultural. Para tal, com base nos conceitos apresentados pela Teoria da Relevância (Sperber e Wilson, 1986/1995) e no trabalho de Gutt (2000), procura-se verificar a existência de congruência e/ou coerência entre as representações cognitivas de tradutores em formação sobre a tradução; as suas práticas tradutórias; e as respectivas representações públicas. O estudo utilizará um questionário prospectivo, uma atividade de tradução através do programa Translog e protocolos retrospectivos; além do levantamento das representações públicas a partir de teorias representativas nos estudos da tradução. Com a análise, pretendemos contribuir para o aprofundamento de questões teóricas e didático-pedagógicas para o desenvolvimento da competência tradutória e aprimoramento da formação do tradutor profissional.

7) Students’ perceptions of the advantages and disadvantages of collaborative and individual translation
Lisa Le (Glendon College, York University)
This paper analyzes students’ perceptions of the advantages and disadvantages of collaborative and individual translation, as well as study to see the outcomes of a collaborative translation exercise because of the use of collaborative translation teams in the professional translation world. This experiment focuses on translation pedagogy and the practice of using group work (or the combination of individual and group work) in the classroom as a didactic tool to encourage student participation, a positive learning environment, and preparation for professional translation.

8) Um panorama de cursos de tradução no Brasil e o desenvolvimento da competência tradutória
José Luiz Vila Real Gonçalves (UFOP)
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa empírica que realizou o levantamento e a análise, a partir de informações disponíveis na internet, de dados referentes a matrizes curriculares de cursos de tradução no Brasil. O objetivo foi mapear o perfil de formação do tradutor no país com base na definição de algumas categorias de subcompetências cuja postulação se desenvolveu através de leituras e discussões de textos de referência para o tema (e.g. Schaffner; Adab, 2000; PACTE, 2003; Pagano; Magalhães; Alves, 2005; Alves; Gonçalves, 2007). O desenvolvimento das análises apontou para pontos coerentes e consistentes, mas também problemas e desafios nas propostas curriculares em foco, ao serem confrontadas com as definições teórico-metodológicas do campo dos estudos sobre competência e expertise em tradução. Finalmente, foram apresentadas reflexões com vistas ao aprimoramento dos currículos de cursos de formação de tradutores.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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One thought on “Simpósio: Competência e Expertise em Tradução

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