Simpósio: ARQUIVOS E COLEÇÕES: A LITERATURA ITALIANA NO BRASIL

Coordenadores: Lucia Wataghin (USP) e Andrea Santurbano (UFSC)

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A proposta do simpósio insere-se no campo dos estudos de literatura comparada e estudos da tradução, em particular no diálogo entre a literatura italiana e a brasileira. O objetivo principal é pensar os fluxos tradutórios e as relações culturais entre as duas culturas, por meio de textos da literatura italiana traduzidos e publicados no Brasil.

Arquivo vem do grego Arkhê, começo e comando, um lugar a partir do qual a ordem é gerada e mantida. Mas o mal de arquivo é inevitável, pois é necessário correr atrás dos dados, refazer os caminhos, descobrir outros. Um arquivo pode conter inúmeros outros arquivos. A tradução faz circular um texto fora da sua tradição e a consequência é uma (ou mais) releitura(s) e a disseminação do texto, a sua pervivência. Dentro desta perspectiva, propõe-se um espaço para o diálogo e a reflexão sobre as trocas e os fluxos que caracterizam essa relação(s).

Local: Sala 209, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 As primeiras traduções brasileiras de I promessi sposi
Francisco José Saraiva Degani
(USP)
O Futurismo Italiano nas antologias de língua portuguesa
Rafael Zamperetti Copetti
(UFSC)
Giovanni Papini através das décadas
Aline Fogaça dos Santos Reis e Silva
(Universidade de São Paulo – USP)
De consumo… ma non troppo
Andrea Santurbano
(UFSC)
13:30-15:00 Traduções e tradutores de poesia. A poesia de Leopardi traduzida no Brasil
Lucia Wataghin
(USP)
Pasolini dopo Pasolini: traduzione e ricezione in Brasile nei primi venti anni dalla morte (1975-1995)
Gesualdo Maffia
(USP)
Língua, expressões e ditos populares na tradução de Il seme sotto la neve
Suélen de Bortolo
(UFSC)
A contribuição do tradutor na difusão da Weltliteratur
Gaetano D’Itria
(Tradutor e Graduando UFRJ)
15:30-17:00 Traducendo Cesare Ruffato
Mariarosaria Fabris
(USP)
Vasco Pratolini no Brasil
Giselle Larizzatti Agazzi
(USP)
Uma História de pobres amantes
de Vasco Pratolini
Maria Gloria Vinci
(USP)
Tradução e agenciamentos
Patricia Peterle
(UFSC)

RESUMOS

1) “A contribuição do tradutor na difusão da Weltliteratur”

Gaetano D’Itria (Tradutor e Graduando UFRJ)

Uma obra de arte (literária, poesia ou narrativa, teatral, cinematográfica) tem sua fortuna crítica também através da tradução. O diálogo entre culturas, sem dúvida, enriquece a pessoa. Qualquer pessoa de qualquer lugar. E é fator de desenvolvimento e progresso. Bizzarri traduzindo João Guimarães Rosa deu aos italianos a possibilidade de encontrar o Brasil com seus mitos, sua poesia, seus valores metafísico-religiosos. Haroldo de Campos transcriou Ungaretti e Leopardi oferecendo aos brasileiros novas oportunidades. Na Itália se pensa em dialeto e se fala em língua italiana. Camilleri engendra seu contos misturando italiano e dialeto. Como traduzir a aura dialetal que perpassa o conto e que dela é a fonte? A mediação cultural operada pelo tradutor contribui à afirmação do Outro aproximando entre elas línguas e culturas diferentes. Esse encontro ultramarino e ultracultural contribui à difusão do conceito goetheano de Weltliteratur fomentando o dialogo entre povos e culturas.

2) “As primeiras traduções brasileiras de I promessi sposi

Francisco José Saraiva Degani (USP)

A versão final do romance de Alessandro Manzoni, I promessi sposi, é datada de 1840. Depois de 2 versões anteriores (1821 e 1827) o autor fixa finalmente sua redação em 1840. A partir de 1827, portanto a partir da versão intermediária do romance, começam a circular as traduções europeias, sendo a primeira em alemão. A primeira tradução para o português, de Portugal, acontece entre 1863-1864, com o estranho título de Os desposados ou a peste. O fato é que em poucos anos o romance era lido nas principais línguas europeias em edições muito cuidadas, mas frequentemente não completamente fieis ao original. No Brasil, aparentemente, a primeira tradução foi publicada em 1900 pelo editor J. Azevedo, de São Paulo. Logo a seguir, em 1902, vem publicada pela Livraria Garnier uma edição ricamente encadernada e ilustrada que, no entanto, como a anterior, não identifica o tradutor. Nesta tradução há indícios de não ter sido traduzida do italiano, mas da versão francesa da mesma editora Garnier. Até 1950 surgem mais duas traduções: a de Marina Guaspari para os Irmãos Pongetti Editores e a de Raul de Polillo para a W. M. Jackson. O que se propõe aqui é uma rápida análise dessas traduções que guardam relação com os métodos de tradução e edição da primeira metade do século passado.

3) “De consumo… ma non troppo

Andrea Santurbano (UFSC)

A pesquisa sobre “Literatura italiana traduzida no Brasil: 1900-1950” permitiu redescobrir e repensar nomes de autores que marcaram uma época, embora se encontrem hoje praticamente esquecidos. É o caso, dentre outros, de Lucio D’Ambra, autor de uma vasta obra e escritor de ponta da editora Mondadori, e de Alessandro Varaldo, um dos primeiros criadores do romance policial na Itália. A partir desta perspectiva, será possível traçar um breve quadro dos fluxos culturais, do desenvolvimento do mercado editorial, da assiduidade das traduções e da repercussão da literatura italiana no Brasil, além de uma reflexão sobre os conceitos de origem e pervivência das obras artísticas nesse trânsito.

4) “Giovanni Papini através das décadas”

Aline Fogaça dos Santos Reis e Silva
(Universidade de São Paulo – USP)

O autor florentino Giovanni Papini (1881-1956) é um dos escritores mais traduzidos no Brasil. Tal afirmação é resultante do levantamento feito através do projeto Literatura Italiana Traduzida no Brasil (1900-1950), desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade de São Paulo, com apoio do CNPq. Diante desse resultado, é possível notar a significativa recepção e repercussão de seus livros no Brasil, fato este que propõe uma reflexão sobre quais aspectos teriam colaborado para a ampla difusão da obra Papiniana no sistema literário brasileiro. Entre eles, o período áureo da tradução compreendido na era Vargas e o consequente empenho das editoras em trazer ao público-leitor coleções com importantes títulos da literatura estrangeira.

5) “Língua, expressões e ditos populares na tradução de Il seme sotto la neve

Suélen de Bortolo (UFSC)

A presente proposta tem como objeto de estudo a tradução do romance Il seme sotto la neve (1941), do escritor italiano Ignazio Silone, para o português brasileiro, com o título “A semente sob a neve”, publicada pela Editora Brasiliense em 1947, com tradução de Eglantina Santi. Pensando a tradução como pervivência, nos apoiaremos no teórico que aborda essa temática, Walter Benjamin e tomando por base o conceito da domesticação de Lawrence Venuti e letra de Antoine Berman, analisaremos as teorias que perpassam esse viés. A perspectiva dessa comunicação é focar o tratamento dado a algumas expressões e ditos populares da língua italiana que aparecem no romance siloniano e refletir sobre a solução dada pela tradução de 1947 dialogando teóricos acima citados.

6) “O Futurismo Italiano nas antologias de língua portuguesa”

Rafael Zamperetti Copetti (UFSC)

Considerando-se que assim como as revistas e jornais literários e culturais e a universidade as antologias literárias são uma instância de consagração de obras e autores, esta comunicação concentra-se no exame das duas (e provavelmente únicas) antologias de manifestos do Futurismo Italiano em língua portuguesa: a
Antologia do Futurismo Italiano: Manifestos e poemas, de José Mendes Ferreira, publicada em Portugal em 1979, e O Futurismo Italiano, de Aurora Bernardini, publicada no Brasil em 1980. Auxiliam o exame destas duas antologias duas outras: Marinetti e il futurismo, de Luciano De Maria, publicada na Itália em 1973, e
Futurism and its place in the development of modern poetry: A comparative study and anthology, de Zbigniew Folejewski, publicada no Canadá em 1980 e que, por sinal, contempla a literatura brasileira através da presença do poema “Ode ao burguês”, de Mário de Andrade. Em suma, busca-se compreender, sobretudo à luz dos estudos de Iser, Jauss e Dieter Stempel, em que medida a seleção dos textos traduzidos e os paratextos que compõem as edições em questão atuam não apenas para a consagração dos autores traduzidos, mas também em um plano mais amplo para a recepção destes autores e suas obras nos países de língua portuguesa.

7) “Pasolini dopo Pasolini: traduzione e ricezione in Brasile nei primi venti anni dalla morte (1975-1995)”

Gesualdo Maffia (USP)

Pier Paolo Pasolini visitò il Brasile solo una volta, nel marzo 1970, di ritorno dal festival cinematografico di Mar de la Plata. Tuttavia, soprattutto dopo la mortee nonostante le restrizioni della dittatura,la sua presenza nella vita culturale del Paese iniziò a manifestarsi concretamente, attraverso le traduzioni dei suoi scritti giornalistici e letterari e la diffusione dei suoi film, grazie anche alla mediazione, non sempre benevola, di Glauber Rocha. Questa ricerca vuole provare a definire le linee principali di questa crescente presenza, focalizzando l’attenzione sulle traduzioni degli scritti pasoliniani e il dibattito da esse suscitato in Brasile nel periodo considerato.

8) “Tradução e agenciamentos”

Patricia Peterle (UFSC)

A proposta dessa comunicação é pensar na tradução como elemento operador, como um “agenciamento” na relação com o outro. Nessa perspectiva abrem-se inúmeras possibilidades para se refletir sobre a literatura italiana traduzida no Brasil, a via do cânone Dante e Manzoni e aquela marcada pelas descentralização, guiada por um deslocamento, por uma mescla que promove a multiplicidade. A ideia é portanto aquela de seguir as linhas tortuosas do descompasso e verificar algumas insurgências cruciais nessas relações no século XX.

9) “Traduções e tradutores de poesia. A poesia de Leopardi traduzida no Brasil.”

Lucia Wataghin (USP)

A comunicação pretende focalizar o trabalho dos tradutores brasileiros da poesia leopardiana, a partir especialmente do conjunto das traduções dos Cantos reunidas no volume Poesia e prosa de Giacomo Leopardi, organizado por Marco Lucchesi (Nova Aguilar, 1996). Para a ocasião, as traduções foram realizadas por seis poetas, “nomes consagrados da poesia nacional”, como escreve o organizador do volume. Objetivo da indagação é identificar afinidades e diferenças nas estratégias dos diferentes tradutores, mas também observar, na medida do possível, a posição e o papel da tradução desses poemas leopardianos na história da atividade tradutória dos seis poetas.

10) “Traducendo Cesare Ruffato”

Mariarosaria Fabris (USP)

Durante alguns anos, dediquei-me a traduzir para o português composições do poeta italiano Cesare Ruffato, divulgando-as em reuniões científicas e publicações (anais, revistas) brasileiras. Com o intuito de colaborar com o levantamento dos textos italianos vertidos entre nós para a língua portuguesa, que já deu origem ao site Dicionário bibliográfico da literatura italiana traduzida no Brasil (1900–1950), gostaria de tecer considerações sobre a poética de Ruffato e comentários relativos à minha tarefa tradutória nesse caso específico.

11) “Uma História de pobres amantes”, de Vasco Pratolini”

Maria Gloria Vinci (USP)

A tradução das obras literárias coloca o público leitor no centro do diálogo entre duas culturas diferentes, o que gera inúmeras reflexões sobre a relação entre elas. Em torno dessas reflexões, o centenário de nascimento de Vasco Pratolini motivou uma pesquisa sobre a tradução da sua obra no Brasil. Apesar dos seus mais de quinze livros publicados, apenas um foi traduzido, o Cronache di poveri amanti (1947), cuja repercussão mundial foi animada por sua adaptação para o cinema por Carlo Lizzani, lançado na Itália em 1953. A comunicação pretende discutir a História de pobres amantes, 1963, traduzido por Carla Inama de Queirós, e publicado originariamente pela editora Civilização Brasileira, a fim de pensar nos fluxos tradutórios e nas relações culturais entre Itália e Brasil.

12) “Vasco Pratolini no Brasil”

Giselle Larizzatti Agazzi (USP)

O centenário de nascimento de Vasco Pratolini motiva uma reflexão crítica sobre a recepção da sua obra entre o público brasileiro. Intelectual atuante na Itália dos anos do pré-segunda guerra mundial até a data de sua morte, em 1991, intercalando publicações polêmicas com longos períodos de silêncio, Pratolini foi lido pelos intelectuais e artistas brasileiros, como se pode colher em alguns artigos de jornal ou depoimentos esparsos. Entretanto, também como se pode atestar nos jornais da época, na fortuna crítica sobre sua obra e até mesmo na preocupação em traduzi-la no Brasil, o nome de Pratolini ficou muito mais conhecido pelas obras que teve adaptadas para o cinema e por sua participação em alguns roteiros do que pelos livros que publicou. A comunicação pretende apresentar a recepção do escritor no Brasil, a fim de refletir sobre as relações culturais entre Brasil e Itália e de contextualizar a recepção de seu único livro traduzido e publicado no Brasil, Cronache di poveri amanti (1947).

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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