Simpósio: A tradução entre dois oceanos: Brasil e Peru

Coordenadores: Rômulo Monte Alto (UFMG) e Ligia Karina Martins de Andrade (UFAM)

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Traduzir pressupõe a retomada de um princípio básico na ordem da natureza humana, em que todo processo de intercâmbio está implicado: o mesmo movimento que leva alteridade, também traz alteridade. Desse modo é possível imaginar o papel simbólico desencadeado pela rodovia recentemente construída entre os dois países, como fator de integração regional. Como ponto de interseção entre duas regiões do continente latino-americano cuja representação comum padece de densidade, a estrada, como um sugestiva representação gráfica do sinuoso trabalho da tradução, assume a figura de ponto de encontro e exercício da performance que o conhecimento assume, em ambos lados da fronteira. Conhecer e reconhecer as histórias, tradições, e conflitos do outro é se colocar de frente para o caminho que leva até ele. O universo andino peruano, herdeiro de uma cultura milenária, reclama sua tradução no interior do país vizinho, e vice-versa, a partir de vários campos disciplinares. Serão aceitas comunicações que versem sobre a tradução em seu sentido estrito, assim como trabalhos de provenientes de outras disciplinas (trabalhos não vinculados ao campo apenas da tradução, mas também da Historia, Ciência Social, Teatro, etc.) que tenham como universo de pesquisa o mundo andino e aportem conhecimento sobre a realidade peruana.

 

Local: Sala 207, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00
A traducción dos Zorros de Arguedas ao português: dilemas e extravios
Romulo Monte Alto
(UFMG)
O interdiscurso na tradução dos yaravíes
Márcio Luiz Oliveira Pinheiro
(UNICAMP)
La traducción entre dos océanos culturales: la obra de Vallejo y sus traducciones en Brasil
Ana Cláudia R. Trierweiller Prieto
(UFSC)
15:30-17:00
O tradutor/autor e a (re)inscrição de mitos indígenas na literatura peruana e amazônida
Nome: Ligia Karina Martins Andrade
(UFAM)
De Lima a Ayacucho: Traduções da violência através da memória
Rosane Maria Cardoso
(UNISC)
Elisandra Lorenzoni Leiria
(UNISC)
Dioses y Hombres de Huarochirí: Da “extirpação de idolatrias” a instrumento de conhecimento
Afonso Rocha Lacerda
(USP)

RESUMOS

1. “O interdiscurso na tradução dos yaravíes
Márcio Luiz Oliveira Pinheiro Nome (UNICAMP)

Ao analisar os yaravíes de Mariano Melgar percebeu-se que o seu intradiscurso é composto de clichês, paralelismos, duplicações e aberturas, revelando-nos um já-dito que o aproxima de um fazer poético característico da cultura quéchua pré-hispânica. Husson (1989) afirma que essa característica da poesia quéchua, além de clichês, paralelismos, duplicações e aberturas, engloba também um uso de morfemas gramaticais distintos do uso comum deles na língua quéchua. O interdiscurso dos yaravíes de Mariano Melgar aponta para expressão de um sentimento pela ausência da pessoa amada que é a mesma representada pelo harawi gênero poético da poesia quéchua pré-hispânica. Os yaravíes de Mariano Melgar encontram no harawi um vínculo. A evidência do interdiscurso é percebida na expressão do já-dito que é apreendido pelo fio do discurso do sujeito. Diante do exposto, é necessário que o tradutor ao traduzir os yaravíes de Mariano Melgar observe a estrutura composicional deles para que a expressão do intradiscurso seja preservada, a sua coerência histórica segundo a sua situação composicional seja mantida e o fio do discurso poético mantenha a sua vinculação com a poesia quéchua pré-hispânica.

2. “La traducción entre dos océanos culturales: la obra de Vallejo y sus traducciones en Brasil”
Ana Cláudia R.Trierweiller Prieto (UFSC)

Vallejo nació en Santiago de Chuco, poblado en la sierra andina peruana, el poeta era mestizo, por sus venas corría la sangre quechua, mochica y español. Considerado el más grande poeta del Perú, pero, en Brasil no tenemos la traducción de sus obras completas. Una de las justificativas, quizá, sea la complexidad de su lenguaje, a través de las influencias de las formas ancestrales y la creación de un nuevo lenguaje poético se suman a las dificultades de la traducción de poesía y pocos se atreven a esta empresa. Aún así, tenemos traducida parte de su obra poética al portugués, por la iniciativa del poeta de amazonia Thiago de Mello y posteriormente la traducción de algunos poemas selectos por el profesor Amálio Pinheiro. A través del análisis de estas traducciones vamos buscar en este artículo establecer cuales soluciones presentan los traductores para transponer el inmenso silencio que se impone entre dos culturas tan grandes de América latina. Entendemos la tarea de la traducción como responsable por romper el silencio entre una cultura y otra y generar un cambio entre visiones de mundo y su representación en el arte.

3. “De Lima a Ayacucho: Traduções da violência através da memória”
Rosane Maria Cardoso (UNISC); Elisandra Lorenzoni Leiria (UNISC)

A imagem da América Latina é marcada fortemente pelo fenômeno da violência, temática incorporada de forma contundente pela literatura e, durante muito tempo, vinculada a uma perspectiva regionalista. Atualmente, a narrativa hispano-americana parece apresentar-se mais heterogênea, com temáticas que se voltam, frequentemente, para um narrar subjetivo sobre conflitos vividos. Propomos, nesta comunicação, refletir sobre a violência na narrativa contemporânea e sobre a perspectiva com que essa situação é narrada em La hora azul (2005), de Alonso Cueto. Na obra, o leitor acompanha a saga do protagonista que penetra gradualmente na vida do povo torturado e dividido entre dois fogos durante “la guerra sucia”, no Peru. Acreditamos que o texto manifesta-se numa possibilidade de revelar, através da memória, como o sujeito se constitui e como ele constitui o outro, no sentido da relação entre aquele que está de posse do discurso hegemônico e aquele que é tema da sua narrativa, isto é, neste caso, entre o sujeito urbano e o campesino. Consideramos que esse olhar permite pensar a obra como um modo de tradução do outro e do conflito propriamente dito.

4. “Dioses y Hombres de Huarochirí: Da ‘extirpação de idolatrias’ a instrumento de conhecimento”
Afonso Rocha Lacerda (USP)

O conjunto de relatos recolhidos em Huarochirí em inícios do século XVII pelo padre Francisco de Ávila tem um insuspeitado e irônico destino ao ser traduzido integralmente para o espanhol e publicado em 1966 por José Maria Arguedas. Expressa uma voz prístina e constitui importante documento acerca dos primeiros contatos com o mundo hispânico. Nos relatos de Dioses y hombres de Huarochirí a oralidade não se dobra às pretensões de ajustar-se aos modelos consagrados da crônica e da história. A desarticulação destas modalidades narrativas a partir das interferências da oralidade, evidencia uma textualidade de outra ordem, cujas características perduram na mediação da letra. Nosso propósito é refletir sobre as marcas desta textualidade, desta voz que não se dobra à letra, mas que com ela se associa, compondo um todo complexo e contraditório. Também pensamos em elucidar algo do vínculo interno entre uma história que subsiste subterraneamente àquela da oficialidade e o mito. Não eludindo o significado desta reflexão para a compreensão da obra literária de Arguedas.

5. “O tradutor/autor e a (re)inscrição de mitos indígenas na literatura peruana e amazônida”
Nome: Ligia Karina Martins Andrade (UFAM)

Este trabalho pretende aproximar a obra Rosa Cuchillo do escritor ancashino Oscar Lucio Colchado e a peça teatral inédita Recriação dos Mitos Tikuna de Nereide Santiago, encenada na cidade de Manaus em 2009 e 2010. Tal aproximação justifica-se pela importância do estudo dos processos de tradução presentes na tentativa de recriação dos mitos indígenas em ambas as obras. O papel do intelectual como tradutor de línguas e culturas –independente de sua origem ou identidade– e a recepção do público leitor ou espectador frente ao texto lido silenciosamente, ou encenado, aponta uma escolha por parte do autor e tradutor das obras em questão. Este aspecto levantado será observado à luz da obra benjaminiana “A tarefa (renúncia) do tradutor” e de outros teóricos da tradução a partir da (re)inscrição dos mitos indígenas. Sabe-se ainda que a obra de Oscar Lucio Colchado foi igualmente levada ao teatro pelo grupo Yuyachkani, o que amplia a possibilidade de tradução intersemiótica a ser explorada em ambas as obras.

6. “A traducción dos Zorros de Arguedas ao português: dilemas e extravios”
Romulo Monte Alto (UFMG)

Traduzir literatura implica numa série de dilemas, sendo que certamente o maior deles será a consciência dos extravios que se realizam na transposição dos textos e que nem sempre deixam tranquilo o tradutor ao final de seu trabalho. Se a assertiva anterior vale para a maioria dos textos, quando se trata de uma obra construída a partir da perspectiva de um conflitante mundo hibrído, linguística e culturalmente, como é a última novela de José María Arguedas, El zorro de arriba y el zorro de abajo (1971), o trabalho se reveste de um desafio de maior responsabilidade. Se é certo o que afirmou Julio Prieto (2008) de que será na língua literária o lugar onde as palavras e as expressões levam uma intensa “carga de eletricidade histórica”, o trabalho tradutor deverá buscar maneiras de colocar em funcionamento em máquina de sentidos ao outro lado da fronteira. Discutir os dilemas e extravios realizados na tradução, tendo como referente a afirmação de Prieto, será o objetivo desta comunicação.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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3 thoughts on “Simpósio: A tradução entre dois oceanos: Brasil e Peru

  1. Pingback: Lista de simpósios | ABRAPT

  2. Tanto o meu mestrado quanto o meu doutorado foram sobre César Vallejo. Seria possível receber o e-mail dos Coordenadores Rômulo Monte Alto e Ligia Karina Martins de Andrade, bem como o de Ana Claudia R Trierweiller Prieto? Grata,

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