Simpósio: A TRADUÇÃO DE OBRAS FRANCESAS NO BRASIL

Coordenadores:
Marta Pragana Dantas (PPGL/UFPB)
Ana Cláudia Romano Ribeiro (Mestrado em Letras/UNINCOR)

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Voltado para a tradução de obras francesas no Brasil, este simpósio acolherá trabalhos de temática variada, oriundos de diferentes horizontes teóricos e que venham a contribuir de forma significativa para a reflexão sobre esse tema em suas diversas formas de atualização. Assim, serão aceitos estudos sobre autores e obras específicos, bem como sobre questões ligadas ao mercado editorial, à análise de traduções no campo literário brasileiro a questões teóricas e à história da tradução. Serão aceitos trabalhos tanto em língua portuguesa quanto em língua estrangeira, desde que, neste último caso, o proponente entregue, antes da apresentação, arquivo (formato word ou pdf) do texto traduzido para o português a fim de que seja projetado durante sua intervenção

Local: Auditório da Biblioteca Universitária

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 O curso perdido de Durkheim
Aldo Litaiff
(PPGCL/Unisul e Museu da UFSC)
Tradução de humor: práticas de tradução em Astérix
Michele Sodré
(UFRJ)
Madame Bovary no Brasil oitocentista: questões de mercado editorial e público leitor
Andréa Correa Paraiso Müller
(Universidade Estadual de Ponta Grossa)
A circulação de obras francesas no Brasil: reflexões acerca de alguns obstáculos à tradução
Marta Pragana Dantas
(PPGL/UFPB)
Jacq e Clément: o valor simbólico e a leitura na tradução de obras francesas no Brasil
Josely Bogo Machado Soncella
(UEL)
A retradução de Corinne ou l’Italie, de Mme de Staël, no Brasil
Narceli Piucco
(PGET/UFSC)
André Breton traduzido no Brasil
Anderson da Costa
(UFSC)
15:30-17:00 As traduções italiana, inglesa e brasileira de La terre australe connue (Genebra, 1676)
Ana Cláudia Romano Ribeiro UNINCOR
A tradução dos termos polissêmicos “mesure” e “parole” nas Cinq grandes odes (1910) de Paul Claudel
Rodrigo de Lemos
(UFCSPA)
Robert Ponge
(PPG-Let/UFRGS)
O uso das figuras de linguagem como representação da monstruosidade: uma proposta de tradução do capítulo Lasciate ogni speranza, da obra Notre-Dame de Paris
Jocileide Silva
(UnB)
Paul et Virginie, uma incursão pelas traduções brasileiras
Giovana Bleyer Ferreira dos Santos
Marie-Hélène Catherine Torres Torres
(PGET/UFSC)
Joseph Jacotot, o Ensino Universal e a Tradução
Ana Helena Rossi
(UnB)
Tadeu Toniatti
(UnB)
Aspectos da tradução do CLG para o português brasileiro – uma análise com base na recuperação automática de informações
Alena Ciulla
(UFRGS)
Maria José Bocorny Finatto
(UFRGS)
Lucelene Lopes
(PUC-RS)
Kiriku e a feiticeira (1998), de Michel Ocelot: a legendação de um desenho animado inspirado na cultura africana
Mayara Matsu Marinho
(PGET/UFSC)
Le français des Beurs : os obstáculos da tradução de Le gone du Chaâba de Azouz Begag
Kall Lyws Barroso Sales
(PGET/UFSC)
As razões d’O sumiço da letra a em um romance sem e: um estudo sobre uma tradução do romance La disparition, de Georges Perec
Vinicius Carneiro
(PUC-RS)

RESUMOS

1) A circulação de obras francesas no Brasil: reflexões acerca de alguns obstáculos à tradução
Marta Pragana Dantas (PPGL/UFPB)

O que impede a circulação de obras entre culturas? Quais critérios de julgamento definem as obras que “merecem” ser traduzidas? Tomando estas questões como eixo norteador, o trabalho debruça-se sobre a análise dos obstáculos à tradução de obras francesas no Brasil, lançando luz sobre alguns mecanismos e operações sociais (Bourdieu) que intervêm nessas trocas culturais. A reflexão se apoia em dados obtidos junto a intermediários da tradução (editores, tradutores e embaixada) sediados no Rio de Janeiro e em São Paulo, entrevistados no âmbito da pesquisa.

2) A retradução de Corinne ou l’Italie, de Mme de Staël, no Brasil
Narceli Piucco (narcelipiucco@yahoo.com.br)
Universidade Federal de Santa Catarina-PGET

Este trabalho está relacionado a pesquisa de doutorado sobre a retradução de Corinne ou l’Italie (1807), de Madame de Staël. Abordamos inicialmente a vida e a obra de Staël, com ênfase em Corinne ou l’Italie, traduzida e retraduzida em outras línguas, sobretudo inglês, italiano e alemão. Em seguida, descrevemos a primeira tradução para o português do Brasil – Corina ou a Itália (1945, Edições Cultura). Finalmente, propomos um projeto de retradução que visa a acolher o estrangeiro e destacar a letra da obra, bem como o trabalho do tradutor. Para traduzir a letra do texto “é preciso também traduzir o seu ritmo, o seu comprimento (ou sua concisão), suas eventuais aliterações etc.” (BERMAN, 1999, p.14). Comentamos nossa retradução com exemplos dos traços semânticos, culturais, estilísticos presentes ao longo dos XX livros do romance. Os comentários do processo de tradução permitem uma frutífera troca literária e cultural, e a tradução, o estudo e conhecimento da obra de Staël, por consequência, enriquecem o cânone da literatura francesa traduzida no Brasil.

3) A tradução dos termos polissêmicos “mesure” e “parole” nas Cinq grandes odes (1910) de Paul Claudel

Rodrigo de Lemos (UFCSPA)
Robert Ponge (PPG-Let/UFRGS)

A linguagem poética de Paul Claudel (1868-1955) destaca-se pela exploração recorrente da polissemia como recurso expressivo para dizer sua concepção do universo e da criação estética. Contribuindo para a riqueza de significação de seus poemas, os termos polissêmicos podem, ao mesmo tempo, suscitar perplexidades e impor escolhas difíceis ao tradutor brasileiro. É do que trataremos nesta comunicação, que se debruça sobre as dificuldades de tradução ocasionadas por algumas ocorrências de termos polissêmicos nas Cinq Grandes Odes (1910). Após uma breve apresentação das Odes e de alguns de seus temas centrais, passaremos a uma exposição do conceito de polissemia (diferenciando-o do de homonímia). Finalmente, deter-nos-emos em dois exemplos de polissemia nas Odes (os termos mesure e parole); por meio de uma análise de sua ocorrência nesses poemas de Claudel e da consideração de seus sentidos em francês, mostraremos como as significações religiosa e estética de que ambos estão imbuídos podem criar impasses quando de sua tradução para o português.

4) André Breton traduzido no Brasil
Anderson da Costa (UFSC)

Fundador e uma das principais vozes do surrealismo, André Breton foi traduzido pela primeira vez para o português do Brasil em 1985, pouco mais de 60 anos do surgimento do surrealismo na França. Da segunda metade dos anos 80 para cá apenas mais três obras de Breton foram traduzidas para o português brasileiro, sendo duas delas ainda naquela década. A comunicação aqui proposta objetiva discutir essas traduções, procurando situá-las no contexto de marginalização do surrealismo no sistema literário brasileiro.

5) As razões d’O sumiço da letra a em um romance sem e: um estudo sobre uma tradução do romance La disparition, de Georges Perec
Vinicius Carneiro (PUC-RS)

O romance lipogramático e oulipiano de Georges Perec La dispartion (1969), escrito sem a letra e, a mais frequente em língua francesa, apresenta uma complexidade que vai além da simples ausência de uma letra do alfabeto. Trata-se de um romance no qual o desaparecimento do a impregna as imagens, símbolos e sonoridades sugeridas ao longo da narrativa, com esta dialogando. Alguns críticos chegam a afirmar que essa característica faz de La disparition um romance eminentemente metatextual (MAGNÉ, 1986). Estando no meio do processo tradutório desta obra para o português e considerando os aspectos acima apresentados, pululam uma série de questões. É possível traduzir um romance com tal complexidade e com essas restrições (contraintes)? Qual seria a letra a ser apagada em português brasileiro? O que está implícito nessa escolha fundamental? Partindo das reflexões de Haroldo de Campos sobre transcriação, objetiva-se explicitar alguns dos caminhos traçados para a confecção da tradução, ilustrando a sua relevância com extratos da tradução em curso e contextualizando a complexidade (simbólica, sonora e visual) do texto de Perec.

6) As traduções italiana, inglesa e brasileira de La terre australe connue (Genebra, 1676)

Ana Cláudia Romano Ribeiro (UNINCOR)

Relato de uma viagem imaginária a um país utópico, tingido de paradoxos, La terre australe connue foi publicada em Genebra, em 1676, por um ex-monge convertido ao calvinismo, o francês Gabriel de Foigny. Publicado no século de Louis Le Grand, este livro apresenta uma face pouco conhecida da República das Letras, marginal em relação aos valores estéticos do classicismo francês. Ele foi traduzido para o italiano (por Maria Teresa Bovetti Pichetto, Napoli: Guida, 1978), para o inglês (por David Fausett, Syracuse, New York: Syracuse University Press, 1993) e para o português do Brasil (por Ana Cláudia Romano Ribeiro, Campinas: Editora da Unicamp, 2011). Os três tradutores foram também os organizadores dessas edições, para as quais escreveram introduções e notas. O objetivo desta comunicação é cotejar as três traduções com o original (conforme o texto estabelecido por Pierre Ronzeaud, Paris: STFM, 1990), visando a discutir algumas das particularidades de cada versão e as implicações de certas escolhas tradutórias.

7) Aspectos da tradução do CLG para o português brasileiro – uma análise com base na recuperação automática de informações
Alena Ciulla (UFRGS)
Maria José Bocorny Finatto (UFRGS)
Lucelene Lopes (PUC-RS)

Este trabalho se insere na pesquisa intitulada Recuperação da informação em representação do conhecimento em bases de textos científicos de Linguística e de Medicina, iniciada em novembro de 2012. Trata-se de investigação interdisciplinar, na qual se associam Letras/Linguística e Ciência da Computação/Processamento da Linguagem Natural, em que são explorados dois corpora de textos científicos: um de Medicina, na subárea das Pneumopatias Ocupacionais, e outro de Linguística, que é o texto do Curso de Linguística Geral (CLG), de F. de Saussure, em português e em seu original em francês. Os corpora serão tratados computacionalmente com a ferramenta ExatoLp para a extração automática dos termos relacionados a alguns conceitos-chave do CLG em ambas as línguas. Nesta apresentação, destacamos aspectos sobre a tradução desses conceitos para o português brasileiro e, considerando a tradução como transposições de um mesmo texto, enfatizamos os processos de recategorização.

8) Jacq e Clément: o valor simbólico e a leitura na tradução de obras francesas no Brasil

Profa. Dra. Josely Bogo Machado Soncella (UEL)

O presente trabalho propõe enfocar as relações entre o valor simbólico (Bourdieu, 1996) e a leitura (Bourdieu e Chartier, 2001) através da análise de dois romances de literatura francesa contemporânea traduzida no Brasil. Inicialmente, a partir de um levantamento de obras ficcionais francesas traduzidas no país entre 2000 e 2010, selecionamos dois dos romances mais vendidos: Ramsés: o filho da luz, de Christian Jacq (2007), e A viagem de Théo: romance das religiões, de Cathérine Clément (1998), para a constituição do corpus. Tendo em vista seu caráter comercial, buscamos comprovar como as obras em questão possuem um valor simbólico para os leitores semelhante ao do folhetim do século XIX, e, ainda, como a própria constituição dessas obras, seja em seu conteúdo ou em sua materialidade, interferem na recepção da leitura, compreendida enquanto prática social e distintiva e, portanto, em seu valor simbólico.

9) Joseph Jacotot, o Ensino Universal e a Tradução
Ana Helena Rossi & Tadeu Toniatti (UnB)

Esta comunicação analisa a concepção de tradução na obra de Joseph Jacotot, a partir de dois eixos fundamentais: 1) a teia de relações conceituais envolvendo “língua”, “cultura”, “tradução” e “universal x particular”, entre outros; e 2) a construção do projeto de tradução da obra Enseignement Universel – Langue Maternelle de Joseph Jacotot para a língua portuguesa do Brasil a partir do projeto tradutório. Nesse sentido, o contexto de produção da obra é fundamental. Jacotot, participante da Revolução Francesa exilado na Bélgica, fundou, em 1818, o Ensino Universal, prática pedagógica baseada no pressuposto da igualdade das inteligências humanas, a tradução constituinho um dos pilares de seu método. Tal ideia se encaixa na sua concepção da tradução dentro da tradição francesa do século XVII, século das Belles Infidèles. A análise tem como base o livro Enseignement Universel – Langue Maternelle [5ª edição, 1834], obra importante para compreender a concepção de Jacotot em relação à tradução.

10) Kiriku e a feiticeira (1998), de Michel Ocelot: a legendação de um desenho animado inspirado na cultura africana
Mayara Matsu Marinho (PGET/UFSC)

Neste trabalho, busca-se ampliar os estudos na área de legendação, em relação a marcas culturais e sua influência nos processos de tradução. A obra utilizada será o longa-metragem de animação Kiriku e a feiticeira (Kirikou et la sorcière), produzido pela França, Bélgica e Luxemburgo, dirigido por Michel Ocelot e lançado na França em 1998. Analisaremos a partir das falas em francês do texto original como foram traduzidas as marcas culturais africanas para as legendas em português, considerando que o ponto de partida é a representação da África do Oeste pelo diretor francês e a cultura de chegada é a brasileira. Identificaremos e tentaremos compreender os mecanismos e estratégias utilizados pelo tradutor para traduzir as marcas culturais africanas, considerando as características próprias a esse tipo de tradução.

11) Le français des Beurs: os obstáculos da tradução de Le gone du Chaâba de Azouz Begag
Kall Lyws Barroso Sales (PGET/UFSC)

Tradução literária implica em tarefa difícil para aquele que se dispõe a produzi-la, pois não se pode esquecer as culturas envolvidas no texto literário, sobretudo quando dentro de uma mesma obra temos a representação de culturas marcadas pela linguagem, como no caso das obras de Azouz Begag. Nascido na periferia de Lyon e filho de imigrantes, A. Begag frequentemente apresenta, em sua obra, a vida dos Beurs, jovens franceses de origem magrebina, valorizando sua cultura e construindo um modelo positivo de identidade. No caso deste trabalho, o desafio de processo tradutório do livro Le gone du Chaâba é a permanência das características da identidade magrebina na obra em português e dos elementos que estrangeirizam o texto em língua francesa. Pretende-se descrever as estratégias de tradução para o português brasileiro de um livro escrito em francês que mistura elementos do francês variante de prestígio, do francês específico de Lyon, do francês/árabe e do árabe em um único romance.

12) Madame Bovary no Brasil oitocentista: questões de mercado editorial e público leitor
Andréa Correa Paraiso Müller (Universidade Estadual de Ponta Grossa – PR)

Em meados do século XIX, o romance francês Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, circulou no Brasil na língua original. É surpreendente que uma obra que havia atingido elevados índices de venda na França e provocado debates na imprensa não tenha sido traduzida no calor da hora no Brasil ou em Portugal, contrariando a prática então vigente. No início da década de 1870, Arthur de Oliveira obteve permissão do autor e do editor Michel Lévy para traduzir a obra no Brasil. Porém, não se tem notícia do texto. A primeira tradução do romance para nossa língua foi feita em 1881 pelo português Francisco Ferreira da Silva Vieira (GONÇALVES, 2006) e, ao que parece, contribuiu para que o romance ganhasse um público mais amplo: a obra foi anunciada por livrarias populares, que o encaixaram na seção “romances para homens”, rubrica reservada a textos de cunho erótico. O trabalho tem por objetivo: 1) investigar até que ponto a não publicação da tradução de Arthur de Oliveira está relacionada a um dos mais importantes critérios de avaliação de romances da época ─ a moral; 2) compreender em que medida a tradução de Silva Vieira contribuiu para uma relativa popularização de Madame Bovary no Brasil.

13) O curso perdido de Durkheim
Aldo Litaiff (PPGCL/Unisul e Museu da UFSC)

Pragmatismo e Sociologia, livro referente ao último curso que Émile Durkheim ministrou na Sorbonne entre 1913 e 1914, faz uma retrospectiva do pensamento ocidental e da obra do autor, centrada nas críticas dos ditos filósofos pragmatistas norte-americanos ao que Durkheim chama “ortodoxia da Sociologia Francesa”. O curso foi dirigido para alguns alunos, dentre eles André Durkheim, seu filho, pouco tempo depois da publicação de Formas Elementares da Vida Religiosa, e um pouco antes de sua morte (1917). André morre durante a I Guerra, suas notas referentes ao curso senso perdidas. Durante a II Guerra, os Nazistas destroem as notas originais coletadas pelo autor. A recuperação dessa obra inédita foi possível graças ao pedido de Marcel Mauss, sobrinho de Durkheim, em l’Année Sociologique (1925), que a qualifica como “a coroação da filosofia de Durkheim”. A primeira publicação póstuma dos manuscritos ocorreu apenas em 1955, a partir de notas de ex-alunos. Há ainda uma segunda edição francesa de 1981 e uma inglesa de 1982, ambas esgotadas. Atualmente existe à disposição apenas essa tradução em língua portuguesa, publicada pela Editora da UFSC em conjunto com a Editora da Unisul.

14) O uso das figuras de linguagem como representação da monstruosidade: uma proposta de tradução do capítulo Lasciate ogni speranza,
da obra Notre-Dame de Paris
Jocileide da Costa Silva (mestranda – UnB)

O uso de figuras de linguagem é um recurso estilístico bastante utilizado por escritores de literatura como uma forma de enobrecer o texto. Nas obras de Victor Hugo há o emprego desses recursos para problematizar questões políticas e sociais, assim como para fazer comparações inimagináveis e até mesmo grotescas. No capítulo Lasciate ogni speranza, de Notre-Dame de Paris (1831), há o uso de figuras quando é descrito o terrível e monstruoso espaço onde a personagem Esmeralda encontra-se presa. Este trabalho visa a analisar o uso das figuras de linguagem que ajudam a caracterizar esse ambiente, para verificar se na tradução para o português do Brasil, proposta nesta análise, é possível fazer uso dos mesmos recursos. Para isso, propõe-se um trabalho a partir dos estudos de Pierre Fontanier sobre figuras de linguagem e de Paul Ricœur e Marivonne Boisseau no que concerne à tradução. Sobre a monstruosidade, serão trabalhados os textos de Edmond Burke e Claude Kappler.

15) Paul et Virginie, uma incursão pelas traduções brasileiras
Giovana Bleyer Ferreira dos Santos (Doutoranda – PGET-UFSC)
Marie-Hélène Catherine Torres (UFSC)

Paul et Virginie, romance do escritor francês Bernardin de Saint-Pierre, foi publicado pela primeira vez em 1788, como parte do livro Études de la nature, e obteve grande sucesso. Tendo tido sucessivas reedições, ele foi traduzido para diversos idiomas e apareceu como intertexto em romances de escritores como Balzac e Flaubert. No Brasil a primeira tradução encontrada é de 1811 e a última de 1988, o que marca um percurso de mais de cento e setenta anos de tradução e consolida o lugar desta obra na história da literatura francesa traduzida. Neste trabalho apresentaremos um estudo comparativo das traduções brasileiras deste romance. A partir de fragmentos que podem ser lidos como récit poétique, conceito consolidado por Jean Yves Tadié e aplicado por Charara Youmna à obra de Saint-Pierre, procuraremos compreender como foi feito o trabalho tradutório no que se refere à especificidade dessa forma narrativa que é marcada, entre outras coisas, pelo uso de figuras de linguagem.

16) Tradução de humor: práticas de tradução em Astérix
Michele Sodré Gonçalves (UFRJ)

Propõe-se a análise das práticas de tradução de humor nos textos da revista em quadrinhos francesa Astérix, observando-se, identificando-se e destacando-se situações de humor oriundas dos diálogos. Serão ainda comentados o sentido do tema humor, a utilização de estereótipos nos textos humorísticos e o contexto histórico no qual estão inseridos. A série Astérix conta com 34 álbuns e oito edições especiais. Serão analisados os seguintes álbuns: Astérix et les Goths, 1963 (Asterix e os Godos), Astérix chez les Bretons, 1966 (Asterix entre os Bretões), Astérix et Cléopatre,1968 (Asterix e Cleópatra) e Astérix chez Rahazade, 1987 (As mil e uma horas de Asterix). Pretende-se responder a alguns questionamentos. Quais as técnicas usadas pelos tradutores para que o humor não se perca em seus textos? Em que momento da tradução o tradutor não teria obtido o efeito de humor presente no texto original? Visa-se a comprovar que a tradução de humor às vezes implica mudanças na estrutura do texto, e que o mais importante, quando se traduz um texto de humor, é manter seu perfil cômico para que não se perca a sua finalidade.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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One thought on “Simpósio: A TRADUÇÃO DE OBRAS FRANCESAS NO BRASIL

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