Simpósio: A tradução como espaço do provisório e do intraduzível: relações de tempo e espaço entre as línguas

Coordenadoras: Alessandra Ramos de Oliveira Harden (UnB) e Viviane Veras (UNICAMP)

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Este simpósio quer abrigar comunicações em que se discuta a tradução como processo e produto em que se tenta desfazer a impossibilidade de comunicar. Considera-se aqui que essa impossibilidade inerente se apresenta como resultado das distâncias entre o texto fonte, seu autor e o momento de criação, por um lado, e o tradutor, o leitor e o momento da criação da tradução e da leitura do texto traduzido por outro.

O interesse do simpósio é, portanto, discutir tentativas de tradução como momentos em que a passagem do tempo e o deslocamento espacial são desfeitos pelo tradutor, cujo olhar deixa no texto traduzido marcas de atualização (ou localização) do texto fonte. Tomamos como ponto de partida a afirmação benjaminiana de que “toda tradução é apenas uma forma, de algum modo provisória, de lidar com a estranheza das línguas” (BENJAMIN, 2010, p. 215), e levantamos a hipótese de que essa forma provisória é ditada pelo que de cada língua permanece intraduzível. Esse intraduzível, longe de negar a tradução, afirma-a como uma tarefa cuja riqueza está justamente no “provisório” que insiste em sempre pôr em cena, ao mesmo tempo em que se põe à escuta das diferenças, dos equívocos e das lacunas. Diante do descompasso entre a língua e o mundo do texto a traduzir e sua própria língua, seu próprio mundo, cada tradução é apenas uma possibilidade materializada entre tantas outras que se perderam e que poderiam ter chegado a existir em situação diferente.

Nesse sentido, são vários os elementos que definem ou limitam as escolhas tradutórias e confirmam sua condição de transitoriedade e mesmo de intraduzibilidade. Na tentativa de dar materialidade ao que é, na sua essência, imaterial e intangível, o tradutor revela a humanidade presente na escrita, uma vez que, a “única fonte para o significar é justamente o ser transitório do mundo, a ruptura com a transcendência” (SELIGMANN-SILVA, 2005, p. 127).

Nessa linha, o presente simpósio tem o objetivo de abarcar discussões acerca desse jogo entre o material e o imaterial, considerando questões de intraduzibilidade e transitoriedade. Além de aspectos ligados a traços linguísticos que desafiam o tradutor, o que se quer é debater também a influência, no trabalho do tradutor, de elementos culturais, sociais, históricos, editoriais, simbólicos, entre outros.

Local: Sala HASSIS, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30 Questões de tradução e The unfortunate traveler: or the life of Jack Wilton, de Thomas Nashe
Karina Gusen Mayer (mestranda da USP / Orientador: John Milton)Distância temporal e obscuridade: problemas na tradução dos textos linguísticos e filosóficos de Wilhelm von Humboldt.
Theo Harden (UnB)

Brincando seriamente com o intraduzível: as relações entre tradução e adaptação na recriação da poesia de Harryette Mullen em português.
Lauro Maia Amorim (UNESP)

A não tradução como pulsão em Armand Robin.
Maria Emília Chanut (UNESP)

Do contexto para o texto: a tradução dos interrogatórios da Rosa Branca.
Anna Carolina Schäfer (mestranda, USP)A problemática do percurso fala-transcrição-tradução da história oral.
Junia Claudia Santana de Mattos Zaidan (UFES)

A prática tradutória no curso de bacharelado: um olhar para a condição de intradutibilidade presente na tradução de prefácios.
Ana Zandwais (UFRGS)

O intraduzível como única dimensão partilhável entre línguas
Viviane Veras (UNICAMP)

13:30- 15:00 A arte do possível: a ‘cultura de tradução’ do Iluminismo Luso-Brasileiro.
Alessandra Ramos de Oliveira Harden (UnB)Fronteira, migração, deslocamento: a tradução como diálogo violento e inescapável.
Thaís Ribeiro Bueno (UNICAMP)

Memorial de Aires, leituras, releituras e (re)traduções.
Luz Adriana Sánchez Segura (Doutoranda do PGET/UFSC )

15:30- 17:00 Oran, langue morte: dizer o silêncio entre os restos de língua
Maria Angélica Deângeli (UNESP/SJRP)A precariedade imprescindível da tradução
Luís Fernando Protásio (UNICAMP)

A tradução brasileira de Ultime Lettere di Jacopo Ortis [Últimas cartas de Jacopo Ortis], de Ugo Foscolo.
Andréia Guerini (UFSC)
Karine Simoni (UFSC)

RESUMOS

1. A arte do possível: a ‘cultura de tradução’ do Iluminismo Luso-Brasileiro Alessandra Ramos de Oliveira Harden (UnB)

Esta comunicação tem como objetivo discutir traduções realizadas no âmbito do Iluminismo Luso-Brasileiro na virada do século XVIII, com ênfase nos relatos dos tradutores em seus prefácios e em análises de trechos pontuais em que fiquem claras as estratégias utilizadas por esses tradutores na tentativa de desfazer a distância entre texto fonte e texto traduzido. O material que forma o corpus da investigação é composto por obras traduzidas por tradutores associados à atividade da Tipografia Casa do Arco do Cego e que trabalharam com textos em inglês, francês e/ou alemão. A intenção é identificar posicionamentos referentes à afiliação desses tradutores a uma “cultura de tradução” e avaliar como a questão da transitoriedade e da traduzibilidade era tratada por esse grupo. As conclusões da análise podem levar à construção de hipóteses válidas acerca papel dos tradutores e da tradução no contexto da recepção de textos científicos e técnicos pela cultura luso-brasileira dos oitocentos.
Palavras-chave: Tradução; Iluminismo; cultura de tradução; transitoriedade e traduzibilidade; textos científicos e técnicos

2. A não tradução como pulsão em Armand Robin
Maria Emília Chanut (UNESP)

Armand Robin (1912-1961), poeta bretão, era um politradutor prodigioso: foram encontrados textos dele traduzidos em pelo menos 22 línguas, a maior parte traduções de poesia. Desde seu primeiro livro, quis que as traduções fossem apresentadas como obras de sua própria autoria. Em L’épreuve de l’étranger (1984), Antoine Berman, demonstrou um interesse particularmente especial por Robin, revelando o ineditismo da questão da pulsão tradutória. Em entrevista inédita concedida a Mireille Guillet por ocasião de sua tese de doutoramento em Letras na Université de Provence (1988), Berman revela total perplexidade diante desta figura singular quando indaga: “O estranho de si-mesmo, em Robin, não é que seu próprio fundo linguageiro (seu humus) é o dialeto de uma outra língua diferente daquela “dentro” da qual ele traduz “todas” as línguas do mundo; não é que ele traduz, perpetuamente, dentro de sua primeira língua estrangeira?” (Guillet 1988)

3. A prática tradutória no curso de bacharelado: um olhar para a condição de intradutibilidade presente na tradução de prefácios
Ana Zandwais (UFRGS)

Este estudo busca investigar como a prática de tradução pode ser teorizada, sobretudo se considerarmos sua condição anonímica ou de intraduzibilidade como sendo estruturante do trabalho do tradutor. A fim de estabelecermos relações de interconexão entre os domínios teóricos e da prática, tomamos como objeto de investigação o prefácio, para analisar como discentes do Curso de Bacharelado, envolvidos com a prática de tradução, conseguem refletir sobre questões de significação envolvendo intervalos temporais e espaciais entre o texto-fonte e o texto de chegada, considerando, sobretudo, a prática de análise da tradução como possibilidade de avaliar a complexidade do fazer tradutório. Sob a perspectiva teórica, este estudo enfoca a condição de intraduzibilidade como efeito de representações culturais e de formas de apreensão distintas da ordem do real em cada cultura e em cada momento de transposição discursiva e lingüística. É, pois, com base em observações em torno da impossibilidade de se manter equivalências semânticas plenas entre textos produzidos em contextos temporais, espaciais e culturais distintos que apreendemos a condição estruturante do ato de tradução.

4. A Problemática do percurso fala-transcrição-tradução da história oral
Junia Claudia Santana de Mattos Zaidan (UFES)

Proponho uma discussão do trabalho de Reeves-Ellington (1999), que aborda a participação do tradutor e dos historiadores como mediadores no processo de interpretação e representação das histórias orais (HO). Potencialmente violável e passível de mutilação devido ao longo percurso entre sua gravação, transcrição e tradução, a HO é geralmente traduzida com prejuízo de seus aspectos paralinguísticos em nome da clareza. Isto motivou a historiadora a recorrer a estratégias não convencionais para verter HO do búlgaro para o inglês de mulheres nos períodos pós I e II Guerra, buscando, a um só tempo, fornecer informações históricas e manter o tom emotivo e a voz singular de cada narradora. O caminho percorrido do búlgaro para o inglês se estende ao tomarmos as mesmas histórias e traduzi-las para o português, tentando fazer do texto de chegada um suporte onde irrompem os ecos das vozes dessas mulheres, seja através da não linearidade e assimetria sintáticas, seja pela “deformação” genérica a que submetemos as HO, como possível proposta de lealdade.
Palavras-chave: História oral; abordagem feminista em tradução; lealdade

5. A tradução brasileira de Ultime Lettere di Jacopo Ortis [Últimas cartas de Jacopo Ortis], de Ugo Foscolo
Andréia Guerini (UFSC); Karine Simoni (UFSC)

Esta comunicação pretende discutir alguns aspectos da tradução brasileira do romance epistolar Ultime Lettere di Jacopo Ortis [Últimas cartas de Jacopo Ortis], escrito pelo italiano Ugo Foscolo (1778-1827) e publicado em 1816, mais especificamente as questões ligadas ao estilo da prosa do autor italiano como pontuação, repetições, ritmo e uso de adjetivos. Na primeira parte da comunicação, será realizada uma breve explanação sobre a obra e seu autor, para, em seguida, serem tratadas as escolhas de tradução, os desafios e os questionamentos que envolveram a tradução deste texto, proveniente de um tempo e de um espaço tão diferente do contexto atual brasileiro.

6. Brincando seriamente com o intraduzível: as relações entre tradução e adaptação na recriação da poesia de Harryette Mullen em português
Lauro Maia Amorim (UNESP)

Nesta comunicação, pretende-se refletir sobre a experiência de se traduzir a poesia de Harryette Mullen, poetisa afro-americana contemporânea, e sua relação com a problemática da intraduzibilidade. Segundo Boris Schnaiderman (2011), Ernesto Sábato chegou a afirmar que “a rigor, qualquer tradução é falsa, [porque] não existem equivalentes exatos” (p.26). Georges Mounin (1975) afirmava que a tradução era o “escândalo da linguística contemporânea”, uma vez que esta sempre sustentou a ausência de uma relação isomórfica entre as línguas. A tradução, porém, desafia o corolário de sua própria impossibilidade e, por isso, Paul Ricoeur (2004) defende que “uma boa tradução só pode visar uma equivalência pressuposta, não baseada numa identidade de sentido demonstrável” (p.41). Em vista disso, abordarei a questão do intraduzível na tradução da poesia de Harryette Mullen com o objetivo de discutir em que medida a recriação intertextual e a adaptação de trocadilhos e referências culturais implicam não uma “solução definitiva” para passagens poéticas intraduzíveis, mas uma tentativa de se estabelecer um diálogo provisório — e produtivo — com a própria intraduzibilidade.

7. Distância temporal e obscuridade: problemas na tradução dos textos linguísticos e filosóficos de Wilhelm von Humboldt.
Theo Harden (UnB)

Esta comunicação tem como objetivo discutir os problemas que ocorrem nas traduções de alemão para português de textos filosóficos do século XIX, mais especificamente nas traduções de textos de Wilhelm von Humboldt. Além da distância temporal, que provoca dificuldades de leitura até para um falante nativo, esse tipo de texto tem como característica certa obscuridade natural que pode ser descrita com o uso das palavras de Roman Ingarden, para quem, na filosofia encontram-se frequentemente “passages, and even whole works, that are obscure” (INGARDEN, 1991). A tarefa do tradutor,no entanto, é a transmissão da mensagem central. No caso especifico de Wilhelm von Humboldt, apresenta-se uma dificuldade adicional: o estilo desse autor (períodos extremamente longos, subordinações ambíguas etc.) já motivou criticas de contemporâneos como Heymann Steinthal (STEINTHAL, 1884). A questão central que se coloca é: até que ponto o tradutor tem o direito (ou/e a obrigação) de interferir com textos desse gênero no nível sintático, modificando e, ás vezes, mesmo “esclarecendo” o original?
Palavras-chave: Tradução; filosofia; Wilhelm Von Humboldt; obscuridade; traduzibilidade.

8. Do contexto para o texto: a tradução dos interrogatórios da Rosa Branca
Anna Carolina Schäfer (mestranda, USP – orientadora:Profa. Dra. Tinka Reichmann

Esta apresentação tem por objetivo discutir aspectos da tradução (do alemão para o português) dos interrogatórios de Hans e Sophie Scholl, que faziam parte do grupo de resistência A Rosa Branca (Die weiße Rose) e, por seu envolvimento em ações do grupo, foram presos e interrogados pela Gestapo, em um processo que culminou em sua condenação à morte. Levando-se em conta o momento histórico em que foram realizados e transcritos os interrogatórios, serão enfocadas “dificuldades de tradução pragmáticas” (NORD 2009: 177), advindas dos diversos tipos de distância (temporal, espacial, ideológica, funcional) que separam texto de partida e texto de chegada. Como afirma KLEMPERER (2009: 55), o nazismo fez da linguagem um de seus instrumentos mais poderosos e foi através dela que ele “se embrenhou na carne e no sangue das massas”. Assim, as marcas deixadas nos textos em alemão pelo contexto em que foram produzidos representam um desafio especial à sua traduzibilidade. Partindo-se desse pressuposto, adota-se aqui o modelo pragmático-funcional de Christiane Nord (2009), segundo o qual o processo tradutório deve começar com uma análise do texto de partida do tipo top-down: do contexto para o texto.

9. Memorial de Aires, leituras, releituras e (re)traduções

Luz Adriana Sánchez Segura (Doutoranda no PGET/UFSC)

Esta comunicação propõe fazer algumas considerações a propósito da leitura e da tradução – para o espanhol – de Memorial de Aires (1908), último romance publicado por Machado de Assis. Serão utilizadas três traduções da obra para o espanhol, todas publicadas em 2001, em diferentes países: México, Argentina e Espanha, respectivamente. A análise dessas traduções permite refletir a respeito das possibilidades de outra tradução do Memorial, baseada numa interpretação do romance como obra de ficção que põe em questão seu caráter representativo e que, portanto, demanda uma leitura além das iniciativas de corroboração de determinadas realidades. Uma reflexão da tradução como um processo de leitura e releitura da obra, como um ato que, ao estar inserido numa realidade específica, é susceptível às limitações de qualquer experiência sensível, isto é: como um ato “provisório”. A tradução como uma pegada, um testemunho do toque do leitor e da sua tentativa – como tradutor – de abrir na sua língua um espaço para a obra estrangeira; alheia, estranha e intangível para sempre.

10. Questões de tradução em The unfortunate trabeller: or, the life of Jack Wilton, de Thomas Nashe.
Karina Gusen Mayer (USP)

Esta comunicação pretende abordar as dificuldades de se traduzir, para o português da atualidade, um romance picaresco escrito durante o período elizabetano. The Unfortunate Traveller: or, The Life of Jack Wilton foi escrito por Thomas Nashe em 1594, e, por se tratar de texto produzido há mais de quatro séculos, sua tradução tem apresentado uma série de desafios para a tradutora. Entre esses, podemos citar, primeiramente, o espaço de tempo entre o lançamento do texto original e sua primeira tradução para o português. Esse distanciamento dificulta o processo tradutório, pois a língua inglesa sofreu alterações estruturais, lexicais e semânticas durante esses anos. Além disso, as referências usadas na época, e que estão presentes no texto, não são conhecidas do público atual por fazerem parte de outro contexto literário. Portanto, para elaborar essa tradução tenho realizado pesquisas aprofundadas para contextualizar a obra e elaborar alguns comentários na língua de chegada.
Palavras-Chave: Thomas Nashe; tradução; romance picaresco; literatura inglesa; período elizabetano.

11. O intraduzível como única dimensão partilhável entre línguas
Viviane Veras (UNICAMP)

Uma boa tradução é aquela que não parece tradução. Eis um lugar comum que continua difícil de contestar. Entre a tradução orientada para o texto de partida e aquela com vistas ao texto de chegada, o tradutor pode tanto forçar as convenções de sua língua (até o ponto de torna-la ilegível) como calar em suas letras a voz do texto que traduz. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o que resiste à tradução, especialmente nos casos em que a língua do outro não se oferece como meios de transmissão de uma experiência prévia (que ela teria traduzido nesse texto estranhamente dito ‘original’), mas se oferece ela mesma, em sua materialidade, como experiência a traduzir. Se, como diz Walter Benjamin em A tarefa do tradutor (1923-2010), “toda tradução é apenas uma forma de algum modo provisória de lidar com a estranheza das línguas”, levantamos a hipótese de que essas formas provisórias sejam ditadas por aquilo que em cada língua permanece intraduzível.

12. A precariedade imprescindível da tradução
Luís Fernando Protásio (UNICAMP)

Ao passo que os discursos institucionais sobre a tradução produzidos contemporaneamente parecem cada vez deferir em favor da precariedade das distinções absolutas convencionais, os discursos teóricos continentais forjam uma leitura salvadora em que a teoria desponta como limite indecidível entre literatura e filosofia (RONELL, 1989). Como, então, compreender essa clivagem? De que maneiras pensar as políticas institucionais sobre a tradução como disciplina ou, ainda, a precariedade das políticas institucionais sobre a tradução quando a própria criação dessas políticas não é, nos termos certificados, uma criação “original”, mas uma “cópia”? Qual seria o lugar da teoria da tradução em sua “espectralidade” na Universidade cada vez mais ansiosa por acolher o outro lá onde não há um “outro”? A partir dessas questões, este trabalho pretende pensar as possibilidades de um discurso sobre a tradução que não reatualize o poder soberano de uma [bio]política dominada pela sacralização da diferença.

13. Fronteira, migração, deslocamento: a tradução como diálogo violento e inescapável
Thaís Ribeiro BUENO (UNICAMP)

Já é conhecido o fato de que a tradução assume, cada vez mais, um papel de extrema relevância nos trânsitos culturais e em zonas de contato ou choque cultural. Nesse contexto, a tradução pode ser considerada uma espécie de diálogo – muitas vezes violento – entre pessoas, línguas e culturas. Partindo de uma reflexão sobre tais questões, o objetivo deste trabalho é propor uma visão de tradução como ferramenta de subversão às políticas hegemônicas e desconstrução de ideologias dominantes, uma vez que está envolvida em questões altamente debatidas no cenário global atual. Considerando o fato de que questões de classe, gênero, migração e mestiçagem passam pela negociação de paradigmas e jogos de poder locais e translocais, minha hipótese é a de que essas questões podem ser abordadas pela via de uma tradução politicamente engajada. Para tanto, analiso algumas experiências de tradução (em andamento) do livro Borderlands/La Frontera – The New Mestiza, escrito pela chicana Gloria Anzaldúa.

14. Oran, langue morte: dizer o silêncio entre os restos de língua
Maria Angélica Deângeli (UNESP/SJRP)

Ao retratar o cenário de uma Argélia devastada pela onda de ataques terroristas nos anos 90, em Oran, langue morte (1997), a argelina Assia Djebar procura revelar em que sentido a literatura constitui terreno de combate plurilíngue na medida em que traduzindo para a língua do outro, a língua francesa, as particularidades de um universo em desarranjo, ela (a literatura) representa a promessa de hospitalidade dos discursos em língua estrangeira e da política de passagem ao outro. Para Assia Djebar, o imperialismo de uma “língua só” é evidência de uma “língua morta”, sobretudo quando tal língua silencia o dizer daqueles que só reclamam a poesia da própria escrita. O objetivo deste trabalho é mostrar, a partir de uma leitura do conto “La femme en morceaux”, como essa escrita permite, no cerne de sua intraduzibilidade e entre os restos de quase nada, de uma língua propriamente morta, recuperar a possibilidade de se dizer, de se dizer em línguas, graças à tradução.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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