Simpósio: A expressão do tradutor entre a teoria e a prática

Coordenadores: Carolina Paganine (UFF)
Ricardo Meirelles (Centro Universitário Anhanguera)

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Este simpósio convida comunicações que procurem refletir sobre a figura do tradutor, seu discurso ou o discurso sobre ele como agente mediador entre saberes interlinguais ou intersemióticos. Com o intuito de evidenciar a interdisciplinaridade, o simpósio abre-se para diferentes perspectivas teóricas, sejam elas historiográficas, biográficas, psicanalíticas, linguísticas, etc, e para diversos materiais de análise: artigos científicos e de jornais, entrevistas, programas de tv e filmes, paratextos, obras ficcionais ou teóricas, que enfoquem o perfil do tradutor e/ou sua palavra sobre sua atividade. Procura-se, em suma, pensar sobre a voz e a expressão dos tradutores — quem são e sobre o que falam, dando-lhes maior visibilidade e levando em conta que seu discurso é uma maneira de teorizar sobre a tradução, como aponta Anthony Pym ao escrever que os tradutores “estão constantemente teorizando como parte da prática regular de tradução” (2010, p. 7, nossa tradução), ou como elabora Michel Cresta quando propõe que “toda tradução é, a princípio, uma teoria da tradução” (1984, p. 53, nossa tradução).

Local: Sala 203 , CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 “Je est un autre”: A construção de uma cartografia identitária e socioprofissional dos tradutores da região norte de Portugal,
Fernando Ferreira-Alves
(Universidade do Minho)
Navigating Turbulent Waters: Translators in the World of Non-Governmental Organizations
Maya Worth
(Glendon College – York University)
Considerações sobre o papel do revisor nos Estudos da Tradução
Juliana Cristina Fernandes Pereira
(Unicamp)
Wikinovelas en la UNILA: español, creación literaria y mediación cultural
Pedro Granados
(UNILA)
13:30-15:00 Hacia una transliteratura de los Estudios de Traducción
María Inés Arrizabalaga
(Universidad Nacional de Córdoba)
Ética y Traducción: La consciencia del sujeto traductor en la reivención del mundo
Francisca Eugenia dos Santos
(Universidad de Santiago de Chile)
A figura do tradutor em teorias pré-funcionalistas da tradução
Marcelo V. S. Moreira
(USP)
A Teoria da Tradução nos textos ficcionais: a voz do tradutor personagem
Alessandra Matias Querido
(UFSC)
Traduzir e pensar o traduzir: Paulo Rónai, José Paulo Paes e Paulo Henriques Britto
Carolina Paganine
(UFF)
15:30-17:00 A imagem de Alessandro Baricco no Brasil
Rúbia Nara de Souza
(UFSC)
À sombra do autor-tradutor
Adriana Aikawa da Silveira Andrade
(UFSC)
Previsibilidade e imprevisibilidade: Paulo Leminski tradutor
Franklin Alves Dassie
(UFF)
Felix Pacheco: jardineiro fiel
Ricardo Meirelles
(Centro Universitário Anhanguera)

RESUMOS

1) A figura do tradutor em teorias pré-funcionalistas da tradução
Marcelo V. S. Moreira (USP)

As vertentes teóricas da tradução emergentes nos anos de 1980 enfatizam reiteradamente o caráter de mediador cultural do tradutor. A abordagem funcional em especial salientou o papel do tradutor como gestor do processo tradutório e especialista na comunicação bicultural. No entanto, o quanto essa caracterização funcionalista se remete às vertentes teóricas precedentes não está claro: constantemente amparado por procedimentos analíticos e contrastivos focados nas estruturas das línguas, o paradigma linguístico, predecessor das vertentes teóricas culturais da tradução, apenas raramente voltou suas atenções à figura do tradutor, centrando-se, em vez disso, no processo propriamente dito. Com base em propostas teóricas elaboradas no ambiente de expressão alemã nas décadas de 1960 e 1970, o objetivo da presente comunicação é destacar a figura do tradutor dessas teorias, a fim de verificar se e em que medida a concepção funcionalista do tradutor é reverberada por seus antecessores teóricos.

2) A imagem de Alessandro Baricco no Brasil
Rúbia Nara de Souza

Com a intenção de ilustrar o modo pelo qual o escritor italiano Alessandro Baricco se inseriu no sistema literário brasileiro e os caminhos percorridos pelos seus livros traduzidos, este trabalho dá voz às experiências tradutórias de seus tradutores. A inserção de Baricco no Brasil tem seu início em 1997, através de um projeto pessoal da Profa Dra Roberta Barni com a tradução de Oceano Mare. A partir daí, outras sete obras foram publicadas no Brasil, sendo três delas por Roberta Barni e as outras quatro por quatro tradutores diferentes. De um lado considera-se o tradutor como figura principal na mediação entre culturas e de outro lado se analisa a realidade desta figura dentro do sistema literário, sua invisibilidade, seus limites e o exercício de sua profissão. Através de entrevistas realizadas com esses tradutores, buscou-se identificar, conhecer esse profissional, saber um pouco mais sobre a sua prática tradutória na obra de Baricco, seus limites reais, sua metodologia. Este trabalho conta ainda com críticas e resenhas referentes ao autor publicadas em jornais e revistas consagradas no Brasil, considerando essas como parte da imagem de Baricco refletida em território nacional.

3) A Teoria da Tradução nos textos ficcionais: a voz do tradutor personagem
Alessandra Matias Querido (UFSC)

A figura do tradutor tem estado presente de forma cada vez maior nas obras ficcionais, tanto em filmes (como fala Michael Cronin em sua obra Translation goes to the movies) quanto em obras literárias. Seja para falar de assuntos relacionados à identidade como para refletir sobre as relações entre países (e, por consequência, entre pessoas), o personagem tradutor traz à tona reflexões pertinentes acerca do mundo em que vivemos. Por meio do que os autores apresentam em seus tradutores personagens também é possível refletir sobre a própria Teoria da Tradução, uma vez que cada tradutor representado fala de sua própria prática, de seu papel no mundo e da importância do que faz. O intuito desta comunicação é exatamente explicitar como os autores têm tratado os tradutores na ficção e os tipos de reflexão que esta presença pode suscitar.

4) À sombra do autor-tradutor
Adriana Aikawa da Silveira Andrade (UFSC)
Em nossa atividade como tradutores, acontece de trabalhar com textos de autores que, por sua vez, são ou foram tradutores e, de modo mais ou menos sistemático, pensaram a tradução. Cria-se, nesta relação, uma teia de pensamentos e fazeres, que tendem idealmente a afinar o entendimento e a tradução à qual nos dedicamos. E, assim, o jogo de sombras envolvido no processo se faz ainda mais amplo: à sombra da outra língua une-se a sombra do autor-tradutor. Pretendo, nesta apresentação, refletir sobre essas relações a partir de duas experiências: a tradução de cartas de Leopardi, poeta, filósofo e tradutor do início do século XIX italiano e a tradução de ensaios de Antonio Prete, estudioso de Leopardi e de literatura comparada, poeta, tradutor de Baudelaire em italiano e autor do livro All’ombra dell’altra lingua. Per una poetica della traduzione (2011), texto que servirá de base para as minhas reflexões.

5) Considerações sobre o papel do revisor nos Estudos da Tradução
Juliana Cristina Fernandes Pereira (Unicamp)

Embora os tradutores ainda sejam “invisíveis” na sociedade em geral, e principalmente na área técnica, o papel desempenhado por eles é fundamental, viabilizando internacionalmente a comercialização de produtos e disseminando a cultura e a informação por meio de documentos, manuais, softwares, etc. Não menos importante, a figura do revisor acaba sendo tão ou mais invisível ainda – muito embora ele atue diretamente sobre o trabalho do tradutor. No contexto atual, tradutores e revisores têm buscado uma maior visibilidade nos espaços virtuais, blogs, por exemplo, para expor questões importantes sobre a profissão, a teoria e a prática. Nesse cenário, com base em autores de linha pós-estruturalista dos Estudos da Tradução (ARROJO, 2003; VENUTI, 1995), este trabalho se propõe a analisar a imagem dos revisores, trazendo discussões, como: a revisão deve privilegiar e limitar-se a aspectos gramaticais /ortográficos? O que se espera do revisor? Seria ele, em certa medida, coautor do texto?

6) Ética y Traducción: La consciencia del sujeto traductor en la reivención del mundo
Francisca Eugenia dos Santos (Universidad de Santiago de Chile)

La fidelidad del sujeto en el acto traductor ha sido objeto de una serie de análisis tanto criticos como teóricos a lo largo de las ultimas décadas. No obstante, el proceso de globalización y la resultante necesidad de la traducción en diferentes mercados económicos y culturales ha exigido que los traductores tengan posturas más flexibles con respecto a los paradigmas teóricos de su formación. La traducción de imaginarios literários, en tanto, es controlado por una lógica de mercado, que regula a través de modelos de consumo las convergencias linguísticas transformandólas, en lenguajes sencillos para el consumidor-lector-consumidor. En este sentido, y pensando en la fidelidad de la traducción retomamos teóricos como Arrojo, Milton, Ladmiral, y Foucault, donde la traducción es vista como actividad social; asi hemos propuesto un espacio de reflexión en torno a las teórias de la traducción desde una perpectiva linguística. Proponemos también revisar algunos conceptos linguísticos centralizados en el estudio del discurso, de la estética y de la ética. Nuestro corpus fue selecionado a través de fragmentos de la obra de Guimaraes Rosa, escritor brasilero, y José Donoso, escritor chileno analizados en función del lenguaje meta; las unidades de análisis también rescatan los aspectos históricos-culturales de las obras.

7) Felix Pacheco: jardineiro fiel
Ricardo Meirelles (Centro Universitário Anhanguera)
Entre os anos de 1931 e 1933, Felix Pacheco, diretor geral do Jornal do Comércio, publicou periodicamente diversas traduções, suas e de outros tradutores, de diversos poemas do livro Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire, além de seis artigos e cinco livros especificamente sobre o poeta francês e sua obra prima. Essa “onda” baudelairiana, provocada pelo poeta e tradutor piauiense na capital da República (Rio de Janeiro), certamente promoveu um importante diálogo entre literaturas, não só, de certa forma, contestando o movimento modernista, eminentemente paulista, mas também mostrando-se acompanhar a vanguarda do pensamento literário internacional. Traduzir e publicar poemas de Les Fleurs du mal, nesse momento (década de 1930), parece provocativo e serve como exemplo de resistência a uma estética com poucos rigores formais e mais liberal, que era o Modernismo, ao mesmo tempo em que acompanha uma reabilitação da imagem de Baudelaire na França, alavancada alguns anos antes por Paul Valéry e outros intelectuais. É certo que as importantes publicações de Felix Pacheco concorreram para suscitar um novo enfoque dessa importante obra francesa, bem como incitar outros poetas a dialogarem com ela, visto que são pioneiras nos estudos da tradução no Brasil ao reunirem, sempre, teoria e prática.

8) Hacia una transliteratura de los Estudios de Traducción
María Inés Arrizabalaga (Universidad Nacional de Córdoba)
El concepto de transliteratura procede de los Estudios Literarios y ha sido divulgado por Amelia Sanz Cabrerizo. El modelo que diagrama las relaciones de una transliteratura es de tipo reticular. Se trata de un hipermodelo en que la relación entre sistemas se configura mediante una dinámica de intercambios. En el ámbito de los Estudios de Traducción ha comenzado a hablarse de los Post Estudios de Traducción como una denominación superadora. La etiqueta responde a una necesidad de concebir el desarrollo de los Estudios de Traducción de manera evolutiva y abarcadora de otras áreas del conocimiento. En esta comunicación, propongo pensar en un “estado de transliteratura” de los Estudios de Traducción. Centraré mi discusión en dos textos: Pour une théorie de l’adaptation filmique (1992) de Patrick Cattrysse, y The Adaptation Industry: The Cultural Economy of Contemporary Literary Adaptation (2012) de Simone Murray. Ambos textos confirman, en primer lugar, que el conocimiento generado desde los Estudios de Traducción es de carácter colindante; en segundo lugar, que esa transliteratura se afirma en una operación del pensamiento traductológico en que “teoría” y “práctica” son sistemas modelizantes en hipersección.

9) “Je est un autre”: A construção de uma cartografia identitária e socioprofissional dos tradutores da região norte de Portugal
Fernando Ferreira-Alves (Universidade do Minho)
O estudo centra-se nos tradutores freelancers do norte de Portugal enquanto grupo profissional no seio do qual ocorrem choques e tensões, e onde diferentes estratégias são desenvolvidas rumo à construção de uma identidade socioprofissional específica. Com base numa abordagem metodológica interdisciplinar, conjugando elementos quantitativos e qualitativos, tentaremos traçar os caminhos que conduzem à construção do perfil identitário profissional. A análise e os modelos propostos procuram identificar os múltiplos aspetos endógenos e exógenos que são normalmente atribuídos ao prestador de serviços linguísticos enquadrando o impacto destas variáveis ao nível da construção de uma cultura/identidade profissional específica. Espera-se que as conclusões conduzam a uma melhor contextualização da natureza exata da profissionalização dos tradutores, permitindo o posicionamento no seu campo profissional. As nossas conclusões levar-nos-ão a redefinir e reenquadrar o perfil do tradutor, bem como a formação de tradutores de acordo com normas sociais e profissionais claramente orientadas para o mercado.

10) Navigating Turbulent Waters: Translators in the World of Non-Governmental Organizations
Maya Worth (Glendon College – York University)
There are more than 55,000 registered non-governmental organizations (NGOs) in Canada (CCIC), resulting in their significant influence on the Canadian economic, political and cultural spheres. This study explores the background, role and work of Canadian translators in this sector, and a comparison of source and translated documents will be analyzed in order to identify the translation strategies employed and their ideological underpinnings. Most case studies will be of major Canadian NGOs operating (at least partially) in Latin America. The translator can be of great importance to NGOs, constituting a direct line of communication between the country in which the NGO operates and the country that is to receive support, although this line of separation can cause the translator to perpetuate a cycle of centre-periphery power relations at times. Translators must recognize the turbulent waters in which they navigate, in order to achieve their goal of facilitating greater equality. In certain cases however, it is through translation that we can see some NGOs currently embodying contradictory ideologies, making such aims of equality an impossible goal.

11) Previsibilidade e imprevisibilidade: Paulo Leminski tradutor
Franklin Alves Dassie (UFF)
Esta apresentação irá discutir certos aspectos da prática de tradução do escritor Paulo Leminski. Irá, em primeiro lugar, discutir a “filiação” dessa prática, melhor dizendo, suas relações com o paideuma concretista e uma ampliação dele, que Leminski acaba fazendo. Em segundo lugar, a apresentação do elenco de autores traduzidos – de John Fante a John Lennon, passando por Alfred Jarry e Samuel Beckett –, discutindo distâncias e proximidades e pensando, a partir daí, em uma “teoria” da tradução leminskiana. Por fim, listar os principais aspectos dessa teoria e articulá-la à escritura poética de Leminski, pensando fluxos e relações de uma prática à outra.

12) Traduzir e pensar o traduzir: Paulo Rónai, José Paulo Paes e Paulo Henriques Britto
Carolina Paganine (UFF)
Nesta comunicação, pretende-se analisar a produção teórica de três tradutores brasileiros, a saber, Paulo Rónai, José Paulo Paes e Paulo Henriques Britto, em suas obras A tradução vivida (1981), Tradução: a ponte necessária (1990) e A tradução literária (2012), respectivamente. Renomados em suas carreiras, os três tradutores contribuíram para o pensamento sobre a tradução no Brasil, fazendo parte de um percurso histórico brasileiro em que a reflexão teórica está intrinsecamente ligada à prática tradutória. Escrevendo em décadas diferentes, Rónai, Paes e Britto promovem um debate sobre a tradução literária que parte de recomendações sobre o bem traduzir (Rónai), passa pelo levantamento histórico e o texto ensaístico (Paes) e se aproxima da discussão acadêmica (Britto). Apesar das diferenças, os tradutores se dedicaram a publicar um volume voltado inteiramente para os desafios da tradução, revelando as crenças e os processos de teorização implícitos em suas práticas.

13) Wikinovelas en la UNILA: español, creación literaria y mediación cultural
Pedro Granados (UNILA)
Este ensayo se basa en la reflexión sobre una actividad académica llevada a cabo en la UNILA a lo largo de estos últimos dos años, pero de la que enfatizo el análisis de este último semestre del 2012. La cual consistió en la práctica y producción del idioma español elaborando –en grupos de tres y tal como les mencioné a los alumnos de la turma de Cine — breves “películas en papel”; es decir, cortas novelas colectivas, a las que denominamos Wikinovelas. Ejecutada esta experiencia en el lapso de un mes y poco, se produjeron media docena de novelas breves bilingües (portugués-español). Me percataba del horizonte de expectativas como lectores de los estudiantes y de las estéticas que traían al aula y que ponían en juego en este ejercicio de escritura postromántica o colectiva. En nuestro trabajo de mediación no sólo fue importante que los estudiantes aprendieran un poco más de español o que se ejercitaran en la carpintería de lo que constituye una novela breve; sino que nuestra labor, casi invisible o en el grado cero de lo enfático, apuntaba también a intervenir o hacer vislumbrar entre ellos aquello que, de modo dialéctico o yuxtapuesto, debía convivir con el kitsch y acaso darle la vuelta.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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One thought on “Simpósio: A expressão do tradutor entre a teoria e a prática

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