Resumos aprovados para apresentação de pôsteres

A agenda de apresentação dos resumos está disponível em http://abrapt.wordpress.com/2013/07/27/agenda-de-apresentacao-de-posteres/

TRADUÇÃO DE UM TEATRO-POEMA POLÍTICO AFRICANO: REFLEXÕES TRADUTOLÓGICAS

Agnes Jahn STURZBECHER (UnB)

agnesjahn@gmail.com

Profa. Dra. Fernanda Alencar PEREIRA (UnB)

alencarfernanda@yahoo.com.br

Palavras-chave: Wole Soyinka; retradução; pós-colonialismo.

A primeira tradução brasileira da obra “The Lion and the Jewel” (1959), do nigeriano Wole Soyinka (1934- ), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1986, foi realizada em 2012, por William Lagos, com o título “O Leão e a Joia” (ed. Geração Editorial). A estrutura teatral da obra apresenta traços de humor, ironia e certo localismo nas falas dos personagens, de origem Iorubá. Escrita em versos livres, a obra nos remete à importância da palavra para esta cultura (Leite, 1995/6), uma vez que é própria desta gênero literário a preocupação com a exploração dos vários sentidos das palavras. A comparação do texto em inglês e de sua tradução, levando em consideração os paratextos, e a proposta de uma nova tradução crítica intenta analisar e formular uma crítica de tradução destas obras (House, 2000). Dentre outros questionamentos, este trabalho propõe respostas para as perguntas: como traduzir um texto teatral, de forte carga política, em forma de versos que retrata uma realidade que a nós foi exotizada a tal ponto de não percebemos o (des)respeito à diferença do Outro? O gênero influencia a concepção do processo tradutório? O tradutor deve proceder de maneira paternalista ao explicar este Outro em notas de fim ou de rodapé, em glossários e outros paratextos? Como reagir a esta obra? Como corresponder às expectativas do público-alvo? E quais são elas? Estas e outras inquietações devem mover o tradutor para uma prática crítica, levando em conta sua função de perpetuador de modelos e ideologias ou de desmistificador dessas. Uma vez que sua voz é ouvida e aceita como verdade em adequação ao texto fonte, o tradutor participa como coautor e esta consciência é imprescindível para uma reflexão tradutória.

O BLACK ENGLISH E A TRADUÇÃO INTERCULTURAL

Alessandra Assis Felippe ROSALBA (UERJ)

ale__tum@hotmail.com

Profa. Dra. Maria Aparecida Andrade SALGUEIRO (UERJ/FAPERJ)

cidasal3@gmail.com

Palavras-chave: Black English; tradução intercultural; tradição/ tradução.

O presente trabalho relata pesquisa em curso e objetiva discutir aspectos envolvidos na atividade tradutória de textos de autores afro-americanos que utilizam o Black English para o português do Brasil. Pretendemos perceber, a partir do conhecimento da cultura afro-americana, opções de tradução que possibilitem captar as características tão particulares do Black English, tais como suas regras gramaticais e sintaxe próprias, distintas do inglês padrão, e refletir sobre seu apelo próprio, como sua proximidade sonora e rítmica da música. A metodologia de trabalho partiu do pressuposto de que um texto – romance, conto, poesia – em que apareça o Black English deve ser compreendido em efeitos de sentido, sons e imagens pelo leitor receptor. Sem perder de vista que a própria cultura afro-americana implica em vivência distante da origem africana – tradição, analisando as perdas, as identidades culturais não fixas, no plano da diferença – tradução. Conceitos abordados por SALGUEIRO em Diálogos com a cultura afro-brasileira (2008), onde questões identitárias aparecem na tensão tradição/tradução, tão bem estabelecida por Stuart HALL (2002). E através de um corpus teórico que inclui AMORIM, e os indispensáveis BASSNETT, GENTZLER E TYMOCZKO entre os já lidos e a ler em breve, afirmamos a mediação cultural do processo tradutório, estudando igualmente o ponto discutido por ALVA e SALGUEIRO em “Zora Neale Hurston & Their Eyes Were Watching God: The Construction of an African-American Female Identity and the Translation Turn in Brazilian Portuguese” (2010). Entre outras questões, a obra aborda a tradução do romance de HURSTON para o português do Brasil, sob o título Seus Olhos Viam Deus, onde o “português ao largo da norma culta” foi a opção escolhida pelo tradutor, que abandonou a questão racial e identitária apresentada como força motriz do original, por uma solução calcada na visão social dos negros no Brasil no final do século XX. Muitos são os desafios da tradução intercultural, desde perceber a cultura de partida até lançar novos questionamentos sobre a cultura de chegada. Instigantes têm sido as descobertas até aqui, que aos poucos vão se materializando em pequenos trabalhos de tradução dentro do campo, neste trazer o texto original para mais perto do leitor/receptor ou levar o leitor para mais próximo do texto/cultura de partida. E desafiadores os caminhos a percorrer na sequência de leituras e diálogos com o Grupo de Pesquisa e a Orientadora, elencando formas de transportar resquícios e marcas que caracterizam o Black English, na ponte entre culturas.

O TEXTO E A CENA NA TRADUÇÃO DE “OS GIGANTES DA MONTANHA”, DE PIRANDELLO

Amanda Bruno de MELLO (UFMG)

amanda.bruno.mello@gmail.com

Profa. Dra. Anna PALMA (UFMG)

floripalma@gmail.com

Palavras-chave: tradução; teatro; Pirandello; Grupo Galpão.

O Brasil não é um país particularmente conhecido por seu teatro. Entre os motivos que contribuem para este cenário está, sem dúvida, a carência de traduções adequadas para o fazer teatral. Por um lado, diversas obras de autores consagrados não foram traduzidas para o português e, por outro, as traduções existentes nem sempre levam em consideração a dupla finalidade de um texto dramático: ser, em primeiro lugar, montado e transformado em um espetáculo e, em segundo lugar, lido de forma individual quando publicado em livro. As traduções que levam em consideração apenas este segundo aspecto criam, várias vezes, textos difíceis de serem levados para o palco. Atualmente, o Grupo Galpão, que tem sede em Belo Horizonte e é um dos grupos mais reconhecidos do país, está montando a peça “Os gigantes da montanha”, de Pirandello. Embora ele seja um dos mais famosos dramaturgos italianos, várias de suas peças, especialmente as de sua última fase, não têm tradução para o português brasileiro. Existe apenas uma tradução de “Os gigantes da montanha” disponível no Brasil, feita por Maria de Lourdes Rabetti e publicada pela editora 7 Letras em 2005. A inadequação desse texto para a cena foi mencionada no blog do Grupo Galpão por Eduardo Moreira, um de seus integrantes. Este trabalho pretende identificar as diferenças entre a tradução publicada pela 7 letras e a encenada pelo grupo (principalmente no que diz respeito ao léxico e à sintaxe) e, a partir delas, comentar algumas das especificidades da tradução teatral. Para tanto, serão tomados como base, principalmente, os estudos de Christine Zurbach e de Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa, respectivamente em “A tradução teatral: o texto e a cena” e “As dificuldades de traduzir para o teatro: o prólogo das Eumênides de Ésquilo”. Uma entrevista feita ao grupo contribuirá para a identificação dessas diferenças e das especificidades da tradução para a cena. Dessa forma, procurar-se-á fazer uma reflexão sobre o tipo de tradução adequada para a montagem teatral e sobre a possibilidade de o mesmo texto ser adequado para a cena e para uma leitura silenciosa. Este trabalho pretende contribuir, diretamente, para os estudos da tradução e, indiretamente, para a prática da tradução teatral, esperando que a qualidade das traduções brasileiras melhore e que isso traga boas consequências para o teatro nacional.

UM ESTUDO COMPARATIVO DE TRADUÇÕES DE HARRY POTTER PARA O PORTUGUÊS E PARA O FRANCÊS

Ana Alves ROLIM (UFRGS)

ana.alvesrolim@gmail.com

Profa. Dra. Maria Jose Bocorny FINATTO (UFRGS)

mariafinatto@gmail.com

Palavras-chave: tradução; retextualização; Harry Potter.

A tradução literária infanto-juvenil apresenta traços distintos das traduções direcionadas a um público adulto. Considerando que a consolidação do fenômeno Harry Potter, de J. K. Rowling em âmbito mundial só foi possível devido às traduções dos livros, esse trabalho tem como objetivo comparar as traduções da série Harry Potter em português e francês. Partimos da teoria da retextualização, apresentada por Katharina Heiss e Hans J. Vermeer, e também por Neusa Travaglia, para analisar as escolhas feitas pelos tradutores, sempre lembrando que todas foram feitas pensando no público-alvo. O foco das análises são os casos que desafiam o tradutor, entre os quais se encontram os nomes criados pela autora da série, e que por esse motivo não apresentam uma tradução correspondente nas línguas em questão e nem por nenhuma outra. Selecionamos alguns casos mais intrigantes e analisamos as escolhas tradutórias feitas pelos tradutores das duas línguas, levando em consideração os sentidos presentes na palavra, ou conjunto de palavras, criada em inglês. Os casos selecionados foram o nome das casas da escola, Raveclaw, Gryffindor, Slytherin e Hufflepuff; a palavra muggle, de alta frequência e grande significado; o nome próprio de uma gata, Mrs. Norris; o nome de uma das bolas do jogo também criado pela autora, quaffle; e o anagrama feito com o nome do vilão, Tom Marvolo Riddle. Em todos os casos, analisamos as perdas e ganhos gerados com a escolha do tradutor, e o quanto foi considerado o sentido original para a tomada de decisão. Percebemos um esforço da tradutora da versão brasileira, Lia Wyler, em procurar utilizar os mesmos níveis linguísticos das palavras originais ao criar sua tradução para o português. Já o tradutor da versão francesa, Jean-François Ménard, buscou características do objeto ou animal que a palavra se referia como base para suas escolhas de tradução. Além disso, percebemos que ambos tradutores sempre consideraram seu público-alvo em suas traduções.

DE ITABIRA PARA O MUNDO: LEVANTAMENTO SOBRE A RECEPÇÃO DA POESIA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE NA FRANÇA

Ana Beatriz Coutinho TAKEMATSU (USP)

ana.takematsu@hotmail.com

Profa. Dra. Adriana ZAVAGLIA (USP)

adriana.zavaglia@gmail.com

Palavras-chave: Carlos Drummond de Andrade; poesia; tradução; França.

É indubitável a importância da obra de Carlos Drummond de Andrade para a Literatura Brasileira. Sua personalidade, a técnica que empregou em sua poesia e seu olhar crítico e agudo sobre as coisas garantiram a Drummond o título de um dos maiores e mais importantes poetas da história da Literatura no Brasil. Tamanho reconhecimento extravasou o contexto nacional e atingiu outros países, como a Holanda, a Espanha, o Canadá e também a França. Essa pesquisa de Iniciação Científica teve como principal objetivo realizar o levantamento sobre a recepção da poesia de Carlos Drummond de Andrade traduzida para o francês, especificamente na França. Levando em consideração o caráter universal que os versos drummondianos podem alcançar, ainda que reconhecendo suas particularidades regionais, realizamos uma busca dessa poesia traduzida na França até o presente momento e procuramos entender como tal obra poética foi recebida em outro contexto cultural e em outra língua, no caso, a língua francesa. Para tanto, baseamo-nos em teóricos que fundamentaram os elementos envolvidos na recepção de textos. Assim, a leitura de Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser foi essencial à introdução do tema, já que ambos são responsáveis pela noção de “estética da recepção”. Além desses, incorporaram-se à nossa base teórica: Regina Zilberman e Paul Zumthor, que ajudaram na compreensão da teoria defendida por Jauss e Iser; John Milton, que garantiu a compreensão do funcionamento do mercado editorial envolvendo a tradução; e Yves Chevrel, que adicionou à teoria da recepção a ideia de “horizonte de espera ( “l’horizon d’attente” (CHEVREL, 1989, p. 68), muito importante ao tema. Além desse embasamento teórico, os recursos eletrônicos como o computador e a internet foram elementos fundamentais para o desenvolvimento desse trabalho, já que possibilitaram o acesso a bibliotecas, lojas virtuais e também a sites e blogs, que podem ser fonte de traduções não publicadas e, portanto, menos difundidas no meio acadêmico. Essa busca online permitiu-nos chegar a resultados promissores: foram identificados tradutores independentes, que publicam poemas traduzidos em sites relacionados à literatura; textos traduzidos para o francês ou escritos em língua francesa sobre a poesia de Carlos Drummond de Andrade; antologias poéticas contendo poemas drummondianos e, finalmente, foram levantados e comentados três livros dedicados exclusivamente aos poemas do poeta mineiro.

ASPECTOS CULTURAIS NA TRADUÇÃO DA PEÇA SOLO LOS GILES MUEREN DE AMOR, DE CÉSAR BRIE

Ana Carolina Rezende LEÃO (UFMG)

leaoanacarolina@yahoo.com.br

Walter Carlos COSTA (UFSC)

walter.costa@gmail.com

Palavras-chave: tradução; teatro; interculturalidade.

Nesta pesquisa, proponho a análise da tradução brasileira da peça teatral Solo los giles mueren de amor, de César Brie, dramaturgo argentino. A partir da peça original, escrita em 1993, em língua espanhola, será feita uma comparação com a tradução para a língua portuguesa, de Sara Rojo (UFMG) e sua orientanda de Iniciação Científica Raquel França Abdanur (UFMG). Essa tradução se encontra em Antologia teatral da latinidade, publicada em 2009, que contém textos dos dramaturgos César Brie, Juan Radrigán, Ramón Griffero e Michel Azama. O volume contém também um capítulo sobre o ofício de traduzir esse texto teatral juntamente com comentários sobre as alterações e manipulações do original pelas tradutoras, que se valeram, sobretudo, das teorias de Patrice Pavis, presentes em El teatro y su recepción: semiologia, cruce de culturas y post-modernismo, também usada nesta pesquisa, bem como em O teatro no cruzamento de culturas. Segundo as tradutoras, as alterações na tradução foram feitas com o objetivo de aproximar alguns termos próprios do contexto estrangeiro ao contexto brasileiro, como no caso de filmes famosos na argentina (Hotel alojamiento e La mujer de mi padre); atrizes célebres (Isabel Sarli); flores populares (as tílias, por exemplo); cidades de veraneio (como Dolores). Esses termos se transformaram, respectivamente, em A noite das taras e Pecado horizontal, Matilde Mastrangi, dama da noite, e Guarapari. A análise da obra em sua língua de origem, o espanhol, e sua tradução, Só os babacas morrem de amor, permitiu a análise das preferências de determinadas palavras, com efeito de determinadas gírias, e pode permitir construir um perfil de tais tradutoras. Um exemplo disso é a palavra “flaco”, que teve traduções variadas em diferentes momentos do texto; por outro lado, a palavra “babaca” do texto meta corresponde a diversas expressões do original. A proposta deste trabalho, então, é buscar entender essas escolhas, analisar a transformação do texto para que o mesmo funcione como peça teatral no novo contexto cultural e, para tanto, além das obras de Pavis, são utilizadas também como suporte teórico Estudos de tradução: fundamentos de uma disciplina, de Susan Bassnett, bem como dissertações acerca da tradução teatral, como A tradução da comédia teatral em The importance of being earnest: Tradução comentada e anotada, de Luciana Kaross.

TEORIAS DE TRADUÇÃO APLICADAS À LOCALIZAÇÃO DE TEXTOS DE VIDEOGAMES

Ana Maria Sigas PICHINI (UFRGS)

anapichini@gmail.com

Prof. Ms. Andrei dos Santos CUNHA (UFRGS)

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: videogames; terminologia; usos da teoria; hibridismo.

Este trabalho visa apresentar relatos da experiência tradutória com localização de videogames do ponto de vista do profissional recém-ingressado no mercado. Os relatos se referem à aplicação, no trabalho real do tradutor, da teoria geral da terminologia (WÜSTER, 1998; WÜSTER apud PICHT, 2007), da teoria comunicativa da terminologia (CABRÉ, 2007), da recursividade do tradutor (HURTADO ALBIR, 2007) e das teorias de hibridismo de gêneros textuais (MARCUSCHI, 2006 apud MATOZZO, 2008). O texto do videogame não é, claro, técnico ou científico e não impede, por exemplo, variação entre termos; ainda assim, um item não pode ter espaço para ser confundido com outro dentro do jogo ou mesmo em seus paratextos (em termos e condições de uso, por exemplo). Além disso, o “como se diz” também é facilmente resolvido pela terminologia, mais do que pelo recurso mais simples da busca de opções num dicionário. Do ponto de vista dos gêneros textuais, um texto de videogame vai conter inúmeros outros textos dentro dele, como cartas entre personagens, livros dentro do jogo, textos de descrição dos itens que o jogador pode obter, o manual… Como cada um desses textos se relaciona para formar o todo – o trabalho do tradutor – pode ser explicado pela teoria do hibridismo dos gêneros textuais (BAKHTIN, 1992). Com relação à recursividade do tradutor, o foco é na figura do profissional em si e o que ele tem de fazer pra criar um texto de qualidade. Busca-se revelar, a partir de exemplos baseados em trabalhos realizados pela própria autora entre 2012 e 2013, como a base teórica pode melhorar a qualidade do texto traduzido, além de mostrar, numa aplicação prática no dia-a-dia, o que já pode ser verificado nos resultados parciais.

A LITERATURA ITALIANA NO BRASIL: A LIVRARIA TISI E O MOVIMENTO MODERNISTA DE SÃO PAULO

Anna Pooely GAEST ODORIZZI (UFSC)

anna.pooely@gmail.com

Prof. Dr. Andrea SANTURBANO (UFSC)

andreasanturbano@gmail.com

Palavras-chave: Livraria Tisi; Modernismo; literatura italiana.

A Livraria Tisi, fundada no início da década de 20 em São Paulo pelo italiano Antonio Tisi, traduziu diversas obras na área do conhecimento e da cultura, dando destaque para a literatura estrangeira. Em particular, apresentou aos leitores importantes figuras da literatura italiana contemporânea, dentre os quais Luigi Pirandello, Giovanni Papini, Filippo Tommaso Marinetti, Ardengo Soffici e Aldo Palazzeschi. Vale citar, por exemplo, a tradução de “Un uomo finito” de Giovanni Papini, que aparece na tradução como Um homem acabado (1923), Novellas escolhidas (1925) do Pirandello. A Livraria Tisi teve uma grande repercussão entre os intelectuais brasileiros da época e durante sua atividade ela serviu também de ponto de encontro para alguns protagonistas do modernismo paulista, chegando a publicar títulos de Oswald e Mario de Andrade, deste último foram publicadas as obras como Losango Cáqui (1926), Primeiro Andar (1926), Amar, Verbo Intransitivo (1927). Além disso, a editora publicou obras relacionados a economia e a política do Brasil. Com base em textos críticos e teóricos, como por exemplo, O livro no Brasil: sua história (1985), de Laurence Hallewell, Línguas, Poetas e Bacharéis: Uma crônica da Tradução no Brasil (2003), de Lia Wyler, Modernismo brasileiro e vanguarda (2000), de Lucia Helena, A semana de arte moderna (2000), de Neide Rezende, procurou-se realizar um mapeamento dos autores italianos e das obras traduzidas pela editora Tisi, assim como refletir sobre a repercussão dessas obras no sistema literário brasileiro. Para tanto, fez-se importante analisar também os paratextos dos livros, ricos de informações mais circunstanciadas sobre o contexto do lançamento dessas edições. O objetivo específico deste trabalho é verificar e analisar de que forma a atividade da Livraria Tisi se relacionou com o surto e o desenvolvimento do movimento modernista em São Paulo e mais detalhadamente de que forma os autores italianos acima citados repercutiram nas discussões entre os intelectuais modernistas da época e no público em geral.

CONCEITOS DE TRADUÇÃO E CULTURA NA GRAMÁTICA ARTE DA LINGOA DE IAPAM (1604-1608) DO MISSIONÁRIO JESUÍTA PORTUGUÊS JOÃO RODRIGUES

Arthur MELO (UFPB)

arthur_renato@hotmail.com

Profa. Dra. Wiebke RÖBEN DE A. XAVIER (UFPB)

wiebke.xavier@gmail.com

Palavras-chave: tradução cultural; Companhia de Jesus; Arte da Lingoa de Iapam; João Rodrigues.

Após receber a aprovação do Papa Paulo III em 1540, a Companhia de Jesus foi fundada, tendo como figura central o espanhol Inácio de Loyola. A Companhia logo deu início a atividades missionárias ao redor do mundo – jesuítas foram enviados à América, à África e à Ásia, onde fundaram colégios e desenvolveram vários métodos de evangelização e de assimilação das culturas locais. Gramáticas das línguas locais foram produzidas; além disso, a tradução exerceu papel fundamental: catecismos, tratados de teologia e mesmo obras científicas foram traduzidos para as mais diversas línguas. Esse modus operandus se repetiu também no Japão, aonde a primeira expedição jesuíta chegou em 1549. Assim, seguindo a linha recente de pesquisas em história da tradução, o que Burke (2009) chama de “virada histórica” nos Estudos da Tradução, este trabalho é um estudo de caso sobre a inclusão de conceitos de tradução e cultura pelo missionário português João Rodrigues (c.1561-1633) na sua gramática da língua japonesa Arte da Lingoa de Iapam, publicada no Japão entre 1604 e 1608. João Rodrigues chegou ao Japão em 1577, ingressando, logo em seguida, no Colégio do Japão da Companhia de Jesus em Nagasaki, onde estudou teologia e, paralelamente, a língua japonesa. Sua extensa e detalhada gramática Arte da Lingoa de Iapam é fruto de seus estudos linguísticos sobre o japonês falado e escrito na época, que se encontrava na fase antiga tardia. Em duas passagens da gramática, Rodrigues (1608) comenta sobre os desafios da tradução para o japonês, propondo soluções. Na primeira, ele discute que a língua japonesa não possui vocábulos como “Deus”, “anjos”, “pecado”, “cruz”, “humanidade”, propondo que estes fossem assimilados através de empréstimos tomados à língua portuguesa, com a devida adaptação à fonética do japonês. Num segundo momento, Rodrigues aconselha como se deve traduzir: “não se deve traduzir palavra por palavra, frase por frase, nem usar na língua japonesa as nossas metáforas, pois isso torna a oração bárbara e obscura (…)”. Pretendeu-se, assim, problematizar essas afirmações e considerá-las no contexto das traduções empreendidas pelas missões evangelizadoras na Ásia utilizando o conceito de tradução cultural de Burke (2009), que considera “a tradução entre línguas no contexto da tradução entre culturas”.

ANÁLISE DA AUDIODRESCRIÇÃO DO DVD SE LIGA NA TURMA DA MÔNICA 2

Bárbara L. CARVALHO (UnB)

barbaraleitaounb@gmail.com

Prof. Charles Rocha TEIXEIRA (UnB)

charlesrt2006@gmail.com

Palavras chave: audiodescrição; deficiência visual; crianças.

A questão de acessibilidade audiovisual para cegos e com baixa visão é um assunto que vem sendo cada vez mais discutido. Não poderia ser diferente, já que entendemos a acessibilidade audiovisual como um fator importantíssimo na inclusão de deficientes visuais. Esse recurso está sendo disponibilizado no Brasil em pequena escala tanto na TV aberta como em museus e sessões especiais de teatro e cinemas. São ainda poucas pesquisas em audiodescrição voltadas para crianças com deficiência visual. Países como a Inglaterra, porém já possuem diretrizes específicas em audiodescrição para crianças, baseadas nas questões cognitivas e de aprendizado como as que constam no guia RNIB Sunshine House School. Por isso, este trabalho realizado sob a orientação do Prof. Charles Rocha Teixeira se propõe a analisar se a audiodescrição dos desenhos animados do DVD Se Liga na Turma da Mônica 2, lançado comercialmente, leva em consideração questões como linguagem, efeitos sonoros, descrição dos personagens e ambientes que podem contribuir para manter a atenção da criança. Nossa análise se baseia nos parâmetros estabelecidos por tal guia e, para a realização desta, primeiramente passamos para a leitura bibliográfica. No âmbito da audiodescrição de filmes de animação para crianças, duas dissertações de metrado (SILVA, 2009; SANTOS, 2011) trazem parâmetros e diretrizes para esse tipo de audiodescrição e considerações relevantes quanto à apreensão de conceitos e significados pelas crianças cegas. Duas outras publicações serão de fundamental importância nesta empreitada: uma, disponibilizados pelo Ministério da Educação brasileiro: “Saberes e práticas da inclusão: dificuldades de comunicação e sinalização: deficiência visual” (BRUNO, 2006) e a outra, disponibilizada pelo Ministério da Educação português: “Compreender a baixa visão” (LADEIRA e QUEIRÓS, 2002), dois guias que trazem informações sobre a compreensão da cognição, desenvolvimento da aprendizagem e comportamento da criança cega e de baixa visão. É necessário ressaltar que o recurso possibilita uma série de benefícios ao público infantil.

ESTABELECIMENTO DE REFERENTES NO ESPAÇO COM GRAU AFETIVO

Bárbara Raquel PERES (UFSC)

bahraquelperes@gmail.com

Profa. Dra. Aline LEMOS PIZZIO (UFSC)

alinelemospizzio@gmail.com

Palavras-chave: Libras; sinais-não-manuais; tronco.

O presente estudo é resultado da reflexão sobre o uso do tronco como marcador não manual na produção em Libras. Os objetivos foram verificar a utilização do tronco como marcador não manual com caráter afetivo e analisar a aproximação e o distanciamento do corpo durante a sinalização e suas relações. O referencial teórico utilizado foi o artigo Repensando Classes Verbais em Língua de Sinais de IritMeir, Carol Padden, Mark Aronoffand Wendy Sandler, que trata sobre o corpo do sinalizador na produção em língua de sinais tendo como foco a cabeça e as expressões buco-faciais. A língua de sinais possui como parâmetros a configuração de mãos, localização, ponto de contato, orientação e movimento. As expressões faciais ou sinais não manuais são elementos gramaticais fundamentais para a compreensão do textual equivalente a prosódia nas línguas orais. Conforme Siple (1978), a língua de sinais americana – ASL – utiliza mecanismos espaciais em que a informação gramatical se apresenta simultaneamente com o sinal. Esses mecanismos envolvem a ‘incorporação’, considerado um mecanismo produtivo na ASL e usada, por exemplo, para expressar localização, número, pessoa; e o ‘uso de sinais não manuais’, como movimentos do corpo e expressões faciais. Para a realização da atividade, foram analisados quatro vídeos do tradutor e ator surdo Nelson Pimenta disponibilizados no YouTube. A fim de ilustrar nossa hipótese, selecionamos as principais recorrências dos vídeos escolhidos. Os sinais não manuais, a nosso ver, ultrapassam as expressões faciais, contemplando também o corpo, com foco na aproximação e distanciamento do tronco com função afetiva, visto que “o corpo do sinalizador não é meramente um lugar formal para a articulação dos sinais, mas pode em princípio, ser associado a um significado em particular ou a uma função específica”(MEIR, PADDEN, ARONOFF, SANDLER). Através dos estudos acerca dos sinais não manuais a partir dos recortes dos dados e das discussões realizadas na disciplina de Libras IV sobre a utilização do espaço na sinalização, propomos a inclusão do item tronco no parâmetro dos sinais não manuais. Com a análise dos fragmentos, podemos perceber os diferentes usos do tronco como marcador afetivo de aproximação e distanciamento na elaboração do discurso. Esperamos ampliar nosso estudo em um momento oportuno buscando materiais para a solidificação de nossa hipótese, já que o campo de estudos linguísticos voltados a língua de sinais é amplo e pouco explorado.

CURSOS DE EXTENSÃO EM TRADUÇÃO NO BRASIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Barbara Cristina Marques Pereira RAMOS (UERJ)

barbaracmpr@hotmail.com

Profa. Dra. Maria Alice Gonçalves ANTUNES (UERJ)

aliceenglishuerj@gmail.com

Palavras-chave: extensão universitária; estudos da tradução.

Os Cursos de Extensão Universitária são ferramentas importantes para a sociedade em geral, já que revelam “o processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza[m] a relação transformadora entre Universidade e Sociedade” (FORPROEX, 2001). Alguns dos objetivos dos cursos de extensão são procurar integrar a universidade e sua prática acadêmica ao Ensino e à Pesquisa, bem como fazê-la interagir com a sociedade de forma plena e garantir os “valores democráticos, da equidade e do desenvolvimento da sociedade em suas dimensões humana, ética, econômica, cultural, social” (FORPROEX, 2001). Eles existem em várias modalidades: presencial, semipresencial ou à distância; cursos de atualização, de aperfeiçoamento ou de formação continuada; e podem dar o suporte necessário a estudantes universitários na busca para a solução de problemas como a exclusão social, além de serem fundamentais no diálogo que contribui para a transformação da sociedade (FORPROEX, 2001). Entretanto, pouco ainda se sabe sobre esses cursos, seus objetivos e características. Desde o início do século XXI, com a popularização do ensino a distância, o número de cursos de extensão cresce. Entre eles, estão os cursos de tradução. Neste pôster pretendo mostrar um mapa (inicial) dos cursos de tradução no Brasil, em especial aqueles vinculados à Extensão Universitária, além de discutir suas características e seus objetivos gerais. Apresentarei também, como ilustração, o relato de minha experiência como aluna de graduação na habilitação Inglês/Literaturas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, estagiária do Escritório Modelo de Tradução Ana Cristina Cesar e aluna de um curso (de Extensão) online de Introdução aos Estudos da Tradução. Resultados iniciais apontam para certa carência de profissionais qualificados para o ensino de tradução; para a falta de flexibilização curricular necessária nas ações de Extensão Universitária; e para a divulgação limitada destes cursos nos ambientes acadêmico e virtual ligados à universidade.

DISCURSO DE TODOS LOS DIABLOS: ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE UM GLOSSÁRIO E SUA TRADUÇÃO

Beatrice TÁVORA (UFSC)

tavorabeatrice @gmail.com

Profa. Dra. Andréa CESCO (UFSC)

andrea.cesco@gmail.com

Palavras-chave: Quevedo; Discurso de todos los diablos; glossário; tradução.

Francisco de Quevedo y Villegas é um autor de importância capital na literatura espanhola, particularmente na que se refere ao Século de Ouro. O universo quevediano é vasto, capaz de retratar a realidade daquela sociedade no sec. XVII e abarca, além de escritos filosóficos e políticos, obras de caráter satírico-moral como o texto Discurso de Todos los Diablos, escrito em 1627 e inédito no Brasil, objeto de nossa pesquisa. O objetivo deste trabalho é apresentar as etapas da construção de um glossário para referido texto que engloba a pesquisa de palavras incomuns, expressões e provérbios. Paralelamente, a pesquisa alcança o estudo detalhado de personagens, acontecimentos da época, e fatos da biografia do escritor, capaz de proporcionar a reflexão, avaliação da aplicabilidade dos conceitos teóricos utilizados na tradução e aprofundar aspectos relevantes para selecionar criteriosamente notas e comentários que deverão acompanhar uma futura tradução. Como resultado parcial, obtivemos a confecção de uma planilha de termos, cuja metodologia foi estruturada através das seguintes fases: familiarização com o autor e seu contexto histórico, situação cronológica do texto dentro da obra, distintas etapas de leitura, mapeamento de palavras, expressões, percepção das figuras de linguagem, discussão, consenso e inclusão na planilha. O referencial teórico, quanto à tradução intralingual em língua fonte, baseia-se na utilização de dicionários como o Maria Moliner, Diccionario Covarrubias

e Diccionario de Autoridades, da Real Academia Española. Para a tradução intralingual em língua meta são utilizados Dicionário Aulete da Língua Portuguesa e Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (2002). Para a tradução interlingual, ferramentas como WordReference são valiosos. Estão sendo utilizados também o Diccionario de Refranes, de Campos e Barella, e o Diccionario de dichos y frases hechas, de Buitrago. Recorremos a várias histórias da literatura espanhola, como a de Gerald Brenan, e de Alborg, e as coletâneas dirigidas por R. O. Jones e Jean Canavaggio, além de livros de história da Espanha, como de Henry Kamen (1995), Piñeyro y Aguilar (1905) e Vilar (1980). Para posterior tradução serão seguidas as etapas desenvolvidas por Pollux Hernúñez (da Comissão Europeia e Direção Geral de Tradução – Bruxelas). Referências Bibliográficas: QUEVEDO Y VILLEGAS, Francisco de (edição Alfonso Rey). Obras Completas: Obras em Prosa. Vol. I, Tomo II, Madrid: Castalia, 2003.

PRÁTICA DE TRADUÇÃO EM LIBRAS DO RITO DA MISSA

Bianca Sena GOMES (UFSC)

biancalibras2012@gmail.com

Profa. Ms. Janine Soares de OLIVEIRA (UFSC)

janinemat@gmail.com

Palavra-chave: Tradução de texto religioso; Libras; glossário.

O presente trabalho iniciou-se na disciplina de Prática da Tradução do Curso de Letras Libras da Universidade Federal de Santa Catarina. A proposta da disciplina era realizar um projeto de tradução de texto especializado a partir da área de interesse de cada estudante. Escolhemos o tema religião devido à grande afinidade e conhecimento a respeito desse e pela escassez do material em Língua de Sinais objetivando esclarecimento e produção de material para a comunidade Surda. Definiu-se traduzir o Rito Romano que orienta as celebrações litúrgicas. O referencial teórico principal foi a abordagem funcionalista de Nord (1991) tendo como foco produzir uma tradução inteligível ao público-alvo, no caso, pessoas Surdas participantes das Missas Católicas. Nesse caso, utilizou-se principalmente como base a experiência de um dos participantes do projeto de tradução enquanto pessoa Surda atuante na comunidade católica. A metodologia utilizada consistiu primeiramente em estudo, divisão das unidades de tradução conforme orientada por Alves (2006), seguida da discussão dos textos. A partir da pesquisa e levantamento de terminologia em outros materiais religiosos iniciou-se a gravação do que denominou-se “rascunho” de tradução em Libras. A revisão e análise dos vídeos produzidos em “rascunho” foram determinantes para a gravação “oficial” do texto traduzido. Quanto aos aspectos técnicos para a gravação utilizou-se blusa preta lisa com finalidade de manter aparência neutra destacando a língua de sinais para a fala do Padre e a blusa vermelha para diferenciar as respostas da assembleia. Utilizando para a gravação o método de observação dos “vídeos-rascunho” e memorização das unidades de tradução para gravação da tradução. O resultado final foi apresentado no programa Prezi buscando mostrar através de imagens um esclarecimento e uma melhor visualização sobre as subdivisões da celebração litúrgica, pois se tratava da Língua de Sinais que prioriza o visual espacial. Outro fator de destaque no desenvolvimento do projeto foi a produção de glossário buscando oferecer mais recurso para o melhor entendimento do texto. Na construção do glossário utilizou-se como fonte de referência principal a Bíblia Sagrada Tradução da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e priorizou-se a organização das entradas pela configuração de mão (forma da mão) para visualização do sinal seguido de sua definição também em Libras. Como resultado final foi concluído a gravação tendo perspectiva de parceria com a arquidiocese de Florianópolis para divulgação do material.

A Localização de Games no Brasil – da teoria à prática

Bruna Luizi Coletti (UFSC)

brunalc03@gmail.com

Prof. Dr. Lincoln Fernandes (UFSC)

lico.fernandes@gmail.com

Palavras-chave: Localização; games; Brasil.

A expansão do mercado brasileiro de games nos últimos anos acarreta em novas necessidades, como a localização de games, em especial, no par linguístico inglês/português. Este trabalho traz um relato das experiências obtidas através da localização do game “APB: Reloaded”, um jogo eletrônico online multijogador em massa, que possuí uma média de 400 mil palavras, apontando os desafios, dificuldades e aprendizados adquiridos durante o processo. Os tópicos abordados são as singularidades de se trabalhar em equipe, a necessidade da pesquisa extensiva em uma tradução envolvendo linguagem especializada, a recriação e adaptação necessária na localização de termos e expressões sem correspondentes na nossa cultura, a tradução fragmentada e as limitações causadas pela interface e pelas restrições mercadológicas. Os assuntos são tratados através de exemplos vividos no cotidiano de uma equipe de localizadores, em contraste com as teorias presentes nos Estudos Descritivos da Tradução (EDT), inseridos nos Estudos da Tradução. Cada jogo eletrônico consiste em uma prática social única, com características e linguagem própria. Dessa forma, a localização é fundamental, pois é a linguagem em questão responsável pela interação plena do jogador com o jogo. Tendo como base essa preocupação, essa pesquisa pretende apresentar uma perspectiva sobre como se dá a localização de games no Brasil, com suas particularidades e necessidades, fazendo um paralelo com a teoria da tradução, para que os acadêmicos e demais interessados na área tenham um ponto de vista prático que se aproxime mais da nossa realidade. O quadro final apresenta a necessidade de reconhecimento e investimento maior por parte do mercado e a importância de instrução especializada por parte dos profissionais da área, mas também mostra que o crescimento da indústria de games tem trazido bons frutos para a localização.

BUSCA DE EQUIVALENTES PARA COMBINATÓRIAS TERMINOLÓGICAS NA ÁREA DO DIREITO AMBIENTAL

Bruna STEFFEN (UFRGS)

bru.steffen@hotmail.com

Profa. Dra. Patrícia CHITTONI RAMOS REUILLARD (UFRGS)

patricia.ramos@ufrgs.br

Palavras-chave: combinatórias léxicas terminológicas; equivalência; francês.

Ambientado no Projeto Termisul, o presente trabalho visa apresentar as etapas e as dificuldades de uma pesquisa sobre as combinatórias léxicas especializadas (CLEs), que disponibilizará on-line uma base de dados de combinatórias de Direito Ambiental, visando principalmente tradutores, revisores e terminólogos. As CLEs são unidades sintagmáticas, recorrentes e condicionadas pela língua, área ou gênero textual e utilizadas por uma mesma comunidade (Bevilacqua, 1996); podem ser legislativas ou terminológicas. O corpus de trabalho constitui a Base Legis e reúne documentos legislativos relativos à temática do meio ambiente, em nosso caso, no par português-francês. Neste trabalho, trataremos apenas das CLEs terminológicas, que têm a função de referir uma ação ou um processo próprios da área do Direito Ambiental. No que concerne à tradução, fundamentamo-nos em Hurtado Albir (2001), que entende a equivalência como a relação estabelecida entre a tradução e o texto original, numa concepção dinâmica e flexível que considera a situação de comunicação e o contexto sócio-histórico no qual se produz o ato tradutório. Como também se trata de textos especializados, apoiamo-nos em Cabré (1998), que considera a linguagem especializada como expressão da língua comum usada em contexto de especialidade – os componentes dessa linguagem são, portanto, unidades do léxico geral que adquirem caráter especializado de acordo com o contexto de utilização. Após o estabelecimento das combinatórias léxicas em português pela equipe de pesquisa, passamos à busca dos equivalentes em francês, estabelecendo, primeiramente, os critérios de pesquisa: busca na base Legis/fr, utilizando a ferramenta AntConc e, quando não encontramos os equivalentes, pesquisamos em sites governamentais de países francófonos (França, Canadá, Bélgica e Suíça) e em sites institucionais de universidades, grupos de pesquisa, etc. Para iniciar a busca, formulamos hipóteses sobre a constituição do equivalente em francês, confirmando-as ou não, na sequência. A título de exemplo, apresentamos as combinatórias terminológicas em português e seus respectivos equivalentes em francês: abastecimento de água – approvisionnement en eau e eliminação de resíduos – élimination des déchets. Durante a busca, encontramos alguns problemas, sobretudo relacionados a realidades que não compartilham as culturas em questão; é o caso, por exemplo, das CLEs “adulterar agrotóxicos”, “fraudar agrotóxicos” ou “falsificar agrotóxicos”: embora exista o termo “agrotóxicos” (pesticides), as pesquisas feitas até o momento ainda não detectaram uma combinatória relacionada à adulteração desse produto em francês. Observamos que essa falta de equivalência em alguns casos pode indicar uma diferença cultural marcante que deverá ser informada ao consulente.

IDENTIDADE, NOME E TRADUÇÃO: ESTRATÉGIAS UTILIZADAS NA TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DE NOMES EM A GUERRA DOS TRONOS, DE GEORGE R. R. MARTIN (2010)

Caio Cesar Gasques PERONI (UNINOVE)

Prof. Yuri Jivago Amorim CARIBÉ (USP/UNINOVE)

yuricaribe@uninove.br

Palavras-chave: nomes; identidade; tradução; adaptação.

Este trabalho pretende discutir algumas estratégias utilizadas na tradução de nomes de personagens dos quadrinhos e de romances da literatura inglesa e norte-americana clássica e contemporânea em Língua Portuguesa. Esses nomes serão citados, original e tradução, como exemplos, tendo como foco os nomes das personagens do romance A guerra dos tronos, de George R. R. Martin (2010) em edição brasileira, traduzido por Jorge Candeias. Procuramos verificar que fatores eram realmente considerados no momento de conceber o nome de uma personagem em outra língua, tais como a questão semântica que envolve esse nome e a busca por um equivalente na língua de chegada, além das características da personagem que teve seu nome traduzido e/ou adaptado. Em primeira instância, apresentaremos os nomes originais desses personagens em Língua Inglesa, objetos de nosso estudo, e faremos uma discussão comparativa com as traduções adotadas nas edições em Língua Portuguesa. Nossa intenção é entender a questão da formação da identidade das personagens através pelo viés da tradução. Para tanto, nos apoiaremos em algumas leituras dos Estudos da Tradução e da Adaptação, principalmente no conceito de adaptação de Hutcheon (2006) e de Sanders (2006), aplicados a esse contexto de tradução de nomes. Publicado no Brasil pela editora Leya, o romance A guerra dos tronos (MARTIN, 2010) é o primeiro de uma série que posicionou seu autor no cenário literário mundial, sendo inclusive comparado à Tolkien. Este primeiro volume possui, na tradução de Candeias, 592 páginas de um rico universo de fantasia, no qual estações duram anos e lutas pelo poder são constantemente empreendidas. O que esse estudo nos mostra é que a tradução, como atividade profissional, é impulsionada por questões que atravessam o campo linguístico e atingem também os horizontes econômicos, políticos e mercadológicos. Entendemos também que para que a tradução de um nome seja acolhida é preciso que haja, entre os leitores, uma boa recepção e boa recepção significa popularidade. Esse aspecto certamente influencia o processo de criação travado pelo tradutor durante a tradução de um nome.

O AMANTE DE LADY CHATTERLEY E A TRADUÇÃO DA PERSONAGEM NA TELA

Camila Araujo SILVA (UFC)

camilaaraujos07@gmail.com

Prof. Dr. Carlos Augusto Viana SILVA (UFC)

cafortal@hotmail.com

Palavras-chave: cinema; personagem; tradução.

O romance O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence, escrito em 1928, teve permissão para ser publicado na Inglaterra apenas em 1960 após enfrentar julgamento no tribunal. Tratando de assuntos polêmicos, um dos pontos do livro é o relacionamento da personagem principal, Lady Chatterley, e Mellors, o guarda caça empregado de seu marido, Clifford. O romance foi banido por tratar de um relacionamento entre pessoas de diferentes classes sociais, por relatar com detalhes os encontros íntimos dos dois, além de tratar de assuntos como: política e a revolução industrial. O comportamento de Constance Chatterley, que difere em muitos aspectos das moças vitorianas, também foi motivo de estranhamento para o público da época. Em 1981, o livro foi adaptado para o cinema sob a direção de Just Jaeckin num momento em que a liberdade de expressão, o redimensionamento do papel social da mulher e a liberdade sexual estavam sendo aclamadas. Analisando principalmente o papel social feminino com foco na personagem principal, o presente trabalho se propõe a observar como a adaptação fílmica lidou com caráter inovador na apresentação dessas questões na obra de Lawrence. Traçando um paralelo entre a década de 20, quando o livro surgiu, e a década de 80, período em que a adaptação de Jaeckin foi lançada, analisaremos como se deu a construção da personagem principal, Constance, e sua tradução para as telas em 1981, e, assim, verificarmos as escolhas do diretor para lidar com a personagem na tela. Para tal, observaremos traços de composição da personagem e suas atitudes de sujeito que reage às coerções sociais. Demonstraremos então as diferenças a partir de excertos do texto de partida e da descrição de sequências do referido filme, tendo ainda como suporte a fortuna crítica das obras em questão. Como fundamentação teórica, utilizaremos David Bordwell (1985), Christiane Lopes (1986), Katie Millet (1970), Tanya Krzywinska (2006). Os resultados preliminares apontam para o fato de que, embora a obra cinematográfica foque alguns aspectos polêmicos da obra literária, esta não segue a mesma tendência inovadora na apresentação dos temas.

TRADUÇÃO INTERCULTURAL E REGIONALISMOS: UMA TRADUÇÃO DAS LENDAS AMAZÔNICAS CONTIDAS NO LIVRO “LENDÁRIO” DE YARA CECIM PARA O INGLÊS

Camila COSTA (UEPA)

alvescamilacosta@gmail.com

Profa. Ms. Josane PINTO (UEPA)

josanedaniela@hotmail.com

Palavras-chave: tradução intercultural; lendas amazônicas; tradução de regionalismos; escrita feminina paraense.

Lendário é uma coletânea que possui contos extraídos do mundo amazônico, numa narratividade singular dos mistérios e do miticismo da região escrito por uma mulher que nesta região, assim como a maioria das escritoras femininas, se situa no anonimato de arquivos e edições esgotadas,com exceção de algumas escritoras canônicas, por causa de algumas parcialidades ideológicas e conceituais que colocam de lado a escrita feminina paraense. Neste contexto, a produção literária de autoria feminina paraense, onde a tradição e fatores geográficos ocorrem, sendo uma mulher, a partir do norte do Brasil está sendo legitimada, e ligada aos padrões temáticas e estéticas dos cânones. Este trabalho parte da constatação de que as traduções de contos de temática regional, para o sistema literário de língua inglesa, acabam homogeneizando o falar característico das personagens à variante linguistica padrão da língua inglesa. Propõe-se uma tradução para os contos a partir de uma aproximação do universo linguístico e temático da escritora paraense Yara Cecim- para tal utiliza-se dos conceitos das fases de trabalho tradutório e a tradução criativa de LEVÝ (2011)- tradução que não se pretende definitiva, eis que nenhuma o pode ser, mas que, levando em consideração tanto os elementos do texto e da cultura-fonte quanto da língua e da cultura-receptora, permita ao leitor vislumbrar um pouco da riqueza do universo amazônico, iniciativa esta justificável através do conceito de Weltliteratur de GOETHE (1835) e dos conceitos de tradução cultural de TRIVEDI (2005).

POR UMA BREVE ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS TRADUTÓRIAS ADOTADAS EM FILMES BRASILEIROS TRADUZIDOS PARA A LÍNGUA INGLESA: COMPARANDO OS CASOS DE “LISBELA E O PRISIONEIRO” E “DEUS É BRASILEIRO”

Camilla de MORAES (Universidade Federal de Uberlândia)

cah26@hotmail.com

Profa. Dra. Marileide ESQUEDA(UFU)

marileide_esqueda@hotmail.com

Palavras-chave: tradução de filmes; estratégias de tradução; Lisbela e o Prisioneiro; Deus é Brasileiro.

Segundo Gambier (2003) e Diáz Cintas (2007; 2009), o interesse pelo campo da tradução audiovisual vem aumentando significativamente, não mais se concentrando em materiais endereçados para a televisão aberta, a cabo, instituições governamentais, comerciais ou educacionais, mas assiste-se um grande aumento na produção cinematográfica em todo o mundo, principalmente em virtude do advento do cinema digital. No Brasil, a maioria das pesquisas realizadas no campo da tradução audiovisual de produções cinematográficas partem de análises de filmes estrangeiros traduzidos para a língua portuguesa. Consequentemente, nota-se carência de pesquisas contendo análises de filmes brasileiros traduzidos para a língua inglesa, bem como falta de elementos norteadores para sua realização. Há vários aspectos, nestes materiais, que podem ser analisados no par linguístico português-inglês como regionalismos, gírias, falares típicos ou sotaques que, por questões de espaço na tela, por opção da produtora responsável pela difusão do filme ou até mesmo por escolhas pessoais do tradutor, são às vezes omitidos ou neutralizados. Outro fator que pode levar à omissão ou neutralização de falares típicos refere-se ao princípio da economia ou redução do material linguístico, característico da tradução audiovisual para produção de legendas, que permanece na corda-bamba (Ridd, 1996) entre o oral e o escrito. Neste sentido, o objetivo desta pesquisa é analisar crítico-contrastivamente as legendas produzidas para a língua inglesa presentes nos filmes “Lisbela e o Prisioneiro” e “Deus é Brasileiro”, em suas versões para o DVD. Segundo Argentim&Esqueda (2012), a principal estratégia tradutória utilizada para traduzir as marcas dialetais em “Lisbela e o Prisioneiro” foi a de transferência. Sendo assim, este estudo compara as estratégias tradutóriasadotadas em “Deus é Brasileiro”, com vistas a discutir a existência de certas semelhanças e regularidades na tradução para a língua inglesa de ambos os filmes. A análise e comparação entre os filmes está pautadas nos trabalhos sobre estratégias de tradução para o meio audiovisual de Gottlieb (1992).

DO INGLÊS PARA LIBRAS: A TRADUÇÃO COMO FORMA DE APRENDIZAGEM

Carla Cristina Gaia dos SANTOS (G-UEM)

carlinha_criz@hotmail.com

Profa. Dra. Rosa Maria OLHER (UEM)

rmolher@gmail.com

Palavras-chave: tradução; LIBRAS; ensino-aprendizagem de línguas.

No contexto do ensino de línguas a tradução tem sido um tópico amplamente explorado e questionado acerca de sua eficácia. Contudo, o objetivo deste trabalho é investigar e discutir como essa prática pode ser um recurso importante e que pode contribuir para o processo de ensino-aprendizagem de outras línguas, a citar a Língua Brasileira de Sinais– LIBRAS. A literatura pós-moderna sobre tradução postula que o ato de traduzir engloba todo o universo cultural de uma língua, e por conta disso, traduzir significa muito mais do que a mera transposição de palavras e supostos equivalentes de uma língua para outra, trata-se, primordialmente, de transpor uma cultura para outra, tal qual afirma Campos (1986). A tradução exemplifica uma situação real de uso das línguas, por mais que tal prática tenha sido inferiorizada nos contextos educacionais, ela se faz presente no cotidiano e no consciente de todos os brasileiros aprendizes de uma segunda língua, seja esta estrangeira, como o inglês ou o francês, seja nacional, como a LIBRAS. Segundo House (2009), a prática da tradução, quando bem associada ao aprendizado de outros idiomas, permite que o aprendiz reflita sobre os contrastes e similaridades das formas de comunicação envolvidas no processo tradutório, possibilitando que o individuo não apenas aprenda uma segunda língua, mas que ele pense e reflita sobre a mesma. Partindo de tais pressupostos, a tradução da obra literária infantil Wherethewildthings are (Onde Vivem os Monstros) do escritor norte-americano Maurice Sendak (1963), foi traduzida para a LIBRAS, por meio da representação gráfica conhecida como signwriting. O livro revolucionou o mercado editorial infantil quando foi lançado, na década de 60, nos Estados Unidos e sua tradução, realizada por Heloisa Jahn, foi lançada pela Cosac Naify no Brasil em 2009. Este projeto faz parte de um estágio do Bacharelado em Tradução da Universidade Estadual de Maringá, o qual, além da prática tradutória, pretende discutir a tradução a partir da perspectiva contestadora, ou seja, a tradução como transformação, aquela com base nas diferenças entre línguas, signos e contextos.

VERSÃO E ANÁLISE CRÍTICA DO CONTO “TREZENTAS ONÇAS”, DE SIMÕES LOPES NETO

Carolina Kuhn FACCHIN (UFRGS)

carolkfacchin@gmail.com

Profa. Dra. Rosalia Neumann GARCIA (UFRGS)

rosalia.0806@gmail.com

Palavras-chave: tradução; versão; conto; Simões Lopes Neto.

O projeto “Tradução Literária e seus Desdobramentos”, em sua 3ª edição, visa verter para o inglês os contos dos Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto. Utilizaremos duas frentes teóricas na realização das versões: teorias que tratam dos aspectos culturais da tradução (Teoria dos Polissistemas Literários, de Itamar Even-Zohar (1990); classificação de palavras culturais, de Newmark (1988) e suas estratégias para solucionar as chamadas lacunas de tradução (compatíveis com observações feitas por outros teóricos, como Lawrence Venuti), aliada às ideias sobre Culture-Specific Items (CSI, ou itens especificamente culturais) expostas por Javier Franco Aixelá (1996); a partir de uma ótica de tradução cultural de Trivedi (2005)), que auxiliarão nas escolhas feitas acerca dos regionalismos e expressões locais utilizadas pelo autor nos contos; e o estudo de narratologia de Mieke Bal (2009), fundamental para que o tradutor saiba lidar com o estilo do autor e suas escolhas narrativas. Este resumo traz como recorte o conto “Trezentas Onças” e análise das escolhas feitas pelos tradutores na versão para o inglês. Como exemplo de escolha na tradução de palavras culturais, temos o uso da palavra “cusco” (optou-se, na primeira versão, por traduzir a palavra por “mutt”; em uma análise mais aprofundada consideramos outras palavras, como “hound” ou até simplesmente “dog”). Existe a possibilidade de manter o regionalismo do termo, dessa forma colocando o leitor diante do estranhamento para que esse faça inferências sobre o significado pelo contexto. As marcas de oralidade do texto original também são relevantes, e observa-se que na impossibilidade de mantê-las na exata palavra utilizada pelo narrador, esta é transferida para outra parte do texto. Outra preocupação dos tradutores foi observar marcas narrativas, tais como o cuidado de valorizar o personagem-narrador e sua visão do mundo campeiro, seus valores, além do ritmo usado durante a narrativa. Existem variações de ritmo, por exemplo, demonstradas pela alternância de momentos de maior ação ou de maior reflexão e descrição permitindo ao leitor a visualização do que está sendo contado por Blau Nunes. Tenta-se, dessa forma, demonstrar a importância das decisões do tradutor ao longo do processo tradutório, decisões essas feitas a partir de uma leitura criteriosa e analítica, independente do resultado final, que sempre pode ser alterado, contanto que essas alterações sejam baseadas em critérios claros.

THE TALES OF BEEDLE, THE BARD & OS CONTOS DE BEEDLE, O BARDO, DE J.K. ROWLING: ANALISANDO OS TERMOS BRUXOS PARA O PORTUGUÊS

Carolina Bassiquette ZAUDE (Universidade Federal de Uberlândia)

carolinazaude@trad.ufu.br

Profa. Dra. Marileide Dias ESQUEDA (Universidade Federal de Uberlândia)

marileide_esqueda@ileel.ufu.br

Palavras-chave: tradução de termos de bruxaria; Harry Potter; Os Contos de Beedle; o Bardo; modalidades de tradução.

Constituída por sete livros, a série Harry Potter, escrita por J.K. Rowling, foi publicada primeiramente em 1997, e imediatamente atraiu interesse de todas as idades dos leitores, alcançando o posto de um dos mais famosos trabalhos de literatura infantil, não somente no Brasil como também no exterior. Após a publicação do sétimo livro, Harry Potter e as Relíquias da Morte, J.K. Rowling afirmou que seria o último. No entanto, a publicação de The Tales of Beedle, the Bard, em 2008, traduzido no Brasil pela mesma tradutora de todo o trabalho, Lia Wyler, intitulado Os Contos de Beedle, o Bardo, Rowling mais uma vez aborda o leitor para o mundo do menino bruxo. Neste sentido, parece ser interessante analisar a obra Os Contos de Beedle, o Bardo, e sua tradução para o português do Brasil, não só para fomentar o debate sobre a produção de sentido que constitui o processo de tradução e seu impacto no resultado do texto-alvo e da cultura, mas também para mostrar alguns aspectos particulares dentro do par de línguas inglês-português que serviriam como instrumentos para a educação do tradutor e/ou profissionais e estudiosos interessados em literatura infantil. A natureza desta pesquisa é comparativa, cujo objetivo é listar e analisar os termos bruxos do mundo bruxo apresentado na obra The Tales of Beedle, the Bard e sua tradução para o português do Brasil, em Os Contos de Beedle, o Bardo. Os termos serão analisados de acordo com a abordagem de Aurbert (1998), que classifica os procedimentos de tradução como omissão, transcrição, empréstimo, decalque, tradução literal, transposição, explicitação/implicitação, modulação, adaptação, tradução intersemiótica, erro, correção e adição. O modelo aubertiano propõe uma abordagem descritiva e quantitativa, o que leva o pesquisador a identificar padrões e regularidades existentes na tradução, e verificar o grau de diferenciação linguística entre o texto-fonte e o texto-alvo. Na pesquisa, foi possível afirmar que 38,1% dos termos bruxos no texto original foi adaptado para o português do Brasil, mostrando a tentativa de assimilação cultural do tradutor, estabelecendo uma equivalência parcial, dentro dos 42 termos bruxos aqui coletados.

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO DE CANÇÕES DO MUSICAL MAMMA MIA!: ESTUDO DE CASO

Christiane Bittencourt Oliveira MARTINS (UNINOVE)

chrisbittencourt@uninove.edu.br

Prof. Yuri Jivago Amorim CARIBÉ (USP/UNINOVE)

yuricaribe@uninove.br

Palavras-chave: teatro; musicais; tradução; adaptação.

Observamos que, a partir dos anos 90, houve um aumento considerável da quantidade de musicais da Broadway apresentados no Brasil, devido ao suporte das leis de incentivo a cultura. Esse fato traz à tona inclusive discussões sobre como as canções em Língua Inglesa exibidas naquelas apresentações da Broadway foram traduzidas e/ou adaptadas ao contexto brasileiro e à Língua Portuguesa. Em casos assim, entendemos que é imprescindível inclusive que o tradutor/adaptador faça um estudo sobre canção, visto que ritmo e musicalidade são pontos a serem considerados quando falamos da tradução desse gênero. A questão se torna mais complexa ao inserirmos a canção no contexto da dramaturgia, como no caso de um musical para o teatro: há que se considerar letra, melodia e performance dos atores. Sendo assim, esse trabalho planeja discutir aspectos relacionados a canções originalmente compostas em Língua Inglesa para os musicais da Broadway nos Estados Unidos e que foram traduzidas e adaptadas para a Língua Portuguesa na produção dessas peças no Brasil. Para melhor exemplificar nosso estudo acerca desse processo, utilizamos trechos de algumas canções do musical Mamma Mia!, montado na cidade de São Paulo –SP (Brasil) durante os anos 2011 e 2012, e suas respectivas traduções. Sendo assim, apresentamos, inicialmente, os aspectos linguísticos que envolvem a tradução e adaptação dessas letras para o português do Brasil. Para tanto, vamos nos remeter ao trabalho de Jakobson (1959) e os conceitos de tradução intralingual, interlingual e intersemiótica. Em seguida, vamos citar e discutir o conceito de adaptação de Hutcheon (2006) e de Sanders (2006) aplicados ao contexto da peça Mamma Mia! apresentada no Brasil. Nesse ponto vamos comparar o trabalho do tradutor com o trabalho de compositor musical, aproximando os conceitos de tradução e adaptação. Quanto a procedimentos técnicos de tradução, conforme Barbosa (2004), percebemos uma predominância do procedimento da adaptação. Também nos embasaremos em trabalhos relacionados à música e performance. Em suma, verificamos que o tradutor-adaptador nesse caso optou por caminhos que atendessem às questões métricas e/ou às poéticas verificadas no original e acolhidas por ele como as mais importantes. Podemos observar também que procurou manter a mesma quantidade de sílabas poéticas em cada verso traduzido, assim como grande parte das rimas das canções originais.

ANÁLISE E COMPARAÇÃO DE TRADUÇÕES DO LIVRO EL TÚNEL DE ACORDO COM AS TENDÊNCIAS DEFORMADORAS DE BERMAN

Cínthia TUFAILE (UnB – Universidade de Brasília)

unb.cinthia@gmail.com

Prof. Dra. Alba ESCALANTE (UnB)

albaescalante@gmail.com

Palavras-chave: Tendências deformadoras; Berman; analítica da tradução.

O presente trabalho tem por objetivo analisar e comparar alguns trechos de capítulos das três traduções para o português do livro El Túnel, do argentino Ernesto Sábato, de acordo com as tendências deformadoras apresentadas por Antoine Berman, em seu livro: A Tradução e a Letra ou o albergue do longínquo. O livro em espanhol foi publicado pela editora Planeta, em outubro de 1997. As traduções são de Noelini Souza, Editora Círculo do Livro, São Paulo, 1976 (a tradução foi feita em 1961 para Civilização Brasileira e depois reeditada pelo Círculo do Livro); Janer Cristaldo, Livraria Francisco Alves Editora S.A., Rio de Janeiro, 1981 e Sérgio Molina, Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2000. Publicado em 1948, El Túnel, dividido em 39 capítulos, foi o primeiro entre os três únicos romances escritos por Ernesto Sábato e retrata as paixões profundas, as neuroses e as situações de violência que levam à loucura e ao crime. A evolução dos Estudos da Tradução nos últimos anos permitiu que a crítica a uma tradução fosse além do apontamento de erros e inadequações, mas que considerasse seus fatores implícitos e seu processo de elaboração. Nesse sentido, Antoine Berman propõe um método de análise mais cuidadoso ao processo tradutório, caminhando em direção contrária a de muitos críticos, que limitam suas análises em conceitos de equivalência ou adequação e julgam as traduções como “boas” ou “ruins”, apenas sob esses aspectos. Busca ainda, romper com as três formas tradicionais e dominantes existentes na tradução literária (etnocêntrica, hipertextual e platônica) através da analítica da tradução, para desvendar como agem as tendências deformadoras, que desviam a tradução de seu verdadeiro objetivo e as quais todo tradutor está exposto. Os Estudos da Tradução também permitiram o conhecimento e avaliação do papel da tradução e do tradutor ao longo da história, e de como as suas escolhas influenciaram na formação de identidades culturais. Para esse trabalho optamos em utilizar a confrontação de várias traduções de uma mesma obra somada à confrontação inversa, ou seja, partindo das traduções para o original. As conclusões que chegamos após a análise das três traduções é que encontramos em todas, em maior ou menor intensidade, de acordo com a postura adotada pelo tradutor, a presença de algumas tendências deformadoras apresentadas por Berman. Mas, inegavelmente essas traduções se completam, enriquecem o original e permitem ao público brasileiro o contato com essa incrível obra de Ernesto Sábato.

A PROBLEMÁTICA DA TRADUÇÃO DO TERMO TANUKI A PARTIR DE OBRAS LITERÁRIAS JAPONESAS

Clara PETTER (UFRGS)

ally.gra@gmail.com

Profa. Dra. Tomoko GAUDIOSO (UFRGS)

tomokogaudioso@yahoo.com.br

Palavras-chave: tanuki; tradução; cultura japonesa; literatura japonesa.

Em todas as linguagens naturais pode-se dizer que há palavras que representam objetos e conceitos únicos e específicos de sua cultura. Assim, tendo-se a atividade tradutória como uma transferência linguística e cultural, e conscientizando-se do fato de que esses termos serão em sua maioria desconhecidos para o público da língua-alvo, esses casos se tornam um desafio para os tradutores. O tanuki, animal canídeo encontrado somente no Japão e muito importante no folclore desse país, é um desses casos. O presente trabalho partirá da investigação de uma breve seleção de obras literárias japonesas traduzidas para outras línguas – como o português, o inglês e o espanhol – que possuem em algum momento a tradução do termo tanuki, como, por exemplo, em “As Aventuras de Kintarô”, conto traduzido para o português no livro As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas (volume 2), e para o inglês em Japanese Children’s Favorite Stories (book 2), ambos de autoria de Florence Sakade. Dessa forma se objetiva encontrar possíveis e diferentes traduções para o termo em questão. Em seguida, se prosseguirá com a análise e reflexão sobre as variações nas soluções encontradas, questionando-se os critérios e as escolhas dos tradutores, a partir das funções da linguagem, o tipo de texto e a finalidade da tradução sob a perspectiva de Newmark (1981) assim como se a opção de tradução se deu de modo mais domesticador ou mais estrangeirizante conforme Venuti (1998). Após uma investigação inicial, pode-se concluir de forma preliminar que, comumente, se costuma chegar a dois tipos de solução, dependendo do objetivo do tradutor. Ou usa-se o termo original (tanuki), quando se quer ressaltar a tradição cultural japonesa, acompanhado de nota explicativa (opção estrangeirizante), ou ocorre a troca do termo japonês por um que designa outro animal mais conhecido pelo publico alvo (opção domesticadora), em geral sendo escolhidos o guaxinim ou o texugo, seres esses completamente diferentes do canídeo japonês a não ser por pequenas similaridades de coloração e pelagem. Dando sequência, o objetivo principal é o de definir e esclarecer quais caminhos poderiam ser mais interessantes para a tradução desse termo em especifico em relação ao contexto textual em que ele for inserido, consequentemente auxiliando na questão posta em primeiro lugar sobre a tradução de conceitos próprios de uma cultura.

NA COZINHA COM YOSHIMOTO: PROPOSTA DE TRADUÇÃO DE UM TRECHO DE “KITCHEN”, DE BANANA YOSHIMOTO, E COMPARAÇÃO DA MESMA COM OUTRAS VERSÕES

Clície S. ARAUJO (UFRGS)

clicie.araujo@gmail.com

Prof. Ms. Andrei dos Santos CUNHA (UFRGS)

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: Literatura japonesa; teorias de tradução; erros e lapsos de tradução.

Resumo: Kitchen (1988; tradução brasileira de 1995), da autora japonesa Banana Yoshimoto, é uma novela que relata a história de uma jovem chamada Mikageque, logo após a morte inesperada da avó, fica sozinha no mundo. Inserindo no texto elementos da cultura e da culinária japonesa, Banana Yoshimoto relata a trajetória da protagonista rumo à superação da dor, ao autoconhecimento e enriquecimento das relações interpessoais, especialmente com a família Tanabe, que a acolhe no momento mais desesperador. Banana Yoshimoto formou-se em Literatura pelo Departamento de Artes da Universidade do Japão. Escreveu seu primeiro romance, Kitchen, em 1987, ano de sua formatura, e com ele ganhou o 6º Prêmio Kaien para escritores novatos já em novembro de 1987 e também o 16º Prêmio Literário IzumiKyoka, em 1988. Os trabalhos da escritora, incluindo Kitchen, foram traduzidos e publicados em mais de vinte países. O objetivo deste trabalho é propor a tradução de um trecho de Kitchen e comparar esta tradução com o texto de partida em japonês, bem como com a tradução publicada no Brasil e a versão em italiano, a partir da qual foi feita a brasileira. Com isso, procuramos avaliar quão distante do texto de partida pode ser uma tradução feita a partir de outra tradução, e refletir acerca de nossas próprias escolhas tradutórias. Como referencial teórico central usamos a teoria da estrangeirização e domesticação de Lawrence Venuti (1995). Também nos baseamos na teoria de erros e lapsos de tradução de Anthony Pym (1992) e o conceito de tradução literal de Antoine Berman (2007). Observamos alguns erros de tradução, tanto da versão em italiano em relação ao japonês quanto da versão em português em relação ao italiano e ao japonês. Também foi possível notar certa mudança no estilo da narrativa, que no japonês é mais carregada de lirismo e dramaticidade.

A OMISSÃO DE CONJUNÇÕES E A INSERÇÃO DE PONTUAÇÃO NA TRADUÇÃO DE DRÁCULA: UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICO-ENUNCIATIVA

Cristiane LENZ (UFRGS)

lenzcrys@yahoo.com.br

Profa. Dra. Ana ZANDWAIS (UFRGS)

zand@ufrgs.br

Palavras-chave: tradução; enunciação; contexto histórico.

O presente trabalho tem por objetivo proceder a uma análise comparativa entre o original em inglês e uma tradução da obra do escritor irlandês Bram Stoker, Drácula. Utilizar-se-á a edição traduzida de Maria Luísa Lago Bittencourt, da editora Martin Claret (2005) e o original da editora Penguin (1994). Assim, será considerado como o contexto histórico da época da escrita da obra se faz presente no discurso de alguns personagens, e como a tradução parece também caracterizá-los através da inserção e da omissão de alguns traços linguísticos e culturais. Primeiramente, percebemos que o texto traduzido deixa transparecer, na fala de alguns personagens, traços da era vitoriana, como o puritanismo obsessivo, a curiosidade pelo sobrenatural e o contraste de ideias que o povo experimentava, revelado, em uma primeira análise, pela inserção de um ser fantástico – o vampiro – em um cotidiano aparentemente normal. Em segundo lugar, há traços de um sentimento positivista na maneira pela qual alguns personagens tentam encarar o problema dos ataques do vampiro. Paralelamente, há um fato que chama a atenção na comparação entre o original e a tradução: enquanto no original os personagens utilizam conectores que se repetem, especialmente and e but , na tradução há constantemente uma substituição dessas palavras por termos alternativos e, frequentemente, inserção de pontuação para evitar a repetição dos termos. Willemin (1985) nos faz pensar no fantástico como elemento desestabilizador, assim como parece ocorrer em Drácula. Nunes (2012) e Rosário (2012) propõem uma reflexão sobre a prática tradutória a partir de uma perspectiva enunciativa, que vem a favorecer a presente análise por possibilitar enxergar um sujeito elaborando um novo enunciado a partir do texto original. Tomando como base a teoria enunciativa benvenistiana, cujos pressupostos afirmam que um texto traduzido se configura em um novo enunciado, e que este enunciado é tomado como objeto de estudo, objetiva-se evidenciar as marcas do sujeito na tradução, refletindo sobre a omissão de repetições de certas conjunções presentes no original e sobre a inserção de pontuação na obra traduzida. De certo modo, será possível estabelecer uma relação entre esse aspecto da tradução e a caracterização de alguns personagens a partir dos pensamentos vigentes na época, já que a intensa linearização e organização do discurso pela tradução pode não demonstrar as incertezas e os conflitos de ideias vividos pelos personagens.

TRADUÇÃO DA ORALIDADE NOS QUADRINHOS: UM ENSAIO

Daniel FREITAS (UnB)

danielff89@gmail.com

Prof. Dr. Júlio MONTEIRO (UnB)

cesarj1@gmail.com

Palavras-chave: Oralidade; quadrinhos; tradução.

O presente trabalho tem por objetivo apresentar a versão, para o espanhol, feita da obra “Mesa para dois”, dos cartunistas brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon. Assim como analisar a oralidade nos quadrinhos, no texto original e na sua tradução, falando a respeito dos problemas e soluções encontrados. A obra em questão é composta por 48 páginas que formam uma única história, que tem como tema um escritor (que está representado pela imagem de Lourenço Mutarelli) que precisa terminar seu livro, mas não tem mais ideias de sobre o que escrever. Ele põe um anúncio no jornal e contrata uma moça para que converse com ele, ajudando-lhe a ter novas ideais. Paralelamente a este trabalho, a moça também é garçonete em um bar, e lá há um rapaz, que é garçom, que está apaixonado por ela, mas ela não percebe. É de fundamental importância, para a tradução da obra, conseguir identificar a oralidade nas histórias em quadrinhos. Pois esta não é nem uma transcrição da fala dos personagens, nem um texto formalmente escrito. Ou seja, esse lugar ocupado pelas falas nos balões das histórias em quadrinhos devem ser tratados de forma especial na hora de traduzi-los a outro idioma, para que o texto de chegada não fique artificial, mas sim, tenha suas características próprias de oralidade. Como expõe o teórico Roman Jakobson, existem três tipos de tradução, a intralingual, a interlingual e a intersemiótica. No caso de uma tradução de histórias em quadrinhos vemos uma forte presença das três, pois, primeiramente, pensamos na tradução propriamente dita, no caso, do português para o espanhol. Para conseguirmos lográ-la necessitamos das imagens, que por vezes são representações de aspectos culturais do texto original. E por fim, temos uma restrição com a quantidade de palavras dentro do balão que está sendo traduzido, pois devemos manter uma aproximação com o número de caracteres que o texto original possui, ou seja, tendo a necessidade, muitas vezes, de fazer uma tradução interlingual para que um diálogo, por exemplo, caiba da melhor forma dentro do seu balão.

FLANNERY O’CONNOR E SUAS TRADUÇÕES: O RACISMO EM FOCO

Débora Ballielo BARCALA (UNESP/Assis)

db.barcala@uol.com.br

Profa. Dra. Cleide Antonia RAPUCCI (UNESP/Assis)

rapucci@assis.unesp.br

Palavras-chave: Flannery O’Connor; tradução literária; racismo.

Esta pesquisa foi realizada com o apoio financeiro da FAPESP e seu principal objetivo foi realizar análises dos procedimentos utilizados por Leonardo Fróes na tradução para o português de alguns contos da escritora estadunidense Flannery O’Connor. Procurei observar o tratamento dado para a tradução de trechos que pudessem refletir algum tipo de preconceito racial, além de elementos da cultura sulista norte-americana. A fundamentação teórica básica é a obra Procedimentos Técnicos da Tradução de Heloísa Gonçalves Barbosa (1990), além de Quase a mesma coisa, de Umberto Eco (2004) e Oficina de Tradução, de Rosemary Arrojo (1992). A intenção é demonstrar como os aspectos culturais e extralinguísticos afetam o léxico, os modos expressivos e, consequentemente, as leituras possíveis de uma obra literária traduzida. A primeira etapa foi a leitura dos contos de O’Connor e a pesquisa sobre os procedimentos tradutórios. Seguiu-se a seleção de um tema recorrente na obra da autora: o racismo. Dentro dessa temática, selecionei os contos “The Geranium”, “The Train”, “Everything That Rises Must Converge” e “The Artificial Nigger”, retirados do livro The complete stories (1997), bem como suas traduções em Contos Completos (2008) Depois, iniciou-se a análise do material linguístico da narrativa, tanto em inglês como em português. A partir das análises das traduções, pude notar que houve vários pontos em comum entre os quatro contos, sendo o mais importante a preocupação com a fidelidade ao estilo de Flannery O’Connor. Prova disso é a presença marcante de Tradução Literal, Modulações e Transposições facultativas e Reconstruções de Períodos (Barbosa, 1990), todos procedimentos relacionados à melhor adequação do estilo à língua traduzida. Com relação aos termos potencialmente racistas, concluí que, embora sejam moralmente condenáveis atualmente, termos como “nigger” e “Negro” eram amplamente utilizados no contexto histórico de O’Connor, no qual ainda não havia uma consciência social amplamente difundida sobre o que era considerado ofensivo aos afro-americanos. No Brasil da atualidade, por outro lado, assim como nos Estados Unidos, o debate a respeito do racismo se intensifica. Portanto, a diferença dos períodos históricos foi um obstáculo à tradução, que Fróes procurou resolver traduzindo os termos de maneira com que imprimissem ao leitor brasileiro do século XXI o mesmo efeito que teriam sobre o leitor americano nas décadas de 40 e 50. Logo, a mudança de tom da maioria dos termos ofensivos traduzidos por termos neutros não deve ser, de maneira precipitada, rotulada de traição ao texto de partida.

A ARTE EM EVIDÊNCIA NA AUDIODESCRIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO DE ARTEIRO A ARTISTA: A SAGA DE UM MENINO COM SÍNDROME DE DOWN

Diogo Sousa ALEXANDRE (UnB)

diogoale85@gmail.com

Profa. Dra. Soraya Ferreira ALVES (UnB)

so.ferreira@uol.com.br

Palavras-chave: audiodescrição; documentário; artes plásticas.

A audiodescrição (AD), recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, pode ser aplicada aos mais diversos meios de comunicação, bem como às artes, aos esportes, etc. Tendo em vista a inserção das pessoas com deficiência visual no universo cultural, a AD se estabelece como ferramenta tradutória primordial. Mais especificamente no caso de obras audiovisuais, a descrição de imagens, como características dos personagens, ambiente, ações é colocada entre os diálogos, não interferindo nos efeitos musicais e sonoros (Benecke, 2004). Porém, ainda “há muitas reflexões a serem feitas na busca por conceitos adequados a este ato tradutório, bem como no desenvolvimento de padrões estéticos que partam do entendimento da AD como agente de interação sócio-cultural” (ALVES, TELES e PEREIRA, 2011). A partir de resultados de pesquisa sobre audiodescrição para cinema, realizada pelo Grupo Acesso Livre UnB, coordenado pela Prof. Dra. Soraya Ferreira Alves e do qual este autor faz parte, este trabalho objetiva apresentar considerações sobre os critérios utilizados na AD do documentário De Arteiro a Artista: A saga de um menino com Síndrome de Down, realizada por Diogo Sousa Alexandre. O documentário retrata a história de Lúcio Piantino, jovem artista plástico com Síndrome de Down que já realizou diversas exposições de arte no Distrito Federal. As obras mais recentes do artista foram produzidas ao longo das filmagens do curta-metragem. Partindo-se do pressuposto de que os documentários “trabalham com fatos, e não ficção”, mas que “ a factualidade por si só não define os filmes documentários; é o que o cineasta faz com esses elementos factuais, entretecendo-os em um todo narrativo” (Curram Bernard, 2008, p.2) pretende-se, aqui, discutir pontos de aproximação e afastamento de parâmetros utilizados na AD para cinema, bem como o cruzamento entre artes, ao apresentar propostas para a audiodescrição das técnicas utilizadas pelo artista, texturas e cores de suas obras.

TECNOLOGIAS DE AUXILIO À TRADUÇÃO

Dyhorrani da Silva BEIRA (UnB)

dyhorrani.beira@gmail.com

Profa. Dra. Alice Maria de Araújo FERREIRA (UnB)

Malice4869@gmail.com

Palavras-chave: tradução automática; tradução assistida; memória; corpus.

O objetivo principal desse trabalho é analisar diferentes programas de tradução no intuito de associá-los para que, em conjunto, possam auxiliar o tradutor. São também objetivos: demarcar vantagens e desvantagens do uso de programas de tradução; distinguir tradução automática da tradução assistida; analisar a interação entre programas que utilizados em conjunto funcionam como um mecanismo de apoio para o tradutor e seu trabalho. No estudo foram analisados os programas: Swordfish (plataforma tradutória), Stingray (alinhador) e o WordSmith (corpus). A partir da tradução de textos, com auxílio dessas ferramentas, analisamos criticamente as vantagens e os inconvenientes apresentados por elas. Discutimos a questão da segmentação em unidade de tradução operada pelos programas, distinguindo-a da segmentação cognitiva. Diferenciamos conceitualmente a tradução automática da tradução assistida. Refletimos sobre duas ferramentas fundamentais para atividade tradutória oferecidas pelos programas, i.e., a memória de tradução e a utilização de corpora, focando suas operabilidades e interoperabilidade no processo da tradução como um todo. A tradução informática, por alguns conhecida como tradumática, é um campo de pouco estudo, porém ela vem se desenvolvendo por conta de novas ferramentas tecnológicas, pela necessidade de agilidade no processo tradutório. A função dessas ferramentas é o de auxiliar o tradutor em sua tarefa, e não de fazer uma tradução individual e mecanizada, mas tornar o processo de tradução mais rápido, eficiente e seguro. Questões como agilidade no processo tradutório através do uso da tradução automática levantaram questionamentos referentes à qualidade da tradução em áreas convergentes. Os motivos pelos quais essas questões foram levantadas parte de sua base de dados, uma base estatística online, que é atualizada automaticamente. Ao contrário da tradução assistida que possui uma base de dados com direcionamentos específicos para cada tipo de texto. Esse direcionamento específico depende da intenção do tradutor e da finalidade do seu trabalho.

INTERTEXTUALIDADE E TRADUÇÃO

Eline de Assis ALVES (FFLCH-USP)

elineassis@gmail.com

Juliana Pasquarelli PEREZ (FFLCH-USP)

perez.usp@gmail.com

Palavras-chave: Nazismo; panfletos; Bíblia; intertextualidade.

Durante dois anos um grupo de estudantes e professores da USP desenvolveu um projeto de pesquisa cujo objetivo geral foi a tradução inédita da obra Die Weiβe Rose de Inge Scholl (1955) do alemão para o português. O livro conta a história de um grupo de universitários alemães que durante a Segunda Guerra Mundial criticaram e protestaram contra o governo nazista através da distribuição de panfletos. O trabalho aqui apresentado se refere à tradução de seis panfletos escritos pelo grupo que, juntamente com outros documentos históricos, encontram-se publicados na obra mencionada acima. Os panfletos da Rosa Branca – nome pelo qual o grupo ficou conhecido – são marcados por uma notória argumentação cristã que se expressa, principalmente, através de referências diretas e indiretas a textos bíblicos. O objetivo específico deste trabalho foi identificar e analisar tais referências para, a partir disso, elaborar estratégias de tradução que garantissem no texto em português a manutenção da intertextualidade com a Bíblia presente no texto alemão. Diversas abordagens tradutórias foram utilizadas como base teórica. Uma delas é a abordagem de Lévy (1969), especialmente conhecida pelos conceitos de tradução ilusionista e anti-ilusionista. Abordagens tradutórias comunicativas, semânticas e criativas (AUBERT 1994; AZENHA 1999; CAMARGO 2007) também serviram de base para a tradução. De grande importância foi a obra da pesquisadora alemã Katharina Reiβ (1987) que trata especificamente da tradução de textos operativos. A metodologia de pesquisa consistiu na realização de oficinas de tradução. Nessas oficinas alunos e professores envolvidos no projeto discutiram diversas abordagens tradutórias e analisaram diferentes propostas de tradução. A pesquisa teve como resultado final uma tradução que preserva as marcas da intertextualidade presentes no texto de partida e permite ao leitor brasileiro ter acesso a aspectos muito sutis do texto alemão. Trata-se, portanto, de uma tradução que contribui para uma melhor compreensão da realidade original em que o texto de partida foi escrito, promovendo assim o enriquecimento do polo linguístico-cultural receptor.

AUDIODESCRIÇÃO DA LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA NO FILME “ÁGUAS DE ROMANZA”

Elizabeth Moura BARBOSA (UECE)

elizabethmourabarbosa@gmail.com

Profa. Dra. Vera Lúcia Santiago ARAÚJO (UECE)

vera.santiago@uece.br

Palavras-chave: Tradução audiovisual; audiodescrição; acessibilidade; cinema.

Este trabalho parte dos pressupostos teóricos apresentados pelas pesquisas no campo da Tradução Audiovisual (TAV) e a modalidade Audiodescrição (AD), esta última, trata – se de uma importante e inovadora ferramenta de Acessibilidade para pessoas com deficiência visual e acompanha as novas tendências da TAV que encontram – se com os estudos cinematográficos, desde a fase da escrita, passando pelo momento de produção e pós produção cinematográfica. A Audiodescrição encontra suporte linguístico como forma de tradução nas definições de Jackobson (1995), quando cita a tradução intersemiótica, no caso do visual para o verbal e do verbal para o visual. As pesquisas em ADs de filmes nos vários países são embrionárias, no entanto, temos trabalhos de destaque e grandes contribuições, como os das seguintes autoras, os quais este trabalho fundamenta – se, Jiménez Hurtado (2007, 2010), Peres Payá (2007, 2010) Araújo (2010), Mascarenhas (2012). A novidade e o diferencial gerados com as pesquisas em ADs de filmes é a inserção da linguagem cinematográfica norteadas por parâmetros narratológicos e composicionais nos roteiros e locuções de AD. Esta pesquisa é descritiva e propõe – se a realizar uma nova AD para o filme cearense “Águas de Romanza” (AR), produzido em 2002 por Patrícia Baía e Glaúcia Soares, classificado como ficção e trata da temática do sertão nordestino. É preciso colocar que o filme já foi audiodescrito em momento anterior, para fazer parte de um DVD Acessível produzido pelo LEAD em 2009. Após análise do roteiro de AD anterior, segundo aspectos narratológicos e composicionais, será produzido um novo roteiro com a inclusão de aspectos da linguagem cinematográfica. Com a pesquisa objetivamos comparar parâmetros de AD existentes, através da análise da tradução da AD produzida anteriormente para o filme Águas de Romanza; tornar conteúdos e produções fílmicas cada vez mais acessíveis às pessoas com deficiência visual, assim como compartilhar as belezas e particularidades do sertão nordestino apresentados pelo filme. Os resultados parciais fazem – nos perceber que na AD de AR não estão englobados os recursos fílmicos, como mudança de plano, observamos também que acontecem entradas de objetos em cena posterior a locução desta, comprometendo dessa forma a apreciação e compreensão da narrativa.

A ADAPTAÇÃO PARA O CINEMA DO ROMANCE CONTEMPORÂNEO THE HELP DE KATHRYN STOCKETT (2009): O PONTO DE VISTA DO DIRETOR/TRADUTOR.

Emília Rosa de Aguiar QUATROCCI (UNINOVE)

formigaq@hotmail.com

Prof. Yuri Jivago Amorim CARIBÉ (USP/UNINOVE)

yuricaribe@uninove.br

Palavras-chave: The Help; Diretor/Tradutor; tradução; adaptação;

Este estudo propõe uma discussão acerca de dois olhares diferentes: o do autor de um romance e do diretor que adaptou esse romance para o cinema, comparando esse processo ao ato de traduzir. Nossa discussão tem como objeto de estudo principal o romance contemporâneo The Help, da americana Kathryn Stockett (2009), e sua adaptação homônima (2011) para o cinema, dirigida por Tate Taylor. Assim, tendo em vista que o diretor é uma espécie de tradutor do romance voltado para a questão do audiovisual, embasaremos-nos primeiramente no conceito de tradução intersemiótica de Jakobson (1959) para discutir a passagem do livro para a tela do cinema. Trabalharemos ainda com o conceito de Hutcheon (2006) e de Sanders (2006), aplicados a esse contexto de tradução intersemiótica para o meio audiovisual. Outro conceito que poderá embasar essas diferenças percebidas entre o texto audiovisual (2011) e o romance (2009) é o de reescritura de André Lefevere (1992), que trata das visões que outros autores têm de um mesmo texto quando o reconfiguram em espaços, tempos e contextos diferentes daquele em que foi escrito originalmente. Percebemos uma diferença entre a visão do diretor/tradutor e da autora especialmente sobre o racismo, tema bastante explorado no romance (texto-fonte). Assim, nosso objetivo principal é discutir algumas adaptações propostas pelo diretor Tate Taylor no filme (2011) em divergência com as preferências da autora Kathryn Stockett no texto-fonte (2009), especialmente no que diz respeito à forma como os dois enxergam o tema mais explorado no romance: o racismo dos anos sessenta nos Estados Unidos. Concluímos que o diretor trabalha de forma muito semelhante ao tradutor quando faz intervenção contínua e revisão do trabalho antes de decreta-lo como finalizado, pois interpreta e modifica o roteiro quantas vezes considera necessário tendo em vista os recursos principais que a mídia cinema oferece: a imagem e o som. Ele reescreve (LEFEVERE, 1992) o roteiro de acordo com os atores, escolhendo-os e preparando-os para a atuação, fornecendo instruções, sugerindo e coordenando as filmagens. Esse resultado se assemelha bastante ao processo tradutório.

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO LÉXICO PARA O APRENDIZ DE TRADUCÃO: UMA VISÃO DA LINGÍSTICA DE CORPUS

Érica SPAGNOLO (UFRGS)

ericaspag@gmail.com

Profa. Dra. Maria José Bocorny FINATTO (UFRGS)

mariafinatto@gmail.com

Palavras-chave: léxico; lista de palavras; 3000 words OXFORD; vocabulário básico.

Em geral, os estudantes brasileiros de tradução têm pouco contato com pesquisas sobre o léxico, sobre o vocabulário básico ou sobre a dicionarização da sua língua materna, o que se estende à sua língua de trabalho e/ou língua estrangeira. Esta apresentação se ocupa da análise de um levantamento de vocabulário básico da língua inglesa produzido pela editora Oxford, o conhecido Oxford´s 3.000 Words, uma lista de palavras obtida por sua frequência em corpora de língua inglesa escrita. Essa lista foi concebida com o intuito de representar um vocabulário mais frequente e simplificado do inglês, levando em conta a situação de ensino de inglês como língua estrangeira. Considerando que não há, até quanto sabemos, um levantamento satisfatório de vocabulário semelhante para o português do Brasil, seja como língua materna ou como língua estrangeira, partimos da lista em inglês da Oxford e ensaiamos a sua tradução para o português. Nosso ensaio de tradução, aqui descrito e analisado, gerou um conjunto de palavras em português com sentido equivalente. Produzida essa lista traduzida, as palavras e expressões dela foram contrastada com diferentes listas de 3 mil palavras mais frequentes em corpora de português brasileiro escrito. Esse experimento tentou reconhecer: a) como seria o desenho de um conjunto das 3 mil palavras mais frequentes na nossa língua na modalidade escrita partindo-se de diferentes corpora; b) que problemas haveria com a tradução da lista de palavras do inglês da editora Oxford, ainda que cotejada com uma verificação em corpus. Os resultados deste trabalho exploratório podem ser aproveitados em atividades de ensino de língua inglesa para futuros tradutores que contemplem a exploração ou o estudo de padrões contrastivos de frequência do léxico no par de línguas inglês/português. Outro aproveitamento está na sua potencial contribuição para a identificação de possíveis problemas e métodos para uma futura descrição do perfil de um vocabulário básico do português escrito do Brasil.

URUGUAIAS ATRAVESSANDO FRONTEIRAS

Eva TABERNE (Unila)

evataberne@gmail.com

Profa.Giane MARIANO LESSA (Unila)

giane.lessa@unila.edu.br

Palavras Chave: tradução inversa; poesia hispano-americana; gênero; integração.

O nosso trabalho surge da falta de traduções de poesia hispano-americana -fora do cânone- no Brasil. Trata-se de um projeto que pretende reconhecer as vozes femininas contemporâneas no repertório da literatura da região e tornar visíveis essas produções através da Internet, com o objetivo de dar uma parcela de contribuição para o projeto da UNILA de integração latino-americana. As obras traduzidas pertencem a duas autoras uruguaias: Cristina Peri Rossi e Idea Vilariño. O motivo dessa escolha -além da elevada qualidade dos textos- está intimamente relacionada com o fato da tradutora também ser uruguaia e ter uma forte aproximação da literatura produzida por mulheres no seu pais. São traduzidos sete poemas de cada e apresentados em um blog -em edição bilíngue-, além de futuras publicações em jornais e revistas. O método utilizado é o da tradução inversa. A tradutora, que possui como primeira língua o espanhol traduz os textos para o português. Esta escolha tão pouco recomendada se fundamenta em vários argumentos. Primeiramente, existe a necessidade de que essas poesias sejam traduzidas, o que não corresponde, até o momento, com o interesse de tradutores lusófonos. Nossa tradução, como todas as outras, não é definitiva e pretende motivar o interesse por tais produções e a realização de futuras traduções diretas. Por outro lado, a vantagem deste tipo de tradução no nosso caso é que a tradutora conhece profundamente a língua e a cultura do texto de partida, além de se desempenhar como estudante de literatura latino-americana e poetisa. Um dos fatores talvez mais relevantes é o contexto de imersão linguística em que essas traduções foram produzidas. A universidade da integração latino-americana (UNILA) se encontra no Brasil, mas reúne estudantes do continente todo e dos diversos Estados do país. Isso implica que, no momento de traduzir, a tradutora não se encontra num ambiente artificial da língua portuguesa e sim no contato pleno nos níveis linguístico e cultural. Além disso, as traduções são revisadas por professores e estudantes brasileiros, o que se conhece melhor como modelo de tradução a quatro mãos. As traduções de Peri Rossi foram feitas em conjunto com a própria autora e as de Vilariño foram revisadas pela pesquisadora Ana Larre Borges, quem recebeu o legado da produção poética de Idea logo da sua morte. Os principais aportes teóricos que serviram ao nosso trabalho foram os de Paulo Henriques Britto, Octavio Paz e Stefanie Wimmer.

AS FRONTEIRAS ENTRE TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: DA EQUIVALÊNCIA DINÂMICA DE NIDA À TRADAPTAÇÃO DE GARNEAU

Fernanda FRIO (UFPel)

fernandasfrio@gmail.com;

Profa. Dra. Beatriz VIÉGAS-FARIA (UFPel)

beatrizv@terra.com.br

Palavras-chave: tradução; adaptação; tradaptação.

Embora tradução e adaptação sejam práticas que foram e continuam a ser amplamente investigadas, as fronteiras entre ambas as ainda não foram claramente delimitadas, e muitos autores divergem ao procurar descrever a natureza de cada uma delas. Conforme aponta Gambier (1992), os Estudos da Tradução permanecem fortemente marcados por posturas ideológicas, e o status desses dois termos é um fator que depende em ampla medida dos posicionamentos perante cada um deles, cujas acepções são polissêmicas e, muitas vezes, ambíguas. Partindo do pressuposto de que tradução e adaptação são fenômenos diferentes, Merino (2001) afirma que a aquela é uma prática essencialmente interlingual, ao passo que essa se daria nos níveis intralingual e intersemiótico. A partir desse ponto de vista, a adaptação poderia ser concebida ou como um procedimento pontual, constituindo-se de um subproduto da tradução, ou, como adaptação per se, que dar-se-ia somente no nível de um único meio linguístico-cultural. Também é possível apontar a dicotomia tradução/adaptação como análoga à dicotomia tradução livre/tradução literal (GAMBIER, 1992). A tradução, desse modo, seria um método literal, voltado à língua de partida, ao passo que a adaptação se aplicaria nos termos de Vinay e Darbelnet (1995), sendo utilizada para descrever, na língua de chegada, uma situação inexistente ou incompreensível retratada na língua de partida. Esse procedimento não seria aplicado, necessariamente, a nível global, isto é, poderia ficar restrito a determinado(s) ponto(s) problemático(s)s do texto fonte (BASTIN, 1998). Para dar conta dessas divergências, o escritor e dramaturgo quebequense Michel Garneau propôs o termo tradaptação, para descrever suas traduções/adaptações de peças de Shakespeare para seus conterrâneos, de modo a consolidar a utilização da língua quebequense e lutar contra o domínio cultural França e do Canadá (LEIBLEIN, 2010). As adaptações feitas por Garneau incluem alterações de nomes de personagens, cortes, acréscimos e inclusão de neologismos e arcaísmos para atender às necessidades da língua ainda em vias de formação. Neste trabalho, começamos por explorar as relações tradução livre/tradução literal, a partir das considerações de teóricos como Nida (1964), Vinay & Darblenet (1995) e Venuti (1995), bem como as relações tradução/adaptação, para, em seguida, tratar das concepções de adaptação e, por fim, da tradaptação de Garneau. Desse modo, procuramos fazer um breve panorama das duas práticas e mostrar que a adaptação tem existência independente da tradução – sendo passível, inclusive, de delimitar seus próprios métodos –, ainda que possa recorrer a esta.

PADRÕES PROTOTÍPICOS DE EDIÇÃO NA TRADUÇÃO DO INGLÊS PARA O PORTUGUÊS

Fernanda Moreira FERREIRA (UFOP)

fernandamferreira@live.com

Prof. Dr. José Luiz Vila Real GONÇALVES (UFOP)

zeluizvr@gmail.com

Palavras-chave: desenvolvimento da competência tradutória; padrões de edição na tradução; tradução de piadas; bacharelado em Tradução na UFOP.

Esse trabalho apresentará os resultados de uma pesquisa ainda em andamento que investiga o desenvolvimento de tradutores em formação, no início e no final do curso de Bacharelado em Tradução da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), comparando os seus resultados com aqueles obtidos na pesquisa com tradutores profissionais, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (ALVES e GONÇALVES, 2013). Investigamos dez alunos, cinco entre o 3º e 4º períodos, e cinco entre o 7º e 8º períodos do curso. Foi utilizada para tradução uma piada com cerca de 200 palavras, e o processo foi registrado pelo software TRANSLOG (JAKOBSEN, 1999). Logo após a realização da tarefa foram realizadas entrevistas semiestruturadas, onde nosso foco era analisar a consciência dos alunos sobre as escolhas na tarefa realizada, e as respostas deles foram gravadas em áudio. A análise dos dados está sendo feita com base no mapeamento do padrão de edição no par linguístico Português-Inglês, utilizando o sistema online Litterae (ALVES e VALE, 2011), e serão quantificadas por meio de análise de frequência simples. Serão comparados os resultados entre os alunos iniciantes e concluintes e, então, serão comparados os resultados dessa pesquisa com os de Alves e Gonçalves (2012). A partir dos trabalhos de Alves e Vale (2009; 2011), Alves e Gonçalves (2012) propuseram uma metodologia de mapeamento dos padrões prototípicos de edição na tradução, a fim de compreender melhor algumas características do processo tradutório e da relação entre os elementos de codificação/decodificação (codificadores procedimentais e conceituais, cf. Wilson, 2011). Neste projeto estamos replicando parte dessa metodologia, aplicando-a a alunos iniciantes e concluintes do Bacharelado em Tradução da UFOP. Pretende-se, assim, perceber com mais clareza as maiores dificuldades dos alunos, observar o desenvolvimento da chamada competência tradutória e, ainda, apresentar propostas didáticas que visem à melhoria de cursos de tradução a partir dos resultados obtidos.

LITERATURA DE VANGUARDA EM TRADUÇÃO: A POESIA IMAGISTA DE H.D. EM PORTUGUÊS

Fernanda RODAK (UFPR)

fer_rodak@hotmail.com

Profa. Dra. Luci COLLIN (UFPR)

collinluci@gmail.com

Palavras-chave: tradução de poesia; Imagismo; H.D.

Este pôster foca um dos movimentos literários do Modernismo, a saber, o Imagismo. Para estudá-lo em profundidade, escolhemos uma das principais figuras da escola Imagista, a norte-americana H.D. (1886–1961). Apresentaremos a tradução de cinco de seus poemas, ainda inéditos em português, buscando reproduzir, através de estratégias específicas para a análise dos elementos poéticos, a mesma dicção de H.D., ou seja, os traços característicos que marcam sua “voz” poética. Assim, antes de começar a tradução, foi necessária uma extensa leitura de seus poemas e um levantamento minucioso de cada um dos aspectos de sua poesia, que é repleta de referências a elementos da natureza e ao mundo clássico. Neste pôster mostrarei os problemas que enfrentei ao traduzir a poesia de H.D. e as soluções encontradas – ainda que não definitivas e, portanto, abertas a discussões. Os problemas de tradução são de pelo menos quatro ordens: a) de ordem estrutural/formal: as rimas e aliterações, como, no poema “At Baia”, cujos últimos versos terminam em “kiss” e “this”, não havendo essa rima em português (“beijo” e “isso”); b) de ordem lexical/vocabular, como no poema “Lethe”, onde aparece “reed-bird”, o nome de um passarinho que em português se chama “escrevedeira-dos-caniços”, o qual não cabe dentro do poema; c) de ordem cultural, por exemplo: em “Sea Gods”, H.D. utiliza o nome de cinco espécies de violetas, sendo que algumas delas não existem no Brasil e portanto não há nomes em português para elas; d) de ordem da dicção da poeta: por ser Imagista, H.D. fazia suas escolhas com base nas imagens, no apelo visual das palavras, como “serpent-spotted shell”, a imagem de uma concha com um desenho que parece uma serpente, que é extremamente difícil de recriar em português. Algumas das soluções que encontrei foram: no caso do pássaro “reed-bird”, optei por utilizar o nome de um passarinho de nome comum no Brasil que produz a mesma imagem de “reed-bird”; quanto às violetas, primeiramente eu fiz uma pesquisa dos nomes de violetas em português e tentei relacioná-los com os nomes em inglês, sempre pensando na imagem que a poeta tentou criar. Dessa forma, “wood-violets” virou “violetas-do-campo”; “stream-violets”, “violetas-da-água”; “river violets”, “violetas-do-rio”; “bird-foot violets, “violetas pés-de-passarinho” e “hyacinth-violets”, “violetas-jacinto”. E estes foram só alguns exemplos das dificuldades que encontrei ao traduzir os poemas Imagistas de H.D. e que pretendo resolver ao longo da pesquisa que ora desenvolvo na Iniciação Científica e como futuro tema de monografia.

“WHAT DID THE DOCTOR SAY?” – Análise da grade curricular do curso de extensão em interpretação médico-hospitalar da New York University.

Flávia de Senzi Fernandes PARDO

(Universidade Nove de Julho-UNINOVE)

fsenzitradutora@gmail.com

Profa. Ms. Patrícia Gimenez CAMARGO (UNINOVE)

patriciatradinterprete@gmail.com

Palavras-chave: Interpretação médico-hospitalar; Visibilidade versus Invisibilidade; Terminologia; intérprete médico-hospitalar.

De acordo com Shackman, (apud Queirós, 2010) “intérprete comunitário é responsável em facilitar a comunicação entre profissional e cliente com diferentes backgrounds e percepções, numa relação desigual de poder e conhecimento”. Um exemplo deste tipo de interação é a relação ‘jesuíta – indígena – colonizador’, no Brasil colônia: “o ‘língua’, como era chamado então o tradutor em língua oral (ou intérprete), foi imediatamente institucionalizado pelos colonizadores europeus” (WYLER, Lia, “Línguas poetas e bacharéis – uma crônica da tradução no Brasil”, p.29-30). Ao contrário de uma interpretação de conferência, onde existe equalização no que diz respeito ao nível de profissionalização – ou seja, na relação plateia – intérprete, que podemos classificar como um contexto monológico, de acordo com Pöochacker (apud Queirós, p.36), na interpretação comunitária há o diferencial de poder criando uma relação de bilateralidade: o profissional versus o individual. O contexto passa a ser definido como dialógico, e a função do intérprete, como defende Angelelli (apud Queirós, p.42) “vai além da mera função de tradução linguística”. O intérprete passa a ser visto como um facilitador, seu papel indo além da mera função de ‘switch linguístico’: ele auxilia seu “cliente” para que lhe sejam garantidos direitos básicos, como acesso à educação, justiça e saúde. O presente artigo objetiva a análise da grade curricular do curso de extensão em interpretação médico-hospitalar da NYU, baseado no conceito da visibilidade versus invisibilidade. Observou-se que no encontro médico-intérprete-paciente prevalece a visibilidade, diferente de uma interpretação de conferência, onde o intérprete é um mero “transferidor linguístico”. Durante a análise da grade, notou-se preocupação com respeito à terminologia médica, que é matéria obrigatória, e antecede até mesmo os estudos da interpretação propriamente dita. Afirma-se que o devido conhecimento em terminologia médica nos idiomas de partida e chegada evitará o uso de paráfrases, que podem ocasionar erros de compreensão entre os participantes da interação médico-hospitalar, além de poupar tempo – fator importante aos médicos, que devem atender num setor de emergência com a mesma eficácia e rapidez de um consultório particular. Concluiu-se, portanto, que os estudos de terminologia são um meio de se manter a visibilidade na interação médico-intérprete-paciente, por se tratar mais de uma relação humana, onde o “cliente” reivindica um serviço que lhe é de direito. Além do mais, abrir um dicionário médico no meio da consulta demandaria tempo e despertaria incredulidade do trabalho exercido pelo intérprete, tanto pelo paciente quanto pelo médico.

ANÁLISE DESCRITIVO-COMPARATIVA DAS TRADUÇÕES DE MENINO DE ENGENHO PARA O FRANCÊS

Flora Marina Figueiredo AJALA (UFPB)

floramarina@hotmail.com

Profa. Dra. Marta Pragana DANTAS (UFPB)

praganamarta@yahoo.fr

Palavras-chave: José Lins do Rego; Menino de engenho; tradução.

Este trabalho apresentará os resultados de uma pesquisa desenvolvida no âmbito de um Trabalho de Conclusão do Curso de Bacharelado em Tradução (UFPB). O estudo propõe uma análise descritivo-comparativa das duas traduções para o francês da obra Menino de engenho (1932), de José Lins do Rego, considerando as condições de produção diferentes e os momentos cronologicamente bastante distantes em que ambas foram realizadas. O estudo tem por finalidade verificar as implicações das escolhas tradutórias em L’Enfant de la plantation (1953 e 2013) e na sua contextualização, bem como na formação da identidade brasileira na França por meio da tradução literária. Busca-se, dessa forma, contribuir para a reflexão sobre o processo tradutório de obras literárias e sobre a importância dos paratextos e dos discursos de acompanhamento para a recepção e aceitação de uma obra estrangeira. Do ponto de vista teórico, o estudo baseia-se o modelo descritivo de tradução literária proposto por José Lambert e Hendrik Van Gorp (1985), assim como nas reflexões de Gérard Genette (2009) sobre os paratextos editoriais. A perspectiva teórica de Lambert e Gorp defende uma abordagem funcional e semiótica na qual o processo de tradução, o texto produzido e a recepção da obra podem ser estudados por meio de uma análise macro e microestrutural das escolhas. Além disso, através do modelo podem-se examinar as estratégias de tradução e demonstrar as diversas normas que atuam no processo tradutório. Já com o aporte teórico de Genette sobre os elementos paratextuais, o estudo busca explicar e comparar as escolhas presentes nas traduções, considerando que esses elementos apresentam, dão forma, enfim, contribuem para a produção de sentidos e orientam a recepção da obra traduzida. Tendo em vista o avanço nos Estudos da Tradução durante o intervalo de sessenta anos entre as duas publicações, trabalha-se com a hipótese de que a tradução de 2013 revela maiores cuidados com a produção do texto-alvo, sua apresentação, contextualização e recepção, cuidados esses provavelmente menores na tradução de 1953. Formula-se ainda a hipótese de que se encontrará maior informatividade nas notas explicativas da tradução de 2013, pelo fato de a mesma estar inserida em um contexto no qual o acesso à informação é maior e mais fácil do que nos anos 50, o que terá resultado em uma maior riqueza na produção dos paratextos.

UMA ANÁLISE CONTRASTIVA DE DUAS TRADUÇÕES DE THE CALL OF THE WILD

Francine BARRETO (UFRGS)

francinefbarreto@gmail.com

Profa. Dra. Ana ZANDWAIS (UFRGS)

zand@ufrgs.br

Palavras-chave: Análise Contrastiva; tradução; The Call of the Wild.

A partir de algumas discussões levantadas por Umberto Eco em “Quase a Mesma Coisa” (2007), acerca das perdas e compensações que uma tradução pode proporcionar, da questão da fidelidade das traduções presente em “Oficina de Tradução: a Teoria na Prática” de Rosemary Arrojo (2007), e em Tradução: a Prática da Diferença” de Paulo Ottoni (2005), bem como da problemática do intraduzível analisada por Miriam Rose Brum de Paula em “O Outro No Intraduzível” (2009), no presente trabalho pretendemos construir uma análise contrastiva de duas traduções brasileiras da obra The Call of the Wild, do escritor americano Jack London, cuja primeira edição foi publicada em 1903. Para isso, realizamos a leitura da obra no original; selecionamos trechos específicos em um dos capítulos, os quais identificamos nas duas traduções e listamos em uma tabela que nos possibilitou analisar as escolhas lexicais. Na sequência, procuramos reconhecer as diferenças das traduções entre si, buscando justificar as escolhas de cada tradutor ao suprimir, acrescentar e adaptar trechos da obra no original. O objetivo da análise é fazer um levantamento das consequências que acarretam essas supressões, acréscimos e adaptações em relação à obra original, no que tange aos efeitos de sentidos produzidos em cada tradução. Assim, poderemos visualizar o que se pode perder com uma tradução que se afasta do original, e o que se ganha ao tentar aproximar esse texto para a cultura de chegada. Foi possível avaliar, por exemplo, que o tradutor William Lagos, da tradução de 2003, se esforça para manter o texto mais próximo do original; enquanto Roberto Amado, da tradução de 2012, aproxima o texto ao se utilizar de um discurso mais contemporâneo. Acreditamos que o texto de London seja um bom objeto de estudo destes casos, devido ao fato de os ambientes descritos em sua obra serem desconhecidos ao público leitor brasileiro; portanto, tomando o autor como exemplo, abrimos a discussão desses fatores de estranhamento e também propomos futuras análises de traduções de obras consagradas de outros autores pois, é justamente este fator que faz com que os tradutores possam ter dificuldades ao traduzir.

TRADUÇÃO E INTERTEXTUALIDADE EM HISTORIAS OCULTAS DE LA RECOETA (2000)

Gabriele FRANCO (UNESP – FCLA)

gabrielefranco@hotmail.com

Profa. Dra. Maira Angélica PANDOLFI (UNESP – FCLA)

mairapan@gmail.com

Palavras -chave: tradução; intertextualidade; polifonia; ironia.

Trata-se dos resultados finais da pesquisa de Iniciação Cientifica intitulada “Contos traduzidos de María Rosa Lojo” que possui a finalidade de traduzir os contos: “Vidas Paralelas”, “El que ló habia entregado” e “La casa de luto”. Esses se encontram no livro Historias Ocultas en la Recoleta (2000) , da autora argentina Maria Rosa Lojo. Foram realizadas análises literárias dos contos selecionados com leituras pautadas no conceito de polifonia e intertextualidade, pois são conceitos que ao serem revelados lançam novos olhares à obra. As análises revelaram que o efeito polifônico, dialógico e a fina ironia presente nos contos permitem um jogo detetivesco entre leitor/tradutor- autor. Dessa forma, foram exploradas diversas possibilidades de tradução para que esses efeitos fossem reconstruídos também no texto em língua portuguesa. Segundo os pressupostos teóricos de Lauro Maia Amorin, o tradutor possui certa liberdade sobre a narrativa quando se considera a tradução como uma imagem produzida a partir de uma realidade-texto, ou seja, é possível traduzir aquilo que foi compreendido. As análises literárias que precedem as traduções foram pautadas nos pressupostos teóricos de Beth Brait (2008), pois os conceitos de polifonia e intertextualidade revelam aspectos implícitos e muito significantes que compõe a atmosfera dos contos. O objetivo é ilustrar como a tradução interpretativa da obra torna-se um desafio ainda maior ao tradutor, principalmente diante da complexidade das narrativas pós-modernas que rompem as formas e padrões tradicionais apresentando novos aspectos de construção textual. Portanto, revela-se a importância de analisar e interpretar as relações intertextuais e o modo como esses aspectos influenciam na tradução, resultando em discussões sobre as diversas possibilidades de escolhas do tradutor.

A CHAVE QUE NÃO ENCAIXA: AS DIFERENÇAS DE GÊNERO NA OBRA DE TANIZAKI E A TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS

Guilherme C. R. PEDROSA (UFRGS)

guilherme.crp@gmail.com

Prof. Ms. Andrei S. CUNHA (UFRGS )

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: A Chave; Jun’ichirô Tanizaki; escrita e gênero; sistemas de escrita japoneses.

Este trabalho se propõe a analisar a edição brasileira do romance A Chave, de Jun’ichirô Tanizaki, publicada pela Companhia das Letras e traduzida por Jefferson José Teixeira, quanto à presença ou não na tradução de representações de gênero na escrita. Tal aspecto está presente no original, não somente pela habilidade do autor, porém principalmente devido às características da língua japonesa, que permitem distinções claras entre o masculino e o feminino na construção do texto, tanto visualmente, por meio da distinção de sistemas de escrita historicamente utilizados mais por um gênero do que por outro, quanto por tradicionais marcas de vocabulário distintivas. Focando-se nas diferenças visuais, principalmente entre os alfabetos katakana e hiragana, este trabalho propõe uma reflexão acerca dos pontos de diferença intraduzíveis e, em consequência disso, a maneira com que uma tradução pode prejudicar a análise literária de uma obra, para alguém que a analisa sem o original ou sem informações na tradução que indiquem pontos incompatíveis entre o original e a tradução. O foco principal deste trabalho será verificar como essas características aparecem, ou não, na referida tradução para o português, uma língua em que não há grandes diferenciações das formas de fala e escrita masculinas ou femininas, e de que forma o tradutor poderia ter destacado essa questão. Utilizando-se de comparação entre a obra original e a tradução, com o apoio de textos sobre gênero, sexualidade e língua na obra A Chave (KRISTEVA, 2009), pretende-se revisitar o histórico dos sistemas de escrita japoneses e sua relação com o masculino e o feminino e analisar a forma como tradutores da obra em outras línguas (como inglês e francês) tentaram resolver a questão.

A TRADUÇÃO DE QUINCAS BORBA: QUESTÕES HISTÓRICAS E IDEOLÓGICAS DO SÉCULO XIX

Guilherme PANISSON (UFRGS)

Guilhermepanisson@hotmail.com

Profa. Dra. Ana ZANDWAIS(UFRGS)

Zand@ufrgs.br

Palavras-chave: Quincas Borba; ideologia; contexto histórico; século XIX.

Este estudo desenvolvido no curso de bacharelado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem como objetivo explorar o funcionamento da tradução do texto Quincas Borba de Machado de Assis, cuja primeira edição data de 1891, para a língua inglesa. Em nosso trabalho, buscamos privilegiar questões referentes às ideologias dominantes no Brasil escravagista do século XIX, considerando o momento de produção de Quincas Borba. Através de um contraponto entre o texto fonte e o texto alvo, encontramos algumas dificuldades no processo tradutório de algumas passagens do texto. Para fins de realização deste estudo, analisam-se problemas envolvidos no trabalho de tradução principalmente em dois pontos: a) primeiro, a presença de um lema que se reitera em Quincas Borba e cuja tradução para a língua inglesa acaba por produzir um nonsense, na medida em que a tradução literal do lema não permite aos leitores anglófonos compreender os efeitos de seu sentido produzido no contexto brasileiro no final do século XIX; b) segundo, a presença do tema da loucura, que minimiza sua produção de sentido na tradução para a língua inglesa, uma vez que há um apagamento do contexto ideológico brasileiro e da própria ironia de Machado de Assis em relação às questões da sanidade mental no contexto do século XIX. No intuito de investigar como esses temas tomam forma em Quincas Borba e nas suas dificuldades de tradução, o presente trabalho inspirou-se em textos críticos machadianos de Roberto Schwarz (SCHWARZ, 1977, 1990) e no texto teórico de tradução O Outro (In)Traduzível de Mirian Rose Brum-de-Paula (BRUM-DE-PAULA, 2000). A partir desta análise, este estudo aponta para a complexidade da tradução literária relacionada à diversidade dos contextos histórico-culturais das línguas, assim como sugere outras estratégias de apropriação dos elementos contextuais do texto fonte para o texto alvo. Por fim, chega-se à conclusão da importância do prefácio na tradução como fator aproximante de fenômenos culturais e históricos de naturezas distintas com o objetivo de localizar o leitor em relação à produção do texto original.

ASSALTO AO BANCO CENTRAL & FEDERAL BANK HEIST: A TRADUÇÃO PARA A LÍNGUA INGLESA DE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS, METAFÓRICAS E GÍRIAS

Heitor Pereira Gomes GONÇALVES (Universidade Federal de Uberlândia MG)

heitor.pereira@hotmail.com

Profa. Dra. Marileide ESQUEDA (Universidade Federal de Uberlândia MG)

marileide_esqueda@ileel.ufu.br

Agência Financiadora CNPq

Palavras-chave: tradução Audiovisual; legendagem; Assalto ao Banco Central; marcas de oralidade.

A transformação de um texto falado em texto escrito é um dos fatores que identificam a tradução para produção de legendas de filmes ou vídeos. Diferentemente de outras modalidades de tradução, o aspecto condensado e sintético da legenda compensa a relativa lentidão do processo de leitura, sugerindo ao tradutor-legendador que construa sua mensagem de forma compreensível, contendo uma ideia completa e compacta, já que existe pouca oportunidade para o ouvinte refletir sobre cada palavra ou frase. Dadas estas e outras especificidades da tradução audiovisual, pode-se afirmar que certas características da linguagem falada, como falsos começos, repetições, expressões informais são inevitavelmente reduzidas ou até mesmo omitidas, tornando-se parte da agenda do tradutor decidir quais devem ser mantidas. Diante do exposto, o objetivo principal deste trabalho é analisar as legendas em inglês contidas no filme brasileiro “Assalto ao Banco Central”, lançado em 2011 em sua versão para o DVD, com o intuito de discutir as estratégias tradutórias adotadas pelo tradutor no que tange à ocorrência de expressões idiomáticas, metafóricas e gírias que são peculiares da oralidade. Trata-se de uma pesquisa comparativista e de análise textual que, tomando como base os estudos de Gambier (2003), buscará selecionar e classificar as estratégias mais comumente utilizadas na tradução. Verificar-se-á se as traduções apresentam: correspondentes aos contextos envolvidos; redução quantitativa (número de palavras) ou qualitativa (semântica, isto é, de conteúdo, verificando-se se a legenda comunica a mensagem); omissões ou condensações relacionadas às características da linguagem oral redundante, especialmente quando se trata de um discurso espontâneo ou informal; reduções exigidas pela própria característica limitadora da legendagem, em virtude da natureza diagonal deste tipo de tradução; omissões ou reduções que revelam cortes drásticos no original, que são supridas pela trilha sonora e pelas imagens; estratégia abortiva geralmente encontrada em situações nas quais o tradutor se vê limitado em verter expressões idiomáticas, metafóricas e gírias em virtude dos elementos não-verbais.

A CONSTRUÇÃO DO VILÃO IAGO NO CINEMA CONTEMPORÂNEO

Hildeberto da SILVA REIS JÚNIOR (UFBA)

reis.jr@live.com

Profa. Dra. Elizabeth RAMOS (UFBA)

beth_ramos49@hotmail.com

Palavras-chave: Shakespeare; Otelo; vilania.

As peças escritas pelo dramaturgo William Shakespeare trazem o que há de mais humano em seus personagens de modo bastante cru, no sentido de que explora sentimentos que se manifestam em qualquer pessoa, indiscriminadamente. Em Otelo, O Mouro de Veneza, o ciúme e a inveja são ingredientes da rede de intrigas criada pelo vilão Iago. Muitas adaptações cinematográficas desse texto dramático shakespeariano foram produzidas ao longo dos anos. Neste trabalho, a partir dos conceitos de aura e unicidade, trazidos pelo Walter Benjamin em seu texto A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (1994), pretende-se observar apenas dois filmes: Otelo (1995), dirigido por Oliver Parker; e Jogo de Intrigas (2001), dirigido por Tim Blake Nelson, buscando também traços e intertextos nos filmes. Por se tratarem de uma manifestação textual diferente da peça de teatro, escolhas foram feitas pelos diretores em questão, a fim de resignificar o texto dramático e inseri-lo em diferentes contextos, além de aproximá-lo ao grande público através do cinema. Oliver Parker produziu um filme que nos transporta imediatamente ao texto de Shakespeare, pois privilegia semelhanças. Trata-se de um filme da peça. Tim Blake Nelson levou a trama shakespeariana para o ensino médio de uma renomada escola Norte Americana. Esses traços que indicam transformação e/ou renovação serão aqui observados e comentados, assim como o direcionamento das obras fílmicas. O vilão Iago será observado com mais ênfase, sua personalidade e suas motivações, a fim de identificar que escolhas foram feitas para que a vilania deste personagem fosse contextualizada nos vilões das adaptações – se esses vilões permanecem genuinamente vilões, que influências são exercidas sobre eles, em cada enredo. Serão observados também possíveis significados de símbolos usados como metáforas para o protagonista e o antagonista, assim como o papel da mídia como personagem em segundo plano, em relação à abordagem do diretor Tim Blake Nelson no filme Jogo de Intrigas.

DA PALAVRA À IMAGEM: PAOLO E FRANCESCA NA PINTURA

Ingrid BIGNARDI (UFSC)

ingridbignardi@gmail.com

Prof. Dr. Andrea SANTURBANO (UFSC)

andreasanturbano@gmail.com

Palavras-chave: Tradução Intersemiótica, pervivência, releituras.

Por ser um clássico, a Divina Comédia está sujeita a inúmeras leituras e releituras; por consequência, há inúmeras traduções, sem que se possa com isso, estabelecer uma leitura e uma tradução definitiva da mesma. O objetivo deste trabalho é analisar, numa perspectiva intersemiótica, a tradução do canto V do “Inferno” da Divina Comédia de Dante Alighieri, especificamente o trecho (versos 127-142.) que remete ao conhecido episódio de Paolo e Francesca, com a citação da cena do beijo. A análise será focada na comparação e interpretação desse excerto dantesco a partir de algumas releituras feitas através da pintura. Dentre elas, é possível lembrar a representação do artista francês Gustave Doré (1832-1883), que ilustrou alguns episódios da Divina Comédia entre 1861 a 1868; de William Blake (1757- 1827), pintor inglês, que por sua vez ilustrou partes da Divina Comédia, até a morte interromper sua obra; e finalmente Johann Heinrich Füssli (1741-1825), pintor suíço, também autor de um ciclo de telas dedicadas ao poema de Dante. O episódio de Paolo e Francesca com toda evidência contém uma força imagética muito potente, assumindo diferentes leituras e releituras conforme o contexto espacial e temporal do receptor (leitor, tradutor etc.): “sobrevivendo” ao longo dos séculos e ganhando assim uma nova vida, que, para acompanhar as reflexões de Walter Benjamin, presentes em “A tarefa do Tradutor” (1923), poderiam ser chamadas de “pervivências”. É a partir desse conceito que será trabalhada a questão da tradução e da “transferência” de signos de um sistema a outro, da palavra à imagem. Essa operação permite também, como coloca Benjamin, que a obra chegue à sua glória através das traduções. Por meio da análise das obras dos artistas citados acima, pertencentes a contextos históricos, sociais, culturais e ideológicos diferentes, é possível refletir sobre a repercussão e a pervivência das figuras de Paolo e Francesca.

A Segmentação na Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) da TV brasileira: um Estudo Baseado em Corpus

Ítalo Alves Pinto de ASSIS (Universidade Estadual do Ceará – UECE)

Italoalves1991@gmail.com

Prof. Dra. Vera Lúcia Santiago ARAÚJO (UECE)

verainnerlight@uol.com.br

Palavras-chave: legendagem para surdos e ensurdecidos; linguística de corpus; segmentação.

Há dez anos o grupo LEAD (Legendagem e Audiodescrição), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA) da UECE e do Grupo de Pesquisa (CNPq) Tradução e Semiótica, realiza pesquisas em legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) na tentativa de estabelecer parâmetros que atendam às necessidades dos surdos brasileiros. Os resultados dessas pesquisas (Franco & Araújo, 2003; Nascimento & Araújo, 2011; Araújo, 2004a e 2004b, 2007 e 2008) apontam que uma segmentação (divisão dos diálogos em uma ou mais legendas) e uma quebra de linha (divisão entre legendas de duas linhas, comumente também chamada de segmentação) adequadas podem garantir uma boa recepção por parte de surdos independente da velocidade da legenda. Este trabalho tem como objetivo a apresentação do projeto CORSEL (Corpus, segmentação e legendagem), criado a partir da necessidade de verificar as hipóteses oriundas dos resultados das pesquisas anteriores, tendo como suporte teórico-metodológico os Estudos da Tradução, mais especificamente a Tradução Audiovisual (TAV), e a Linguística de Corpus. O projeto em questão tem como objetivos descrever e analisar a segmentação utilizada na LSE produzida pelos canais de televisão brasileiros, assim como propor parâmetros para essa segmentação para a LSE da TV no Brasil e, em última instância, compilar e disponibilizar um corpus paralelo e monolíngue com os resultados da pesquisa para que o mesmo seja utilizado na formação de legendistas. A metodologia do projeto envolve uma dimensão descritiva pautada por análises quali-quantitativas dos problemas relativos à segmentação, identificados a partir de etiquetas discursivas próprias para esse tipo de análise e criadas com base no trabalho de Chaves (2012). O corpus é do tipo eletrônico e formado a partir das legendas closed caption extraídas de programas pré-gravados da TV brasileira com o programa CCExctractor. As legendas escolhidas para análise foram do tipo pop-on, aquelas cujas frases ou sentenças surgem como um todo, sendo normalmente utilizada em filmes, programas de humor, novelas e seriados. A pesquisa ainda se encontra em fase intermediária de análise das etiquetas de segmentação, mas resultados parciais apontam uma grande quantidade de problemas em relação a esse aspecto na legendagem da TV brasileira, reflexo da pouca preocupação dos canais de televisão com a qualidade de suas legendas, assim como certa falta de expertise dos legendistas acerca do fenômeno. Acreditamos que a presente pesquisa representará avanços na área acadêmica, na área social, por facilitar a acessibilidade de surdos às produções audiovisuais, e na formação de legendistas.

PRÁTICA DE TRADUÇÃO ESTRANGEIRIZANTE: SERMÕES DE CHARLES SPURGEON EM TRADUÇÕES COMENTADAS E ANOTADAS

Jakeline NUNES (UnB)

jakenunes.trad@gmail.com

Profa. Dra. Alessandra Harden OLIVEIRA (UnB)

Oliveira.ales@gmail.com

Palavras-chave: tradução; invisibilidade; notas de rodapé; linguagem religiosa.

O presente trabalho teve como objetivo propor uma tradução estrangeirizante e anotada de textos religiosos escritos pelo pastor inglês Charles Spurgeon. O fato da tradução não domesticada e não etnocêntrica não se deu somente pelo uso de estratégias de estrangeirização propostas por de Schleiermacher (1813) e Venuti (1995). Além dessas estratégias, para a produção de uma tradução estrangeirizante, foi feito largo uso de notas de rodapé elaboradas pelo tradutor a fim de guiar o leitor pelas inferências do pregador inglês (à Bíblia, textos religiosos de autores contemporâneos a Spurgeon), para explicar a localização de topônimos, para elaborar comentários biográficos de personalidades históricas e para justificar a tradução de determinados termos assim como possibilitar a visibilidade do tradutor no texto traduzido. Pretendeu-se com este trabalho investigar as características formadoras do texto religioso assim como daqueles cujo gênero é o sermão expositivo. Com essa investigação observou-se o intercruzamento do discurso escrito ao discurso oral como estratégia na produção dos sermões expositivos e a partir disso procurou-se reproduzir no texto traduzido o efeito mais próximo o possível da primeira enunciação do texto original. Para que tal efeito fosse alcançado no texto traduzido buscou-se investigar neste trabalho a compreensão da recepção da literatura religiosa no contexto cultural-sistêmico do Brasil, tendo como foco a observação de como se dá a variante do registro da linguagem religiosa neste. E por fim o processo de tradução foi parcialmente descrito por meio da elaboração de um relatório de tradução baseado no Esquema Teórico de Lambert & Gorp (1985), que observou os dados preliminares; o nível da macro e microestrutura textual; e o contexto sistêmico no qual a tradução será imersa, que faz clara referência à Teoria dos Poli-sistemas (ZHOAR, 1978; TOURY, 1980).

ANÁLISE LINGUÍSTICO-HISTÓRICA NO PROCESSO DE TRADUÇÃO DA SENTENÇA JUDICIAL CONTRA INTEGRANTES DO DIE WEISSE ROSE

Janaina Lopes SALGADO (USP)

jana.ls@usp.br

Profa. Dra.Tinka REICHMANN (USP)

reichmann@usp.br

Palavras-chave: análise macrotextual; análise microtextual; nacional-socialismo; linguagens.

A pesquisa apoiou-se nos procedimentos de análise macro e microtextual descritos por MAGALHÃES (2000) que propõe uma análise e preparação do texto de partida anterior e concomitante ao processo tradutório. Na primeira, vemos que o contexto histórico exerce grande influência na produção textual e nos significados atribuídos ao texto, na segunda, explicitam-se características linguísticas inerentes a ele, tais como a existência de linguagens e estruturas específicas a gêneros determinados etc. Ambas as análises preparam à tomada de decisões e adoção de estratégias para solucionar problemas de tradução. Tendo uma sentença como corpus, levantamos materiais relacionados à tradução de textos de especialidade e de linguagem jurídica, além de referentes à contextualização histórica e de produção textual (nacional-socialismo, “Tribunal do Povo”, etc.) Também realizamos “oficinas de tradução”, cujo objetivo era discutir escolhas e sugerir melhorias. Construímos um glossário baseado em LTI – A Linguagem do Terceiro Reich (KLEMPERER: 2009) e outro nas pesquisas desenvolvidas pelos alunos no projeto A Rosa Branca: tradução de textos selecionados (área de alemão da Universidade de São Paulo, 2010-2013). Assim, pudemos desenvolver uma análise linguístico-histórica mais apurada. Nosso objetivo geral foi analisar macro e microtextualmente a sentença proferida pelo “Tribunal do Povo” contra 14 integrantes do grupo de resistência Die weiße Rose (A Rosa Branca) em 1943. A tradução final será publicada no livro A Rosa Branca (lançamento previsto para 10/08/2013, Editora 34, no Goethe-Institut de São Paulo), fruto do projeto homônimo, cujo objetivo principal era a tradução e divulgação do livro Die weiße Rose, de Inge Scholl, por graduandos (Letras e Filosofia) sob coordenação das Profas. Dras. Juliana Paes Perez e Tinka Reichmann. Com base nos dois níveis de análise, identificamos elementos contextuais vitais à compreensão do texto e destacamos três grupos linguísticos: linguagem jurídica; ideológica e subjetiva. Em cada grupo analisamos exemplos dessas manifestações que reiteram a importância do reconhecimento do texto de partida antes e enquanto o vertemos. Tal procedimento auxilia o tradutor a eleger as estratégias de tradução mais adequadas aos objetivos estipulados, nesse caso, traduzir uma sentença que não se enquadra totalmente ao gênero “sentença”. Embora contenha características comuns ao gênero, a presença das linguagens ideológica e subjetiva mostrou-se maior em comparação à da linguagem jurídica. Essa constatação levou-nos a considerar a sentença mais como um documento histórico, reflexo do contexto, que um texto funcional.

ESTRATÉGIAS DE TRADUÇÃO DOS NOMES DE PRATOS DA GASTRONOMIA FRANCESA NO FILME “OS SABORES DO PALÁCIO”

Jessica BANDEIRA (UFRGS)

suede.shoes@hotmail.com

Profa. Dra. Patrícia Chittoni Ramos REUILLARD (UFRGS)

patricia.ramos@ufrgs.br

Palavras-chave: tradução; legendagem; culturema.

O presente trabalho tem o objetivo de suscitar uma reflexão sobre estratégias de tradução dos nomes de pratos da gastronomia francesa, utilizadas no filme Les saveurs du palais (Os sabores do palácio, em português). A escolha do filme – que conta a história da chef de cozinha de um presidente francês – deveu-se ao fato de que a comida é o elemento-chave do filme, pois carrega uma carga cultural muito forte. A partir do cotejamento do áudio com as legendas, levantamos os tipos de estratégias utilizadas pelo legendista para resolver os problemas de inequivalência cultural e as discutimos levando em consideração as noções de legendagem, (Araujo 2000, Alfaro de Carvalho 2005) e de culturema, proposta por Vermeer (1983). Os resultados iniciais mostram que muitas vezes o tradutor optou por deixar uma parte do nome do prato em francês e a outra em português, o que ocasiona perda do referente pelo espectador e incompreensão. Por exemplo, o biscoito “Madeleines à la pistache” foi traduzido como “Madeleines com pistache”, uma tradução que informa e não diz ao mesmo tempo. O espectador entende que é um prato com sabor de pistache, mas não sabe do que se trata exatamente. Em outros casos, o tradutor optou por não traduzir o nome do prato, o que ocasiona uma perda total da informação para o espectador. Em um determinado diálogo do filme, o presidente pede que sua chef lhe mostre a França através dos pratos que ela prepara. Nessas situações de “meia tradução” ou de manutenção do nome no original, de um prato ou receita, o espectador perde essa França que o filme quer retratar através da gastronomia. Lembre-se, no entanto, a restrição de espaço e de número de caracteres da legendagem, que não permite ao tradutor inserir nota de rodapé ou paráfrase, o que dificulta seu trabalho quando se trata de traduzir elementos que não têm equivalentes na cultura de chegada.

THE WASTE LAND: UMA NOVA TRADUÇÃO

Júlia RODRIGUES (UFOP)

juliafrombrazil@hotmail.com

Prof. Dr. Emilio MACIEL (UFOP)

emaciel72@gmail.com

Agência de Fomento: CNPq

Palavras-chave: T. S Eliot; poesia moderna; tradução.

The Waste Land é considerado por muitos a obra-prima de T. S. Eliot, renomado poeta, crítico e dramaturgo. Extenso, consiste de 433 versos dispostos em cinco partes. Sua riqueza estilística, sua variedade rítmica, sua composição heterogênea (que agrega citações de toda a tradição literária mundial juntamente com jargões da Londres da época) o tornaram um dos poemas mais célebres do século XX. Não obstante, conta com poucas traduções para o português, algumas delas incompletas ou esgotadas. Até o momento, foram levantadas para o trabalho quatro traduções integrais: de Ivan Junqueira, Lawrence Flores Pereira, Idelma Ribeiro de Faria e Gualter Cunha. Diante desse quadro, se tornou bastante relevante propor uma nova tradução da obra como parte do projeto de iniciação científica “A lógica do sensível: modernidade e memória cultural em ‘The Waste Land’ de T. S. Eliot”, financiado pelo CNPq. Cotejando as traduções existentes, concluí que todas, ainda que bastante diversas entre si, empregaram um tom predominantemente elevado para o poema. Meu objetivo ao traduzir foi ressaltar as diversas linguagens trabalhadas por Eliot: há passagens extremamente rebuscadas e outras que beiram o balbucio. Paralelamente, busquei não comprometer o complexo ritmo do poema e as imagens impactantes. O método consistiu basicamente em promover um estudo comparativo entre as traduções levantadas, e também entre as traduções e o texto de Eliot, para posteriormente desenvolver meu próprio trabalho. A tradução foi concluída e publicada na edição de março de 2013 da Revista Zunái – poesia e debates.

TRADUTOR INTÉRPRETE DE LIBRAS: A TRAJETÓRIA QUE CONSTITUIU A PROFISSÃO.

Juliana SANCHES DOS SANTOS (ULBRA)

ilsjujusanches@yahoo.com.br

Profa. Erica RENATE MENCHEN LASCHUK (ULBRA)

erica@laschuk.pro.br

Palavras-chave: Tradução Interpretação de Libras; profissionalização.

Este trabalho objetiva apontar os fatos que levaram a Tradução e Interpretação de Língua de Sinais constituir-se enquanto profissão, a partir da trajetória da tradução e interpretação de Língua de Sinais no Brasil e no Rio Grande do Sul. Através do relato de vivências próprias e de pesquisa bibliográfica, utilizando autores como Quadros (2004), Masutti e Santos (2008), e Lacerda (2010). A pesquisa aponta que a Interpretação de Língua de Sinais inicia-se no Brasil, por volta dos anos 80, como tarefa informal desempenhada por familiares ou voluntários, geralmente em ambientes religiosos, sendo pela primeira vez citada em documentos oficiais somente no final da década de 1990, como responsável pela acessibilidade de sujeitos surdos aos conteúdos tratados em espaços públicos e educacionais. Conquistas da comunidade surda tornaram o Tradutor/Intérprete de Língua de Sinais (TILS) mais necessário em espaços sociais, assim iniciou-se a busca pela profissionalização. O primeiro encontro nacional de TILS ocorreu em 1988, e em 2000 no Rio Grande do Sul (RS) ocorre o estadual, o segundo foi em 2007 onde a AGILS (Associação Gaúcha de Intérprete de Língua de Sinais) foi fundada, outras associações regionais foram criadas e em 2008 temos a fundação da Federação Nacional FEBRAPILS com representatividade junto á World Association of Sing Language Interpreters- WASLI. Estes encontros e organizações associativas são fatos importantes para constituição dos TILS enquanto categoria profissional, a formação também se configura como fato relevante para a profissionalização. Em 1997 (RS) houve a primeira formação em caráter formal, dentre alunos e formadores deste curso temos hoje grandes pesquisadores da área. Na sequência cursos foram oferecidos, tendo como principais formadores alunos desta turma e das “novas gerações”. São comuns brincadeiras comparando a formação de TILS no RS com uma árvore genealógica que se inicia com Ricardo Sander, Lodenir Karnopp e Ronice Quadros, em seguida vem Angela Russo e Maria Cristina Pereira, formando uma grande família, hoje em sua quarta ou quinta geração. O decreto 5.626, de 2005, é fato determinante na formação dos TILS e em 2008 o primeiro curso de Bacharelado Letras Libras, é criado na Universidade Federal de Santa Catarina, na modalidade à distância, com 15 polos espalhados pelo país. Em 2010 a profissão foi regularizada, passando a integrar o Código Brasileiro de Ocupações.

AUDIODESCRIÇÃO DE TELENOVELAS: ADAPTAÇÃO AO MELODRAMA

Karine Neumann GONÇALVES (Universidade de Brasília –UnB).

karine_neumann@hotmail.com

Profa. Dra. Soraya Ferreira ALVES (UnB)

so.ferreira@uol.com.br

Palavras-chave: audiodescrição; telenovela; deficiência visual; melodrama.

O presente trabalho foi realizado com base em estudos de autores que abordam a Audiodescrição (AD) para cinema, tais como Benecke (2004) e Snyder (2008), e nos parâmetros sugeridos pelo grupo de pesquisa Acesso Livre-UnB, a partir de pesquisa de recepção com sujeitos com deficiência visual (ALVES, TELES E PEREIRA, 2011). O estudo do melodrama, que surgiu na França do século XVIII (BRAGA & SILVA, 2005), e desde seu surgimento no teatro utiliza narrativas atraentes, com personagens e situações opostas, como vilão x herói e desespero x euforia (MARTINS E SANTOS, 2009), foi essencial para o desenvolvimento da pesquisa, pois, por meio dele, pudemos analisar as influências do gênero melodramático na linguagem e na estrutura das telenovelas, e a importância das telenovelas para o público brasileiro. Primeiramente os membros do grupo de pesquisa fizeram a leitura de bibliografia especializada sobre Audiodescrição e telenovela. Em seguida, foi escolhido o corpus, a telenovela “A vida da gente”, exibida na Rede Globo de Televisão, entre 2011 e 2012, às 18h. Foram elaborados roteiros para os seis primeiros capítulos, com aproximadamente 40 minutos cada, com base no modelo desenvolvido na pesquisa anterior. Além disso, criamos fichas com a AD dos personagens, ambientes e vinheta da telenovela, feitas para permitir que os usuários com deficiência visual possam acessá-las por meio da TV digital. Todo o processo de elaboração dos roteiros e das fichas contou com a análise de um bolsista com deficiência visual. O principal objetivo da pesquisa foi analisar se o modelo que havia sido estabelecido pelo grupo, também se adequava a outros gêneros – neste caso, a telenovela – ou se era necessário criar um modelo específico para cada gênero. Os resultados são hipóteses baseadas nos estudos desenvolvidos neste trabalho, pois a pesquisa de opinião ainda não foi concluída. Sugerimos que haja uma adaptação nos roteiros, para os diferentes gêneros. O modelo seguido para os roteiros de cinema se encaixou muito bem às telenovelas. Entretanto, o melodrama, que traz o sentimentalismo ao extremo, é um diferencial importantíssimo do gênero. Desta forma, os roteiros sofreram adaptações para enfatizar a emoção transmitida nas cenas, tanto na descrição, quanto na narração, respeitando a sequencialidade dos capítulos (que é um diferencial das telenovelas). Também notamos que as fichas foram importantes, pois possivelmente auxiliarão os telespectadores com deficiência visual a adquirirem informações mais completas sobre características de personagens, ambientes e vinheta.

CRENÇAS DE ALUNOS-INGRESSANTES DE UM CURSO DE BACHARELADO EM TRADUÇÃO: CONCEPÇÕES DO TRADUTOR EM FORMAÇÃO

Karoline Izabella de OLIVEIRA (Universidade Federal de Uberlândia)

karol.karoveira@gmail.com

Profa. Dra. Marileide Dias ESQUEDA (Universidade Federal de Uberlândia)

marileide_esqueda@ileel.ufu.br

Agência Financiadora CNPq

Palavras-chave: Crenças de alunos-ingressantes; Graduação em Tradução; Ensino e Aprendizagem de Tradução.

Dentre os vários fatores que influenciam no processo de ensino e aprendizagem, encontram-se as crenças que os alunos trazem consigo para a sala de aula, que, segundo os pesquisadores, direcionam o quê, como e quando o aluno decide aprender. O estudo sobre as crenças pode ser encontrado e aplicado a quaisquer contextos de ensino e aprendizagem, ressaltando-se o fato de que as crenças são estudadas nas mais diversas áreas da Educação. Em se tratando da área de tradução, as crenças dos alunos-tradutores também demonstram importância para a reflexão dos estudos realizados na área, principalmente aqueles dedicados à formação de tradutores. O propósito deste trabalho é investigar as crenças que os ingressantes de um curso de Graduação em Tradução trazem consigo, uma vez que se almeja o desvendamento sobre as mesmas, identificando possíveis ações e procedimentos que possam contribuir para a formação consciente e autônoma de futuros tradutores. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-interpretativista, de natureza etnográfica, que visa obter descrições e relatos sobre qual a visão de alunos-ingressantes do ano de 2011 de um Curso de Bacharelado em Tradução de uma universidade federal da cidade de Uberlândia, no Estado de Minas Gerais, no que tange à tradução, ao tradutor e à aquisição de línguas. A pesquisa contou com a participação de 16 alunos-ingressantes do primeiro período, que receberam quatro questionários não-estruturados, cujos propósitos centram-se em coletar respostas para as seguintes perguntas de pesquisa que norteiam este trabalho: Quais são as crenças dos alunos-tradutores sobre a tradução e o tradutor; Quais são as crenças dos alunos-tradutores sobre a aquisição, o ensino e a aprendizagem de línguas? Quais são as expectativas destes alunos com relação ao ensino de tradução e à prática futura da profissão? O desvendamento das crenças dos ingressantes justifica-se, científico-academicamente, por buscar, de acordo com os resultados advindos deste trabalho, possibilidades de intervenção por parte dos docentes do curso e reformulações, se necessário, do processo de ensino e aprendizagem de tradução. Reitera-se que esta investigação funciona como instrumento capaz de problematizar o processo de ensino e aprendizagem de tradução e para propiciar o debate. Ao privilegiar a reflexão, este estudo pode contribuir para a preservação da riqueza da atividade educativa como fonte de novas propostas de ação.

GÊNERO E TRADUÇÃO: UM ESTUDO PILOTO

Laís Virgínia Alves MEDEIROS (UFRGS)

lais.v.medeiros@gmail.com

Profa. Dra. Solange MITTMANN (UFRGS)

sol.discurso@gmail.com

Palavras-chave: tradução; sujeito-tradutor; gênero; linguagem.

O presente trabalho propõe um debate sobre a questão do gênero (adotando a concepção de gênero como construção social imposta pela cultura dominante) em tradução, considerando também o posicionamento do tradutor em relação à linguagem. A tradução, neste debate, é vista como resultado da posição assumida pelo sujeito-tradutor, cujas responsabilidade e consciência de seu próprio discurso são limitadas. Seu trabalho é definido pelas representações que tem de si mesmo e do processo de tradução, pela sua própria interpretação do texto e pelos múltiplos sentidos que constrói por meio do processo de reescrita, possibilitados e, de certa forma, determinados, pelo momento histórico-social em que vive e pela sua constitutiva relação com a(s) língua(s). Segundo pesquisa conduzida por Coracini (2007), é possível notar, nos dizeres de profissionais que trabalham com tradução, certa idealização do papel do tradutor, bem como uma busca pela invisibilidade desse profissional. Schäffer (2010), por sua vez, traz à tona os dizeres de tradutoras brasileiras sobre a prática de tradução de gênero, expondo pertinentes questionamentos dessas profissionais. Alicerçada nos trabalhos de Schäffer e Coracini acima citados, procedeu-se uma análise da tradução do livro L’un est l’autre. Des relations entre hommes et femmes, de Elisabeth Badinter, publicado na França em 1986 e traduzido no Brasil por Carlota Gomes no mesmo ano. A obra analisa as relações entre homens e mulheres no decorrer de diferentes períodos históricos, sem deixar de lado possíveis perspectivas para o futuro. A partir da seleção de trechos significativos dos dois textos, buscou-se compreender o posicionamento da tradutora frente a questões tradutórias concernentes ao gênero desencadeadas a partir da obra, que abrange áreas como a filosofia, a sociologia e os estudos feministas. Foi possível constatar na tradução a manutenção das escolhas lexicais da autora, salvo em casos nos quais foram usados recursos estilísticos – como flexão de gênero em nomes de profissões – pouco convencionais na língua francesa.

PRINCÍPIOS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM DISPOSITIVO ENUNCIATIVO DE ESTUDO DO PROCESSO TRADUTÓRIO

Larissa SCHMITZ HAINZENREDER (UFRGS)

larissa.hainzenreder@gmail.com

Prof. Dr. Valdir DO NASCIMENTO FLORES (UFRGS)

valdirnf@yahoo.com.br

Palavras-chave: teoria da enunciação; situação de discurso; processo tradutório.

O objetivo deste trabalho é apresentar elementos que permitam a construção de um dispositivo de estudo do processo tradutório pelo viés da teoria enunciativa de Émile Benveniste. A noção de enunciação proposta por Benveniste pode ser entendida como o uso da língua e pressupõe um quadro enunciativo configurado por locutores – a noção de pessoa – e situação – o espaço e o tempo (FLORES et al, 2009). A enunciação é, portanto, um processo pelo qual os locutores se inserem na língua. Ao falar, o locutor produz um enunciado que instaura uma situação de discurso, isto é, uma referência única e irrepetível da qual emergem as instâncias pessoais (eu-tu), espaciais (aqui) e temporais (agora) que configuram a língua em discurso. A partir desse referencial, propomos pensar o processo tradutório como um diálogo, isto é, uma troca verbal entre interlocutores movida por um interesse comum ou intersubjetivo, no qual se incluem índices particulares de pessoa, espaço e tempo. Tais índices estão presentes no processo tradutório desde a escrita do texto de partida até a leitura do texto de chegada. Os elementos a integrarem o dispositivo de estudo do processo tradutório são definidos a partir da leitura dos capítulos Estrutura das relações de pessoa no verbo (p. 247), A natureza dos pronomes (p. 277) e Da subjetividade da linguagem (p. 284), encontrados na obra Problemas de Linguística Geral I (BENVENISTE, 1995). O exame desse corpus possibilita pensar um dispositivo que oferece uma perspectiva enunciativa do processo tradutório a partir das relações pessoais, espaciais e temporais construídas nas seguintes situações de discurso: a) autor e leitor/autor e leitor-tradutor; b) leitor/leitor-tradutor e texto de partida; c) leitor-tradutor e tradutor-autor; d) tradutor-autor e leitor da tradução; e) leitor da tradução e texto de chegada. Dessa maneira, as reflexões preliminares mostram que as diferentes situações discursivas desempenhadas pelos indivíduos envolvidos no processo tradutório lhes conferem formas pessoais particulares definidas pelo lugar de onde se fala e para que(m) se fala quando inseridas em um determinado espaço-temporal. A construção do dispositivo evidencia o aspecto enunciativo inerente ao processo tradutório, de modo a tornar mais claras as relações entre autor, leitor, tradutor e texto do ponto de vista da teoria da enunciação.

CARTA DE AMOR DE UGO FOSCOLO PARA ANTONIETTA FAGNANI ARESE: TRADUÇÃO COMENTADA

Laura Cristhina Fiore FERREIRA (USP)

lcfferreira@gmail.com

Prof. Dra. Lucia WATAGHIN (USP)

luciawataghin@gmail.com

Palavras-chave: tradução; contextualização; Foscolo; cartas.

Ugo Foscolo escreveu, entre 1798 e 1816, Ultime lettere di Jacopo Ortis, importante obra do Romantismo italiano que deu início ao romance moderno italiano. Escrita no gênero epistolar, seu protagonista éJacopo Ortis, um jovem patriota desiludido que começa uma correspondência com seu amigo Lorenzo Alderani. Durante o período em que escreveu a segunda versão de Jacopo Ortis (1802), Foscolo manteve um relacionamento amoroso bastante profundo com uma jovem senhora casada, Antonietta Fagnani Arese, com quem trocou diversas cartas. A análise das cartas escritas por Foscolo (1801-1803) para Antonietta possibilitam uma maior compreensão de Ultime lettere di Jacopo Ortis, tendo-se em vista a possível identificação entre Ugo Foscolo e Jacopo Ortis.O objetivo do presente trabalho é a tradução e contextualização da carta VI da correspondênciado Foscolo para a Antonietta, de forma a trazer para o leitor brasileiro dos dias de hoje informações a respeito de referências históricas e culturais que lhes são desconhecidas, e assim melhor compreender o texto. No que diz respeito à fundamentação teórica, a tradução e a contextualização da carta levarão em consideração a perspectiva de Venuti (The Scandals of Translation, New York: Routledge, 1998) com relação à contraposição entre domesticação e estrangeirização da tradução, os conceitos de Berman (A tradução e a letra, Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007) sobre a ética e a poética da tradução, bem como a perspectiva de Eco (Dire quasi la stessa cosa, Milano: Bompiani, 2003) segundo a qual a tradução é sempre negociação. Quanto à metodologia, dentre as 130 cartas que Foscolo escreveu para Antonietta, foi escolhida para ser traduzida a carta VI (sem data, mas provavelmente escrita nos primeiros meses de 1801) devido à sua importância para acompreensão do relacionamento entre Foscolo e Antonietta e à sua relaçãocom Ultime letteredi Jacopo Ortis. Com base nessa primeira tradução, serão identificados os elementos, pessoas e fatos a serem contextualizados. A partir daí tal contextualização será efetuada com base em biografias de Foscolo e na literatura e história da Itália. A tradução será então revista para se chegar à sua versão final. O resultado final do trabalho será a tradução da carta, com apresentação das opções feitas ao longo do processo de tradução e informações relativas à contextualização. Essa tradução servirá de base para a confecção de um pôster, que incluirá as partes mais importantes da carta e as referências contextualizadas.

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO CULTURAL DE QUESTIONÁRIOS NA ÁREA DE SAÚDE: (MAIS) CONTROVÉRSIAS SOBRE A EQUIVALÊNCIA EM TRADUÇÃO

Laurieny da Costa VILELA(UFU)

laurienyy@gmail.com

Prof. Dra. Paula ARBEX (UFU)

paula.arbex@gmail.com

Palavras-chave: tradução; tradução de questionários; retrotradução; equivalência.

A tradução e a adaptação cultural, com vistas à validação de questionários, tem se mostrado uma linha de pesquisa em expansão na área de saúde. Na Universidade Federal de Uberlândia, o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde reúne pesquisadores que se ocupam desse tipo de pesquisa utilizando o banco de dados do PROMIS® (Patient-Reported Outcomes Measurement Information System), do qual fazem parte instrumentos de medida que levam em consideração a percepção do paciente (Patient-Reported Outcomes – PROs) para avaliar a saúde em diferentes aspectos. Segundo Freitas (2001), o processo de tradução e adaptação de instrumentos a serem aplicados em determinadas comunidades, dentro e fora de um dado país ou cultura, é complexo e, em alguns aspectos, assemelha-se ao processo de construção do próprio instrumento, necessitando inclusive que sejam refeitos os estudos de confiabilidade e validade no novo contexto. Processo análogo acontece com o caso estudado: para utilizar esses questionários no Brasil, eles devem ser traduzidos, adaptados culturalmente e validados de acordo com a metodologia FACIT (Functional Assessment of Chronic Illness Therapy), que inclui as seguintes etapas: Tradução e adaptação cultural (tradução 1 e 2, versão conciliada e retrotradução), Revisão dos itens (revisão dos coordenadores do PROMIS®, revisores brasileiros e revisor português) e Pré-teste (versão para o pré-teste, pré-teste e versão final em língua portuguesa). Além disso, todo o processo deve ser feito visando a uma universalização da tradução do questionário, de modo que possa ser utilizado em todos os países falantes da língua portuguesa. Não havendo muitos trabalhos de pesquisadores da tradução que explorem esse tema, a presente pesquisa apresenta os resultados da análise de três dissertações recém-defendidas no programa de pós-graduação supracitado; tais trabalhos consistiram na tradução e adaptação cultural de itens dos bancos de dados PROMIS® (depressão, ansiedade, fadiga e distúrbios do sono). Foi possível, nessa pesquisa, identificar inúmeras incongruências entre o que é dito pelos teóricos da área de saúde, sobre como deve ser a metodologia, e aquilo que é preconizado pelo FACIT, principalmente no que diz respeito à universalização dos questionários. A análise das dissertações revelou, ainda, a utilização, por seus autores, da noção de equivalência, tema controverso nos Estudos da Tradução, mas que norteia o processo tradutório envolvido na adaptação cultural dos questionários traduzidos. Nos trabalhos analisados, estão presentes também as noções de equivalência cultural, conceitual e linguística, como as que são discutidas por Dorcas E. Beaton (1993; 2000).

TURMA DA MÔNICA TRILÍNGUE

Letícia Carajoinas da Silva (UNINOVE)

leticia.carajoinas@hotmail.com

Profa. Vera Lúcia Ramos (Universidade Nove de Julho)

veraluram@uninove.br

Palavras chave: quadrinhos; teorias de tradução; turma da Mônica.

Marta Rosas diz em seu livro “Tradução de Humor” que ao se traduzir uma piada sendo fiel a sua versão original, na maioria das vezes, faz com que ela perca o humor que a caracteriza e normalmente isso se dá no contraste entre culturas. A autora é adepta de teorias que tenham como princípio a tradução como fator dominante, o mais importante é que a tradução alcance seu objetivo, não a forma como ela é passada. A principal teoria abordada no livro de Rosas é a Teoria do Escopo, que consiste em trabalhar a principal ideia do texto a ser traduzido e adaptá-la a cultura da língua alvo, sem que o sentido seja perdido, deixando assim o tradutor livre para interpretar e criar uma tradução adequada à realidade da língua e da cultura do país de chegada. Ao traduzirmos histórias em quadrinhos, essa teoria é a mais indicada, pois não só a mensagem e o sentido do texto devem ser mantidos, o texto também deve ter uma ligação direta de comunicação com a mensagem na qual ele foi inserido (e a mensagem deve sempre ser mantida igual a do quadrinho original na tradução do texto). No caso dos quadrinhos da turma da Mônica, um cuidado extra é dedicado, pois há um uso de gírias e de expressões regionais por parte de alguns personagens e essas devem ser versadas com cuidado para que se mantenha a carga cultural que o personagem traz e a fim de obtermos efeito de humor desejado naquele que lê o quadrinho. A partir daí, o projeto de Iniciação Científica começou a se desenvolver com o objetivo de analisar o processo tradutório realizado pelos tradutores por meio de um estudo das formas e estilos de linguagem usados pelo autor e as escolhas feitas pelos tradutores ao traduzir as histórias. Esta pesquisa está sendo realizada através do método qualitativo, com abordagem do livro Tradução de Humor de Marta Rosas, um artigo publicado na TradTerm realizado pela mestranda Gisele Marion Rosa e análise de três histórias em quadrinhos da turma da Mônica. A pesquisa realizada até agora mostra que apesar da tradução ser bem realizada a comicidade do quadrinho, às vezes, se perde devido à diferença cultural das duas línguas.

ELEMENTOS PARA ELABORAÇÃO DE UM DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO BILÍNGUE EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS- BOTÂNICA

Letícia David Santos (USP e Universidade Metodista de Piracicaba)

ldssantos@live.com

Prof. Dra. Fernanda Bacellar (USP e Universidade Metodista de Piracicaba)

fbacella@unmep.br

Palavras-chave: Agronomia; Ciências Agrárias; Enciclopédia Agrícola Brasileira.

O objetivo nuclear desta pesquisa terminológica/terminográfica é reestruturar a Enciclopédia Agrícola Brasileira, que é monolíngue em Dicionário Terminológico Bilíngue (Português-Inglês e Inglês-Português). Sendo a área das Ciências Agrárias eminentemente multidisciplinar e interdisciplinar, utiliza termos de diferentes áreas do conhecimento, tais como a Fitotecnia, Zootecnia, Engenharia Rural, Tecnologia Rural, economia Rural e Engenharia Florestal sobrepondo a outras áreas como Agricultura, Botânica, Ciências do Solo, Entomologia, Física e Meteorologia, Fitopatologia, Genética, Horticultura, Matemática e Estatística, Química e Zoologia. Para tanto, empreendemos um recorte do corpus, compreendendo todos os termos integrantes das letras A à Z, pertinentes à área da Botânica (plantas brasileiras). Constituem ainda, objetivos deste trabalho: a proposição de uma microestrutura dos verbetes adequada ao redimensionamento de dicionários bilíngues que tenham como ponto de partida enciclopédias; a caracterização morfossintática e semântica dos termos integrantes do dicionário em compilação; a especificação dos processos preferenciais de criação de termos da área; a verificação dos valores linguísticos/sociais e culturais na organização conceitual/terminológica das duas línguas (português/inglês); e a verificação dos graus de cientificidade, vulgarização/banalização dos termos. Os resultados parciais alcançados até o presente são: 441 termos para a letra A, 265 para a letra B e 920 para a letra C, que estão sendo compilados atualmente. A confecção do Dicionário Terminológico Bilíngue visa atender o interesse direto e indireto de professores, alunos de pós-graduação e graduação, técnicos e leigos interessados especialmente na Botânica, com publicação futura pela Edusp.

LIBERDADE SEM SERVIDÃO A TRADUÇÃO DO HINO “EIN FESTE BURG IST UNSER GOTT”

Levy DA COSTA BASTOS (UFF)

bastos.levy@gmail.com

Profa. Dra. Carolina PAGANINE (UFF)

carolgp@gmail.com

Palavras-chave: Fidelidade; Martinho Lutero; diálogo inter-religioso; estranhamento.

Neste trabalho, apresento a minha tradução do hino “Ein Feste Burg ist unser Gott” (1529), de Martinho Lutero, servindo-me dos pressupostos teóricos do próprio Lutero. Mesmo traduzindo as Escrituras Sagradas, o teólogo alemão não se viu constrangido a inserir na tradução do texto Sagrado algo que a este fosse “estranho”, pois entendia que a Palavra de Deus ter sua intencionalidade comprometida se não fosse traduzida em categorias linguísticas contextuais. A Bíblia só continuaria sendo Palavra de Deus se preservasse seu potencial comunicativo. Fidelidade estrita à palavra do original seria, pois, o mesmo que servilismo e Lutero pretendia resgatar o profundo da significação do texto Sagrado. Na minha tradução do “Ein Feste Burg ist unser Gott” desejei explicitar alguns pontos que considero essenciais no hino: a convicção de que Deus é, de fato, um castelo seguro que em meio às agruras da vida traz segurança ao coração inquieto. Mas tal segurança não se constrói por meio de barganhas, mas sim pelo acolhimento do amor incondicionado do Deus que, por livre graça, vem ao encontro de todos os homens, sem discriminações. Ele é aquele que nos acolhe, a despeito de todas as nossas fragilidades e imperfeições. Em sua busca pela fidelidade ao texto original o tradutor deve interpretar o material de origem reconhecendo o distanciamento cultural e histórico entre os “textos”. Isto equivale a dizer que uma fidelidade absoluta é impossível. Toda tradução pressupõe, portanto, um lugar hermenêutico desde o qual se traduz. Além das similaridades, na tradução afloram dessemelhanças vitais entre os dois textos. O “estrangeiro” se revela como o elemento que enriquece a ambos os mundos. Assim, neste pôster, além de apresentar minha tradução do hino, discuto as dificuldades e as diferenças que surgiram na transposição do texto do alemão para o português brasileiro. Para além da comparação linguística e cultural entre texto original e texto traduzido, esse contato entre os diferentes horizontes linguísticos e culturais dos dois textos, ajuda a repensar e superar os exclusivismos no interior do Cristianismo, o que contribui para o diálogo interdisciplinar entre os estudos da tradução na sua interface com a teologia.

TRADUÇÃO AUDIOVISUAL: O CASO DA LEGENDAGEM E SEUS CONTEXTOS – IMPLICAÇÕES PARA O TRADUTOR EM FORMAÇÃO

Lílian da Silva BRAZ (PUC -SP)

likapucsp@gmail.com

Profa. Dra. Glória Regina Loreto SAMPAIO (PUC- SP)

gloria_sampaio@hotmail.com

Palavras-chave: legendagem; tradução audiovisual; globalização; tecnologias.

A presente pesquisa – inserida em um projeto maior de autoria docente denominado “A tradução escrita e a tradução oral (interpretação) em seu entorno dinâmico: transições, reconfigurações e contextos” – tem como tema principal a legendagem, seus contextos e as implicações para o tradutor em formação. Sua relevância justifica-se pelo fato de a área de tradução audiovisual, particularmente a da legendagem, despertar o olhar de muitos pesquisadores devido as suas constantes inovações e alterações no mundo contemporâneo, cada vez mais ágil e globalizado. Acresça-se a isso o fato de que o desenvolvimento cada vez maior de novas tecnologias destinadas a esse tipo de trabalho (ou ainda que poderão ser utilizadas no ramo) possibilita formas e espaços de atuação singulares e sempre novos para o tradutor atuante. Objetiva-se, portanto, investigar mais profundamente a questão da legendagem, suas regras, seus processos, suas taxonomias e a própria condição de trabalho e de mercado nos dias de hoje, além de verificar e identificar as mudanças ocorridas nesse campo nos últimos anos. Para a realização e a escrita deste trabalho consultaram-se, principalmente, os seguintes autores: Romero-Fresco (2011), Gorovitz (2006), Delabastita (1995), Gottlieb (2001), Santiago Araújo & Alvarenga (1999), Marcuschi (2010), entre outros. Partiu-se da hipótese de que a legendagem ainda estaria em grande uso atualmente (principalmente no Brasil), o que, segundo os resultados obtidos não condiz mais com a realidade. Descobriu-se – por meio de leituras e questionário enviado a seis tradutores convidados a participar da pesquisa – que as legendas tiveram seu auge nos anos 90 com a revolução trazida pela invenção do DVD, mas que a dublagem é hoje o tipo de tradução audiovisual que apresenta maior demanda, em razão de uma legislação no país, obrigando o uso da dublagem nos canais fechados de televisão. Os resultados também apontam para o futuro relativamente promissor da áudio-descrição e do closed caption, que serão tratados no decorrer do trabalho. Além disso, verificaram-se mudanças não só nas características típicas de uma legenda, mas também nos próprios processos de legendagem, os quais são, atualmente, quase inteiramente eletrônicos, sendo realizados de modo muito mais rápido, prático e ágil, graças ao desenvolvimento de novos aparatos tecnológicos e softwares, além do próprio advento da internet e da globalização. Por fim, vale destacar, como resultado desta investigação, a inclusão do respeaking – uma forma de tradução audiovisual ainda não abordada por muitos pesquisadores, mas que vem sendo muito utilizado nos últimos anos, podendo vir a ganhar maior espaço no futuro próximo.

UMA PROPOSTA DE ROTEIRO PARA A LOCUÇÃO DE AUDIODESCRIÇÃO DO FILME O GRANDE DITADOR DE CHARLIE CHAPLIN

Lindolfo Ramalho Farias JUNIOR (UECE)

lindolfojnr@gmail.com

Profa.Dra. Vera Lúcia Santiago ARAÚJO (UECE)

verainnerlight@yahoo.com.br

Palavras-chave: audiodescrição; roteiro; locução; tradução audiovisual.

Este trabalho se insere no campo dos estudos da Tradução Audiovisual, mais especificamente na área de Audiodescrição (AD) e tem como objeto o roteiro de AD que é uma modalidade de tradução audiovisual (TAV) e intersemiótica que visa a fornecer a tradução de impressões visuais de uma produção audiovisual, tais como filmes, programas de TV, peças de teatro e eventos ao vivo. Tendo em vista atender as necessidades da pessoa com deficiência visual (DV), quer cega ou com baixa visão. O roteiro de AD consiste na descrição de elementos considerados pelo audiodescritor relevantes para o entendimento e que não são contemplados nos diálogos e diversos efeitos sonoros que integram a produção. Por conseguinte, as estratégias tradutórias utilizadas na elaboração de roteiros de AD, estão sensíveis as estruturas da narratologia fílmica (linguagem das câmeras). No entanto, não podemos negar a importância da locução (produção de fala) para a recepção da AD por parte dos DVs. Considerando, que a audiodescrição é apresentada por meio dessa locução, ou seja, por meio da leitura em voz alta de um determinado roteiro. Ressaltamos a necessidade de o audiodescritor estar preparado em termos de dicção, entoação, impostação da voz, dentre outros, ao recomendar que tais habilidades sejam trabalhadas na formação do audiodescritor profissional. Como resultado da ausência de uma orientação clara sobre como implementar a locução e das poucas orientações relativas à produção de fala em audiodescrição, nos filmes, nas peças de teatro e nas exposições de arte, até esse momento audiodescritos no Brasil pelo grupo de legendagem e audiodescrição (LEAD) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) têm adotado um estilo de locução neutro nos filmes audiodescritos pelo grupo. Uma reflexão sobre como a locução é fundamental para a AD, a necessidade da fuga dessa locução neutra principalmente em relação ao gênero humor, tratado aqui neste trabalho com o filme o Grande Ditador de Charles Chaplin (1940). As questões são: Até que ponto as instruções para a locução dentro do roteiro de AD poderá contribuir para a audiodescrição dos trechos cômicos de O Grande Ditador de Charles Chaplin? Como incluir as instruções no roteiro de AD para que os aspectos cômicos sejam repassados para os DVs?. Apesar desse estudo ter um caráter de investigação preliminar, essa busca de orientações contribuirão para a elaboração de roteiro para a locução.

COMO A “MEGERA” FOI DOMADA: O DESAFIO DA TRADUÇÃO DAS INTERTEXTUALIDADES EM SHAKESPEARE

Loren CUADROS (UFPel)

cuadroslorencristine@gmail.com

Profa.Dra. Beatriz VIÉGAS-FARIA (UFPel)

beatrizv@terra.com.br

Palavras-chave: Tradução de intertextualidades; A Megera Domada; William Shakespeare.

O presente trabalho visa a fazer uma análise comparativa de um tipo de intertexto nas traduções realizadas por Millôr Fernandes (SHAKESPEARE, 2011[1979]) e por Beatriz Viégas-Faria (SHAKESPEARE, 2008, não publicada) para a comédia A Megera Domada, de autoria de William Shakespeare (1564-1616). Através da comparação das diferentes soluções utilizadas por cada tradutor diante de elementos considerados problemáticos do texto em inglês, pode-se observar que a tradução consiste em uma técnica elaborada que envolve o aprendizado de conhecimentos específicos da obra a traduzir. O trabalho feito tentou detectar nas duas traduções referidas os projetos tradutórios dos dois tradutores nos seguintes quesitos: público alvo, tipo de linguagem utilizada e finalidade a qual a tradução se destina, isto é, se se trata de um trabalho pensado para publicação ou encenação. O embasamento teórico utilizado para a detecção de tais estratégias tradutórias nos dois textos traduzidos inclui ECO (2003), MARTINS (2012), THOMPSON (1984), VENUTI (1995) e WYLER (2003). A pesquisa teve como objetivo específico compilar e analisar as escolhas realizadas por cada um dos tradutores ao se depararem com as remissões à mitologia greco-romana presentes na obra shakespeariana. Com esses dados, tenta-se também demonstrar como cada tradutor lida com a eventual presença de humor em tais trechos. A metodologia empregada consistiu na identificação das referências intertextuais, seguida da elaboração de tabelas comparativas, com o intuito de obter uma melhor visualização das diferentes soluções tradutórias. Por fim, foi realizada uma análise do significado de tais intertextos dentro da própria mitologia greco-romana e da cultura britânica do século XVI, momento de escritura do texto, a fim de tentar-se esclarecer e justificar as tomadas de decisões dos dois tradutores. Os resultados obtidos apontam para uma tendência à tradução estrangeirizadora por parte de Fernandes e à tradução domesticadora por Viégas-Faria, além de indicar uma possível influência da atuação profissional de cada tradutor, visto que temos uma tradução a meu ver mais “didática” – realizada por uma professora universitária, em oposição a outra, em minha opinião, mais “universal” – feita por um jornalista e dramaturgo.

PAOLO E FRANCESCA: (RE) LEITURAS NO UNIVERSO LUSÓFONO

Lorraine RAMOS DA SILVA (UFSC)

lorrainers@gmail.com

Prof. Dr. Andrea SANTURBANO (UFSC)

andreasanturbano@gmail.com

Palavras Chave: tradução literária; tradução comparada; releituras; pervivência.

Este trabalho nasce da vontade de abordar uma obra que marca de forma decisiva o imaginário da sociedade ocidental, e não só, até os nossos dias: A Divina Comédia de Dante Alighieri. O foco é o Canto V do “Inferno”, em particular o episódio de Paolo e Francesca (versos 73-142), a partir das principais traduções em língua portuguesa publicadas no Brasil. Para tanto, foram selecionadas três traduções, que ainda hoje representam uma referência para os estudos dantescos, bem como para o público leitor. São elas: a do Barão da Villa da Barra, publicada pela editora H. Garnier em 1907; a de José Pedro Xavier Pinheiro, publicada em 1918 pela Jacintho Ribeiro dos Santos e reeditada em 1946 pela Gráfica e Editora “EDIGRAF”; e a de Malba Tahan, de 1947, publicada pela Gráfica Editora Aurora. Além dessas edições “históricas”, serão consideradas também outras duas traduções mais atuais: a de Italo Eugenio Mauro, de 2010, publicada pela Editora 34, e a do português Vasco Graça Moura, de 2011, publicada pela Editora Landmark. O episódio de Paolo e Francesca, com toda evidência, continua proporcionando várias leituras e releituras conforme o contexto de recepção da obra dantesca. O objetivo deste trabalho é analisar e mostrar as várias versões do trecho apontado, para refletir sobre a questão da tradução a partir do conceito de “pervivência” contido no texto “A tarefa do Tradutor” (1923) de Walter Benjamin. Segundo o autor alemão, de fato, o original de uma obra se transforma e se renova ao longo do tempo através de suas “pervivências” e é com elas – não mais com um original imutável e imóvel – que a tradução vai se relacionando e dialogando. A análise das traduções acima citadas permite uma comparação e uma reflexão sobre a repercussão no Brasil de um episódio tão conhecido, o de Paolo e Francesca, carregado de ricas sugestões poéticas e polissêmicas.

TRADUÇÃO, MULTIMODALIDADE E CINEMA

Luana Paula dos Santos SILVA (UECE)

luana_paula22@hotmail.com

Profa. Fernanda Kecia de ALMEIDA

(UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ – UECE)

Fernandakeal@hotmail.com

Palavras-chave: legendas; diálogos; filme.

Este trabalho tem como objetivo mostrar as divergências entre legendas e diálogos no cinema Brasileiro, traduzido para a língua inglesa buscando traçar as prováveis causas desses desencontros, a abordagem desse estudo incluirá comparações entre a tradução na língua inglesa com os diálogos apresentados por um filme Brasileiro. Observamos no filme O auto da Compadecida, dirigido por Guel Arraes, lançado em 2000, que existem determinadas cenas em que há termos regionais que não condizem com a tradução em Inglês. Segundo Octavio (1971) todo texto é único e é, ao mesmo tempo, a tradução de outro texto. Nenhum texto é completamente original porque a própria língua, em sua essência, já é uma tradução: em primeiro lugar, do mundo não verbal e, em segundo, porque todo signo é de outra frase. O filme tem como temática o racismo, desigualdade social, preconceito social e racial, pobreza, adultério, solidão, corrupção, ambição e morte. O filme é regionalista, com narrativas nordestinas e de contexto religioso, apropriando-se de certos elementos linguísticos que dificultam a sua tradução para a língua Inglesa. Percebemos essas divergências através de uma análise critica áudio visual que nos possibilitou a percepção e compreensão destes termos aparentemente irrelevantes, mas que são de fundamental importância para a realização de um trabalho de tradução que traga qualidade em seu conteúdo. Portanto, faz-se necessário ressaltar que os filmes têm sido uma das principais fontes utilizadas por várias pessoas para que de maneira informal realize um contato com outros idiomas deferentes da sua língua nativa. O estudo acerca do filme levou a perceber que não tem como haver uma tradução totalmente ao “pé da letra”, pois há termos que não existem na língua Inglesa. Os resultados levaram a aspectos importantes para a compreensão no estudo da língua Inglesa através de filmes e a percepção de que muitas vezes é preciso adaptar.

IMAGINÁRIOS SOBRE TRADUÇÃO E TRADUTOR

Luciana PINTO RANGEL (UFRGS)

rangel_lu@yahoo.com.br

Profa. Dra. Solange MITTMANN (UFRGS)

solnena@hotmail.com

Palavras-chave: tradutor; discurso; autoria; memória.

Com este trabalho, vinculado ao Projeto de Pesquisa Autoria e Interpretação de Objetos Discursivos (PIBIC – CNPq/UFGRS), buscamos investigar os imaginários a respeito do tradutor e da tradução presentes no discurso jornalístico. Tendo como base teórica a Análise do Discurso de corrente francesa, os principais conceitos abordados são os de formação discursiva, memória, autoria e função autor. Para a discussão, utilizamos como recortes discursivos duas entrevistas sobre a tradução do romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, realizada por Ernani Ssó. As duas matérias são assinadas pelo jornalista Carlos André Moreira: a primeira foi publicada no blog Mundo Livro, e a segunda, no site do jornal Zero Hora (ambos hospedados no portal ClicRBS). Considerando que o discurso remete sempre a outros discursos anteriores ou posteriores (PÊCHEUX, 1993 [1969], p.77), e que “a língua é o lugar material em que inconsciente e ideologia se articulam” (ORLANDI, 2001, p.45-46), procuramos verificar que tipo de memória sobre o tradutor e sobre a tradução emerge nesses/desses textos. Assim, observamos, tanto na introdução quanto em perguntas e respostas, a manifestação de um imaginário sobre autoria na tradução baseado no conflito entre duas formações discursivas: uma que reconhece a autoria do tradutor e outra que vê a tradução como transporte de sentidos, sem aceitar interferências, num movimento ora de admissão, ora de recusa de deslizamentos no processo tradutório. Neste último caso, ao termos em mente que “as concepções da língua estão na base das concepções de tradução” (MITTMANN, 2003, p.59), percebe-se uma suposta manifestação da memória da língua como transparente e unívoca e de uma espécie de transferência do equívoco constitutivo da língua para o tradutor. Isso se dá, por exemplo, por meio do reconhecimento de erros em traduções anteriores de Dom Quixote, que servem como fator motivador de uma nova tradução, buscando e pressupondo a existência da forma correta de dizer. A respeito das características e da função do tradutor, o conflito entre as formações discursivas de autoria versus apagamento do tradutor parece persistir: o profissional é apresentado como aquele ao qual cabe, por um lado, transpor ritmos e tons e, por outro, recriar na mesma atmosfera do original. O imaginário de criar sem ser percebido, buscando a forma certa para não ser descoberto, aparece como evidência.

ANTOLOGIA E TRADUÇÃO: AUGUSTO DE CAMPOS TRADUTOR DE POETAS DE LÍNGUA INGLESA.

Luciane Alves Ferreira Mendes (UFPR)

luawinnni@gmail.com

Prof. Dr. Mauricio Mendonça Cardoso (UFPR)

maumeluco@uol.com.br

Palavras-chave: Augusto de Campos; crítica de Tradução; tradução Literária.

Desde que iniciou seus trabalhos como tradutor, Augusto de Campos sempre assumiu a postura de crítico de seu ofício, representando as teorias do movimento da poesia concreta na prática de suas traduções. Com o intuito de fornecer subsídios para os estudos que tenham como foco a figura desse poeta enquanto tradutor, este projeto tem como horizonte a análise do lugar que Augusto de Campos ocupa na recepção mundial, via tradução, dos poetas de língua inglesa que verteu e publicou em livro, a saber, Edward Estlin Cummings (1894-1962), John Donne (1572-1631), Gerard Manley Hopkins (1884-1889), John Keats (1795-1821), Emily Dickinson (1830-1886) e George Gordon Byron (1788-1824). Fundamentado na noção de projeto de tradução, nos termos de Antoine Berman para quem é significativa para a discussão do movimento crítico empreendido pelo tradutor tanto a seleção dos textos a traduzir, quanto dos paratextos vinculados à tradução, constituindo as linhas de força de sua leitura crítica, nosso trabalho discutirá os projetos do tradutor brasileiro – baseando-se em seus prefácios e na análise da bibliografia referente aos poetas – em relação ao cenário mundial de recepção dos mesmos. A partir disso, demonstraremos que as três primeiras seleções de Cummings, juntamente com a seleção de Donne, estão relacionadas diretamente aos escritos da teoria da poesia concreta, fato que dá destaque ao trabalho de Augusto de Campos enquanto tradutor desses poetas num cenário mundial e nacional de recepção via tradução. Já em suas últimas traduções publicadas – a saber, as duas últimas antologias da obra de Cummings bem como as seleções de Dickinson, Hopkins, Keats e Byron –, perceberemos um movimento já não preocupado centralmente em estabelecer interpretações críticas que remetam diretamente ao movimento concretista, mas que evidencie o cantar do tradutor: ordenando seu conhecimento em relação às leituras que fez de cada poeta, ecoando tais releituras em novas vidas. Com o intuito de demonstrar os movimentos críticos os quais ele percorre a cada nova leitura dos poetas que traduz, nosso trabalho vai questionar, ainda, a noção de construção de obra tradutória que Augusto de Campos vem produzindo ao longo de seu ofício de transcriador.

O QUE A COMUNIDADE SURDA BRASILEIRA ESPERA E PRETENDE VER EM UM PROFISSIONAL TRADUTOR INTÉRPRETE DE LIBRAS?

Maitê Maus da Silva (UFPel)

maitetils@gmail.com

Profa. Dra. Ronice Müller de Quadros (UFSC)

ronice.quadros@ufsc.br

Palavras-chave: formação; tradutor intérprete de Libras; comunidade Surda; profissionalismo.

No Brasil temos poucas e diferentes formações para o profissional tradutor intérprete de língua de sinais – TILS. Uma das primeiras modalidades de formação foram cursos de capacitação que variavam de 24h até 400h. Além disso, desde 2006, existe a prova de proficiência oferecida pelo Ministério de Educação e Cultura – MEC – prova esta, intitulada Proficiência na Tradução e Interpretação da Libras/Língua Portuguesa – PROLIBRAS. Já no ano de 2008 foi oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina – USFC o primeiro curso de graduação Letras/Libras Bacharelado na modalidade á distância. Contudo, apesar das diversas formações e certificações, muitos TILS ainda são familiares ou amigos de surdos usuários da língua de sinais, o que não significa que estes possuam formação na área da tradução e/ou interpretação. No entanto, mesmo com as formações alguns surdos que fazem uso de TILS se dizem insatisfeitos com suas atuações. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo investigar quais seriam as práticas ditas ideais por esta comunidade. O que os surdos veem como ineficaz? Quais intervenções devem ser tomadas para solucionar tais problemas? Através de entrevista com os TILS e com surdos usuários de TILS – com e sem formação – pretendo identificar se estes saberes dos surdos também são evidente nas falas dos TILS, bem como suas inquietações acerca da formação que vem sendo oferecida atualmente. A coleta de dados será realizada preferencialmente em Língua Brasileira de Sinais para que os sujeitos entrevistados se sintam a vontade em dizer o que vivenciaram, após farei a analise e interpretação dos dados tendo como referência a autora Rosa Hessel que trata a entrevista de forma a se pensar em jogos de linguagem, reciprocidade, intimidade, poder e redes de representação, diferente de autores que defendem entrevistados/entrevistadores que sejam fidedignos, imparciais, exatos e autênticos, podendo assim trabalhar de forma que o espaço, tempo e a cultura dos sujeitos envolvidos sejam essenciais para as análises.

O VILÃO CLAUDIUS PASSEIA NA CONTEMPORANEIDADE EM PELE DE LEÃO

Manoela Sarubbi Henares FIGUEIREDO (UFBA)

manoelashf@gmail.com

Profa. Dra. Elizabeth RAMOS (UFBA)

beth_ramos49@hotmail.com

Palavras-chave: Tradução intersemiótica; William Shakespeare; O Rei Leão.

O ator e dramaturgo William Shakespeare viveu e produziu suas peças e sonetos na Inglaterra entre 1564 e 1616, mas, graças à tradução, suas obras são hoje tão atuais e presentes quanto o eram na Londres do século XVI, ainda que por vezes passem despercebidas pelos olhares menos atentos. Este trabalho, que se insere num projeto maior que estuda traduções intersemióticas de obras shakespearianas, apresenta os resultados finais da pesquisa que se propôs a analisar a tradução da vilania do texto de partida Hamlet, escrito e encenado por volta de 1601, para o filme infantil de animação da Disney O Rei Leão, lançado em 1995 e dirigido por Roger Allers e Rob Minkoff. A pesquisa assume uma perspectiva desierarquizante em relação ao texto traduzido, e preocupa-se em questionar o conceito de originalidade, especialmente com relação à obra shakespeariana. Para isso, fundamenta-se nos trabalhos de teóricos que embasam os Estudos de Tradução como Robert Stam, Tiphaine Samoyault, Jacques Derrida e Walter Benjamin, além da biografia de Shakespeare escrita por Bill Bryson. Autores como Ian Johnston, Christopher Vogler, Beth Brait e Antônio Candido também foram importantes para compreensão da construção dos vilões e da sua relação com outros personagens. Este trabalho analisa a tradução reconhecendo seu status de produção criativa e independente, não subordinada a um único “original” ideal, mas construída a partir de uma relação de intertextualidade com vários outros textos, além do texto de partida. Tal relação pode ser mais ou menos íntima a depender das escolhas do tradutor, e está presente inclusive na construção da figura do vilão Scar, cujo papel na trama nos remete ao vilão Claudius, personagem da peça Hamlet, principal intertexto do filme, mas que apresenta vários aspectos físicos e psicológicos que remetem a um outro vilão shakespeariano, Ricardo III. Durante a pesquisa, foi possível reconhecer vários pontos de contato entre a obra de partida e a animação-tradução, principalmente no que diz respeito aos elementos característicos das tragédias shakespearianas – assassinatos e conspirações na realeza, conflitos e vingança, por exemplo – embora haja também muitas inserções e ressignificações que resultam das escolhas dos tradutores quando da adaptação da história, incluindo o deslocamento temporal, espacial, midiático e de público da obra.

O USO DE FERRAMENTAS DE TRADUÇÃO COMO AUXÍLIO PARA TRADUTORES E LEIGOS

Mara CRISTY (UECE-FAFIDAM)

haracrhisty@hotmail.com

Prof. Fernanda KÉCIA (UECE-FAFIDAM)

fernandakeal@hotmail.com

Palavras-chave: tradução; linguística computacional; auxílio.

O objetivo do trabalho é apresentar as vantagens e desvantagem sem relação à ferramentas de tradução automática (TA) como auxílio à tradutores e leigos em seus textos. Exposto que softwares de tradução são recorridos para facilitar e rentabilizar o trabalho dos tradutores e empresas de tradução. A tradução automática (TA) é um dos domínios da (LC) Linguística Computacional que mais envolve conhecimento e linguística, pois codifica informações de uma língua para outra. Tendo em vista que a TA, mesmo no século XXI, é uma ferramenta de trabalho e que não lhe permite resultados definitivos de tradução, pois não porta a capacidade que segundo Chomsky (1975) é exclusivamente humana. Sendo assim o uso dessas ferramentas para o fim de auxiliar tradutores e leigos em seus textos, traz alguns benefícios como o da praticidade e a rapidez com estes escritos são traduzidos, porém essas ferramentas não são capazes de enxergar as mudanças da língua sendo assim o trabalho do tradutor humano absolutamente primordial para esse fim.As chamadas CAT (Computer-Aided Translation) Tools, são softwears (Déjà Vu, MemoQ, Trados, Wordfast) que geralmente são utilizados por empresas em tradução,ao contrário dos tradutores automáticos, esses programas não traduzem nada sozinhos. As traduções são feitas por tradutores “de carne e osso” que utilizam esses softwares como sua plataforma de tradução. As grandes vantagens dessas aplicações são a facilidade e velocidade das consultas e sua possibilidade de atualização (Slocum: 1985). Segundo Dias (1997) a decepção que se pode ter diante de um texto traduzido automaticamente decorre de uma expectativa gerada por leigos ou até pelos próprios fabricantes e pesquisadores, que não enfatizam a importância de seus produtos para o aperfeiçoamento do trabalho humano de traduzir.

ESTRATÉGIAS DE TRADUÇÃO PARA EXPRESSÕES FRANCESAS FORMADAS A PARTIR DE “BRIN DE”, “COUP DE” E “FILET DE”

Marcos TIBAU (USP)

marcostibau_17@yahoo.com.br

Profa. Dra. Adriana ZAVAGLIA (USP)

adriana.zavaglia@gmail.com

Palavras-chave: locuções; estratégias; tradução.

Este trabalho tem por objetivo um levantamento de locuções francesas formadas a partir da preposição “de”, em especial aquelas nas quais esta seja antecedida, à esquerda, pelas lexias “coup” (‘golpe”), “brin” (‘pitada’) e “”filet” (‘filete’), compondo locuções que, a exemplo de “coup de force”, impõem um grande esforço de tradução por não possuírem correspondentes exatos em nosso idioma. Após a pesquisa de estratégias tradutológicas e o estudo das relações enunciativas presentes nessas locuções, foi desenvolvido um glossário bilíngue português/francês que contempla tais itens. Para a primeira etapa foi elaborada uma pesquisa bibliográfica que proporcionou uma maior compreensão do fenômeno tratado pela pesquisa. Concomitantemente, houve um levantamento de locuções formadas a partir deste processo em sites de busca como o Google francês e a ferramenta Concordance, disponibilizada pelo portal http://www.cnrtl.fr. As próximas etapas, desenvolvidas a partir do mês de julho, envolveram a definição das locuções coletadas e o estabelecimento de seus equivalentes em língua portuguesa. O glossário obtido ao fim da pesquisa relaciona as locuções francesas coletadas a possíveis traduções para o português do Brasil. Para as locuções francesas formadas a partir de “brin” e “filet”, foram selecionados correspondentes imediatos a essas palavras em nosso idioma. Para àquelas formadas a partir de “coup”, utilizamos a estrutura das CVLs com o verbo leve dar descritas por Scher (2004), compostas de uma nominalização em –ada de um verbo já existente no nosso idioma. Em alguns casos, como por exemplo em coup de foudre e coup de génie, essa estratégia mostrou-se insuficiente, o que nos obrigou a propor traduções individuais para algumas das locuções formadas a partir dessa lexia. A pesquisa de estudos que abordem a preposição “de” demonstrou que, embora trate-se do mais utilizado dentre todos os itens da categoria da qual faz parte, não possui grande importância semântica, o que, por outro lado, não deve desencorajar os estudos neste campo por dar origem a expressões que revelam particularidades interessantes da língua francesa.

TRADUÇÃO DE NOMES PRÓPRIOS EM MANHUAS

Maria Eduarda Cescon NIEDERAUER (UFRGS)

me.niederauer@gmail.com

Profa. Dra. Patrícia Chittoni Ramos REUILLARD(UFRGS)

patricia.ramos@ufrgs.br

Palavras-chave: Tradução; quadrinhos; nomes próprios.

A tradução de nomes próprios levanta uma série de questionamentos, especialmente quando aparecem em um suporte como as histórias em quadrinhos, e quando ocorrem em um par de línguas tão diferentes quanto o mandarim e o português. Como traduzir as informações que o próprio nome de uma personagem traz sobre sua personalidade e sua relevância na obra sem ignorar as dificuldades fonéticas que inevitavelmente surgirão devido a essa diferença? Pensando nisso, como escolher entre romanizar o nome usando o sistema pinyin oficial, cujos sons são frequentemente diferentes do brasileiro, e utilizar um sistema, já existente ou adaptado, que possa ser pronunciado facilmente por um leitor brasileiro? E, se nos quadrinhos imagens e palavras mantêm uma relação simbiótica, como lidar com nomes diretamente conectados ao desenho da personagem? Quais critérios devem ser priorizados no momento da tradução? Nessas escolhas, é preciso ainda levar em consideração a questão sempre presente do espaço nas traduções de quadrinhos: é justificável ou não a utilização de glossários e notas de rodapé? A fim de tentar responder a essas questões, analisamos o manhua de Wang Man, Nüerguo Chuanqi: Shengnan Pian (Lendas do Reino das Mulheres: A história de Shengnan). Baseando-nos em textos de Zanettin (2008), Terescenko (2010), Delesse (2008) e, ao tratar especificamente de quadrinhos orientais, Jüngst (2008) e Rota (2008), procuramos identificar os problemas da tradução dos nomes de algumas personagens que aparecem nos primeiros capítulos, para em seguida hierarquizá-los e, por fim, oferecer possíveis soluções, como o uso de adaptações, transliterações, notas de rodapé. As hierarquizações e as soluções devem levar em conta especialmente o público jovem feminino ao qual o manhua é destinado, os fatos histórico-literários nos quais o texto se baseia, e as expectativas prévias (norma) que têm os leitores de mangás, manhwas e manhuas, fatores estes que terminam por exigir uma tradução estrangeirizadora.

A subversão do estrangeiro e do doméstico na tradução: o caso de Yukionna

Maria Luísa VANIK (UFRGS)

luisavanik@gmail.com

Prof. Ms. Andrei CUNHA (UFRGS)

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: literatura japonesa; folclore; tradução; identidade cultural.

O objetivo da presente pesquisa é analisar e comparar duas traduções feitas para a língua japonesa do conto “Yuki-onna [雪女, A Mulher das Neves]“, contido no livro Kwaidan: stories and studies of strange things (1904), de autoria de Lafcadio Hearn. A primeira tradução selecionada foi feita pelo estudioso de literatura inglesa e tradutor Ryûji Tanabe, e é de 1937; a segunda, feita pelo tradutor Teiichi Hirai, é de 1940. A partir do cotejo entre essas duas traduções e o texto de partida, verifico as escolhas estilísticas de cada tradutor, com ênfase na caracterização da personagem folclórica que dá título ao conto, a Yukionna, e no seu discurso, que é representado de formas distintas conforme a personagem alterna entre suas facetas humana e sobrenatural. Como principal referencial teórico, adoto as perspectivas de Lawrence Venuti (1998) relativas ao papel da tradução na formação da identidade cultural, e aos procedimentos de domesticação e estrangeirização do texto. Paralelamente, utilizo a perspectiva hermenêutica de George Steiner (1975) a fim de comentar a influência do processo de apropriação e interpretação do texto na questão tradutória. O conto escrito por Hearn e suas traduções subsequentes criam uma situação peculiar, em que o texto “original”, escrito em inglês, narra uma história do folclore japonês, que posteriormente veio a ser traduzida para a língua da cultura em foco. A partir dessa particularidade, pode-se concluir preliminarmente que as diferenças entre as traduções escolhidas advêm de questões bastante complexas com as quais os tradutores japoneses tiveram que lidar, tais como a identidade cultural própria (o que eles consideravam “japonês”), a identidade cultural do autor do texto de partida (uma vez que Hearn nasceu na Grécia, foi criado na Irlanda, mas se naturalizou japonês mais tarde em sua vida), a imagem que o autor tinha da cultura retratada (o Japão do fim do século XIX e início do XX) e a decisão de aproximar ou afastar das línguas de origem da narrativa folclórica ou do registro de Hearn.

O CORPUS PARALELO E A CONSTRUÇÃO DE UM GLOSSÁRIO RELIGIOSO BILÍNGUE

Marina Araujo VIEIRA (Universidade Federal de Uberlândia – UFU)

marinavieira@trad.ufu.br

Profa. Dra. Silvana Maria de JESUS (UFU)

silvanajesus@ileel.ufu.br

Palavras-chave: estudos da tradução; linguística de corpus; construção de glossário bilíngue; corpus religioso.

Em virtude do crescimento da publicação de textos religiosos no Brasil (BARBOSA, 2005) e do desenvolvimento dos Estudos da Tradução baseados em corpora, essa pesquisa, desenvolvida em um ano de IC com apoio da FAPEMIG, utilizou a Linguística de Corpus com o objetivo de realizar uma análise contrastiva da obra espírita Nosso Lar e sua tradução para o inglês, The Astral City, e identificar o vocabulário específico do Espiritismo, para construção de um glossário bilíngue com os termos usados para descrever o mundo espiritual dentro desta religião. Como fundamentação teórica, buscaram-se textos sobre a metodologia da Linguística de Corpus (SARDINHA, 2004; AGUIAR, 2012), construção de glossários bilíngues (CARVALHO, 2007; COSTA FILHO, 2008), e sobre a relação entre os Estudos da Tradução e a Terminologia (BAKER, 1995; BREZOLIN, 2006). Para a seleção dos termos, utilizou-se o AntConc, um concordanciador que permite realizar pesquisas e análises linguísticas com corpora. O processo de criação do glossário se deu em cinco etapas – preparação do corpus, levantamento de dados, alinhamento do corpus, elaboração de fichas terminológicas e a elaboração do glossário. Neste processo, destacam-se os instrumentos metodológicos utilizados na pesquisa: o programa AntConc como concordanciador, o Programa PlusTools para o alinhamento do corpus paralelo e as fichas terminológicas. Como resultado da pesquisa, percebeu-se que a maioria dos termos utilizados no Espiritismo para descrever o plano metafísico são termos de língua geral, e que eles se tornam termos específicos quando no contexto religioso, em alguns casos, acompanhados do termo “espiritual” e outras variantes. Também se observou que as traduções para os termos foram inconsistente em alguns momentos, o que sugere um caso a ser estudado por pesquisas posteriores, contribuindo para a melhoria das traduções feitas no meio religioso.

TRADUÇÃO AUDIOVISUAL: UMA ANÁLISE LINGUÍSTICA DAS ESTRATÉGIAS TRADUTÓRIAS NA LEGENDA DO FILME “THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING”

Marina de Souza MENDES (UFOP)

marinamsm@live.com

Prof. Dr. Giacomo Patrocinio FIGUEREDO (UFOP)

giacomojakob@yahoo.ca

Palavras-chave: legendagem; tradução audiovisual.

O presente trabalho situa-se nos estudos descritivos do campo disciplinar dos Estudos da Tradução e da Tradução Audiovisual e visa analisar linguisticamente estratégias de tradução para legendas do filme “The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring”. Tendo como base a teoria Sistêmico Funcional (MARTIN et al., 1997; MARTIN; ROSE, 2007) para a análise linguística (gramatical e discursiva), e os procedimentos tradutórios para análise das relações de tradução (BARBOSA, 1990; CATFORD, 1965; NEWMARK, 1981, 1988; VINAY; DARBELNET, 2000 [1995]), este trabalho identificou e classificou as legendas componentes do corpus segundo suas funções linguísticas. A relação entre texto fonte e alvo – correspondência formal ou equivalência textual (Catford, 1965) também foi identificada em cada legenda do corpus. As legendas em inglês e em português do Brasil foram extraídas utilizando-se o software SubRip 1.50©. A extração das legendas em inglês foi feita para que fosse possível o contraste entre a tradução e o diálogo original, tendo em vista que as legendas em inglês correspondem aos diálogos, assim como ao roteiro. Após a extração, o estudo foi divido em quadros de acordo com cada análise, segundo a teoria sistêmica funcional (Funções Discursivas e Modos), a teoria de Catford e as estratégias tradutórias. A análise de estratégias (ou procedimentos tradutórios) no corpus identificou muitos procedimentos que se encaixam dentro de um maior: a tradução literal. A dicotomia encontrada entre a tradução literal e as outras estratégias evidencia que a tradução literal é o recurso largamente mais empregado no corpus. O número de incidência de correspondência formal foi baixo e a de equivalência textual máximo, comprovando que o uso da tradução literal não se relaciona à correspondência formal. Entretanto, a quantidade de funções discursivas do texto original e da tradução é exatamente a mesma. Dessa forma, os dados encontrados nesta pesquisa, como a sobreposição da tradução literal na tradução fílmica do corpus aqui analisado, apontam também a possibilidade de que a sobreposição e frequência alta de uso sejam encontradas em outras legendas fílmicas. Igualmente, os resultados apontam para uma correspondência alta bem como a preservação das Funções Discursivas, o que também sugere tal possibilidade para outras traduções.

PARÂMETROS DE LEGENDAGEM PARA SURDOS BRASILEIROS

Matheus Oliveira Da Silva ROCHA (UECE)

Profa. Dra. Vera Lúcia Santiago ARAÚJO (UECE)

Palavras-chave: legendagem; acessibilidade; legenda para surdos.

Desde o dia 27 de junho de 2006, por meio da portaria 310, a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE) tornou-se obrigatória no Brasil. Apesar de a LSE já ser utilizada no país, pesquisas anteriores realizadas na UECE demonstraram que elas não atendem às necessidades dos surdos brasileiros por serem muito densas e rápidas. O Projeto MOLES – POR UM MODELO DE LEGENDAGEM PARA SURDOS NO BRASIL – objetivou investigar um modelo de legendagem confortável para a classe surda brasileira, testando duas propostas de LSE. A primeira foi sugerida em pesquisa anterior ocorrida no período de 2006 a 2008 na UECE e a segunda é o modelo utilizado atualmente pelos surdos portugueses. O modelo da UECE foi gerado a partir da consultoria de 12 surdos que se reuniam mensalmente com a equipe para avaliar as legendagens de diferentes itens de programação da Rede Globo. Diante da má recepção desses programas traduzidos pela emissora, propusemos uma legendagem com diferentes edições para verificar aquela que atenderia aos interesses da comunidade surda brasileira. Para tal, apresentamos 4 curtas-metragens para 34 surdos de 4 regiões brasileiras com a legenda confeccionada por alunos da UECE a partir dos resultados obtidos na pesquisa de ARAÚJO (2008), realizada com surdos cearenses. A pesquisa, de caráter descritivo-exploratório e natureza qualitativa, obteve seus resultados a partir da triangulação dos dados obtidos através dos questionários pré-coleta, pós-coleta e transcrições dos relatos retrospectivos realizados pelos surdos. Foram testadas 4 hipóteses: 1) quando a velocidade da legenda é de 145ppm, os surdos conseguem entender o conteúdo do filme e os seus detalhes; 2) quando a velocidade de legenda é de 160ppm, os surdos entendem o conteúdo do filme, mas não os seus detalhes; 3) quando a velocidade da legenda é de 180ppm, os surdos não entendem o conteúdo do filme e tampouco os detalhes; 4) quando o sistema europeu de legendagem é utilizado, a recepção é dificultada. Apenas a primeira hipótese foi confirmada, sendo todas as outras refutadas. Segundo apontam nossas análises, a explicação para este desempenho dos surdos pode estar na segmentação da legendagem, a qual utilizou os parâmetros encontrados na legendagem para ouvintes: as falas seriam divididas seguindo os critérios de segmentação visual (pelo corte), retórica (pelo fluxo da fala) e linguística (pela sintaxe).

A FLOR NO ROMANCE DO GENJI: PROBLEMAS DE TRADUÇÃO

Michelle Conterato BUSS (UFRGS)

michelle.buss@gmail.com

Prof. Ms. Andrei dos Santos CUNHA (UFRGS)

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: flor; tradução; Genji; simbologia.

Os japoneses têm uma relação bastante intensa com a natureza e isso é evidenciado em várias práticas, como no paisagismo, na arquitetura, na religião e nas artes. Na literatura, a presença de temas naturais é marcante (SHIRANE, 2012). A passagem das estações, os animais, as plantas e os ambientes naturais não só configuram elementos do cenário no texto como também trazem consigo uma importante carga imagética, manifestando-se como uma simbologia sistemática, que se cristalizou ao longo dos séculos. Em poemas japoneses, por exemplo, quando uma planta ou um animal são utilizados, intrínseco a eles há um conteúdo que pode demarcar passagem de tempo ou estados de espírito. Esses elementos não são simplesmente “decorativos”, mas imbuídos e enriquecidos de significados e de intertextualidade. O presente trabalho, cuja metodologia é pautada em análise dos textos de partida em cotejo com as traduções para o português das obras do corpus, visa analisar o elemento flor no primeiro capítulo, “A Dama do Pavilhão das Paulównias”, da obra O Romance do Genji, de Murasaki Shikibu (2008), em especial sua simbologia e a relação desta com os personagens, assim como suas implicações para a norma tradutória. A única versão em língua portuguesa é uma edição de Portugal, mas a norma tradutória a que se obedece naquele país para obras literárias de culturas não-europeias é bastante diferente da brasileira, especialmente dos anos 2000 em diante. No que se refere a questões de tradução, abre-se um mote: sabe-se que o povo japonês nutre uma relação estreita com a natureza e que seu universo simbólico encontra-se enraizado em sua cultura. Assim, como transmitir ao leitor não-japonês a mesma informação cultural? (STEINER, 2000; NABOKOV, 2000) Para efeitos de comparação, destacaremos exemplos da nova tradução brasileira de O Livro do Travesseiro (2013), de Sei Shônagon, cujo texto de partida é oriundo da mesma época. Que diferenças podemos identificar entre as soluções tradutórias encontradas para o elemento flor na tradução portuguesa, publicada no ano de 2008, de O Romance do Genji, e as de O Livro do Travesseiro, em tradução brasileira publicada no ano de 2013. A questão a ser ressaltada é: na literatura japonesa, sabendo da carga simbólica associada às palavras que remetem à natureza, que implicações de conteúdo ocorrem?

REPRESENTAÇÕES SOBRE O SURDO E A LÍNGUA DE SINAIS EM PRODUÇÕES FÍLMICAS HOLLYWOODIANAS

Michelle Cristini PACHECO (UFSC)

mchllpch@gmail.com

Profa. Dra. Audrei GESSER (UFSC)

audrei.gesser@gmail.com

Palavras-chave: filmes; representação; surdez; língua de sinais.

Este trabalho trata-se de uma pesquisa em andamento, e tem como objetivo analisar como o surdo e a língua de sinais são representados no cinema, através da análise de três produções fílmicas hollywoodianas. Para os propósitos desta investigação, seguimos alguns critérios para seleção do corpus de pesquisa, e consideramos que deveríamos contemplar a) filmes cuja temática não fosse relacionadas ao surdo, à língua de sinais ou a qualquer temática relacionada à surdez; b) filmes com a presença de pelo menos um personagem surdo na trama e c) filmes de gêneros mais populares, neste caso, comédia, ficção científica e terror. Este estudo se localiza dentro do campo dos Estudos da Tradução e do Cinema, e utiliza os elementos conceituais de polifonia e heteroglossia de Bakhtin (1981), o conceito de representação social de Fairclough (2001) para articular a questão das imagens e estereótipos desencadeados nessas produções (SHOHAT & STAM, 2006), e a discussão sobre crenças e preconceitos sobre a língua de sinais e o surdo em Gesser (2009). Através da análise das legendas traduzidas, buscaremos observar e refletir os sentidos e os possíveis desdobramentos desses sentidos na cultura brasileira. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo descritiva, amparada por ferramentas metodológicas de análise de filmes, com foco na análise de conteúdo proposta por Bardin (2009). Neste enquadre metodológico, as sinopses de cada filme serão apresentadas e, através de recortes de cenas, serão utilizados fotogramas/frames como suporte fundamental e ponto de partida para reflexão e análise. Assim, esta investigação exploratória dentro do universo de entretenimento nos permitirá uma interpretação mais geral de como também a sociedade – encarnada na representação posta nas produções fílmicas selecionadas – vem a enxergar os surdos e a língua de sinais. Isto só nos será possível de averiguar via a própria relação dialógica entre a personagem surda e seus interlocutores de cena a partir do teor do conteúdo abordado e do conteúdo expresso nas legendas traduzidas. Uma análise preliminar sugere que ao mesmo tempo em que representações com conotações positivas sobre o surdo e a língua de sinais são recorrentes nas produções fílmicas, há por outro lado, distorções, portanto, representações negativas em relação ao universo linguístico e cultural dos surdos.

ELABORAÇÃO DE GLOSSÁRIO MONOLÍNGUE PORTUGUÊS A PARTIR DE UM ESTUDO TERMINOLÓGICO DOS PASSAPORTES E DAS LEIS QUE OS REGEM.

Milena DE PAULA MOLINARI (UNESP)

Milena_molinari@hotmail.com

Lidia ALMEIDA BARROS (UNESP)

Lidia@ibilce.unesp.br

Palavras-chave: Terminologia; passaportes; glossário.

Um passaporte é um documento pessoal de identidade que protege legalmente seu portador no exterior e permite que entre em países com os quais seu país de origem mantém relações. É necessária a permissão do governo emissor para que a pessoa portadora desse possa sair do país e entrar em outro. Alguns países estão desenvolvendo técnicas para confirmar com precisão se o portador do documento é seu legítimo detentor. O termo terminologia possui duas acepções, a terminologia, grafada com t minúsculo, designa o conjunto de termos de uma área de especialidade. Esse termo se distingue de Terminologia grafada com T maiúsculo, que se refere ao campo de estudo, isto é a disciplina científica que estuda os termos das áreas de especialidade. O campo de estudos da Terminologia são as línguas (ou linguagens) de especialidade. Pavel e Nolet (2002, p.124) as definem como “sistema de comunicação oral ou escrita usado por uma comunidade de especialistas de uma área particular do conhecimento”. Os objetivos gerais são identificar o conjunto terminológico de maior pertinência ao domínio dos passaportes no Brasil e elaborar um glossário monolíngue português dos termos selecionados, o que é de grande importância social, visto que pode colaborar para uma melhor comunicação na área da terminologia jurídica. O presente projeto de pesquisa pretende dar, então, uma contribuição a essa temática. Os principais critérios utilizados para a seleção dos candidatos a termos foram: 1) relevância semântica, ou seja, da importância (ou não) desse termo para o domínio dos passaportes, independente da frequência com a qual o termo ocorrer no corpus. 2) identificação do grau de lexicalização dos sintagmas, segundo os critérios apresentados no capítulo 3 nos itens variação lexical e terminológica e identificação dos termos. Até o momento, identificamos o conjunto terminológico de maior pertinência ao domínio dos passaportes e estamos na fase de elaborar o glossário monolíngue português.

CRISTÓVÃO TEZZA EM FRANCÊS: IMPLICAÇÕES TRADUTÓRIAS E ANÁLISE PARATEXTUAL

Monelise Viela PANDO (UNESP/IBILCE)

monelisee@gmail.com

Profª. Dra. Maria Cláudia Rodrigues ALVES (UNESP/IBILCE)

maria.claudiarodrigues@hotmail.com

Palavras-chave: paratextualidade; estudo de capas; tradução para o francês; Cristóvão Tezza.

O presente trabalho se caracteriza por um recorte no qual se privilegia o estudo da tradução dentro de nosso foco primeiro que é o texto e sua relação paratextual, cujos preceitos básicos buscamos em Gérard Genette. Cristóvão Tezza, embora já tenha publicado uma dezena de romances desde 1979, despontou para o cenário literário nacional somente no final da década de 90, sobretudo com o polêmico O filho eterno, nossa obra estudada, que narra a história de um pai e seu filho com Síndrome de Down. Já traduzido para diversas línguas, a presente pesquisa recai sobre o francês, consideramos legítima a escolha de um autor brasileiro contemporâneo que desponta no cenário internacional na última década. Dentre os objetivos de nossa pesquisa se encontram o mapeamento das relações de recepção Brasil/França e as especificidades tradutórias que um texto de caráter afetivo e com presença de elementos da cultura brasileira passados para a língua francesa, e as implicações ou não que essa tradução requer. A metodologia desenvolvida consiste no levantamento bibliográfico das obras do autor e suas traduções para melhor contextualizá-lo nacional e internacionalmente, estabelecendo sua fortuna crítica; cotejo textual das obras (original e sua tradução em francês), cotejo paratextual, todas as capas criadas para todas as traduções até o momento, seguido de reflexões críticas a respeito do observado. A pesquisa, até o estágio em que se encontra, nos permitiu constatar um prestígio adquirido pela obra que ultrapassou alguns conceitos editorias, não se fazendo presente a identificação de origem brasileira na obra, por meio de notas ou na própria ilustração de capa. O número de traduções já realizadas é extenso e com várias outras ainda previstas. As obras, em português e em francês, guardam particularidades, como era de se imaginar, não só linguísticas, mas também culturais. Gentzler, Jakobson, Ladmiral, Laranjeira, Mounin, estão entre os diversos teóricos da tradução em quem buscamos auxílio para a análise textual. Levando em conta que nosso estudo abrange sobretudo a questão paratextual, (o estudo de capas, títulos, e demais componentes editorias) a questão da imagem e seu tratamento, buscaremos realizar um breve panorama da relação e recepção da literatura brasileira contemporânea em língua francesa, não apenas e unicamente pelo estudo do texto, mas também e principalmente levando em consideração todo o seu em torno.

A RELAÇÃO TRADUTOR-LEITOR ATRAVÉS DAS TRADUÇÕES DE HARRY POTTER EM PORTUGUÊS E FRANCÊS

Pâmela da Silva LIMA (UFRGS)

pamslima@gmail.com

Profa. Dra. Maria José Bocorny FINATTO (UFRGS)

mariafinatto@gmail.com

Palavras-chave: retextualização; recepção; Harry Potter.

O presente trabalho tem como objetivo analisar a recepção das traduções de Harry Potter, de J.K. Rowling, no Brasil e na França. Através de pesquisas realizadas em fansites dos dois países, descobrimos que a tradução é muito bem recebida pelos franceses, enquanto é rigorosamente criticada pelos brasileiros. A partir daí, começamos as análises buscando o porquê dessa diferença. Consideramos que houve, ao longo dos anos de lançamento dos sete livros que compõe a série, uma mudança do público-alvo: deixou de ser apenas infanto-juvenil, como era no lançamento de Philosopher’s Stone, e se estendeu a várias faixas-etárias. Além disso, levamos em conta que a recepção de um público à tradução está diretamente ligada à relação desse público com sua língua materna e com a língua original da obra. No Brasil, a relação com a língua inglesa é mais aberta do que na França, por razões históricas e culturais. Outro fator que influencia na recepção de uma tradução é a cultura de leitura do país, já que um livro traduzido para brasileiros pode ter um objetivo diferente do mesmo livro sendo traduzido para franceses. Partimos da teoria de retextualização de Katharina Heiss e Hans J. Veemer, retomada por Neusa Travaglia, para compreender essa diferença de recepção pelos dois públicos e embasar nossas análises. Concluímos que a tradução é mais bem recebida pelos leitores franceses porque a tradição linguística é mais presente na França: o valor do domínio da norma culta e a predileção pela língua francesa acima de qualquer outra é uma forte característica cultural do país. Por outro lado, o público brasileiro é mais crítico em relação às traduções, menos disposto a concordar com as escolhas do tradutor, muitas vezes privilegiando a leitura do original. Não tendo uma relação tão estrita com a língua materna, quando o público brasileiro teve acesso a série em inglês pode avaliá-la de acordo com seus critérios não profissionais, chegando a conclusões que nem sempre condizem com a realidade e as possibilidades da tradução literária.

UM ESTUDO DE DUAS TRADUÇÕES DA PEÇA OS CAVALEIROS, DE ARISTÓFANES

Paulo César de Brito TELES JÚNIOR (Universidade Federal do Ceará)

pcbtjr@hotmail.com

Profa. Dra. Ana Maria César POMPEU (Universidade Federal do Ceará)

amcpompeu@hotmail.com

Palavras-chave: Aristófanes; comédia antiga; tradução.

Nosso trabalho tem como objetivo o estudo comparativo de duas traduções da obra Os Cavaleiros, do comediógrafo grego Aristófanes: a primeira a ser concluída pelo GEA (Grupo de Estudos Aristofânicos) e a segunda da autoria de Maria de Fátima Sousa Silva. O GEA é um grupo de estudo/pesquisa do NUCLÁS (Núcleo de Cultura Clássica) da Universidade Federal do Ceará e é coordenado pela Profa. Dra. Ana Maria César Pompeu. Divergindo da tradução de Maria de Fátima Sousa e Silva, que foi realizada para o português de Portugal, o grupo visa à tradução da peça a partir do falar popular nordestino do Brasil, especificamente o cearense. O estudo de Carvalho (2006) sobre a tradução do socioleto literário nos serve de fundamento para a opção tradutória do grupo. Promovemos uma discussão acerca das traduções mítica, gramatical e modificadora apresentadas por Novalis (2010) identificando seus aspectos nas traduções comparadas no presente estudo. Observamos criticamente as estratégias empregadas pelos tradutores tendo, como parâmetros, determinadas características textuais importantes, tais como o vocabulário culto/ vocabulário popular, tom elevado/ tom coloquial, entre outras. Primeiramente, fizemos um levantamento acercar do autor, Aristófanes, e da própria obra Os Cavaleiros, ressaltando suas características mais relevantes. Em seguida, selecionamos trechos representativos da obra para que pudesse ser feita a análise comparativa. Assim, tendo por base o texto original em grego antigo, avaliamos as propostas das duas traduções seguindo alguns critérios básicos: a fidelidade ao tamanho de cada verso da peça, a omissão ou o acréscimo de certos termos, a manutenção da primeira palavra de cada verso da peça, o registro das falas dos personagens e o nível semântico e lexical dos textos. As duas traduções apresentam, portanto, aspectos diferentes, mas ambas procuram seguir o texto original com a maior fidelidade possível, sem desvios e equívocos de interpretação que possam prejudicar a leitura da obra traduzida.

TRADUÇÃO COMPARADA ENTRE MARCO AURÉLIO E RUBEM ALVES

Raquel do Rêgo Barros ILHA (UnB)

raqilha1@gmail.com

Profa. Dra. Ana Helena ROSSI (UnB)

anahrossi@gmail.com

Palavras-chave: tradução; metodologia; Rubem Alves; estoicismo.

Este trabalho pretende um estudo analítico de tradução da crônica “Escutatória”, contida no livro “O amor que acende a Lua”, comparando a escrita de Rubem Alves com a obra “Meditations”, do imperador e filósofo estoico Marco Aurélio. A metodologia utilizada fundamenta-se na Teoria da Tradução de Ezra Pound, Walter Benjamin e Inês Oseki-Dépré. A análise da tradução levou a mudanças na escolha de verbos, adjetivos, advérbios e substantivos para que a linguagem filosófica do Estoicismo fosse mantida em inglês. À medida que o trabalho estava quase concluído, percebemos que havia um estranhamento na leitura do texto traduzido, pois mantivemos a linguagem familiar, tipicamente brasileira e regionalista do autor. Inicialmente este artigo pretendia apresentar uma versão em língua inglesa, adaptando e apagando as marcas do autor de língua portuguesa brasileira referente à crônica que é objeto deste estudo (ALVES, Rubem, 1999). Porém, ao reler a tradução com a ajuda da professora Ana Rossi, o projeto foi modificado para uma tradução que mantenha as estruturas gramaticais criadas pelo autor e as referências da filosofia estoica existentes em seu texto. Na primeira parte deste artigo Rubem Alves e sua obra são caracterizados e comparados com Marco Aurélio, imperador romano e também estoico. Na segunda parte apresenta-se aos leitores a caracterização do livro e da crônica traduzida, suas particularidades, divisão dos capítulos, público alvo e informações sobre a editora do livro. Na terceira parte discorre-se sobre a estratégia utilizada para a tradução, ou seja, o objetivo de explicar o projeto de tradução, que expressamos da seguinte forma: “como o léxico da filosofia estoica de Rubem Alves foi traduzido para o inglês baseando-se na comparação do livro Meditations, de Marco Aurélio”. Esta estratégia de tradução foi baseada no método de estudo comparativo de Ezra Pound, autor do livro ABC da Literatura. Além disso, acrescentou-se a leitura do “Estudo da tradução”, de Jacques Roubaud, pela tradutora Inês Oseki-Dépré, e também a leitura de outro texto da “Teoria da Tradução”, de Walter Benjamin. Uma conclusão provisória do artigo foi feita com o intuito de analisar o que esse projeto acrescentou à nossa formação acadêmica. Além disso, há também o intuito de inovar a visão do público acadêmico sobre o Rubem Alves, que foi estudado mais por sua formação teológica do que filosófica. A tradução da crônica em questão foi apenas o começo deste estudo.

COMPARAÇÃO ENTRE DOIS TIPOS DE ROTEIRO DE AUDIODESCRIÇÃO: UM ESTUDO DESCRITIVO-EXPLORATÓRIO

Rayane Cavalcante SOUSA (UECE)

rayane_cavalcante17@hotmail.com

Profa. Dra. Vera Lúcia Santiago ARAÚJO (UECE)

verainnerlight@uol.com.br

Palavras-chave: acessibilidade; tradução audiovisual; audiodescrição.

A Audiodescrição (AD) é um recurso audiovisual destinado a promover acessibilidade dos meios culturais às Pessoas com Deficiência Visual (PcDV). Enquadra-se dentro dos estudos de Tradução Audiovisual (TAV). Além disso, classifica-se na modalidade de Tradução Intersemiótica proposta por Jakobson (1995), por traduzir imagens em palavras (dois meios semióticos distintos). A presente pesquisa intitula-se COMPARAÇÃO ENTRE DOIS TIPOS DE ROTEIRO DE AUDIODESCRIÇÃO: UM ESTUDO DESCRITIVO-EXPLORATÓRIO. A investigação é oriunda do Edital PROCAD, acordo firmado entre as universidades: Estadual do Ceará (UECE) e Federal de Minas Gerais (UFMG). A metodologia utilizada é descritivo-exploratória de natureza qualitativa. A análise compara dois tipos de roteiros de AD baseados em parâmetros europeus, sendo um com foco nas ações, baseados em BENECKE (2004) e o outro priorizando os elementos narratológicos, cinematográficos e discursivo-gramaticais, preconizados por HURTADO (2010). O estudo é dividido em duas dimensões. A primeira (descritiva) consiste na análise dos roteiros de AD à luz da narratologia fílmica e a segunda dimensão (exploratória) é realizada com dois grupos de PcDVs. Fazem parte do corpus utilizado para a análise descritiva: os roteiros de AD produzidos pelo grupo de pesquisa LEAD (Legendagem e Audiodescrição) da UECE e inseridos em quatro curtas-metragens de cineastas cearenses. Na análise de recepção, são utilizados os protocolos de pesquisa (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, relato retrospectivo, questionários pré e pós-coleta). Nos resultados preliminares dos dados concluímos que os PcDVs conseguiram compreender os curtas-metragens nos dois roteiros apresentados, mesmo sentindo certa dificuldade em identificar elementos relacionados ao tempo, ao lugar e a caracterização dos personagens no roteiro de um dos curta-metragem. A pesquisa está em andamento, e ainda serão realizadas recepções com outro grupo de cinco participantes, em que inverteremos os roteiros apresentados para o primeiro grupo. Esperamos ter resultados mais conclusivos ao final de nossa pesquisa exploratória e pretendemos apresentar parâmetros de audiodescrição baseados em estudos acadêmicos que possam ser utilizados nos meios audiovisuais brasileiros para, assim, prover a acessibilidade prevista em lei.

A ATUAÇÃO DE INTÉRPRETES DE LIBRAS/PORTUGUÊS EM CONTEXTOS MÉDICOS

Ringo Bez de JESUS (UFSC)

ringobez@hotmail.com

Profa. Dra. Audrei GESSER (UFSC)

audrei.gesser@gmail.com

Palavras-chave: Intérprete de Libras/Português; intérpretes médicos; intérpretes em contextos da saúde.

Este resumo é um recorte de uma pesquisa em andamento, de abordagem qualitativa do tipo exploratória, que busca analisar a interpretação em contextos da saúde, com foco na interpretação médica. Os estudos voltados para interpretação médica são minimamente investigados no Brasil, e estes serviços, quando ofertados, têm se mostrado muito despreparados para receber os estrangeiros e atender a comunidade brasileira não falante da língua portuguesa (Queiroz, 2011). Todavia, tais discussões estão mais avançadas se comparadas com os serviços que demandam a interpretação para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). O foco atribuído a este objeto de estudo é instigado pela necessidade de se pensar como as comunidades linguísticas minoritárias que não falam a língua oficial do seu país são assistidas em contextos da saúde, via mediação do intérprete de Libras. Sabe-se que no Brasil o português não é a única língua falada em nosso território, e que tantas outras línguas (como é o caso das línguas indígenas e da língua de sinais) acabam sendo invisibilizadas no dia-a-dia mesmo asseguradas por políticas públicas de acesso à saúde e a promoção de serviços públicos essenciais para população num contexto geral. Então, como se efetiva a interpretação para surdos no contexto médico? Considerando-se que a Libras foi reconhecida, via decreto 5626, entendemos que é direito do cidadão brasileiro surdo acessar a saúde integralmente, mas para tanto, as políticas públicas devem assegurar esse direito via atendimento mediado por um profissional intérprete. Diante deste cenário que, por um lado conta com uma política em fase de implementação, cujas instituições da saúde ainda não contam com profissionais intérpretes contratados e/ou concursados; há por outro, uma evidente lacuna na formação destes profissionais para atuar neste contexto especial da saúde. Diante desta problemática, pretendemos neste estudo responder as seguintes perguntas: Quais as políticas atuais voltadas ao intérprete de Libras/Português? Como elas estão sendo asseguradas na prática? Como se dá a formação deste profissional para atuar em contextos da saúde? Quais os desafios do intérprete neste cenário? Como se dá a interação médico-paciente-intérprete? Os dados neste trabalho estão sendo gerados através de questionários semi-estruturados, gravações em áudio e vídeo, e a partir de diários retrospectivos. Portanto, envolve a participação de surdos pacientes, intérpretes, agentes da saúde e minhas próprias vivências com este tipo de interpretação. Assim, entendemos que poderemos dar voz aos partícipes e compreender melhor os diferentes pontos de vista do que ocorre no contexto médico.

APROVEITE A TRADUÇÃO, MAS CONFIE NA PRÓXIMA: REFLEXÕES ACERCA DE TRADUÇÕES DA ODE I.11 DE HORÁCIO

Rodolfo CARAVANA (UFF)

rcaravana@gmail.com

Prof. Dr. Franklin ALVES (UFF)

franklin.alves@hotmail.com

Palavras-chave: Horácio; teoria da tradução; latim.

Horácio foi um poeta e filósofo romano da época de Augusto cujas obras são conhecidas e influentes até os dias de hoje. De suas “Odes” (Carminas), vem uma expressão latina muito usada: Carpe Diem. Graças à sua notoriedade, esse poema teve inúmeras traduções, em inúmeras línguas, ao longo dos séculos. Essa ode latina apresenta alguns desafios ao leitor de língua portuguesa. Em primeiro lugar, embora ele possa inferir algumas palavras (e aí também há uma temeridade), não é uma língua comumente entendida e estudada. Em segundo lugar, é uma língua morta, ou seja, não há falantes nativos os quais se possa recorrer com dúvidas. Em terceiro lugar, o poema foi escrito há dois milênios, por uma sociedade que não mais existe; o que por si só já representa uma dificuldade de entendimento. Como ultrapassar, então, essas características e trazer o poema ao leitor contemporâneo de língua portuguesa? Como traduzi-lo? O que tentamos é analisar algumas de suas traduções, para o português, à luz de alguns conceitos da tradução, utilizando autores tão variados quanto Walter Benjamin, Jorge Luis Borges, Friedrich Schleiermacher e o Movimento Concretista dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Não pretendemos esgotar aqui nem as traduções, nem os conceitos, nem o assunto, mas fazer apenas um rápido exercício reflexivo. Há diversas interpretações sobre o que é ou não tradução, o que faz que a teoria da tradução seja um campo tão interessante e profícuo para as ciências humanas. Todas as traduções do poema reunidas no trabalho falam da mesma coisa e, em maior ou menor grau, remetem às suas raízes latinas, ao sentido, à literalidade, ao poético. Todas são traduções tão “corretas” ou “boas” quanto às outras. Aproveite uma tradução, mas também confie na próxima.

TRADUÇÃO E EROTISMO: A (R)EVOLUÇÃO DAS TRADUÇÕES DE LA PHILOSOPHIE DANS LE BOUDOIR NO BRASIL

Rodrigo D’AVILA BRAGA SILVA (UnB)

rodrigodavilabraga@gmail.com

Profa. Dra. Germana Henriques PEREIRA (UnB)

germanahp@gmail.com

Palavras-Chave: Sade; censura; retradução; reescrita.

Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814), o Marquês de Sade, foi um escritor à frente de seu tempo, tecendo críticas sociopolíticas à sociedade francesa moralista dos séculos XVIII e XIX por meio de metáforas e personagens que representassem esses estratos da aristocracia francesa e suas perversões. Devemos lembrar que, antes de eróticos, seus textos têm uma carga filosófica muito grande plasmada através de conceitos-chave, como o termo “libertino”, que, mesmo impregnado de uma carga sexual evidente, faz expressa referência às crises morais, políticas e sociais no período da Revolução Francesa e da consequente queda do poder religioso na França. Em La philosophie dans le boudoir (1795), a terceira obra publicada, Sade questiona esses valores morais da sociedade tradicional, estabelecendo uma terceira via filosófica, a libertina. Assim, por meio do uso de metáforas e variações dos níveis de linguagem, Sade brinca com esses arquétipos e valores religiosos e racionalistas da França pós-Revolução; o Bourdoir ou Alcova (forma já cristalizada entre as traduções brasileiras e portuguesas), representa exatamente esse ambiente intermediário que, ao mesmo tempo, separa e une o amor/sexo e a conversa/articulação. Como parâmetro de análise para esse trabalho serão utilizadas duas traduções da obra mencionada, uma publicada nos anos 1980 pela editora Gama, e a outra publicada em 2008 pele editora Iluminuras. Nessas traduções pode-se ver que, durante os anos, as traduções de La philosophie dans le boudoir no Brasil passaram for vários filtros e transformações. No caso a edição da Gama perdeu seu conteúdo filosófico e político, principalmente quando foi retirado do texto traduzido as cerca de 20 páginas relativas à defesa do aborto feita pela Madame, restando apenas a carga erótica da obra, embora tenha também sido mascarado devido a conjuntura político-social do início do decênio de 1980. Já no caso da nova tradução da editora Iluminuras, o texto recupera suas características fundamentais, por ter sido traduzido por um especialista na obra de Sade. De fato, essa tradução de 2008 é anotada e tem o cuidado de não apagar as passagens digamos mais polêmicas. O objetivo é mostrar o diferente tratamento dado ao texto em cada uma das traduções, por meio do cotejo das passagens retiradas ou alteradas. Faremos ainda uma análise crítica de ambas as traduções, sem esquecer uma análise cuidadosa dos paratextos com o propósito de verificar a relação ideológica entre esses textos de acompanhamento e o texto traduzido.

O QUE CARACTERIZA O INTRADUZÍVEL NA RELAÇÃO ENTRE A LÍNGUA RUSSA E OUTRAS LÍNGUAS

Rodrigo GARCIA GARAY (UFRGS)

rodrighegg2002@yahoo.com.br

Prof. Dra. Ana ZANDWAIS (UFRGS)

zand@ufrgs.br

Palavras-Chave: tradução; dialogismo; ativo-responsivo; subjetivo.

O objetivo deste trabalho é demonstrar o quanto o ato de traduzir é um fenômeno da consciência, produtivo e complexo: é um problema tanto objetivo quanto subjetivo, dadas as suas diferentes etapas constitutivas. O ato de traduzir não é apenas a mera transformação de signos de uma língua para outra, é dialógico e subjetivo em sua natureza. A translação objetiva, perfeita de um signo por outro, de uma língua para outra é apenas aparente. O nosso estudo da poética de Alexander Pushkin (1799-1837) – um recorte do poema Eco (1831) e um recorte de um diálogo do conto A Dama de Espadas (1834) – ambos apresentados em russo, em nosso trabalho – em conjunto com nossa tradução destes para os idiomas português e inglês – reflete o quanto esta aparente simplicidade é superficial: existe entre os textos russo, português e inglês, algo de intraduzível. Na nossa análise dos textos, houve um momento objetivo de partida (a língua russa), e dois momentos objetivos de chegada (os textos vertidos prontos em duas línguas diferentes). Contudo, entre o início do processo e os textos traduzidos, finalizados, o tradutor reconhece as inúmeras dificuldades representadas pelo sistema linguístico cultural das três línguas: nem sequer os textos originais russos são finais e acabados como um produto concreto em sua língua original, pois a língua está em constante processo de evolução. Enquanto formas de dizer cultural, os textos contêm algo que lhes subjaz, um mundo cultural-ideológico: o problema do traduzir é subjetivo, e como tal, filosófico-teórico. Conforme demonstraremos com as citações das obras Marxismo e Filosofia da Linguagem, de Valentin Voloshinov/Mikhail Bakhtin (1986) e o Outro no (In)Traduzível, de Miriam Rose Brum de Paula (2008), o ato de traduzir é uma forma dialógica de compreensão: é ativa-responsiva, e como tal, dotada de múltiplas possibilidades de sentido. Abordamos o problema das múltiplas escolhas enfrentado pelo tradutor, o fenômeno da polissemia inerente aos signos, as barreiras culturais, ideológicas e formais: os acentos apreciativos típicos do registro popular (e formal) e a Rússia pushkiniana não podem ser facilmente transmutados de seu solo cultural original para outro solos. Como demonstra nosso estudo, tampouco podem ser reproduzidos à perfeição o ritmo, o tempo, o tom de cada texto, de cada linha dos textos de Pushkin. Tais aspectos não encontram reflexo perfeito e acabado exceto em si mesmos. Isto é, muda-se a forma, muda-se o sentido: emerge o intraduzível.

ANÁLISE DA AUDIODESCRIÇÃO DO FILME HOTEL TRANSILVÂNIA: PARÂMETROS E PROPOSTAS PARA A AUDIODESCRIÇÃO DO FILME INFANTO JUVENIL

Sofia Ferreira Alves FIORE (UnB)

sofiaa.fiore@gmail.com

Prof. Charles Rocha TEIXEIRA(UnB)

charlesrt2006@gmail.com

Palavras-chave: audiodescrição; acessibilidade; filme infanto juvenil.

A audiodescrição é recurso de acessibilidade que auxilia na inclusão de pessoas com deficiência visual aos mais diversos meios de comunicação, como também ao teatro, a mostras de artes visuais, etc. Porém, essa prática não é simples. Como explica Araújo (2010, 97), “a AD vai muito além da descrição de informações percebidas pela visão. Questões técnica, linguísticas e fílmicas precisam ser observadas para que se possa levar a cabo a tarefa”. Este trabalho pretende apresentar parte de pesquisa desenvolvida sob orientação do Prof. Charles Rocha Teixeira voltada à audiodescrição de filmes infantojuvenis. O corpus escolhido para análise foi o longa metragem Hotel Transilvânia (2012) filme disponibilizado comercialmente com a opção de audiodescrição. Para se efetuar a análise, partimos, primeiramente, do estudo da bibliografia sobre a cognição e aprendizado das crianças cega, como Vigotsky (1934/1996), quando este afirma que as potencialidades de desenvolvimento de crianças videntes e cegas é a mesma, com diferenças apenas no modo de aquisição de conhecimento e desenvolvimento de habilidades.Outra questão é a da formação de conceitos em crianças cegas. Batista (2005, p.08) defende que conceitos são apreendidos empiricamente e, assim, “adquiridos, refinados, rejeitados, ou mantidos com base na experiência. Um elemento norteador para nossa análise foi o guia americano RNIB Sunshine HouseSchool Audiodescription for childrenguidelines que estabelece parâmetros para audiodescrição de filmes infantis, que sugere que a linguagem deve ser simples e acessível, não deve haver sobreposição de sons e músicas, importantes para o universo de tal gênero. Percebemos, com nossa análise, que o filme atende às recomendações em diversos aspectos, porém, utiliza de linguagem rebuscada e tem narração muito rápida. Esperamos com este trabalho poder contribuir para que a audiodescrição de filmes para o público infantil com deficiência visual seja aprimorada para que os usuários possam usufruir desse meio também como forma de aprendizado da mesma forma que crianças sem esse tipo de deficiência.

CAETANO TRADUZ SAMPA: REFLEXÕES SOBRE CONCEITOS E TEORIAS DA TRADUÇÃO

Sueli Fontes de ARAÚJO (UFBA)

sufontes2005@hotmail.com

Prof. Dr. Jorge Hernán YERRO (UFBA)

heryerro@gmail.com

Palavras-chave: Estudos da Tradução; tradução intersemiótica; Caetano Veloso.

Traduzir é, antes de tudo, uma forma de exteriorizar uma leitura. Independente de se tratar de uma tradução interlingual, intralingual ou intersemiótica – como distinguiria Jakobson – toda tradução, por ser leitura, é subjetiva e está relacionada com as experiências e visão de mundo do leitor. Partindo destas considerações analisei a letra da música Sampa, do cantor e compositor Caetano Veloso, que integra o álbum Muito (Dentro da estrela azulada), lançado no mercado fonográfico brasileiro no ano de 1978, e a maneira como ela, acredito, de forma não intencional pode ser utilizada para aclarar ou exemplificar conceitos e teorias da tradução. Não tenho com este trabalho a intenção de realizar um dos tipos citados de tradução, nem fazer uma análise crítica do texto, ou ainda de inferir quais seriam as suas possíveis interpretações. Proponho através da busca da analogia de seus trechos, explicar a atuação de Caetano como “tradutor”, bem como o modo com que as suas eleições e tendências tradutórias deram como resultado o texto de chegada Sampa. Tomei como base para a análise as discussões sobre domesticação, estrangeirização, fidelidade, traduzibilidade, adaptação, criação de estereótipos e tradução como processo e não como produto. Também realizei uma análise das diversas interferências que podem ter influenciado o processo tradutório, bem como as suas implicações. Para tanto, me apoiei nos estudos de teóricos como Jakobson, Lefevere, Venuti, Eco, Arrojo, Plaza, Paz, Quevedo. Ainda que não tivesse como finalidade nos oferecer um material para o estudo das teorias e processos da tradução, Caetano Veloso nos brinda um interessante material de análise dos passos e fases que integram um processo prático de tradução. Nos mostra assim o resultado da sua tradução, que nada mais é que a tradução das imagens e impressões – atuando aqui como texto de partida – resultante principalmente da sua primeira leitura da “dura poesia concreta das esquinas” da cidade de São Paulo.

COMBINATÓRIAS LÉXICAS ESPECIALIZADAS: PARÂMETROS PARA A IDENTIFICAÇÃO DE EQUIVALENTES EM LÍNGUA ESPANHOLA

Tainara Belusso da SILVA (UFRGS)

belusso.t@gmail.com

Profa. Dra. Cleci Regina BEVILACQUA

cleci.bevilacqua@gmail.com

Palavras-chave: Combinatórias Léxicas Especializadas; linguagem legal; linguística de corpus; língua espanhola.

O grupo Termisul atualmente desenvolve o projeto Combinatórias Léxicas Especializadas (CLEs) da linguagem legal (ProjeCOM), que objetiva criar uma base multilíngue – português, alemão, espanhol, francês, inglês e italiano – on-line dessas combinatórias. No âmbito do projeto, entendemos as CLEs como unidades sintagmáticas recorrentes nas situações de comunicação de áreas temáticas que revelam preferência marcante por especificidades e por convenções próprias do idioma, da área e/ou do gênero textual em que ocorrem. (Ex: para fins do disposto nesta lei, conforme o artigo, preservar a qualidade ambiental). O presente trabalho trata de questões relativas à identificação dos equivalentes em língua espanhola para as CLEs identificadas em língua portuguesa. Nosso referencial teórico baseia-se na Teoria Comunicativa da Terminologia (Cabré, 1999 2001), nas propostas de fraseologia especialidade de L’Homme (2000, 2007) e Bevilacqua (1996 e 2004) e nos pressupostos da Linguística de Corpus (Berber Sardinha, 2004). As CLEs que analisamos são utilizadas em textos legislativos (leis, decretos, resoluções, ordenanzas) e caracterizam-se como prototipicamente jurídicas, por terem uma função pragmática específica e ocorrerem em um lugar determinado da macroestrutura destes textos. Por exemplo: Comuníquese, publíquese, etc., que indica a vigência do texto e aparece sempre como o último artigo do texto legislativo, e de acuerdo con la Ley que indica a intertextualidade entre textos legislativos e ocorre no corpo do articulado. Apresentamos a metodologia, destacando as etapas de busca seguidas. Em um primeiro momento, utilizamos o corpus em língua espanhola do projeto que foi processado pela ferramenta AntConc. Dessa ferramenta, usamos o gerador de cluster – lista possíveis combinatórias a partir de uma palavra-chave – e de concordâncias – mostra contextos da palavra-chave buscada. Em um segundo momento, quando não encontramos o equivalente no corpus do projeto, procedemos a busca em fontes confiáveis na Internet, fazendo uso da ferramenta WebCorp, na qual é possível aplicar filtros para refinamento das buscas (país, área de conhecimento). Discutimos ainda os diferentes graus de complexidade na identificação dos equivalentes entre as línguas em questão. Sobre este aspecto, é possível constatar que para algumas CLEs é necessário aplicar um conjunto maior de procedimentos de busca, enquanto que para outras, a análise contrastiva entre a macroestrutura dos textos em português e em espanhol é praticamente suficiente para sua identificação. A partir dos resultados obtidos, podemos destacar a importância da descrição da macroestrutura para o reconhecimento das CLEs, da identificação de sua função no texto e da aplicação de filtros específicos para sua busca na Internet.

A PROBLEMÁTICA DA TRADUÇÃO DA VOZ FEMININA EM A CHAVE, DE TANIZAKI

Thais D. BRESOLIN (UFRGS)

thadiehl@gmail.com

Prof. Ms. Andrei S. CUNHA (UFRGS)

andreicunha@gmail.com

Palavras-chave: voz feminina; tradução e gender; literatura japonesa.

Neste trabalho, comparamos a edição brasileira de A Chave (2000), traduzida do japonês por Jefferson José Teixeira, com o texto de partida, de autoria de Jun’ichirôTanizaki (Kagi[鍵], 1956), a fim de observar as diferenças nas marcas de gênero da personagem feminina, Ikuko. Em japonês, é possível diferenciar os gêneros semanticamente, pelo uso de linguagem específica, e visualmente, pelo uso de silabários distintos. Ao traduzir para o português, estas características são perdidas, porém não totalmente. Segundo MoriyukiItoh (2002), as escritoras da corte japonesa do período clássico criaram um silabário simplificado para facilitar a escrita e leitura dos textos. Com isso, deu-se origem às hiragana, um silabário também conhecido como “mão de mulher”. Tanizaki utiliza hiragana de traços elegantes para exaltar a feminilidade e a katakana, silabário de linhas mais retas, para a voz do homem. A história intercala entradas do diário do marido e da esposa. A diferença de autoria entre as entradas não é percebida imediatamente em português, mas, no original, o casal é facilmente distinguido por causa dos diferentes silabários. Para GwennPetersen (1979), além da ambiguidade poética, que por si só já é um grande desafio para o tradutor, Tanizaki utiliza dialetos para delinear e caracterizar a elegância e sofisticação do padrão que considera ideal de mulher em suas personagens femininas. Para teorizar sobre a questão da identificação de gênero na escrita, utilizaremos as teorias de Judith Butler (1990) sobre gênero como performance. E, para teorizar sobre a questão de traduzir uma mulher como mulher, utilizamos a teoria da leitora feminina real de Teresa de Lauretis (1994). Acreditamos que é possível encontrar soluções tradutórias que sejam fiéis à ideia de “essência feminina” construída pelo escritor. Questionamos ainda a invisibilidade do tradutor, segundo o conceito de Lawrence Venuti (1995). Por fim, buscamos propor uma tradução que faça transparecer a noção de feminilidade criada por Tanizaki.

TRADUZINDO IDEIAS: UMA ABORDAGEM DISCURSIVA NA TRADUÇÃO

Thayson Bruno ALVES DE LIMA (UEPA)

tbrunolima@yahoo.com

Profa. Jessiléia GUIMARÃES EIRÓ (UEPA)

jjeiro@gmail.com

Palavras-chave: tradução; discurso; abordagem discursiva.

A prática tradutória tem sido alvo de diversas perspectivas teóricas quanto ao modo mais proveitoso de se analisar e trabalhar o material textual a ser traduzido. Não são raros os momentos em que a prática do tradutor vem a esbarrar com questões de importante atenção e que, por vezes, chegam a revelar verdadeiros dilemas de árdua solução, como são os casos referentes às distinções linguístico-estruturais observadas entre a língua-fonte e a língua-alvo relacionadas no processo. Uma alternativa para essa questão estaria na adoção de uma prática tradutória pautada não somente nos limites do texto como estrutura linguística de uma língua ou outra, mas na necessidade de compreensão do texto como verdadeiro enunciado e, assim sendo, como unidade essencialmente discursiva. Dito de outra forma, faz-se indispensável a noção de uma tradução também do discurso – aparato linguístico-semântico e sócio-ideológico sob o qual o texto veio a ser escrito e ao qual acabará , naturalmente, por remeter. Embasado nos ensaios de Adail Sobral (2008) acerca da tradução, este estudo pretende corroborar a pertinência em se realizar uma abordagem prioritariamente discursiva no campo da tradução, reconhecendo o imprescindível papel de influência apresentado pelo discurso em meio às variadas maneiras de produção e interação entre as línguas; objetivando – no caso de uma prática do tipo aqui sugerida – construir uma tradução capaz de alcançar e evidenciar, sobretudo, a intencionalidade discursiva segundo a qual o texto-fonte veio a ser criado. Deste modo, a análise, reflexão e assimilação do material teórico que demonstra essa configuração de abordagem tradutória, bem como seu contraste com fontes especializadas quanto ao campo da Análise do Discurso, têm caminhado de maneira a propiciar o avanço e a justificação que tornam indispensável a superação da ideia corrente que circunscreve a ação do tradutor ao mero exame de signos.

ANÁLISE TEXTUAL DE CITAÇÕES DIRETAS LONGAS EM ARTIGOS CIENTÍFICOS ESCRITOS EM PORTUGUÊS: UMA PROPOSTA DE TRADUÇÃO PARA A LIBRAS

Venícios Cassiano LINDEN (UFSC)

venicios.linden@gmail.com

Prof. Dra. Audrei GESSER (UFSC)

audrei.gesser@cce.ufsc.br

Palavras-chave: língua brasileira de sinais; tradução/interpretação; gênero textual acadêmico.

Neste trabalho abordaremos alguns excertos de citações diretas longas com o intuito de descrever as marcas e nuances linguístico-textuais inerentes a este tipo de texto escrito em língua portuguesa para se pensar alguns caminhos de tradução para a língua brasileira de sinais (libras). A motivação para este recorte se deu por uma grande demanda de textos – presentes no âmbito acadêmico em que atuamos – que necessitam de tradução do português escrito para a oralidade da libras, sendo a citação direta longa um dos aspectos textuais que mais tem desafiado os profissionais intérpretes/tradutores no ato tradutório por não existirem sugestões prévias ou quaisquer normas para este formato científico em línguas sinalizadas. A partir de uma perspectiva Bakhtiniana, entendemos que a língua opera em diversos campos da atividade humana em termos de enunciados concretos (orais ou escritos), sendo que estes enunciados marcam as condições e finalidades não somente pelo seu conteúdo ou estilo de linguagem (recursos lexicais, gramaticais, fraseológicos), mas crucialmente por sua organização textual (BAKHTIN, 1992). Para os propósitos deste estudo, realizamos coleta de amostras textuais presentes em artigos científicos variados em que as citações diretas longas foram segmentadas e comparadas com base nos parâmetros (1) natureza da informação do gênero, (2) nível de linguagem, (3) tipo de situação, (4) relação entre os participantes, e (5) natureza dos objetivos – pontos de partida para compreender as convenções recorrentes materializadas nos textos observados. Os resultados da análise indicam que o fato de estarmos lidando com uma língua de sinais, cuja escrita (signwriting) ainda está em processo de padronização e com pouca tradição de uso nas instituições de ensino, há uma necessidade emergente em se produzir materiais na oralidade da libras (via traduções filmadas), pois as dificuldades colocadas aos profissionais tradutores/intérpretes extrapolam as questões puramente linguísticas entre as línguas envolvidas, dado que outras escolhas e tomadas de decisões visuais e estilísticas quanto às convenções textuais para a apresentação de citações diretas no corpo do texto-vídeo devem ser pensadas. Assim, os surdos podem ter acesso, em sua própria língua, aos materiais científicos traduzidos com o teor, formalidade e nível de excelência exigidos na academia.

O CONCEITO DE FOLCLORE PARA A FORMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE NACIONAL: PARALELOS TRAÇADOS ENTRE O TEXTO USO E ABUSO DO FOLK-LORE E ALGUMAS CORRESPONDÊNCIAS TROCADAS ENTRE CÂMARA CASCUDO E MÁRIO DE ANDRADE

Walessa Luzia Machado dos REIS (UFPA)

walessareis@hotmail.com

Profa. Dra. Sylvia Maria TRUSEN (UFPA)

sylviatrusen@me.com

Palavras-chave: arquivo; folclore; regionalismo; nacionalismo.

O presente trabalho é um recorte do projeto de pesquisa “Tradução, memória e arquivo: um estudo da participação de Mario de Andrade no A Folha do Norte e de sua correspondência com Câmara Cascudo”, coordenado pela professora Dra. Sylvia Maria Trusen. Este recorte consiste em uma das etapas da pesquisa: a leitura dos textos do Câmara Cascudo presentes no Suplemento Arte e Literatura do Jornal A Folha do Norte. O encarte dominical circulou no Pará entre 1946 e 1951 e está nos arquivos da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, o Centur. A busca desse material foi feita a partir do levantamento feito por Mariniuci Coelho em sua tese de doutorado Memórias Literárias de Belém do Pará: o grupo dos novos (1946-1952). O trabalho busca levantar e refletir a respeito da noção de folclore defendida por Câmara Cascudo no texto Uso e Abuso do Folk-Lore, presente no Suplemento Arte e Literatura e traçar paralelos com algumas corresponências trocadas entre Câmara Cascudo e Mário de Andrade. O primeiro texto apresenta uma crítica à maneira generalizada como está sendo empregado o termo folclore. Diferencia este conceito frente ao conceito de popular e apresenta uma postura em relação ao nacionalismo, que a leitura da correspondência nos remete a uma possível influência de Mário de Andrade excercida sobre Câmara Cascudo. Uma vez que o poeta paulista criticou o folclorista potiguar, por sua postura regionalista, salientando a importância da criação de uma identidade nacional. A leitura da correspondência, junto a leitura do texto Uso e Abuso do Folk-Lore são de uma riqueza singular. O conceito de folclore, sua relação com o popular, o conceito de regionalismo e nacionalismo. Além de mostrar o grande interesses de Mário de Andrade em conhecer o Brasil, afim de se sentir genuinamente Brasileiro, sem se pensar paulista, como afirma em sua correspondência com Câmara Cascudo.

COMPREENDER PARA RECRIAR: O PROCESSO CRIATIVO DE TRADUÇÃO EM UM RELATO PESSOAL

Yasmin Cobaiachi UTIDA (Universidade de São Paulo)

yasmin_utida@hotmail.com

Tinka REICHMANN (USP)

reichmann@usp.br

Palavras-chave: estratégia de tradução; compreensão textual; criatividade; relato pessoal.

A presente pesquisa visa estudar o fenômeno da criatividade no processo tradutório. Parte-se do conceito de criatividade “consciente” que pode ser descrita, aprendida e aplicada na tradução. Busca-se verificar, num exemplo concreto, como o processo cognitivo de compreensão e o processo criativo de tradução se relacionam, a partir da hipótese que, à medida que o tradutor desenvolve meios de interpretar criteriosamente o texto original – inclusive suas marcas culturais – as possibilidades de tradução na língua de chegada podem ser ampliadas. Os pressupostos teóricos que sustentam o trabalho organizam-se em torno do conceito de criatividade “consciente”, desenvolvido pelos estudos de linguística cognitiva e sua relação com a tradutologia, de Kußmaul (2000) e Forstner (2005). Para investigar melhor o desenvolvimento do processo criativo, recorreu-se à teoria do pensamento lateral apresentada por de Bono (1999). A compreensão textual e a interpretação de marcadores culturais como condição para criar uma gama de opções de tradução foi fundamentada pela relação entre tradução e cultura de Koller (2004). Por fim, a análise das opções de tradução e justificativa das escolhas realizadas na versão final, pautou-se na formação de redes associativas na semântica lexical, estudada por Ulrich (2010). O corpus do presente trabalho é um dos relatos pessoais contido no livro Die Weiße Rose (SCHOLL:1955). A versão final da tradução do relato, bem como dos demais textos da obra será publicada no livro A Rosa Branca em agosto de 2013, pela Editora 34. Para a realização das traduções, foram organizadas oficinas com seis graduandos dos cursos de Letras e Filosofia, sob coordenação das Profas. Dras. Tinka Reichmann e Juliana P. Perez. A pesquisa seguiu as seguintes etapas: contextualização histórica, interpretação textual, criação de gamas de alternativas de tradução e avaliação das opções – segundo as referências bibliográficas. Com base nos resultados obtidos na análise da tradução, afirma-se que a criatividade na tradução é necessária para que o leitor brasileiro – sem possuir as mesmas referências históricas e associativas do alemão – perceba a dimensão da subjetividade do autor. A criatividade “consciente” seria, portanto, o resultado da interpretação aprofundada do texto de partida, da criação de uma gama de opções de tradução (mesmo aquelas que infringem expectativas ou normas) e a ponderação e decisão entre as diferentes opções. Assim, a compreensão do texto é essencial na percepção das peculiaridades entre a cultura de partida e chegada, superando a concepção da criatividade como processo meramente intuitivo.

One thought on “Resumos aprovados para apresentação de pôsteres

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