Simpósio: O Caráter Dinâmico e Transdisciplinar das Pesquisas em TILS

Coordenadores: Ronice Müller de Quadros (UFSC) e Rossana Finau (UTFPR)

Haverá intérpretes de LIBRAS - fundo preto

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As pesquisas na área de Tradução e Interpretação de Língua de Sinais (TILS) iniciaram na área da Educação e, atualmente, fazem parte dos Estudos da Tradução, enfatizando principalmente os processos interlinguísticos e intersemióticos nas modalidades visual-espacial e oral-auditiva de linguagem. Ou seja, as pesquisas em TILS estabelecem, por sua origem e natureza, diálogos transdisciplinares, pois acontecem em interface com a Linguística, a Antropologia, a Neurologia, a Sociologia, por exemplo. Assim, a proposta deste GT é a de que diferentes agentes das investigações em TILS tenham um espaço de inserção acadêmica para indagações inovadoras nessa área, de modo a contribuírem com os Estudos da Tradução. Dessa maneira, o simpósio está aberto a propostas que investiguem a atuação de tradutores intérpretes, processos tradutórios, formação de glossários, análises comparativas de aspectos textuais e discursivos entre LF e LM, entre outros.

Local: Auditório da Biblioteca Universitária

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00-11:30 Tradução e interpretação de um poesia de libras para o português
Markus J. Weininger (PGET/UFSC)
Aline Miguel da Silva (PGET/UFSC)
Fernanda de Araújo Machado (PGET/UFSC)
O papel do intérprete nas performances de poesia em línguas de sinais
Rachel Sutton-Spence
Fernanda de Araújo Machado
Ronice Müller de Quadros
As estratégias na adaptação de textos literários na ação de traduzir e interpretar para a língua de sinais: análise teórica da tradução/ interpretação/ adaptação da fábula chapeuzinho vermelho para a língua de sinais brasileira
Sônia Marta de Oliveira (PUCMG)
Clarissa Fernandes (IFEMG)
Fernanda Soares (UNIPAC)
Rosely Lucas de Oliveira (UFOP)
Simetria na Poética Visual na Língua de Sinais Brasileira
Fernanda de Araujo Machado (PGET/UFSC)
Os entrelaçamentos teóricos das pesquisas em interpretação de língua de sinais
Silvana Aguiar dos Santos (PGET/UFSC)
A Tomada de Posição dos Intérpretes de Língua de Sinais e suas Implicações Interacionais e Discursivas
Maria Cristina Pires Pereira (UFSM)
A participação dos alunos surdos na interação em sala de aula intermediada por Intérpretes de Língua de Sinais
Aline Miguel da Silva (UFSC)
O impacto da ocorrência de palavras “complexas” durante o processo tradutório envolvendo português e libras
Jorge Bidarra (UNIOESTE)
Tânia Martins (UNIOESTE)
Keli A. Vidarenko da Rosa (UNIOESTE)
13:30-15:00 Intérprete surdo de língua de sinais brasileira: o novo campo de tradução / interpretação cultural e seu desafio
Ana Regina Campello (UFRJ)
A constituição da identidade profissional do Tradutor Intérprete de Língua de Sinais (TILS): dilemas e desafios evidenciados a partir (não)lugar ocupado por este profissional no contexto educacional inclusivo.
Keli Maria de Souza Costa Silva (UFU)
Estratégias de tradução para libras do vestibular ufsc/2013
Aline Nunes de Sousa (UFSC)
Janine Soares de Oliveira – UFSC
Roberto Dutra Vargas (UFSC)
Proposta de instrumento avaliativo para docentes ouvintes bilíngues Português/Libras na educação de surdos
Vinicius Martins Flores
Ingrid Finger (UFRGS)
15:30-17:00 Produções em Língua Brasileira de Sinais por aprendizes ouvintes, iniciantes e fluentes: um olhar atento para os parâmetros fonológicos
Luiz Antonio Zancanaro Junior (UFSC)
O uso da datilologia no processo de interpretação
Ana Regina Campello¹ e Rosane Lucas de Oliveira (UFSC)
Entre línguas e modalidades: o processo de interpretação do Português para Libras
Carlos Henrique Rodrigues (UFJF)
Glossário bilíngue de termos de especialidade em língua de sinais brasileira: Uma importante ferramenta para o tradutor intérprete de língua de sinias
Patricia Tuxi (UnB)

RESUMOS

1) Os entrelaçamentos teóricos das pesquisas em interpretação de língua de sinais

Silvana Aguiar dos Santos (PGET/UFSC)

No Brasil, o caráter transdisciplinar de pesquisas em Tradução e Interpretação de Língua de Sinais (TILS) pode ser observado em dissertações produzidas de 1990 a 2010. Com base em Grbic (2007), Metzger (2010), Pereira (2010) e Vasconcellos (2010), esta pesquisa destacou nas dissertações aspectos importantes sobre a institucionalização dessa área no cenário acadêmico. Os períodos de análise foram divididos entre os anos de 1990 a 2000, 2001 a 2005, e 2006 a 2010. Um dos resultados indica que assuntos como corporeidade, performance do intérprete, marcas de gênero e testes de proficiência atravessam e ultrapassam o escopo do contexto educacional, conforme análises das dissertações de Pereira (2008), Nicoloso (2010) e Santana (2010). Por fim, esta pesquisa soma aos Estudos da Tradução elementos de análise à interrogação de Vasconcellos (2009, p.01) sobre a “historicização, sobre o que éramos ontem, o que somos hoje, o que nos une como área e o que nos separa em cada uma de nossas áreas”.

2) A Tomada de Posição dos Intérpretes de Língua de Sinais e suas Implicações Interacionais e Discursivas

Maria Cristina Pires Pereira (Universidade Federal de Santa Maria)

Este trabalho visa debater o atual conhecimento sobre a tomada de posição (stancetaking) do intérprete de língua de sinais durante o momento de interpretação interlíngue da língua brasileira de sinais (Libras) para a língua portuguesa brasileira (PB). Para tanto, esta análise concentra-se na utilização de estratégias de referenciação de pessoa e toma como suporte um viés interacional e discursivo, principalmente a teoria Semiolinguística de Charaudeau. São utilizadas filmagens de situações naturalísticas de interpretação interlíngue no contexto do ensino superior e, por meio deste estudo, é possível questionar várias concepções do senso comum que permeiam a área da interpretação, tais como: fidelidade, autoria e neutralidade.

3) O impacto da ocorrência de palavras “complexas” durante o processo tradutório envolvendo português e libras

Jorge Bidarra – UNIOESTE
Tânia Martins – UNIOESTE
Keli A. Vidarenko da Rosa – UNIOESTE

O ato de traduzir é um processo extremamente desafiador e complexo. Qualquer tradução requer do tradutor muito mais do que encontrar palavras na língua destino que tenham significados ou sentidos equivalentes aos da língua fonte. Durante o processo de tradução em que estão envolvidas duas línguas cujos signos e estruturas morfossintáticas são muito distintas entre si, como acontece entre uma língua oral-auditiva (Português) e visual-espacial (Libras), foco da nossa pesquisa, o trabalho do tradutor vai muito além da sua fluência e competência linguísticas, abrangendo condições de conhecimento de mundo ainda mais diverso e singular. Serão apresentados as etapas do desenvolvimento da pesquisa, incluindo a tradução dos textos para dois surdos falantes da Libras, com a intenção de verificar se houve ou não entendimento das palavras em estudo.

4) O uso da datilologia no processo de interpretação

Ana Regina Campello¹ e Rosane Lucas de Oliveira² (UFSC)

A datilologia é um dos recursos linguísticos e é mais usada para expressar nome de pessoas, localidades e outras palavras que não possuem um sinal específico. Mesmo já inserida na língua de sinais, é uma das tarefas mais difíceis de ser trabalhadas ou utilizadas por educadores, tanto ouvintes como surdos oralizados, e intérpretes de língua de sinais brasileira, que é o foco do nosso trabalho. A utilização deste recurso funciona como empréstimo linguístico é para esclarecer, denominar corretamente as palavras, cujas não possuem sinais. Esse recurso nos traz aspectos positivos e negativos. Pretendemos trazer reflexões acerca do por que do uso desse recurso diante o processo de interpretação. É benéfico ao receptor da mensagem? Seria uma desvalorização da língua de sinais em detrimento da língua portuguesa? O TILS está preparado para realizar a datilologia? E o receptor da mensagem, entende a soletração manual? Caso entenda, podemos denomina-lo bilíngue?

5) Entre línguas e modalidades: o processo de interpretação do Português para Libras

Carlos Henrique Rodrigues (UFJF)

Neste trabalho, tecemos reflexões sobre algumas características processuais relacionadas ao desempenho de intérpretes de sinais. Para tanto, usamos dados decorrentes de um estudo empírico-experimental que abordou o desempenho de dez intérpretes experientes de Libras-Português interpretando um texto oral do Português para a Libras. A Teoria da Relevância (Sperber & Wilson, 1986) e sua aplicação à tradução (Gutt, 1991; Alves, 1995) serviram de fundamentação teórica. Gravação em vídeo, protocolos verbais retrospectivos e entrevistas foram usados como ferramentas de coleta de dados. Para a transcrição dos dados e anotações usamos o ELAN (EUDICO Linguistic Annotator). Portanto, apresentaremos análises sobre como intérpretes de sinais, orientados pela busca de semelhança interpretativa, (i) manipulam informações codificadas conceitual e procedimentalmente, (ii) solucionam problemas de tradução e tomam decisões, (iii) lidam com a diferença de modalidade e (iv) monitoram a produção do texto alvo em relação ao recebimento do texto fonte, empregando estratégias de interpretação.

6) O papel do intérprete nas performances de poesia em línguas de sinais
Rachel Sutton-Spence
Fernanda de Araújo Machado
Ronice Müller de Quadros

Nossa apresentação envolve a tradução de poemas em língua de sinais entre diferentes línguas de sinais (língua de sinais britânica e língua brasileira de sinais) e entre línguas de sinais e línguas faladas. Entender o papel dos intérpretes nestes contextos promove a poesia nas línguas de sinais enquanto forma-arte que reafirma a identidade surda. Apesar de haver algumas pesquisas em tradução da literatura escrita com línguas de sinais (por exemplo, Novak, 2003) e em gêneros não poéticos de língua de sinais para língua escrita (por exemplo, Stone e West 2012), nós sabemos que quase não há não pesquisas sobre tradução de poesias em língua de sinais (veja Souza 2009 para um dos casos excepcionais de publicações nesta área). A poesia em língua de sinais é uma forma de linguagem artística de qualquer comunidade de surdos e evidenciando possibilidades da linguagem. É extremamente visual e construída de forma cuidadosa para maximizar o impacto nos sentidos. A questão da poesia poder ser traduzida considerando ‘o que é perdido na tradução’, para que a audiência não sinalizante possa acessar de alguma forma as performances da poesia em sinais não é trivial. Isso tem sido tema de amplo debate entre poetas e intérpretes.
Em nossa apresentação, nós iremos focar nos seguintes aspectos: (i) O que os poetas de línguas de sinais esperam de suas audiências quanto a apreciação das performances poéticas e o que eles querem que os intérpretes traduzam? (ii) O que a audiência ouvinte espera receber de uma performance de poesias sinalizadas e o que eles querem que os intérpretes traduzam? (iii) O que a audiência surda espera receber de uma performance de poesias sinalizadas e que informação extra eles precisam quando eles veem um poema em outra língua de sinais? A partir disso, nós apresentaremos como os intérpretes podem conjugar as expectativas dos poetas e das audiências, o u seja, o que transferir dos conteúdos dos poemas entre as línguas? E o que é possível, o que não é possível e quais são as prioridades?

7) Tradução e interpretação de um poesia de libras para o português

Markus J. Weininger (PGET/UFSC – markus@cce.ufsc.br), Aline Miguel da Silva (PGET/UFSC – alinemiguel87@gmail.com), Fernanda de Araújo Machado (PGET/UFSC – fernandamachado.eba.ufrj@gmail.com)

O presente trabalho apresenta uma análise das estratégias de tradução de uma poesia em libras, declamada ao vivo, uma vez para a interpretação ao português no momento da sua declamação e depois para a tradução ao português para fins de publicação. Com base em Weininger (2012) e Machado (2013), o texto original é analisado nos seus aspectos intra- e extratextuais formais, formais e de conteúdo para poder produzir o respectivo texto de chegada funcional para o público presente no evento interpretado (cf. Silva, 2012) e para leitores em português, sem acesso ao texto original. Nos dois momentos, estratégias bem distintas precisam ser aplicadas para poder alcançar um resultado que satisfaça os dois polos indicados por Toury (1994), adequação e aceitabilidade. Assim, é comprovado, mais uma vez, o pressuposto da teoria funcionalista de tradução (cf. Nord, 1997) que prioriza o texto de chegada, de acordo com os objetivos de cada situação de translação.

8) Glossário bilíngue de termos de especialidade em língua de sinais brasileira:
Uma importante ferramenta para o tradutor intérprete de língua de sinias

Patricia Tuxi (UnB)

O número crescente de alunos Surdos, usuários de Língua de Sinais Brasileira – LSB, em ambientes educacionais do ensino técnico e superior trouxe para o tradutor Intérprete de Língua de Sinais – TILS a necessidade urgente de um vocabulário de especialidade que até então não era utilizoda. Esta pesquisa nasce de um momento como esse que ocorreu no Instituto Federal de Brasília – IFB durante um processo de interpretação de uma aula inaugural onde ficou claro que um mesmo termo de uma determinada especialidade tinha vários sinais para representá-lo. Com base em uma metodologia qualitativa e a vertente da Socioterminologia um grupo de TILS e Surdos passam a buscar qual seria o sinal ideal e o conceito correto a ser elaborado. Ao termino de todo o processo fica claro que o glossário bilíngue que foi elaborado atingiu seu objetivo e foi um instrumento importante para a atuação dos TILS que hoje estão presentes no IFB e de forma fundamental, servirá, para a formação dos futuros intérpretes.

9) Intérprete surdo de língua de sinais brasileira: o novo campo de tradução / interpretação cultural e seu desafio

Ana Regina Campello (Universidade Federal do Rio de Janeiro) anaregina@letras.ufrj.br

Essa pesquisa trata da nova modalidade de tradução/interpretação de línguas de sinais com intérpretes Surdos, observando a norma surda (Stone, 2010). Recentemente surgiu esse novo campo de tradução no contexto educacional do ensino a distância: o da tradução e interpretação do ator/tradutor e finalmente e intérprete de uma língua de sinais para outra língua de sinais (Segala, 2010; Souza, 2010). Estas atividades de tradução e interpretação têm sido desempenhadas por Surdos bilíngues intermodais. Por representar um novo campo de estudo, este projeto estará analisando sua constituição. As traduções realizadas por Surdos no Curso de Letras Libras EAD e as interpretações realizadas por Surdos de uma língua de sinais internacional (língua de sinais americana – ASL – ou língua de sinais internacional – LSI) apresentam características específicas que diferenciam das traduções e interpretações realizadas pelos intérpretes de Libras. Isso começou a ser identificado na Inglaterra em contextos similares de tradução ou interpretação de língua de sinais (Stone, 2010). No Brasil, os intérpretes Surdos iniciaram estas atividades diante das necessidades que foram surgindo. No entanto, há poucas produções nestes campos de tradução e interpretação de línguas de sinais. Os trabalhos de Segala (2010) e Souza (2010) são os primeiros a analisar as formas de tradução que se apresentam no contexto específico do Curso de Letras Libras EAD, da UFSC, em que tradutores surdos atuam sistematicamente na tradução de todos os textos em que a língua fonte é a Língua Portuguesa e a língua alvo é a Língua de Sinais Brasileira (Libras). Percebe-se que há muitas coisas interessantes a serem analisadas e que podem contribuir efetivamente para a formação de tradutores e intérpretes de língua de sinais, tanto Surdos, quanto ouvintes. Os objetivos gerais da pesquisa são: identificar os registros existentes sobre a atuação de Intérpretes Surdos no Brasil; analisar o desempenho/performance e identificar os elementos linguísticos, culturais e sociais que caracterizam a norma Surda nas traduções e interpretações realizadas por Surdos. A justificativa é que a língua de sinais passou a ser reconhecida como língua nacional por meio da Lei 10.436 de 2002 regulamentada pelo Decreto 5.626 de 2005. Neste decreto consta explicitamente a função da tradução e interpretação de língua brasileira de sinais e a formação de profissionais nestas áreas. A UFSC, no Curso de Estudo de Tradução, na Pós-Graduação, pela primeira vez, conta com os cursos de formação destes profissionais e passa a produzir pesquisas que fomentam esta formação.

10) A participação dos alunos surdos na interação em sala de aula intermediada por Intérpretes de Língua de Sinais

Aline Miguel da Silva (UFSC)

A inserção de alunos surdos em classes regulares nos faz pensar em como tem sido a participação desses alunos nessas classes. Sendo assim o objetivo deste estudo é documentar de forma quantitativa e qualitativa as interações dos alunos surdos na sala de aula. Os dados foram obtidos por filmagens que focaram os intérpretes e os alunos surdos do grupo. Os vídeos de cada câmera foram editados e alinhados oportunizando a compreensão dos dados sonoros e visuais dos contextos. As aulas filmadas possuíam características diferentes sendo que a primeira constituía uma interação em grupos menores; a segunda uma aula baseada na apresentação de seminários, porém, extremamente dialógica; e a terceira uma aula na qual o professor detinha mais o turno de fala. Marcuschi (2006) contribuiu com conceitos gerais para a classificação dos dados do discurso de aula. Roy (2000) traz contribuições quanto ao papel do intérprete na interação através da negociação de tomada de turnos. No presente estudo observou-se que a integração dos alunos surdos no discurso de sala de aula depende não apenas dos intérpretes, mas também do estilo de aula dos professores e da atitude dos próprios alunos surdos.

11) A constituição da identidade profissional do Tradutor Intérprete de Língua de Sinais (TILS): dilemas e desafios evidenciados a partir (não)lugar ocupado por este profissional no contexto educacional inclusivo.

Keli Maria de Souza Costa Silva1
Universidade Federal de Uberlândia
Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado

O presente trabalho tem como foco investigar a constituição da identidade profissional do TILS educacional a partir da compreensão do lugar ocupado pelo mesmo na sala de aula mediando a comunicação entre professor ouvinte e aluno surdo. Além disso interessa-nos entender de que maneira a indeterminação desse lugar pode interferir na constituição dessa identidade. Não há dúvida quanto ao papel essencial que o TILS desempenha na mediação entre a Libras e a Língua Portuguesa. Contudo, a compreensão sobre as atribuições desse profissional e a natureza desse seu trabalho no contexto escolar está longe de ter alcançado consenso. Questões relacionadas às necessidades formativas desse sujeito, a dimensão pedagógica de sua formação, o caráter de neutralidade de seu trabalho são apenas alguns dos vários dilemas que envolvem a atuação do TILS nos espaços educacionais. Acreditamos que o lugar ocupado pelo TILS neste cenário é ainda um “não-lugar”2, pois, sua presença implica uma nova configuração da dinâmica de uma sala de aula comumente apresentada a partir da relação binária professor-aluno.

12) As estratégias na adaptação de textos literários na ação de traduzir e interpretar para a língua de sinais: análise teórica da tradução/interpretação/adaptação da fábula chapeuzinho vermelho para a língua de sinais brasileira

Sônia Marta de Oliveira (PUCMG)
Clarissa Fernandes (IFEMG)
Fernanda Soares (UNIPAC)
Rosely Lucas de Oliveira (UFOP)

A presente comunicação tem por objetivo apresentar uma análise teórica da adaptação de textos literários, em especifico da fábula Chapeuzinho Vermelho, da língua portuguesa para a língua de sinais. A análise é amparada pelos estudos da tradução com foco central no conceito de interpretante apresentado por Charles Sanders Peirce. O interpretante final é o resultado que a ação produz em qualquer mente. Essa adaptação visual e cultural contribui em outros aspectos na formação das crianças surdas que tiveram acesso à história. A valorização da língua de sinais e da cultura surda, dos recursos visuais é inserida no texto pelo tradutor surdo. O tradutor intérprete é capaz de interpretantes simples, provisórios e interpretantes que às vezes, não condizem com a ação. A ação contínua de interpretar o texto literário gera possibilidades linguísticas e culturais que não se esgotam. O olhar, a forma como o tradutor intérprete faz a adaptação literária é singular. O texto literário muda, sofre inferências e se torna outro texto, o ato de traduzir/interpretar é um processo criativo, que determina escolhas linguísticas e descobertas de outros significados. A tradução/interpretação requer uma proximidade com o texto literário, uma sensibilidade por parte do tradutor para que assim, ele tenha a noção de como o texto será construído, elaborado. Na adaptação da obra Chapeuzinho Vermelho, o olhar do tradutor interprete surdo foi fundamental para a elaboração de situações onde o jeito surdo de ver e perceber o mundo fossem inseridos.
O ato de traduzir e interpretar pode levar a perdas e ganhos de uma língua para a outra, de uma cultura para a outra. A relevância do trabalho está no respeito à forma como o outro lê/vê e percebe o mundo literário, como este, lhe é apresentado.

13) Estratégias de tradução para libras do vestibular ufsc/2013

Aline Nunes de Sousa – UFSC
Janine Soares de Oliveira – UFSC
Roberto Dutra Vargas – UFSC

A UFSC disponibiliza o exame de vestibular em Libras para os candidatos a vagas do curso de Letras-Libras desde 2006. Em 2012, a universidade ampliou as oportunidades aos candidatos surdos integrando o vestibular do curso de Letras-Libras ao vestibular tradicional, oferecendo a tradução para Libras de todas as provas, garantindo-lhes igualdade de oportunidade no processo seletivo. O presente trabalho tem como objetivo apresentar as estratégias adotadas no processo de tradução do português para a Libras do exame de vestibular UFSC/2013. O projeto de tradução contemplou as provas objetivas de Matemática, Biologia, História, Geografia, Física, Química, as propostas de redação e a prova discursiva, além da gravação das provas de Libras como L1 e como L2. Dentre os procedimentos adotados destacam-se: tradução das provas por tradutores com formação específica para cada área do conhecimento; inserção de imagens e fórmulas no vídeo; legendagem de alguns termos; revisão das traduções e da edição.

14) Produções em Língua Brasileira de Sinais por aprendizes ouvintes, iniciantes e fluentes: um olhar atento para os parâmetros fonológicos

Luiz Antonio Zancanaro Junior – Universidade Federal de Santa Catarina

A pesquisa tem por objetivo fazer um estudo a cerca da estrutura interna dos sinais produzidos pelos aprendizes de Libras como segunda língua, analisando os tipos de erros fonológicos produzidos pelos aprendizes de Libras como L2, com base nos três parâmetros da fonologia de língua de sinais: configuração de mão, locação e movimento. Assim sendo, a pesquisa tem como foco os itens lexicais dos sinais, comparando-se um grupo de aprendizes iniciantes com um grupo fluente em L2 e os sinais precisos (alvos) encontrados 34 itens lexicais padronizados. Em suas tentativas de produção de lexicais de sinais visualizadas pelas produções dos surdos, aprendizes ouvintes tentam adaptar a forma dos itens lexicais de sinais de maneira que consigam produzi-las como possível imitação do surdo. Essas tentativas contêm “erros” que podem (ser) questionados como: que estratégias os aprendizes ouvintes estão utilizando para produzir determinados tipos de parâmetros da Libras? Após os vídeos serem analisados, iniciou a comparação com o dicionário, identificando assim, aspectos quantitativos e qualitativos, demonstrando além do número de ocorrência de erros fonológicos.

15) Proposta de instrumento avaliativo para docentes ouvintes bilíngues Português/Libras na educação de surdos

Vinicius Martins Flores e Ingrid Finger (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

O presente trabalho apresenta o recorte de um estudo inicial, que se estende nas regiões metropolitana e do Vale dos Sinos do Rio Grande do Sul. O objetivo é conhecer o uso da Libras pelos docentes ouvintes, almejar um instrumento que possa verificar, avaliar e analisar o nível de bilinguismo no ato da docência de discentes surdos onde a Libras esteja como língua de instrução e a língua portuguesa na modalidade escrita como segunda língua. Na elaboração serão considerados alguns pontos importantes como o contexto atual das escolas bilíngues, a formação de professores no ensino de surdos, as ações politicas, a legislação, e alguns pontos subjacentes como mecanismos didáticos de ensino. Na constatação inicial percebe-se que existe uma necessidade de elaboração de instrumento avaliativo que possa identificar as necessidades linguísticas do professor no exercício da docência em Libras para nortear novos rumos de formação docente na perspectiva de aprimorar o ensino de surdos.

16) Simetria na Poética Visual na Língua de Sinais Brasileira

Fernanda de Araujo Machado (PGET/UFSC) fernandachado.eba.ufrj@gmail.com

As inovações tecnológicas, notadamente a possibilidade de registro e compartilhamento de vídeos tem favorecido a pesquisa de produções literárias em LIBRAS. A Literatura Surda tem origem nas manifestações folclóricas da comunidade surda, por meiode histórias e poesia. A partir do registro dessas produções em vídeo tornou-se possível realizar análises que identificaram padrões de simetria e criatividade no uso da língua entre outras características. O objeto de análise apresentado nesse trabalho são poemas dePimenta e Henry. A análise dessa produção tem como objetivos buscar o reconhecimento e valorização da produção do poeta surdo, assim como identificar exemplos de uso criativo da língua. A metodologia consistiu em análise detalhada dos vídeos dos poemas buscando características encontradas anteriormente em outras produções literárias. A partir dos resultados, foram identificados importantes, como:organizar das regras, padronização poética, simétricos, dos efeitos de rima, quebra dos padrões métricos, o levantamento de simetrias na pesquisa pretendia verificar a relação existente dos recursos simétricos com o gênero textual da poesia.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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