Simpósio: A TRADUÇÃO E O ORIGINAL: TEORIA, CRÍTICA E PRÁTICA

Coordenadores: Andréa Cesco (UFSC)
Fabiano Seixas Fernandes (UFC)
Gilles Abes (UFSC)

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Este simpósio pretende congregar trabalhos cuja metodologia esteja centrada no cotejo entre texto/cultura-fonte e texto/cultura-alvo: análises de traduções (técnicas ou literárias), relatos de práticas reflexivas de tradução (publicadas ou em andamento) e a discussão de aspectos teórico-metodológicos da tradução e crítica tradutória. O objetivo é congregar não somente comentários acerca de traduções de natureza diversa – obras filosóficas, literárias, documentos jurídicos, entre outros –, mas também realizados sob os mais diversos pontos de vista teórico-metodológicos.

Desta maneira, serão aceitas contribuições dos seguintes tipos: (a) análises de traduções empreendidas por terceiros, atuais ou antigas, dos pontos de vista linguístico, histórico-culturais (Even-Zohar 1979, 1990), paratextuais (Levefere in Bassnett & Levefere [eds]: 1990), bem como do ponto de vista das normas de tradução (Toury 1995) ou do projeto tradutório (Berman 1984, 1985, 1995); (b) relatos de traduções em andamento, versando sobre a relação teoria e prática tradutórias ou sobre questões de metodologia tradutória (ver, por exemplo, Nord 2006 e Vinay & Darbelnet 1995); (c) discussões teórico-metodológicas acerca da crítica de traduções.

 

Local: Sala 204, CCE, bloco A

HORÁRIOS

PERÍODO 24 25 26
10:00- 11:30
13:30-15:00 Tradução e equivalência, sentido e referência
Fabiano Seixas Fernandes
(UFC)
Tradução e crítica: duas faces da mesma poiesis
Gabriele Greggersen
(UFSC)
Por uma tradução que desvele o outro
Letícia Goellner
(UFSC)
A noção de equivalência em tradução de canção
Thais Marçal Sarmento
(USP)
A tradução da ironia e suas dificuldades por meio da teoria funcionalista
Thaís Trevisan Oliveira
(UFSC)
The Years: um romance londrino
Janaína Freire Meneghel
(UFSC)
Análise comparativa entre as obras Interview with a Vampire de Anne Rice e a tradução brasileira de Clarice Lispector
Orivaldo de Morais Mathias
(UFSC)
De Price & prejudice para Orgulho e preconceito – tradução literária e crítica
Ricelly Jáder Bezerra da Silva
(UFC)
A tradução de termos da culinária do candomblé em Tenda dos milagres
André Luiz Nogueira Batista
(UFBA)
Traduzindo o humor dos coveiros: análise de duas traduções da peça A tragédia de Hamlet: príncipe da Dinamarca,Tiago Marques Luiz
(UFSC)
15:30-17:00 Notas sobre a tradução dos poemas de Juan del Encina (séc. XVI): algumas considerações sobre a sua época e música
Cláudia Grijó Vilarouca
(UFSC)
Tradução comentada ao português do entremez El juez de los divorcios, de Cervantes
Andréa Cesco
(UFSC)
Notas sobre a tradução comentada de Amor es más laberinto de Sor Juana
Mara Gonzalez Bezerra
(UFSC)
Tradução cultural comentada ao português dos contos “En defensa propria” e “Los nutrieros” de Rodolfo Jorge Walsh
Rafaela Marques Rafael
(UFSC)
Análise da tradução do conto “Famigerado”, de Guimarães Rosa, para a língua espanhola e proposta de retradução
Roberto Vasquez
(UFSC)
O apagamento do estrangeiro na tradução: o destino da forma a partir das cartas do poeta Charles Baudelaire
Gilles Jean Abes
(UFSC)
A avaliação da poeticidade tradutória nas traduções do poema “Les pas” de Paul Valéry
Lavínia Teixeira Gomes
(UFPB)
As ocorrências de Partizip I no primeiro capítulo de Der Tod in Venedig de Thomas Mann e sua representação na tradução inglesa Death in Venice, de Kenneth Burke
Stéfano Paschoal
(UFU)
Tradução de poesia mapuche chilena: possibilidades e caminhos
Juliana Almeida Colpani
(UFSC)

RESUMOS

1) A avaliação da poeticidade tradutória nas traduções do poema “Les pas” de Paul Valéry

Lavínia TEIXEIRA GOMES
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Objetivamos apresentar uma análise da poeticidade tradutória em três traduções do poema “Les Pas” de Paul Valéry (1922), feitas por Guilherme de Almeida (1965), Cláudio Veiga (1972) e Nelson Ascher (1989). A análise é baseada na proposta metodológica de Britto (2002) que defende a ideia de que a tradução de poesia e sua avaliação objetiva é possível. A poeticidade tradutória é avaliada através dos conceitos de “correspondência” e “perda” e dos seguintes critérios: esquema sonoro, recursos métricos, manutenção da paisagem semântica do original e manutenção dos recursos gramaticais mais significativos do texto original.

2) Análise comparativa entre as obras Interview with the Vampire de Anne Rice e a tradução brasileira de Clarice Lispector

Orivaldo de MORAIS MATHIAS
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

A figura do vampiro usada como comentário social de temas eloquentes pelos autores desse segmento de literatura fantástica podem retratar os problemas, medos e desejos de um determinado período histórico. Dessa maneira, a pesquisa tem como objetivo uma análise comparativa do texto-fonte e a tradução brasileira de Interview with the Vampire (1976) da escritora Anne Rice com tradução brasileira da escritora Clarice Lispector, focando nos excertos textuais onde forem encontradas conotações eróticas e insinuações sexuais presentes de forma sutil no livro e investigar sobre as prováveis estratégias de tradução empregadas pela tradutora. A análise será fundamentada nos princípios teóricos de Abordagem Funcionalista de Christiane Nord (1997) em que o leitor é o parâmetro alvo da análise, a função de um texto traduzido está diretamente relacionada com o público receptivo da tradução, o texto traduzido sofre variâncias para melhor atender a cultura de língua-alvo.

3) Análise da tradução do conto “Famigerado”, de Guimarães Rosa, para a língua espanhola e proposta de retradução

Roberto VAZQUEZ
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Este artigo é fruto de um estudo sobre a tradução do conto “Famigerado” de Guimarães Rosa para a língua espanhola. Nele foram analisadas algumas escolhas da tradutora, Virginia Fagnani Wey, a luz dos sistemas de deformação proposto por Berman. Vale salientar que quando se parte da proposta de traduzir algum texto de Guimarães Rosa, um trabalho muito apurado com a linguagem deve ser feito, pois se apresenta diante do leitor ou pesquisador um idioleto que requer certamente uma pesquisa lexical bastante apurada. Por isso aqueles que traduzem a obra desse autor têm como maior dificuldade manter o trabalho apurado com a linguagem e a rede de significação proposta. Sobre o conto, que tem como tema a importância do significado das palavras, Damásio, homem rude do sertão, apresenta-se ao médico da cidade (narrador) para perguntar-lhe sobre o significado da palavra famigerado, pois foi chamado assim por um moço do governo. Nesse conto podemos perceber a destreza do escritor na narrativa curta.

4) A noção de equivalência em tradução de canção

Thais Marçal PASSOS SARMENTO
Universidade de São Paulo (USP)

A tradução de canções é, ainda, um tema pouco investigado nos Estudos da Tradução. Esse não seria um problema relacionado ao seu volume de produção, já que há uma demanda muito significativa da tradução desse tipo de texto (Kaindl, 2005). A dificuldade de reconhecer a tradução de canção como tal pode estar relacionada com a questão da equivalência. Segundo Low (2003) há diferentes modos de traduzir canção, segundo sua finalidade. Em tradução de canção para ser cantada, por exemplo, consideram-se aspectos específicos tais como ritmo, rima e compasso. Pela simbiose da letra e da melodia, o texto a se traduzir (letra) se sujeita ao elemento extralinguístico da música, o que segundo Hurtado (2010) configura um tipo de tradução subordinada. Este trabalho pretende pensar o conceito complexo de equivalência relacionado à prática de tradução de canções através de alguns exemplos de um importante compositor brasileiro e tradutor de canções: Chico Buarque.

5) A tradução de termos da culinária do candomblé em Tenda dos milagres

André Luiz NOGUEIRA BATISTA
Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Este artigo de caráter exploratório objetiva analisar as escolhas da tradutora Barbara Shelby Merello, com relação à tradução dos termos relacionados à culinária de origem africana relacionada ao candomblé presentes no romance Tenda dos milagres, de Jorge Amado, publicado em 1969. Fundamentado nos conceitos de domesticação e estrangeirização, de Lawrence Venuti, bem como nos conceitos de rastro, différance e suplemento de Jacques Derrida, na Teoria dos Polissistemas e na definição de Comunidade Interpretativa, por Stanley Fish, analisaremos algumas das escolhas na tradução de Merello, Tent of Miracles, publicada em 1971, pela The University of Wisconsin Press. Será analisada também a influência de fatores extra-literários sobre tais escolhas, como o contexto socio-político brasileiro e norte-americano, quando da publicação da obra em português e da sua tradução para a língua inglesa, bem como possíveis exigências mercadológicas vigentes à época.

6) As ocorrências de Partizip I no primeiro capítulo de Der Tod in Venedig de Thomas Mann e sua representação na tradução inglesa Death in Venice, de Kenneth Burke

Stéfano PASCHOAL
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Esta comunicação é parte de um trabalho maior, cujo intuito é investigar se existe uma padronização da tradução de estruturas adjetivais com Partizip I do alemão para o inglês. Apresentaremos, aqui, uma amostra das ocorrências de Partizip I no primeiro capítulo da obra Der Tod in Venedig, de Thomas Mann, e sua representação na tradução Death in Venice, de Kenneth Burke. Pretende-se, através disso, mostrar como as informações expressas pela via dessas estruturas adjetivais – deveras frequentes na supramencionada obra de Thomas Mann – foram recuperadas na tradução inglesa.

7) A tradução da ironia e suas dificuldades por meio da teoria funcionalista

Thaís TREVISAN OLIVEIRA
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Este trabalho pretende apontar e comentar as dificuldades no processo tradutório de alguns trechos retirados do entremez “Viejo Celoso” (que retrata dentre alguns temas: o ciúme e o domínio do homem sobre a mulher) do livro Entremeses, do espanhol Miguel de Cervantes Saavedra, do espanhol para o português. O foco central a ser discutido é a dificuldade de se traduzir a ironia de um texto teatral, com uma linguagem arcaica e manter o mesmo sentido e objetivo da mensagem para a língua alvo. Nos apoiaremos em teóricos como Patrice Pavis, teórico especializado sobre os estudos do teatro bem como a sua relação entre o texto e sua performance, e Christiane Nord que defende uma teoria de tradução mais funcionalista e cultural, cujo resultado poderia ser denominado, por algumas correntes teóricas como traduções mais “naturalizadoras” ou “domesticadoras”. Intenciona-se, portanto, apresentar uma possível tradução que leve o texto ao leitor, deixando-o mais claro e assim, mais compreensível ao público meta.

8) De Pride & prejudice para Orgulho e preconceito – tradução literária e crítica

Ricelly Jáder BEZERRA DA SILVA
Universidade Federal do Ceará (UFC)

Este trabalho objetiva analisar o processo tradutório do romance Pride and Prejudice (2009), para as obras em português Orgulho e Preconceito (2010), traduzido por Celina Portocarrero e Orgulho e Preconceito (2010), traduzido por Roberto Leal Ferreira. Em seu romance Jane Austen tece críticas à estrutura social inglesa do século XIX utilizando o recurso da ironia e apresentando personagens alegóricos. Assim, indagamo-nos quais estratégias foram empregadas no processo tradutório do romance, uma vez que ao ser traduzido um texto é ressignificado. Também consideramos o papel dos tradutores como coautores das obras traduzidas. Como base teórica recorremos ao conceito de tradução como Reescritura, de André Lefevere (2007) e empregamos a discussão a respeito da invisibilidade do tradutor apresentada por Lawrence Venuti (2002).

9) Notas sobre a tradução comentada de Amor es más laberinto de Sor Juana

Mara GONZALEZ BEZERRA
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O trabalho a ser apresentado baseia-se em uma pesquisa de Doutorado em andamento sobre a tradução comentada da peça teatral Amor es más laberinto de Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695). Abordar-se-á o processo de tradução ao procurar equivalências do espanhol para o português e as possibilidades de tradução para alguns trechos selecionados para apresentação, assim como se discute a relevância do trabalho de tradução do texto fonte como prática cultural e como se refletirá no texto alvo. Os pressupostos teóricos de Pavis (2008), Venuti (2002) e Berman (2013) são fundamentais para embasar o trabalho em que se insere a pesquisa. A obra está dentro um contexto Barroco espanhol, além de representar a escrita do período colonial hispano-americano. A comédia teatral recria o mito do Minotauro de Creta, ambientada nas obras de cavalaria e graciosas confusões criadas a partir de mal entendidos entre os personagens.

10) Notas sobre a tradução dos poemas de Juan del Encina (séc. XVI): algumas considerações sobre a sua época e música

Cláudia GRIJÓ VILAROUCA
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Este trabalho visa a apresentar o projeto de tradução dos villancicos de Juan del Encina (1468-1529), compositor e poeta profícuo, a quem se atribui a consolidação de uma identidade própria da produção poético-musical da Renascença espanhola. Conforme R.O. Jones e Carolyn R. Lee (Poesía Lírica y cancionero musical, 1972), Juan del Encina foi o príncipe da canção espanhola nos últimos anos do século XV e nos primeiros do século XVI. No projeto acima referido, o foco é a tradução dos villancicos do Cancionero Musical de Palacio, com o intuito de começar a difundir a obra do autor, ainda pouquíssimo conhecida no Brasil, bem como discutir as condições línguísticas – compreendendo o contexto sócio-histórico e cultural – na tradução de textos poéticos do renascimento espanhol.

11) O apagamento do estrangeiro na tradução: o destino da forma a partir das cartas do poeta Charles Baudelaire

Gilles Jean ABES
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Este artigo pretende apresentar e analisar comentários feitos pelo poeta Charles Baudelaire sobre a sua poética, com o objetivo de repensar o ato tradutório e a função do estrangeiro nos textos literários. As discussões esparsas que o autor das Flores do Mal trava em sua vasta correspondência, frequentemente para defender a sua escrita, formam um conjunto de apontamentos que nos permitem refletir sobre a eterna busca da forma pelos escritores. A partir dessa reflexão sobre essa luta com as palavras, coloca-se em questão o apagamento do estrangeiro na tradução, entendido na acepção das artes plásticas como uma luz estrangeira, diferente da principal, usada artisticamente para criar o efeito do quadro. A busca do autor seria assim um eterno duelo com uma forma que deve ser criada – luz estrangeira – para escapar ao território comum da língua padrão – luz principal. Ao entender o valor dessa busca, pode-se melhor avaliar o apagamento dessa luz estrangeira em diferentes obras traduzidas.

12) Por uma tradução que desvele o outro

Letícia M.V.S. GOELLNER
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O objetivo deste trabalho é apresentar a defesa de uma proposta de tradução que “estrangeiriza” e, na medida do possível, desvela o papel e a importância do tradutor e do texto traduzido. Servirão de base para esta apresentação textos dos teóricos Schleiermacher, Venuti e Berman. Serão levantados questionamentos sobre até que ponto é possível aplicar tais teorias na prática de tradução. O escopo deste trabalho, portanto, está em consonância com o tema proposto pelo simpósio, uma vez que serão refletidas ideias sobre a relação teoria versus prática no processo tradutório. Serão analisados e comparados trechos de textos literários cuja língua fonte é o espanhol, especificamente de literatura hispano-americana, vertidos para a língua portuguesa no Brasil. Discutiremos até que ponto a postura do tradutor ou as estratégias de tradução utilizadas podem ser consideradas “naturalizadoras” ou “estrangeirizantes”. Também serão discutidas possibilidades tradutórias para um texto ainda não traduzido para o português, do autor mexicano José Juan Tablada, dentro da perspectiva dos teóricos supracitados.

13) The Years: um romance londrino

Janaina FREIRE MENEGHEL
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

The Years, uma das mais conhecidas obras de Virginia Woolf, foi lançada na Inglaterra em 1937. A única tradução feita para os brasileiros deu-se apenas em 1982, pelo tradutor e diplomata Raul de Sá Barbosa. Através da leitura da obra, pode-se perceber a importância da cidade de Londres no contexto geral do romance, que engloba uma época que vai de 1880 a meados de 1930 e fala sobre a típica família da era vitoriana. As personagens em The Years convivem, então, com fatores históricos reais presentes de forma regular. A partir deste ponto, pretende-se analisar que papéis tais referências desempenham na obra de Woolf, e perceber de que modo suas influências se mantêm – ou se dispersam – na versão brasileira.


14) Tradução comentada ao português do entremez El juez de los divorcios, de Cervantes

Andréa CESCO
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Este artigo pretende apresentar e comentar as soluções empregadas em algumas passagens da tradução ao português do entremez El juez de los divorcios (século XVII), do espanhol Miguel de Cervantes Saavedra. Pretende-se mostrar como foram solucionados alguns problemas relacionados a itens léxicos arcaicos, obscuros e em desuso, assim como alguns correlatos ao português. Quanto à historia desta curta peça teatral, que é uma sátira social, alguns casais se apresentam diante de um juiz para solicitar o divórcio; elas se queixam e maldizem dos seus cônjuges e se lamentam por terem contraído matrimônio. Mas, o juiz recusará as demandas argumentando ausência de provas. Os casais são formados por Mariana, que está farta de aguentar o velhote, Guiomar e o soldado preguiçoso, Aldonça e um cirurgião e por último um ganapán que casou com uma pecadora só para salvá-la. Através da ruptura conjugal ̶ tema principal da historia ̶ , outros temas como a cobiça, a mentira e o egoísmo serão tratados.

15) Tradução cultural comentada ao português dos contos “En defensa propia” e “Los nutrieros” de Rodolfo Jorge Walsh

Rafaela MARQUES RAFAEL
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Pretende-se, neste artigo, fazer uma tradução cultural ao português- dos contosEn defensa propia” e “Los nutrieros”, presentes no livro Cuento para tahúres y otros relatos policiales, uma compilação de relatos e notas escritos por Rodolfo Jorge Walsh (1927-1977) entre 1951 e 1961 e publicados em volume só em 1987, dez anos após sua morte – levando em conta que os objetos desse estudo são contos do gênero policial de um escritor argentino. Ou seja, a partir da análise das relações de receptividade (cultural) com o gênero entre um país e outro, procura-se encontrar a melhor maneira de levar à língua fonte as características do gênero policial na língua alvo. É importante ressaltar que o intuito dessa proposta é integrar a teoria com a prática, ou seja, a partir das discussões e reflexões teóricas detectar como a enquadrar na prática. Busca-se, então, desenvolver uma reflexão e um estudo sobre a tradução realizada, salientando seu desenvolvimento e justificando o método adotado.

16) Tradução de poesia mapuche chilena: possibilidades e caminhos

Juliana ALMEIDA COLPANI
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Objetiva-se, com este artigo, discutir alguns possíveis caminhos tradutórios à poética indígena mapuche chilena. O processo tradutório varia entre teorias as quais, de um lado, ampara-se a intenção de manter a forma e, por outro, sustenta-se a ideia de priorizar o sentido, transportar a cultura. Além disso, o poema nos oferece, ademais da parte técnica, a emoção, e são estas características pelas quais temos que nos conscientizar diante deste processo. Não devemos deixar de lado um e enaltecer o outro. A poesia mapuche chilena nasceu a partir de vozes indígenas reprimidas, as quais encontraram seu lugar, sua liberdade em forma de literatura escrita, sem prender-se a normas e regras. São poemas com formas e versificações livres, não contendo rima nem métrica definidas. É o que trás este livro repleto de emoções, “Hilando en la memoria”, uma coletânea de 14 mulheres mapuche em busca de seu espaço no mundo. Originalmente, suas canções tradicionais, que serviam como fuga da dura realidade, foram as primeiras compilações que abririam espaço à poesia hoje conhecida.

17) Tradução e crítica: duas faces da mesma poiesis

Gabriele GREGGERSEN
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

A relação entre tradução e crítica, que é a temática do trabalho, é examinada à luz de múltiplas correntes dos estudos da tradução. São considerados ainda os aspectos hermenêuticos da crítica como leitura, na concepção de C.S Lewis, e sua relação com a fenomenologia, particularmente do círculo hermenêutico de Heidegger, Gadamer e Paul Ricoeur. Depois dessa discussão, introduz-se o elemento que faz a ponte entre tradução e crítica, que é a criatividade, envolvida em toda obra artística, e especial também na tradução, entendida como arte pelo que se torna passível de crítica, com destaque à abordagem de Haroldo Campos e Paulo Henriques Britto. Finalmente, propõe-se que a relação crítica e tradução seja dada de forma teleológica, ou seja, através de sua finalidade, voltada para a recepção e apreciação da obra. No entender de Josef Pieper a crítica tem um pólo aberto para o real. Conclui-se com a proposta de uma “Tradução-Crítica” triádica, cujo terceiro vértice é a imaginação ou criação.

18) Tradução e equivalência, sentido e referência

Fabiano SEIXAS FERNANDES
Universidade Federal do Ceará (UFC)

A presente investigação visa questionar o conceito de tradução relacionando-o ao de sentido. Muitos teóricos parecem aceitar a manutenção de sentidos como o elemento central que faz de um texto a tradução de outro (veja-se, por exemplo, Attardo: 2002, que endossa a idéia e Appiah: 1993, que a põe em questão), mas apenas isso não basta, pois se faz igualmente presente em outros gêneros: paráfrases, resumos, e talvez mesmo resenhas etc. Trata-se, portanto, de condição necessária, mas não suficiente para que dois textos quaisquer sejam considerados original e tradução. Na tentativa de aproximar as discussões conceituais já existentes acerca de tradução e sentido, tentar-se-á uma aproximação entre a discussão clássica referencial acerca do sentido (iniciada com Frege: 1892 e continuada por Russell: 1905 e Tarski: 1944) e o discurso teórico tradutório dos séculos XX e XXI, especialmente, os textos já clássicos compilados por Venuti (ed.) (2012) e discutidos por Pym (2010).

19) Traduzindo o humor dos coveiros: análise de duas traduções da peça A tragédia de Hamlet: príncipe da Dinamarca

Tiago MARQUES LUIZ
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

O trabalho foca a tradução da cena dos coveiros da peça A tragédia de Hamlet: príncipe da Dinamarca, traduzida por Millôr Fernandes (2011) e Carlos Alberto Nunes (2011), no tocante aos elementos humorísticos da peça. A base teórica se debruça na Teoria Geral do Humor Verbal de Salvatore Attardo (2002) e o modelo descritivo de José Lambert e Hendrik Van Gorp (2011), focando o macronível e o micronível. O trabalho fará uma consideração a respeito da tradução do humor shakespeariano (BARANCKZAK, 1992), com suas peculiaridades (ROZAKIS, 2002). Além disso, considerações sobre o coveiro na peça (WARDE, 1915; MARKHAM, 2011), assim como uma historização desta figura cômica (MINOIS, 2003). Encerrando, uma análise das traduções em relação ao texto-fonte, com base no arcabouço mencionado. O texto fonte utilizado para esta pesquisa é o Fólio de 1603, publicado pela Oxford Shakespeare em 2005 e as traduções mencionadas foram publicadas pela L&Pm Pocket e Nova Fronteira.

CRÉDITOS DAS TRADUÇÕES

Italiano: Nicoletta Cherobin

Espanhol: Rosario Lázaro Igoa & Luz Adriana Sánchez Segura

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